Em maio de 2026, Henrique Avancini fez o que poucos esperavam: trocou as trilhas de mountain bike pelo asfalto dos Estados Unidos e venceu. O ciclista brasileiro, 36 anos, conquistou o Tour of the Gila, uma das provas de estrada mais tradicionais das Américas, acrescentando o 141° título UCI à carreira e o primeiro em uma corrida de estrada. Enquanto isso, Carlos Prates detonou o UFC Perth com uma atuação que o coloca na fila do cinturão, e Luana Silva assumiu pela primeira vez a liderança feminina da WSL, num dia histórico para o esporte brasileiro.
Avancini conquista o Tour of the Gila: do MTB para o asfalto dos EUA

Avancini passou duas décadas dominando o mountain bike. São 140 títulos UCI em trilhas do mundo inteiro, uma trajetória que o colocou entre os maiores atletas do ciclismo off-road da história. Em maio de 2026, no Novo México, ele escolheu um caminho diferente: o asfalto. O Tour of the Gila, prova com 39 edições e um dos eventos de ciclismo de estrada mais tradicionais das Américas, reuniu equipes de alto nível em cinco etapas exigentes. Avancini, representando a Localiza Meoo-Swift Pro Cycling, não foi lá para participar. Foi para vencer.
A estratégia foi construída com paciência. Quarto no contrarrelógio de abertura, Avancini foi acumulando posições nas etapas de montanha, terreno familiar para quem passou décadas subindo e descendo trilhas íngremes. O time foi fundamental: Felipe Paixão, Gabriel Sousa, João Rossi, Wolfgang Soares e Pedro Leme trabalharam em conjunto para chegar à etapa final com chances reais de título. A virada aconteceu nos últimos quilômetros: Avancini atacou, sustentou o ritmo e chegou ao topo da classificação geral com 24 segundos de vantagem sobre o campeão defensor Kieran Haug.
O resultado é o 141° troféu UCI da carreira, e o primeiro em uma prova de estrada. “O Tour of the Gila carrega um prestígio enorme. O nível foi extremamente alto: praticamente todos os recordes de tempo das etapas foram quebrados”, disse Avancini. Para o ciclismo brasileiro, a conquista vai além do resultado. Mostra que atletas formados no off-road têm capacidade técnica e física para vencer também nas estradas, e que o melhor de um atleta completo pode aparecer em qualquer terreno que ele escolher.
O que aconteceu no esporte

Carlos Prates destrói ex-campeão e bate na porta do cinturão
No UFC Fight Night 275, em Perth, na Austrália, Carlos Prates deu um recital de striking. O brasileiro, ranqueado em 2° lugar nos meio-médios, dominou o ex-campeão Jack Della Maddalena do primeiro ao último segundo: usou chutes baixos para deteriorar a base do adversário, misturou joelhos e socos no corpo, derrubou Della Maddalena duas vezes no terceiro round e encerrou o combate por nocaute técnico aos 3min17. De bônus: US$ 100 mil de Performance of the Night.
Com o resultado, Prates (24-7) consolidou o status de principal desafiante ao cinturão e foi direto na entrevista pós-luta: “O próximo sou eu.” O alvo é Islam Makhachev, que deve enfrentar Ian Machado Garry no UFC 330, em agosto. Se a hierarquia do esporte prevalecer, o próximo shot de título no peso-médio tem nome e bandeira brasileira. Leia a análise completa no ESPN.
Luana Silva chega ao topo da WSL, e o Brasil domina o ranking
Pela primeira vez na história, o Brasil lidera o ranking mundial de surfe em ambos os gêneros ao mesmo tempo. Luana Silva, 21 anos, chegou ao topo do circuito feminino da WSL após a final do Gold Coast Pro, na Austrália: perdeu para Stephanie Gilmore (17,33 a 14,07), mas o vice-campeonato foi suficiente para acumular 20.345 pontos e assumir a lycra amarela. No masculino, Gabriel Medina segue à frente com 17.205 pontos.
Nascida no Havaí de pais pernambucanos, Luana foi consistente desde o início da temporada: dois vice-campeonatos e um quinto lugar nas três etapas australianas, além da Tríplice Coroa Australiana conquistada junto com Medina. A próxima parada do circuito é na Nova Zelândia, onde ela defende a liderança pela primeira vez com a faixa amarela no ombro. Cobertura completa na Gazeta Esportiva.
Volta Ciclística de SP 2026: etapa 3 entre Barretos e Franca
O interior paulista está sendo palco da 12ª Volta Ciclística Internacional do Estado de São Paulo, uma das maiores provas de ciclismo de estrada da América do Sul. São seis etapas, 745 km e 19 equipes de alto nível disputando os resultados entre os dias 4 e 10 de maio. Gabriel Metzger (ACRS-Audax) venceu a abertura com 158,1 km entre Três Fronteiras e Bálsamo, e Rodrigo do Nascimento (Localiza Meoo-Swift) dominou a 2ª etapa de 116 km em São José do Rio Preto-Barretos.
A 3ª etapa percorre 139,4 km entre Barretos e Franca, com chegada em subida, um traçado que começa a separar os candidatos à classificação geral. A corrida tem transmissão ao vivo no YouTube da Federação Paulista de Ciclismo a partir das 10h. Resultados e classificação geral na Bike Magazine.
Radar do Esporte
UFC mais Paramount: US$ 7,7 bilhões por 7 anos
O maior evento de artes marciais do mundo não cabe mais no pay-per-view. A Paramount+ fechou acordo de US$ 7,7 bilhões por 7 anos para transmitir o UFC a partir de 2026, colocando todos os eventos numerados no streaming. São 43 eventos ao vivo por ano e mais de 350 horas de conteúdo, sem custo adicional para assinantes. No Brasil, todo o conteúdo do UFC na América Latina passou para exclusividade do Paramount+, encerrando o modelo híbrido com o UFC Fight Pass. Para marcas esportivas, o novo formato abre janela de patrocínio em streaming em escala global, com audiência concentrada e engajada.
Sabalenka ameaça boicotar Grand Slams por divisão de receitas

