Finalistas - Minha história no esporte

Leia as duas histórias finalistas e vote na que você mais gostou.

História #1
Maria Fermagnusson

Meu nome é Maria Fernanda Magnusson Corain. Tenho 15 anos e sou competidora de 3 Tambores (esporte equestre) e treinadora. Comecei no esporte um pouco mais tarde do previsto, com 10 anos. Sou a única na minha família que tem essa paixão exótica de montar e treinar cavalos.

Quando comecei, meu foco era fazer por hobby, pois eu realmente gostava daquilo, de sentir aquela conexão, aquele vento nos cabelos e aquela adrenalina! Mas os planos de Deus são espetaculares. Com 10 anos, iniciei no esporte e, bom… Eu não comecei já ganhando, na verdade comecei ralando bastante.

Nunca foi fácil para mim, as pessoas riam muito quando eu entrava em pista e falavam que eu montava muito mal e não tinha jeito para aquilo. Eu não me deixava abalar! Meus pais começaram a investir em cavalos, começamos com 1 e, em menos de um ano, já estávamos com 4 animais. Infelizmente, eu ia para as competições e sempre errava, me desconcentrava e sempre riam na minha frente.

Aquilo me deixou muito abalada, mas eu respirei fundo e continuei treinando cada vez mais. Com 10 anos, eu já estava sonhando em ser uma das melhores, era meu foco. Mudei de treinador e compramos um cavalo mais evoluído. Nessa época, me afastei um pouco das pistas e treinamos duro. 

Voltei para as pistas e, na primeira prova, já estava entre os três primeiros. Nesses tempos, fui evoluindo de cavalo e mudando de treinador, mas passamos por altos e baixos, muitos treinadores que nos prejudicaram financeiramente e emocionalmente. Não foi fácil. Em 2022, mudamos para um rancho onde me prejudicaram muito, viam meu potencial e treinavam meus cavalos errado e tentavam me abalar de qualquer jeito, mas segui firme.

No final de 2022, tomei a maior decisão da minha vida: eu iria treinar meus cavalos que eram “descarte”, ou seja, cavalos que foram descartados, que não tinham mais conserto e não dariam marca de acordo com comentários de pessoas do meio. Eu decidi treinar sozinha, fazer cursos com apenas 15 anos e ir em busca de conhecimento e buscar o meu tão sonhado sonho de ser recordista mundial de tambor e uma futura treinadora. Loucura, não? Uma menina de 15 anos e mulher ainda. Como eu teria espaço nesse meio onde todos os treinadores têm, no mínimo, 25 anos e são homens? Essa decisão foi a melhor que tomei em minha vida.

Comecei a fazer um curso com o recordista mundial Décio Talon e, 4 meses após começar o curso, decidi levar minha égua que não baixava de 19s e vivia derrubando para uma competição. O resultado foi 3 troféus na competição e, em um deles, eu estava no meio dos grandes treinadores. Depois disso, fui treinando mais cavalos e eles foram dando mais resultado, inclusive eu e essa égua participamos do mundial e conseguimos ficar top 10. Em 9 meses, conquistamos 15 troféus e 4 medalhas em competições de nível mundial e baixamos 2 segundos e meio de nosso tempo. Agora, estou em busca de evoluir e buscar mais conhecimento.

Às vezes, penso como eu estaria se tivesse prestado atenção nas críticas e nas risadas. Eu jamais estaria vivendo o que estou vivendo hoje. Deus é tão bom. Rumo ao recorde mundial

História #2
Hudson Cunha Melo e Oliveira

Sempre amei a ideia de estar em movimento. Quando pequeno e, assim como quase todo garoto brasileiro, eu queria ser jogador de futebol. No entanto, com o tempo, por falta de motivos pra continuar treinando futebol, essa paixão foi se perdendo. Com isso, acabei me tornando sedentário e atingindo a obesidade, ainda na minha infância. Algum depois, com 14 anos, após ter sofrido muito bullying e estar com uma depressão forte, achei outro esporte: o basquete.

Eu me tornei obcecado, passava horas jogando e treinando todos os dias, mas, sempre que percebia uma melhora, eu me lesionava. E isso, junto com a dificuldade de achar treinadores ou times de iniciação na minha cidade, além da eventual pandemia, me frustrou intensamente, de modo que eu, novamente, desisti.

Mais uma vez, sentindo um vazio dentro de mim e com a depressão piorando, além de estar cada vez mais obeso devido ao famoso “sedentarismo pandêmico”, decidi assistir a um filme com a minha mãe, esse chamado “Rocky: Um Lutador”. No dia seguinte, resolvi fazer um treino experimental de boxe, sem pretensão alguma de me tornar profissional ou algo do tipo.

Eu fiquei tão ansioso com o treino que nem consegui dormir no dia anterior. E, assim, aconteceu. O pico de endorfina me fez ficar novamente apaixonado pelo movimento. Assim, em outubro de 2021, com 16 anos e após 1 mês treinando boxe 3 vezes por semana, eu perdi 12 quilos — estava com 112 e fui para 100kg —, aprendi a fazer flexão de braço e já conseguia pular o básico de corda.

Na metade de 2022, eu decidi que queria ser um atleta de boxe, mesmo tendo ideia das dificuldades pelas quais eu passaria, da quantidade de socos no rosto, da fadiga quase que constante e dos hábitos que eu teria que mudar.

Hoje, com 18 anos em 2023, eu percebo que não tenho capacidade de viver sem me movimentar, sem praticar esportes, e, principalmente, sem treinar boxe, o esporte pelo qual competirei com afinco em 2024.