A final do Freio de Ouro 2026 terminou neste sábado (5) na Arena do Cavalo Crioulo, em Esteio, com dois ginetes chegando pela primeira vez ao lugar mais alto de uma prova que perseguiam há anos. Entre as fêmeas, Oferenda da Tamanca, conduzida por Ricardo Gigena Wrege, venceu com média final de 21,316 pontos. Entre os machos, Leon Salvaje, montado por Tomaz Marques Ignacio Gonçalves, fechou com 21,265.
Wrege ainda fez a dobradinha: além do Ouro, levou o Freio de Prata das fêmeas com Iluminada do Rio Negro, que somou 21,121. É a primeira vez que o ginete vence o Freio de Ouro, depois de já ter conquistado Prata, Bronze e Alpaca em edições anteriores.
Com 106 conjuntos em pista, 53 machos e 53 fêmeas, esta foi a edição com maior número de exemplares na história da competição, resultado da inclusão dos animais credenciados pela FICCC no ciclo.
Oferenda da Tamanca liderou do primeiro dia ao último
A égua douradilha nascida em outubro de 2017 chegou à Expointer no terceiro ano consecutivo de final e com três Freios de Alpaca na estante: dois no Brasil, em 2024 e 2025, e um no Freio da FICCC 2026, disputado em maio no Uruguai.
Desta vez ela não largou a ponta. Assumiu a liderança logo na quarta-feira (2), ao fim das etapas de andaduras, figura, volta sobre patas e esbarradas, com 20,734 de média parcial. Encerrou a primeira fase ainda na frente, com 20,361, já contabilizando a lida com o gado na mangueira e no campo. E confirmou no sábado, subindo para 21,316.

Oferenda é cria e propriedade da Estância Tamanca, de Santa Vitória do Palmar (RS), filha de Chicão de Santa Odessa e Campana Tarimbera, com doma de Jairo Garcia da Silva. O proprietário Luciano Sperotto Terra acompanhou a decisão do camarote.
“A égua merecia mesmo. Este é seu quinto Freio e o primeiro de Ouro. Ela veio tranquila.”
Na comemoração, Luzia, filha de Wrege, subiu no lombo da égua premiada para a volta na arena.
“Foi iluminado desde o início. Já estava escrito que este seria o nosso ano. Fomos coroados da melhor maneira possível. Essas éguas são sensacionais, fenômenos, entregaram tudo dentro de pista”, afirmou o ginete.
Leon Salvaje virou a disputa dos machos no fim
Entre os machos, a decisão foi outra história. O topo do ranking mudou de dono duas vezes ao longo da semana.
Na quinta-feira (3), quem liderava era Zamora Ferro e Fogo, cavalo rosilho colorado montado por Daniel Waihrich Marim Teixeira, com 19,886. Na sexta, depois da mangueira e do campo, a ponta passou para o uruguaio Pacifico Cupertino Corazon, do ginete Gabriel Viola Marty, com 20,365.
No sábado, quando valia o título, Leon Salvaje passou os dois. O tostado filho de Santa Alice Nublado II e Dinastia Salvaje fechou com 21,265 e deixou Pacifico Cupertino Corazon em segundo, com 21,079.
Era a primeira final de Freio de Ouro do conjunto, que chegou credenciado pelo terceiro lugar na FICCC. O animal é criado e exposto por Anastasio Gamarra, da Cabaña Chimango, de Melo, no Uruguai.
“É uma vida inteira trabalhando e sonhando com isso. Todo dia a gente trabalha e, depois de mais um ano, correndo a última paleteada, eu sabia que estava tudo certo”, disse Tomaz Gonçalves.
O jurado Cláudio Neto de Azevedo, responsável pela avaliação dos machos ao lado de Thiago Schilling de Ávila e Vinícius Guedes de Freitas, resumiu o motivo da virada.
“O nível dos machos foi muito parelho. Tivemos muita alternância, principalmente nessas provas que envolvem o gado, que a gente chama de improviso. Essa é a emoção do Freio: só se definir na última vaca.”
O pódio completo do Freio de Ouro 2026
Fêmeas
| Prêmio | Animal | Ginete | Média |
|---|---|---|---|
| Ouro | Oferenda da Tamanca (Box 45) | Ricardo Gigena Wrege | 21,316 |
| Prata | Iluminada do Rio Negro (Box 43) | Ricardo Gigena Wrege | 21,121 |
| Bronze | Capanegra Doña Guinda-TE (Box 38) | Eduardo Weber de Quadros | 20,636 |
| Alpaca | Belle Porcelana (Box 37) | Daniel Waihrich Marim Teixeira | 20,133 |
Machos
| Prêmio | Animal | Ginete | Média |
|---|---|---|---|
| Ouro | Leon Salvaje (Box 65) | Tomaz Marques Ignacio Gonçalves | 21,265 |
| Prata | Pacifico Cupertino Corazon (Box 71) | Gabriel Viola Marty | 21,079 |
| Bronze | Patronato Cala Bassa-TE (Box 69) | José Fonseca Macedo | 20,979 |
| Alpaca | Capanegra Espartano (Box 78) | Eduardo Weber de Quadros | 20,962 |
Iluminada do Rio Negro é da Estância Rio Negro, de Bagé (RS). Capanegra Doña Guinda-TE e Capanegra Espartano saíram da Cabanha Capanegra, de Dom Pedrito (RS), ambos com Eduardo Weber de Quadros na condução. Belle Porcelana, campeã de 2023, é da Fazenda Paraíso, de Balsa Nova (PR). Nenhum dos campeões de 2025, Ópio da Baraúna entre os machos e Índia Envenenada Del Chamamé entre as fêmeas, apareceu no pódio desta edição.
Como funciona a prova que decide o campeão
O Freio de Ouro não se resolve em um lance. O campeão é o conjunto que somar a maior média ao longo de quesitos que avaliam morfologia e função, distribuídos por uma semana inteira de provas.
A sequência de 2026 começou na terça-feira (1º) com a morfologia. Na quarta e na quinta vieram andaduras, figura, volta sobre patas traseiras e esbarradas, com fêmeas e machos em dias separados. Na sexta, a lida com o gado: mangueira I, em que o conjunto precisa manter um novilho apartado dentro de um brete, e campo I, com as paleteadas.

