ARTIGOS E NOTÍCIAS ATLETA PRO

Van bate Pantoja no UFC 331 e encerra a dúvida dos 26 segundos

Alexandre Pantoja, com o rosto cortado, acerta um soco em Joshua Van na luta pelo cinturão peso-mosca do UFC 331, em Los Angeles

Em dezembro, a pergunta tinha ficado sem resposta. Joshua Van ganhou o cinturão peso-mosca do UFC em 26 segundos, com Alexandre Pantoja deslocando o cotovelo numa queda, e passou nove meses ouvindo que tinha sido campeão por acidente. No sábado (19), em Los Angeles, a revanche durou 25 minutos e respondeu a pergunta por inteiro.

Van venceu Pantoja por decisão unânime na luta principal do UFC 331, na Crypto.com Arena, e fez a segunda defesa do título. Os juízes marcaram 49 a 46 (Sal D’Amato), 48 a 47 (Derek Cleary) e 50 a 45 (Ron McCarthy), segundo o cartão oficial divulgado pelo UFC. A luta ganhou o bônus de Luta da Noite, de US$ 100 mil para cada um.

Joshua Van avança com o jab sobre Alexandre Pantoja no octógono do UFC 331, na Crypto.com Arena
Foto: Getty Images/UFC

Como foi a luta, round a round

Pantoja começou do jeito que tinha prometido. Conseguiu a primeira queda nos segundos iniciais do primeiro round, voltou a derrubar Van mais tarde e ainda assim só um juiz, Derek Cleary, deu o assalto a ele. Era o plano do brasileiro: tirar a luta da trocação, onde o campeão é mais rápido.

A partir do segundo round, Van mudou o rumo. Com o jab na frente e a direita por cima, passou a conectar mais e a defender a maioria das tentativas de queda. Ainda no segundo assalto, um choque de cabeças abriu um corte no rosto de Pantoja, e o árbitro Herb Dean deixou a luta seguir. O terceiro round também foi do campeão, nos três cartões.

O quarto round foi o melhor momento do desafiante. Pantoja encaixou a queda, ficou por cima em boa parte do tempo e venceu o assalto para D’Amato e Cleary. Somando a luta toda, ele completou cinco quedas e acumulou perto de dez minutos de controle, segundo a ESPN.

O quinto round resolveu qualquer dúvida. Van acertou uma direita que derrubou Pantoja, o único knockdown da noite, pressionou em busca da finalização e ainda tentou uma kimura antes do gongo. O brasileiro, com o rosto cortado, sobreviveu até o fim, mas os três juízes deram o assalto ao campeão.

Pelos números do Yahoo Sports, Van conectou 259 golpes contra 159 de Pantoja. O único juiz a dar o quarto round para o campeão foi Ron McCarthy, o que explica o 50 a 45, o cartão mais contestado da noite.

Van: “Duvidem agora”

Ainda no octógono, o campeão foi direto ao ponto que o acompanhava desde dezembro. “Muita gente disse que foi uma vitória acidental da primeira vez. Duvidem agora”, afirmou Van, segundo a CBS Sports e o Yahoo Sports.

Aos 24 anos, o lutador nascido em Mianmar e criado em Houston chega a 18 vitórias e 2 derrotas no MMA profissional, com oito vitórias seguidas no UFC. Em maio, no UFC 328, já tinha nocauteado o japonês Tatsuro Taira no quinto round. Agora, bateu o lutador com mais vitórias da história da divisão.

Joshua Van comemora com o cinturão peso-mosca e a bandeira de Mianmar depois de vencer Alexandre Pantoja no UFC 331
Foto: Getty Images/UFC

Na entrevista coletiva, perguntado sobre o próximo adversário, Van não escolheu nome. “Eu sou o Fearless e nunca escolho contra quem luto. Então, Dana, Hunter, quem vocês quiserem na minha frente, é só me ligar”, disse, citando Dana White e Hunter Campbell, dirigentes do UFC. O português Manel Kape, que desafiou o campeão logo depois do evento, aparece na imprensa americana como o favorito para a próxima disputa, no começo de 2027.

Dana White saiu de Los Angeles rasgando elogios. “Ele é a melhor coisa que já aconteceu para essa divisão. Traz muito brilho, emoção e diversão”, disse o presidente do UFC. Sobre a luta, foi além: “Essa é provavelmente a maior luta de rivalidade da história do UFC.”

O que vem para Pantoja

Aos 36 anos, Pantoja voltou de nove meses parado por causa da lesão no cotovelo e perdeu a chance de ser o terceiro lutador a recuperar o cinturão peso-mosca do UFC, depois de Brandon Moreno e Deiveson Figueiredo. Ele não falou em aposentadoria.

A primeira manifestação veio nas redes sociais, com o monólogo de Rocky Balboa, o personagem de Sylvester Stallone, sobre apanhar da vida e seguir em frente. Um trecho resume o tom da mensagem: “Nada de apontar dedos, dizer que você não consegue por causa dele, dela ou de quem seja. Só covardes fazem isso.”

