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Novorizontino vira sobre o Fortaleza e sobe à Série A pela 1ª vez

Jogadores do Novorizontino se abraçam diante da torcida no Jorjão ao comemorar gol na vitória sobre o Fortaleza que garantiu o acesso à Série A

O Novorizontino começou a decisão com um jogador a menos e atrás no placar. Nicolas Careca foi expulso nos primeiros minutos, e no lance seguinte Paulo Baya fez 1 a 0 para o Fortaleza. O clube tinha brigado pelo acesso à Série A em 2023, 2024 e 2025 e ficado de fora nas três temporadas, segundo o ge.

Com gols de Matheus Bianqui e Luís Oyama, o time virou para 2 a 1 neste sábado (7), em Novo Horizonte (SP), pela 37ª rodada da Série B, e garantiu o primeiro acesso à elite do futebol brasileiro em seus 16 anos de história. Em 2027, o Tigre do Vale será o caçula da Série A.

Um vermelho no começo e o Fortaleza na frente

O primeiro tempo teve dois gols e duas expulsões. Careca se envolveu numa confusão com o volante Pierre e acertou o rosto do adversário. O árbitro Davi de Oliveira Lacerda deu o vermelho direto depois de revisão no VAR, segundo o ge e o site oficial do clube.

O Fortaleza aproveitou na hora. Paulo Baya recebeu lançamento de Jailson pela esquerda, cortou Madson e bateu sem chance para o goleiro Jordi, descreveu a Gazeta Esportiva. O detalhe que o ge lembrou na análise do jogo pesa na memória do torcedor: Baya é o autor do gol do Goiás que tirou o acesso do Novorizontino em 2024.

A vantagem numérica durou pouco. Antes dos 20 minutos, Lucas Emanoel deu um carrinho forte na altura do tornozelo de um adversário. O árbitro mostrou o amarelo, foi chamado ao monitor do VAR e trocou a cor do cartão, relatou o UOL. Com dez para cada lado, o Novorizontino passou a ter mais a bola, segundo o site oficial do clube.

O empate saiu aos 27 minutos. Madson cobrou lateral na área, Robson dividiu com o goleiro João Ricardo e a sobra ficou com Matheus Bianqui, que chutou forte para o 1 a 1. O Fortaleza ainda teve uma chance clara aos 33, com Pedro Henrique cara a cara com Jordi, segundo o ge. Com duas expulsões e as revisões de vídeo, o primeiro tempo teve 10 minutos de acréscimos.

Jogadores do Novorizontino apontam para o céu ao comemorar gol contra o Fortaleza no estádio Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte
Novorizontino comemora gol no Jorjão (Foto: Juan Rodrigues / Novorizontino)

O gol de Oyama e o choro no banco

Na volta do intervalo, o Novorizontino teve mais a bola, mas pouco espaço. A virada veio aos 25 minutos do segundo tempo, segundo o ge, o clube e a Gazeta Esportiva. Robson achou Luís Oyama na entrada da área, o volante tirou o marcador e bateu cruzado, no canto esquerdo de João Ricardo.

Três minutos depois, o zagueiro Tomás Cardona segurou Ronald Barcellos num contra-ataque e também levou vermelho direto. O Fortaleza ficou com nove jogadores. A partir dali, o time de Enderson Moreira passou a trocar passes, e a torcida gritava olé a cada toque. Alguns jogadores começaram a chorar no banco de reservas antes do apito final, contou o UOL.

O Jorjão recebeu 7.529 torcedores, com renda de R$ 96.935, segundo a ficha divulgada pelo clube. Novo Horizonte tem 39,5 mil habitantes, lembrou o ge. Na oitava rodada, contra o Botafogo-SP, só 353 pessoas foram ao estádio.

O que disse o lado derrotado

Foi a primeira derrota de Paulo Autuori no comando do Fortaleza na Série B. Na entrevista coletiva, o técnico apontou o lance que, para ele, decidiu o jogo.

“Começamos o jogo com a estratégia certa, que era explorar o Baya e o Pedro em relação às costas da defesa do adversário. Fizemos o gol e estávamos com o jogo completamente controlado. Infelizmente, a expulsão fez o jogo mudar e foi um golpe muito forte”, disse Autuori, em declaração publicada pelo ge.

Com 62 pontos, o Fortaleza segue em quinto e não tem mais chance de acesso direto. Vai disputar os playoffs, que reúnem do terceiro ao sexto colocado em confrontos de 3º contra 6º e 4º contra 5º. O adversário já está definido: o Criciúma, segundo a CBF.

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A melhor campanha da história do clube na Série B

O acesso coroa uma temporada de recordes. Antes do jogo, o Novorizontino já somava 67 pontos em 36 rodadas e tinha superado a própria marca na Série B, os 64 pontos de 2024, segundo levantamento do ge. Agora são 70, com uma rodada ainda por jogar.

O ataque é o grande diferencial. O time chegou à 37ª rodada com 64 gols na Série B, de longe o melhor da competição, e 101 na temporada. Rômulo e Robson somaram 29 gols e 14 assistências na Segundona, e o saldo de 34 gols é 11 maior que o do Juventude, segundo no quesito, de acordo com o ge.

O ano já tinha dado sinais no Campeonato Paulista. O Novorizontino eliminou Santos e Corinthians, nas quartas e na semifinal, e só parou no Palmeiras, campeão, na final.

No banco está um especialista. Enderson Moreira tinha três acessos à Série A na era dos pontos corridos, todos com título: Goiás (2012), América-MG (2017) e Botafogo (2021), segundo o ge. Com o quarto, iguala Guto Ferreira, hoje no Vila Nova, como o técnico com mais acessos desde 2006 no levantamento do site. A análise do ge também credita o elenco ao executivo Edgard Montemor, que chegou no começo do ano.

Elenco e comissão técnica do Novorizontino posam no gramado do Jorjão com camisas que celebram o acesso à Série A
Elenco do Novorizontino festeja o acesso no gramado do Jorjão (Foto: Juan Rodrigues / Novorizontino)

De 2010 à elite: sete acessos em 14 anos

O Grêmio Novorizontino foi fundado em 2010 para ocupar o lugar do antigo Grêmio Esportivo Novorizontino, que chegou a uma final de Campeonato Paulista e foi campeão da Série C antes de fechar as portas no fim dos anos 1990. O clube é ligado à família Biasi, que dá nome ao estádio, e manteve as cores e a identidade do antecessor.

A subida foi rápida. O ge contou sete acessos em 14 anos: a estreia profissional em 2012 já rendeu a vaga na Série A3 do Paulista, o título da A3 veio em 2014, e o vice da A2 em 2015 levou o Tigre à elite estadual em 2016. No cenário nacional, o time disputou a Série D de 2018 a 2020, subiu na terceira tentativa, passou direto pela Série C em 2021 e está na Série B desde 2022.

Foi na Segundona que nasceu o estigma do “quase”. Em 2023, o Novorizontino terminou em quinto, a um ponto do G-4. Em 2024, perdeu na reta final um acesso que parecia garantido. Em 2025, voltou a ficar pelo caminho. Neste sábado, o placar de 2 a 1 encerrou a sequência.

O caminho lembra o do Mirassol, outro clube do interior paulista que subiu em 2024. O ge observa que as críticas são as mesmas que o Mirassol ouviu dois anos atrás: que “vai bater e voltar”.

O título fica para o sábado (14)

O acesso está garantido, mas a taça ainda não. O Juventude venceu o Cuiabá por 2 a 1 na noite de sábado, na Arena Pantanal, e chegou a 68 pontos, dois a menos que o líder, informou a CBF. O Vila Nova, que bateu o Criciúma por 1 a 0, tem 66.

Na última rodada, no sábado (14), às 16h30, o Novorizontino visita o Criciúma no estádio Heriberto Hülse, em Criciúma (SC). Um empate basta para o título, segundo o clube. O Juventude só fica com a taça se vencer o Botafogo-SP e o Tigre perder, de acordo com a CBF. No mesmo horário, o Fortaleza recebe o Vila Nova na Arena Castelão, em jogo que ainda define posições na briga pela segunda vaga direta e pelos playoffs.

O que o acesso do Novorizontino ensina sobre alta performance

O primeiro ensinamento está no placar. O time perdeu um jogador e saiu atrás em menos de dez minutos, num jogo que valia o acesso depois de três temporadas sem subir. Empatou ainda no primeiro tempo e virou no segundo. Lidar com um começo adverso numa decisão é uma habilidade que atletas e equipes de alto nível treinam de forma deliberada.

O segundo está na construção. O ge descreve um clube com menos torcida e menos dinheiro do que muitos concorrentes, mas com CT moderno, gestão integrada e acerto nas contratações. Em vez de desmontar tudo depois de cada quase, o Novorizontino corrigiu detalhes e voltou mais forte. Para atletas e treinadores, a lição é a mesma: consistência ao longo de 38 rodadas vale mais do que um pico isolado.

O terceiro é sobre o papel de cada peça. O empate saiu de um lateral cobrado por Madson na área e de uma dividida de Robson, e a virada, de um passe de Robson para Oyama. Os dois gols tiveram participação de mais de um jogador, um retrato do coletivo que sustentou a campanha.

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