Anthony Edwards vai passar por uma artroscopia no joelho direito nesta quinta-feira (29) e pode ficar até dois meses longe das quadras. A informação foi publicada pela ESPN, com apuração de Shams Charania, na noite de terça-feira (27), e confirmada por fontes do Minnesota Timberwolves ao jornal Star Tribune.
A notícia chega no pior momento possível para o astro. Edwards vivia o melhor início de temporada da carreira: 133 pontos nos quatro primeiros jogos, recorde da franquia, sendo 47 deles na segunda-feira (26), na derrota por 127 a 125 para o Cleveland Cavaliers, na prorrogação. Menos de 24 horas depois, veio a notícia de que ele vai para a sala de cirurgia.
O que se sabe sobre a cirurgia
Segundo a ESPN, o procedimento é uma artroscopia no joelho direito, e a previsão é de até dois meses de afastamento. A Associated Press, que também ouviu uma fonte ligada ao caso, informou que um prazo mais preciso para o retorno só será conhecido depois da operação.
Quando as primeiras reportagens saíram, o Timberwolves ainda não havia feito anúncio público sobre o plano. O clube chegou a listar Edwards como dúvida para o jogo desta quarta-feira (28), contra o Golden State Warriors, antes de a decisão pela cirurgia ser tomada. Os detalhes exatos do problema atual no joelho não foram divulgados.
Se o prazo de dois meses se confirmar, Edwards só voltaria por volta do Natal. A conta da AP aponta cerca de 25 jogos de ausência.
Os sinais apareceram no domingo
O incômodo ficou visível na estreia em casa, no domingo (25), na vitória por 117 a 94 sobre o Toronto Raptors. Edwards fez 26 pontos em 27 minutos. Depois de uma enterrada com as duas mãos no fim do primeiro tempo, porém, voltou para a defesa com cuidado e passou a posse seguinte parado no canto da quadra, apertando o joelho direito por alguns segundos, de acordo com o relato da AP.
O episódio colocou o camisa 5 no relatório de lesões. Antes do jogo em Cleveland, o técnico Chris Finch tratou o caso como uma “situação do dia a dia” e disse não ver preocupação de longo prazo. Edwards foi liberado depois do aquecimento, no segundo jogo de uma sequência de duas noites seguidas, o chamado back-to-back.

47 pontos, 41 minutos e uma derrota na prorrogação
Em Cleveland, Edwards jogou 41 minutos, a maior minutagem dele na temporada, e terminou com 47 pontos, acertando 19 de 33 arremessos de quadra. Marcou 11 pontos só na prorrogação, mas o Minnesota perdeu por 127 a 125 e viu cair a invencibilidade do começo de campanha.
Foi o segundo jogo de 45 pontos ou mais em quatro rodadas. Na estreia, em 21 de outubro, ele havia anotado 45 na vitória por 131 a 106 sobre o Miami Heat, com nove bolas de três. Segundo a ESPN, Edwards virou o quarto jogador da história da NBA com mais de um jogo de 45 pontos nos quatro primeiros jogos do time na temporada.
Os números do arranque explicam o tamanho da perda: média de 33,3 pontos, a segunda maior da liga, atrás dos 34,3 de Luka Doncic, além de 4,8 rebotes e 3,5 assistências, com 48% de aproveitamento nos arremessos. Os 133 pontos em quatro jogos superaram o recorde anterior do Timberwolves para o período, de 120, que pertencia ao próprio Edwards, de duas temporadas atrás.
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Um joelho que já vinha cobrando a conta
O problema não é novo. Na temporada passada, Edwards conviveu com o problema que a ESPN descreve como “joelho de corredor” (runner’s knee), na mesma perna direita. Ele ficou fora de 9 dos últimos 22 jogos da fase regular para administrar a lesão e, já nos playoffs, sofreu uma hiperextensão no joelho esquerdo durante a série de primeira rodada.
No total, foram 21 jogos perdidos em 2025/26, a maior marca da carreira. O Minnesota se segurou sem ele, com 12 vitórias e 9 derrotas nessas partidas. O contraste com o histórico é grande: nas cinco primeiras temporadas na NBA, Edwards havia ficado fora de apenas 19 de 400 jogos possíveis, segundo a AP.