Não houve reclamação da arbitragem nem da lesão de dezembro. Companheiro de equipe, Renato Moicano defendeu publicamente que o amigo tire um tempo para descansar, já que emendou campanha de título, lesão e recuperação sem pausa. Qualquer que seja o próximo passo, Pantoja sai do UFC 331 com o recorde de vitórias da divisão intacto e uma luta que ele mesmo tratou como resposta, não como desculpa.

Arman Tsarukyan acerta cotovelada em Maurício Ruffy contra a grade no UFC 331, em Los Angeles
Foto: Getty Images/UFC

Ruffy nocauteado a quatro segundos do fim do round

A noite já tinha começado mal para o Brasil na luta coprincipal. Maurício Ruffy, número 7 do ranking dos leves, enfrentou o armênio Arman Tsarukyan, número 2, em luta de cinco rounds. Faltando quatro segundos para o fim do primeiro assalto, Tsarukyan virou a posição, prendeu Ruffy contra a grade e acertou uma cotovelada de esquerda. Uma segunda cotovelada, de direita, derrubou o brasileiro, e o árbitro Jason Herzog encerrou a luta aos 4min56.

Tsarukyan, que lutou com o olho esquerdo muito inchado, ganhou o bônus de Performance da Noite e pediu a disputa de cinturão. “Para a minha próxima luta, pela luta de título, eu precisava desse nocaute”, disse, segundo a CBS Sports. O campeão dos leves é Justin Gaethje.

Para Ruffy, de 30 anos, foi a segunda derrota no UFC, depois da finalização sofrida contra Benoît Saint Denis em setembro de 2025. O alagoano vinha de nocautes sobre Rafael Fiziev, em fevereiro, e Michael Chandler, em junho.

Pitbull salva o card principal

O único brasileiro a vencer no card principal foi Patrício Pitbull. Aos 39 anos e apontado como azarão nas bolsas de apostas, o ex-campeão do Bellator encaixou a direita por cima, derrubou o sul-coreano Choi Doo-ho e fechou a luta com socos e cotoveladas aos 3min28 do primeiro round.

Patrício Pitbull acerta um soco de direita em Choi Doo-ho no UFC 331
Foto: Getty Images/UFC

Foi a segunda vitória de Pitbull no UFC, depois da decisão sobre Dan Ige em julho de 2025. Ele vinha de derrota por pontos para Aaron Pico, em abril.

Os brasileiros nas preliminares

Nas lutas preliminares, o saldo foi dividido. Joanderson Brito nocauteou o georgiano Giga Chikadze aos 1min57 do primeiro round, e Ryan Gandra venceu o americano Ozzy Diaz por nocaute técnico aos 2min04, também no primeiro assalto.

Do outro lado, Eduarda Moura foi finalizada com uma chave de braço pela australiana Casey O’Neill aos 3min22 do primeiro round, e O’Neill levou o outro bônus de Performance da Noite. Brunno Ferreira perdeu para Edmen Shahbazyan por decisão unânime e somou a terceira derrota seguida.

Na conta final, foram sete brasileiros, três vitórias e quatro derrotas. As duas lutas que mais importavam para o país, a do cinturão e a coprincipal, terminaram com derrota. O UFC 331 recebeu 19.357 pessoas e teve renda de US$ 8.228.105, no primeiro evento da organização em Los Angeles desde o UFC 227, em 2018.

O que a revanche ensina sobre alta performance

Em dezembro, o resultado disse uma coisa e o desempenho não disse nada. A revanche corrigiu isso. Van não ficou discutindo a lesão de Pantoja em entrevista: foi para o quinto round contra Taira em maio e, em Los Angeles, respondeu com 25 minutos de luta e um knockdown no último assalto. A dúvida sobre sorte se resolve com processo, não com discurso.

Pantoja mostra o outro lado da mesma régua. Perdeu, com o rosto cortado e depois de nove meses de recuperação, e a primeira mensagem pública foi sobre não apontar dedos. A derrota é um evento, não a identidade de um atleta com o currículo dele. O que ele faz com ela, descansar, reconstruir ou buscar outra chance, é o que define o próximo ciclo.

Para relembrar como a rivalidade chegou até aqui, leia a prévia da revanche entre Pantoja e Van no UFC 331 e o texto sobre a cabeça do campeão que quebrou o braço. E, para saber quanto rende um cinturão, veja os lutadores do UFC mais bem pagos em 2026.

Derrota é evento, não identidade. Quer treinar com essa mentalidade?

Conheça a Atleta Pro Academy e leve a mentalidade e os métodos da alta performance para a sua carreira.

Conhecer a Atleta Pro Academy

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Quer receber conteúdos como esse direto no seu e-mail?

Clique no botão abaixo e inscreva-se na Newsletter do Atleta.

Atleta Pro News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados: