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Manchester United cai no Chelsea e chega a 9 jogos sem vencer

Árbitro Peter Bankes mostra o cartão vermelho a Lisandro Martínez, do Manchester United, em Stamford Bridge

Por 45 minutos, o Manchester United pareceu ter encontrado uma saída. Criou as melhores chances em Stamford Bridge e foi para o intervalo em condição de ganhar o jogo, o que aliviaria a pressão sobre o técnico Michael Carrick. Em 14 minutos do segundo tempo, tudo desmoronou: gol de Morgan Rogers, expulsão de Lisandro Martínez, pênalti de Cole Palmer e derrota por 2 a 0 para o Chelsea neste sábado (31), pela nona rodada da Premier League.

O resultado deixa o clube inglês com nove jogos sem vencer em todas as competições, com três empates e seis derrotas. A BBC aponta a pior sequência desde 1988-89, e a Sky registra que a última mais longa foi em 1984, com dez partidas. Na tabela, o United é o 17º, com 7 pontos, os mesmos do Crystal Palace, primeiro time da zona de rebaixamento. Só o saldo de gols separa os dois.

O United mandou no primeiro tempo e não fez gol

Carrick chegou pressionado e devolveu a titularidade ao capitão Bruno Fernandes, que tinha ficado no banco na derrota por 3 a 0 para o Bournemouth depois de criticar a tática usada nos 4 a 1 sofridos diante do Como, na Champions League. A resposta veio logo: o United foi rápido nos contra-ataques e deixou o Chelsea desconfortável.

Faltou a finalização. Bruno mandou por cima, sozinho, um cruzamento de Bryan Mbeumo. Amad Diallo parou duas vezes no goleiro Mike Penders. Matheus Cunha, de volta ao time, teve um gol anulado por impedimento quando o jogo ainda estava 0 a 0, e o volante Andrey Santos, que deixou o Chelsea rumo a Old Trafford na última janela, chutou perto da trave. O Guardian lembrou ainda que Benjamin Sesko está fora até o ano novo.

O Chelsea também sofria. Sem João Pedro, lesionado na coxa, Xabi Alonso usou Pedro Neto como referência no ataque e deu a Estêvão a primeira titularidade dele na liga nesta temporada. A escalação foi a segunda mais jovem da história do clube na Premier League, ao lado de outra de 2024, com média de 23 anos e 89 dias, segundo a Opta.

Morgan Rogers, do Chelsea, encobre o goleiro Senne Lammens e abre o placar contra o Manchester United em Stamford Bridge
Rogers encobre Lammens no gol que abriu o placar, aos 50 minutos. Foto: Ian Walton/AP

Um minuto e 23 segundos que mudaram o jogo

O desmonte começou aos 50 minutos. Mbeumo se complicou com a bola, Moisés Caicedo travou o avanço, Roméo Lavia tocou para Rogers, e o atacante atravessou a defesa sem ser parado antes de encobrir Senne Lammens. Foi o sexto gol dele na temporada. Com quatro assistências, Rogers chegou a dez participações em gols em todas as competições, número que só Erling Haaland, com 13, havia alcançado na Premier League.

O golpe final veio de dentro do próprio time. Já advertido por uma falta em Rogers, Lisandro Martínez bloqueou Wesley Fofana na área durante um escanteio cobrado por Estêvão e atingiu o rosto do zagueiro com o braço. O árbitro Peter Bankes não viu o lance. O VAR o chamou ao monitor, e o resultado foi segundo amarelo, expulsão e pênalti. Palmer converteu aos 64 minutos.

A BBC cronometrou o intervalo entre as duas faltas do argentino: um minuto e 23 segundos. Darren Cann, que integrou a arbitragem de uma final de Copa do Mundo, chamou a atitude de “inexplicável” e disse à emissora que Lisandro “foi corretamente expulso”. Carrick não olhou para o zagueiro quando ele deixou o campo e, depois do jogo, disse que ainda não tinha revisto o lance, mas que foi “um grande momento na partida”.

