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Toyota Supra com V10 de Fórmula 1 crava o top 10 em Goodwood

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Equipe Atleta Pro
Toyota Supra preta de Ryan Tuerck subindo a colina do Goodwood Festival of Speed 2026, levantando poeira ao lado dos fardos de feno

No domingo, 12 de julho, um Toyota Supra preto parou o cronômetro em 49s01 na subida mais famosa do automobilismo mundial. Ficou em décimo lugar no Timed Shoot-Out do Goodwood Festival of Speed, à frente de uma Maserati MCXtrema.

O carro se chama Formula Supra. O motor não é Toyota. É um V10 Judd de Fórmula 1.

49 segundos entre hipercarros e protótipos

O Timed Shoot-Out é a final de Goodwood: os mais rápidos do fim de semana sobem a colina uma última vez, valendo tudo. A edição 2026 aconteceu entre 9 e 12 de julho, com o tema “The Rivals”.

Pos.PilotoCarroTempo
1Romain DumasFord Super Mustang Mach-E41s97
2Dan TicktumFormula E Gen 442s46
3Alex SummersShadow-Chevrolet DN446s30
9Callum VoisinPorsche 911 Cup (992.2) 
10Ryan TuerckToyota-Judd Formula Supra49s01
11Sean HudspethMaserati MCXtrema 
Resultados do Timed Shoot-Out do Festival of Speed 2026, segundo a lista oficial do Goodwood. O próprio Tuerck e o perfil do Festival registraram 49s02 para a subida dele, um centésimo acima da lista oficial.

Romain Dumas venceu pela terceira vez consecutiva, com um elétrico feito exclusivamente para subir montanhas. Tuerck chegou com um carro de drift.

Ford Super Mustang Mach-E azul de Romain Dumas subindo a colina de Goodwood, vencedor do Timed Shoot-Out 2026
O Ford Super Mustang Mach-E de Romain Dumas, vencedor do Timed Shoot-Out 2026 com 41s97.

O som que o Goodwood colocou em primeiro lugar

No dia 12 de julho, o canal oficial do Goodwood publicou o vídeo “20 Best Sounding Cars”, com os carros que melhor soaram no festival de 2026.

O primeiro da lista, logo aos 16 segundos, é a Formula Supra de Ryan Tuerck.

A Formula Supra abre a lista dos 20 melhores sons do Festival of Speed 2026. Vídeo do canal oficial Goodwood Road & Racing.

Depois dela vêm, nesta ordem: Gordon Murray T.50s Niki Lauda, Ferrari FXX Evo, Lamborghini Essenza SCV12, Pagani Huayra R, a Ferrari F2008 de Fórmula 1 e o Red Bull RB17, de V10 Cosworth que gira a 15.000 rpm.

Um Toyota de garagem abrindo a fila na frente de tudo isso.

O V10 não é “inspirado” em Fórmula 1. Ele é.

O motor é um Judd GV4, 4.0 litros, dez cilindros, projeto de origem em Fórmula 1 e com passagem vitoriosa pelas 24 Horas de Le Mans.

Pesa 145 kg, entrega cerca de 730 cv e gira até 11.000 rpm. Para comparar: o V8 4.5 de uma Ferrari 458 vai a 9.000 rpm e é considerado um dos motores mais extremos já vendidos ao público.

O chassi é um Toyota GR Supra MK5, com carroceria widebody inteira em fibra de carbono.

Toyota GR Supra preta com carroceria widebody de fibra de carbono e asa traseira grande, parada no paddock antes de rodar
A Formula Supra: chassi de GR Supra MK5, carroceria widebody inteira em fibra de carbono e um V10 Judd no lugar do motor original.

A meta nunca foi vencer

Aqui está a parte que separa esta história de uma curiosidade de internet.

Tuerck não foi a Goodwood tentar bater o Ford de Dumas. Seria impossível, e ele sabia. Foi com um número na cabeça: descer de 50 segundos.

“A Formula Supra andou muito bem e batemos nossa meta pessoal de uma subida abaixo de 50 segundos. Terminamos em 10º no Shoot-Out”, escreveu ele ao fim do domingo.

Na primeira passagem pela colina, tinha andado devagar de propósito. “Peguei leve na minha primeira subida com esse carro. Os nervos estão melhorando.”

O carro que só existe porque um Toyota com motor de Ferrari existiu

Tuerck não começou aqui. Em 2016, ele arrancou o V8 de uma Ferrari 458 batida e o enfiou num Toyota 86, criando o GT4586, o swap de motor de Ferrari mais famoso do mundo.

O GT4586 ensinou a ele o que ninguém ensina em manual: como fazer um motor de corrida europeu conviver com um chassi japonês de rua. Refrigeração, eletrônica, embalagem, geometria.

A Formula Supra é a mesma tese, dez anos depois, com um motor mais difícil.

O que 49 segundos em Goodwood ensinam sobre alta performance

O erro do atleta médio é escolher a métrica errada.

Tuerck subiu a colina 7 segundos atrás do vencedor. Se a régua dele fosse “ganhar de Romain Dumas”, teria voltado para casa derrotado, e provavelmente nem teria ido. A régua dele era outra: 50 segundos, um número escolhido por ele, medido contra ele mesmo.

Ele bateu a meta e ainda terminou no top 10.

O atleta que só se mede contra o pódio abandona. O que define a própria marca, e a persegue, melhora, e às vezes chega ao pódio de lado, sem ter mirado nele. Não é conformismo. É saber que existe diferença entre o adversário do dia e o adversário do projeto.

Dumas tinha um carro construído para uma única tarefa. Tuerck tinha um carro de drift com um V10 de Fórmula 1 e uma meta honesta. Os dois venceram no domingo. Só um deles subiu no pódio.

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