Ao fim dessa primeira fase, 32 conjuntos avançaram, 16 de cada categoria. No sábado, a fase final teve mangueira II a partir das 11h e, depois da abertura oficial às 14h, bayard/sarmento e campo II.
É por isso que a virada dos machos aconteceu no fim. As provas com gado são as que os jurados chamam de improviso: nenhum conjunto controla o comportamento do novilho, e a nota depende da leitura que cavalo e ginete fazem daquele animal específico, naquele segundo.
A mesma lógica de somatório vale para outras provas do calendário equestre brasileiro, como já mostramos no guia de regras dos três tambores e no panorama de provas de três tambores no Brasil.
Premiação em dinheiro chega em 2027
A ABCCC confirmou durante a final que o ciclo 2027 muda o patamar econômico da competição, com a distribuição de R$ 1,4 milhão em prêmios.
“O Freio é a maior atração da Expointer”, afirmou o presidente da associação, André Luiz Narciso Rosa.
A prova nasceu em 1982, quando a ABCCC oficializou a competição no ano do seu cinquentenário, a partir da Exposição Funcional de Jaguarão realizada em 1977. Hoje o ciclo reúne classificatórias no Brasil e no exterior, e a final em Esteio é o encerramento da temporada da raça. A base dessa cadeia é a formação de quem vem depois, tema que o portal tratou na reportagem sobre o Freio Jovem.
O que a final ensina sobre alta performance
Há duas leituras úteis para qualquer atleta no resultado deste sábado, e nenhuma delas tem a ver com cavalo.
A primeira está na trajetória de Oferenda da Tamanca. Três finais consecutivas, três Freios de Alpaca acumulados e só então o Ouro. O sistema de pontuação do Freio premia justamente quem não deixa nenhum quesito cair: não existe brilho isolado que compense uma etapa fraca, porque tudo entra na média. Processo mais tempo é igual a resultado, e a égua levou três ciclos para transformar consistência em título.
A segunda está na virada dos machos. Quem liderou na quinta não venceu. Quem liderou na sexta não venceu. Venceu quem executou melhor no dia em que a nota valia mais, nas provas em que ninguém controla a variável principal. É o mesmo teste que separa atleta de temporada boa de atleta de campeonato: rendimento sob condição imprevisível, no momento em que o erro custa caro.

Ricardo Wrege passou anos batendo na porta desse título. Tomaz Gonçalves estreava em uma final de Freio de Ouro. Os dois chegaram ao mesmo lugar no mesmo sábado, e nenhum dos dois chegou por acaso.
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Perguntas frequentes
Quem ganhou o Freio de Ouro 2026?
Oferenda da Tamanca, montada por Ricardo Gigena Wrege, venceu entre as fêmeas com 21,316 pontos de média final. Entre os machos, o campeão foi Leon Salvaje, conduzido por Tomaz Marques Ignacio Gonçalves, com 21,265.
Quando foi a final do Freio de Ouro 2026?
A final foi disputada entre 1º e 5 de setembro de 2026 na Arena do Cavalo Crioulo, dentro da Expointer, em Esteio (RS). Os campeões foram conhecidos na tarde de sábado, dia 5.
Quantos cavalos disputaram o Freio de Ouro 2026?
Foram 106 conjuntos, 53 machos e 53 fêmeas, o maior número da história da prova. Destes, 32 avançaram à fase final, 16 de cada categoria.
Quem é o ginete de Oferenda da Tamanca?
Ricardo Gigena Wrege, que conduz a égua em todas as suas conquistas. Ele venceu o Freio de Ouro pela primeira vez em 2026 e, na mesma tarde, levou o Freio de Prata das fêmeas com Iluminada do Rio Negro.
Quanto paga o Freio de Ouro?
A competição não tinha premiação em dinheiro até 2026. A ABCCC anunciou que o ciclo 2027 distribuirá R$ 1,4 milhão em prêmios.
Como é definido o campeão do Freio de Ouro?
Por somatório de médias. O conjunto passa por morfologia, andaduras, figura, volta sobre patas traseiras, esbarradas, mangueira, campo e bayard/sarmento, e o campeão é quem tem a maior média final ao fim de todas as etapas.