Havia um contexto: 18 dias antes, Lisandro criticara publicamente o planejamento do clube depois da derrota para o Atlético de Madrid. Agora, ele cumpre suspensão no próximo domingo, contra o Aston Villa, em Old Trafford.

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Os números que colocam Carrick em risco

O retrospecto explica a tensão. O United ganhou apenas 2 dos 13 jogos na temporada, contra o Ipswich, recém-promovido, e o Sabah, estreante na Champions, segundo a Associated Press. Na liga, é uma vitória em nove rodadas, e em nenhuma delas o time terminou sem sofrer gol.

A Sky acrescentou um dado incômodo: é a primeira vez desde 1973-74 que o United não vence nenhuma das sete primeiras partidas fora de casa em uma temporada. Foi naquele ano que o clube sofreu o último rebaixamento da sua história.

Ao fim da partida, a torcida visitante apoiou Carrick e cantou contra os donos do clube e contra o diretor de futebol Jason Wilcox, relatou o Guardian. O técnico não fugiu do tamanho do problema. “As coisas estão indo contra nós, e de um jeito muito forte”, disse à AP. “Desandou rápido.”

Segundo a AP, ele disse esperar continuar no cargo. “Só estou pensando em preparar os jogadores para o meio de semana”, afirmou. O compromisso é na terça-feira (3), contra a Roma, em Old Trafford, pela Champions League. Depois vêm Aston Villa e Liverpool na Premier League, com a pausa para seleções entre as duas partidas.

Estêvão aproveita a chance, e o Chelsea volta ao G4

Do outro lado, o dia terminou bem para o brasileiro de 19 anos. Estêvão foi um dos destaques da vitória, cobrou o escanteio que originou o pênalti e teve dois gols anulados por impedimento, um deles após revisão muito apertada do VAR. Ele ainda obrigou Lammens a uma defesa difícil.

“Ele foi muito bem. Estou feliz por ele”, disse Alonso à TNT Sports. “Ele merecia essa chance.” O técnico espanhol reconheceu que a atuação dá ao jovem mais argumentos para pedir minutos.

Xabi Alonso abraça Estêvão durante a vitória do Chelsea sobre o Manchester United em Stamford Bridge
Alonso abraça Estêvão, titular na liga pela primeira vez na temporada. Foto: Chelsea FC

Palmer também saiu com marca própria. O pênalti foi o 50º gol dele pelo Chelsea na Premier League, em 105 jogos. Só Jimmy Floyd Hasselbaink, com 84 partidas, e Diego Costa, com 85, chegaram lá mais rápido pelo clube.

A vitória levou o Chelsea a 16 pontos e ao quarto lugar, acima do Liverpool, que ainda joga na rodada. Encerrou também um jejum curioso: fazia 13 partidas em casa, desde janeiro, que o time não terminava um jogo da liga sem sofrer gol. Depois das derrotas para Tottenham e Liverpool, Alonso preferiu moderar. “Estamos dando um passo à frente, mas não sei o tamanho”, disse.

No mesmo sábado, o líder Manchester City perdeu em casa para o Brighton por 1 a 0, com gol de Yasin Ayari, e o Arsenal pode assumir a ponta em caso de vitória ou empate no domingo, contra o Liverpool.

O que a derrota do United ensina sobre alta performance

O primeiro aprendizado está na conversão. O United fez o que Carrick pediu no primeiro tempo e não tirou proveito disso. Atuação boa sem resultado protege pouco quem vive sob pressão: em alto nível, criar a chance é apenas metade do trabalho.

O segundo está no controle emocional. Lisandro é campeão do mundo e um atleta experiente. Mesmo assim, duas decisões em menos de um minuto e meio custaram um pênalti, um jogador a menos e o restante da partida. Sob pressão, a disciplina não se mostra nos momentos tranquilos, e sim logo depois do erro anterior, quando o próximo lance pede calma.

O terceiro é o caso de Estêvão. Ele ficou fora do time titular da liga durante oito rodadas, recebeu a oportunidade e deu ao treinador um motivo para repensar. Atleta jovem que treina como se fosse jogar no fim de semana está pronto quando a chance aparece, ainda que ela demore.

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