Novak Djokovic passou duas décadas decidindo pontos do outro lado da rede. Agora, ele vai decidir onde grandes quantias de dinheiro são investidas. No dia 26 de junho de 2026, a General Atlantic, uma das maiores gestoras de capital de crescimento do mundo, anunciou o sérvio como seu novo Conselheiro Estratégico Global.
O movimento não é um cargo simbólico de celebridade. É a formalização de algo que Djokovic vinha construindo nos bastidores há anos: a transição do maior vencedor da história do tênis para o papel de investidor e empreendedor. Aos 39 anos, ele começa a desenhar o que vem depois da quadra antes mesmo de deixá-la.

Do saque ao conselho: o que Djokovic vai fazer
Pela função, Djokovic vai trabalhar de perto com a liderança da General Atlantic, com as empresas do portfólio e com os investidores da gestora. A casa descreve o papel como uma ponte: levar a perspectiva de quem operou no mais alto nível de pressão competitiva para dentro das decisões de negócio.
Os temas declarados são liderança, resiliência e inovação. Não por acaso, são exatamente os atributos que sustentaram a carreira do sérvio. A General Atlantic investe em empresas de alto crescimento, e a aposta é que a mentalidade que produz 24 Grand Slams tenha tradução direta no mundo dos founders.
O recorte de atuação também conversa com o histórico dele fora das quadras: saúde, bem-estar e performance. São as áreas em que Djokovic já investe com o próprio dinheiro, o que torna o conselho menos um título e mais uma extensão do que ele já faz.
US$ 126 bilhões sob gestão: o tamanho do tabuleiro
Para dimensionar o palco, a General Atlantic administra cerca de US$ 126 bilhões em ativos, considerando todas as suas estratégias. É uma das gestoras de growth equity mais influentes do planeta, com décadas de histórico em apostar cedo em empresas que viraram categoria.
Colocar um atleta como conselheiro estratégico global de uma casa desse porte não é gesto de marketing barato. É sinal de que o mercado passou a enxergar a marca pessoal e a rede de relacionamentos de Djokovic como ativos de negócio, não apenas como reputação esportiva.

O investidor que já existia antes do anúncio
Quem acompanha só o tênis pode ter sido pego de surpresa. Quem acompanha os negócios, não. Djokovic investe de forma estruturada há anos.
Em 2023, entrou na Waterdrop, marca europeia de hidratação. Em 2024, deu um passo mais ousado e cofundou a própria empresa de suplementos, a SILA. Em 2025, ampliou a aposta no setor de bem-estar ao cofundar a Cob Foods, de snacks saudáveis. O padrão é claro: ele não quer ser só rosto de campanha, quer ter participação e voz na operação.
Antes disso, em 2020, já havia feito o movimento mais comentado e controverso: a compra de 80% da biotech dinamarquesa QuantBioRes, dividida entre ele (40,8%) e a esposa, Jelena (39,2%), numa aposta em tratamento para a COVID-19. O resultado comercial ficou para trás, mas o apetite por risco e por temas de saúde ficou.
O recordista que transformou domínio em capital
A bagagem que Djokovic leva para a mesa de investimentos é difícil de comparar. Ele é o maior vencedor da história do esporte, com 24 títulos de Grand Slam em simples, o tríplice Career Grand Slam e o ouro olímpico em Paris 2024, que completou o raro Career Super Slam.
Dentro de quadra, o domínio virou número também na conta bancária. Djokovic é o maior ganhador de premiação da história do tênis, com mais de US$ 191 milhões acumulados. Para efeito de comparação, Rafael Nadal aparece em segundo, com cerca de US$ 135 milhões, e Roger Federer em terceiro, com US$ 130 milhões. A distância para o segundo colocado é de quase US$ 60 milhões.
Esse capital, somado à marca global e ao acesso a um círculo de tomadores de decisão no mundo todo, é a matéria-prima que a General Atlantic está comprando.
Por que isso importa agora
A leitura do movimento é direta: o atleta que dominou o jogo está construindo, com método, o que vem depois dele. Em vez de esperar a aposentadoria para descobrir o que fazer, Djokovic está montando a infraestrutura da segunda carreira enquanto ainda compete no topo.
É a diferença entre o atleta que termina a carreira e precisa se reinventar do zero e o atleta que chega ao fim já posicionado. Um vira passado. O outro vira plataforma.
O que isso ensina sobre alta performance
A lição que fica para qualquer atleta, treinador ou competidor não é “invista em private equity”. É algo mais transferível: a carreira esportiva tem prazo, mas os ativos que ela gera não precisam ter.
Disciplina, capacidade de operar sob pressão, marca pessoal e rede de contatos são competências construídas no esporte que têm valor muito além dele. Djokovic não esperou o último jogo para perceber isso. Começou a transformar reputação em participação, e domínio em capital, anos antes de pendurar a raquete.
Para o atleta brasileiro, o recado é prático e começa pequeno: o que você constrói hoje além do resultado (sua audiência, seu nome, sua rede) é o que vai sustentar a próxima fase. Performance de elite é também saber que o jogo continua depois do jogo.
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