Aryna Sabalenka, número 1 do mundo, foi direta: “Sem nós, não haveria torneios.” Com o apoio de Jannik Sinner, ATP e WTA enviaram pedido formal para que os Grand Slams repassem 22% de suas receitas para os jogadores. A resposta foi uma decepção: para Roland Garros 2026, a premiação total subiu 9,6% para €61,7 milhões, mas a fatia dos atletas segue abaixo de 15%. Sabalenka não descarta boicote. Iga Swiatek prefere negociação antes do início do torneio em 18 de maio. É um debate clássico do esporte profissional: quem gera o espetáculo merece qual parte da receita gerada? Mais detalhes na Gazeta Esportiva.
BP Nutrition lança kit Isotonic + Beta Alanina para ciclistas de endurance

A BP Nutrition juntou em um único kit dois suplementos com funções complementares dentro da prova. O Isotonic Biociclo (900g), com multi-carboidrato e eletrólitos, sustenta glicemia e hidratação durante o esforço prolongado. A 100% Beta Alanina (200g) satura a carnosina muscular e estende o tempo até o músculo travar em zonas anaeróbicas, nos ataques e subidas finais. Preço de R$ 143,16 no pix. Para quem disputa provas de múltiplos dias como a Volta de São Paulo, é o tipo de protocolo que decide os últimos quilômetros, quando hidratação resolve a câimbra mas só carnosina aguenta o sprint.
Insight de Performance

Avancini passou 20 anos dominando o mountain bike. Ao decidir competir no ciclismo de estrada aos 36 anos, ele ativou o que psicólogos do esporte chamam de transferência de domínio: a capacidade de aplicar competências construídas em uma modalidade dentro de um novo contexto. Força de subida, leitura de terreno e resistência aeróbica não pertencem a uma disciplina específica, elas pertencem ao atleta. O risco era real: a estrada tem dinâmicas diferentes, pelotões, ventos laterais, táticas de equipe distintas. Mesmo assim, a base construída em anos de alta performance foi mais forte do que as diferenças de formato.
Para o atleta amador, o princípio é o mesmo. Corredor de rua que nunca tentou o triatlo pode descobrir que seu motor cardiovascular já está mais do que pronto. Ciclista que nunca competiu em corridas de rua pode surpreender em uma prova de 10 km. O medo do novo é mais mental do que físico, porque o corpo carrega competências que o cérebro ainda não reconheceu. Mudar de modalidade, tentar uma distância maior ou um formato diferente não é recomeçar do zero: é redescobrir o que já foi construído. A maior conquista de Avancini no Tour of the Gila não foi o troféu. Foi provar que o melhor de um atleta nunca está preso em uma única modalidade.
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