Na pré-temporada, o jogador contou que tirou um período de folga no verão americano para deixar os joelhos se recuperarem e não relatou problemas durante o training camp. Quatro jogos depois do início da temporada regular, o quadro voltou a aparecer.

O efeito nos prêmios e no supercontrato
A ausência pesa além da tabela. Com dois meses fora, Edwards ficaria abaixo do mínimo de 65 jogos exigido pela NBA para concorrer ao prêmio de MVP e às seleções da temporada (All-NBA). Segundo a ESPN, qualquer uma dessas honrarias o tornaria elegível a uma extensão supermáxima de quatro anos e 304 milhões de dólares no próximo verão americano, com o primeiro ano do contrato em 2029/30.
O empresário do jogador, Justin Holland, minimizou esse lado da questão em declaração à ESPN: “Não se trata de prêmios individuais, de All-NBA ou de nada disso. O foco é um só: ganhar um título. Vimos em pouco tempo do que o time é capaz e sabemos que coisas grandes vêm pela frente quando todos estiverem 100%.”
Como fica o Minnesota sem seu principal jogador
Edwards, escolhido número 1 do draft de 2020, soma quatro participações no All-Star Game, duas seleções para o All-NBA e o ouro olímpico com os Estados Unidos em Paris 2024. Desde que ele chegou à liga, apenas Luka Doncic, Nikola Jokic, Shai Gilgeous-Alexander e Giannis Antetokounmpo marcaram mais pontos, de acordo com a AP.
O Timberwolves tem campanha de três vitórias e uma derrota e volta à quadra nesta quarta-feira (28), contra o Golden State Warriors. Sem o cestinha, a produção ofensiva terá de ser redistribuída num elenco que tem Rudy Gobert e LaMelo Ball, que estreou pelo Minnesota nesta temporada.
O calendário ainda reserva uma coincidência. Se o prazo de dois meses se confirmar, o retorno ficaria perto do jogo de Natal contra o Oklahoma City Thunder, outro time atingido por lesões neste começo de temporada. O Thunder perdeu Jalen Williams e Cason Wallace, que também passarão por cirurgias, como o Atleta Pro já noticiou.
O que o caso ensina sobre alta performance
A história de Edwards expõe um dilema conhecido de qualquer atleta que compete em alto volume: produzir no limite e, ao mesmo tempo, preservar o corpo para a temporada inteira. Ele chegou ao melhor nível ofensivo da carreira justamente quando o joelho voltou a dar sinais.
O primeiro ponto é a gestão de carga ao longo do calendário. Edwards tirou folga no verão e começou a temporada sem queixas, mas o joelho voltou a aparecer no relatório de lesões já no terceiro jogo. O caso mostra que uma pausa na entressafra, sozinha, não garante que o atleta vá sustentar a carga de jogos que vem depois.
O segundo é a leitura dos sinais precoces. O incômodo apareceu no domingo, e na noite seguinte o jogador fez 41 minutos no segundo jogo de um back-to-back. Não há informação pública de que essa partida tenha agravado o quadro, mas a sequência mostra como é estreita, para comissão técnica e departamento médico, a margem entre liberar um atleta e preservá-lo.
O terceiro é o momento da decisão. Resolver o problema em outubro, com a temporada no início, tem custo alto em jogos e prêmios individuais, mas abre espaço para chegar inteiro à reta final. A fala do empresário de Edwards deixa clara a prioridade declarada: o título, não as honrarias.
Para o atleta amador e para o treinador, o recado vem da própria sequência dos fatos: volume alto de competição pede planejamento de carga e atenção ao que o corpo sinaliza. Qualquer decisão sobre dor ou lesão, porém, cabe a uma avaliação médica individual, como aconteceu no caso de Edwards.
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Fontes: ESPN, Associated Press, via The Guardian, Star Tribune, ESPN, Cavaliers 127 x 125 Timberwolves, ESPN, Timberwolves 117 x 94 Raptors e AP, via KSTP.







