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Brasil goleia a Índia por 4 a 0, e Samuel Lino desencanta na seleção

Samuel Lino, com a camisa 22 do Brasil, comemora gol contra a Índia ao lado de Bruno Guimarães e Andrey Santos no Estádio Salt Lake, em Calcutá

A seleção brasileira fechou a primeira Data Fifa depois da Copa do Mundo com uma goleada. Neste sábado (3), no Estádio Salt Lake, em Calcutá, o Brasil de Carlo Ancelotti venceu a Índia por 4 a 0, no primeiro confronto da história entre as duas seleções. Estêvão abriu o placar, Pedro ampliou antes do intervalo e Samuel Lino, que entrou no segundo tempo, marcou os outros dois.

Para o atacante do Flamengo, a noite indiana teve peso próprio. Foram os dois primeiros gols dele com a camisa da seleção, no quarto jogo pelo Brasil. Com a vitória, a equipe terminou a janela invicta: empate por 1 a 1 e vitória por 4 a 2 sobre a Austrália, e agora a goleada em Calcutá.

Como foi o jogo: Estêvão abre, Pedro amplia

Ancelotti mandou a campo Pedro Morisco; Matheuzinho, Marquinhos, Arthur Dias e Douglas Santos; Danilo, Andrey Santos e Gabriel Bontempo; Estêvão, Pedro e Vinícius Júnior. O começo foi lento, e quem assustou primeiro foi a Índia: aos seis minutos, segundo o relato da CBF, Apuia pegou a sobra de um escanteio e bateu de primeira, com perigo, no gol de Pedro Morisco.

O Brasil teve mais a bola e passou a buscar o jogo individual pelos lados, com Estêvão na direita e Vinícius Júnior na esquerda. Foi assim que o placar saiu do zero. Estêvão partiu para cima do marcador pela direita, cortou para o meio e finalizou de canhota. O goleiro Gurpreet Singh Sandhu tentou, mas não segurou o chute.

Pedro ainda acertou a trave numa cabeçada, depois de cruzamento de Matheuzinho, antes de marcar o segundo pouco antes do intervalo. Estêvão acionou o centroavante pela direita, e ele chutou forte para fazer 2 a 0.

Pedro, camisa 19 do Brasil, corre de braços abertos para comemorar o segundo gol contra a Índia em Calcutá
Pedro comemora o segundo gol do Brasil contra a Índia, no Estádio Salt Lake. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Samuel Lino sai do banco e desencanta na seleção

No intervalo, Ancelotti trocou cinco jogadores. Saíram Matheuzinho, Vinícius Júnior, Douglas Santos, Danilo e Gabriel Bontempo. Entraram Vanderson, Samuel Lino, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães e Douglas Luiz. A mudança deu resultado rápido.

No começo do segundo tempo, Douglas Luiz roubou a bola numa saída confusa da defesa indiana e tocou para Pedro. O atacante ajeitou de letra para Samuel Lino, que invadiu a área e bateu no canto para fazer 3 a 0. Foi o primeiro gol dele pela seleção.

Com o jogo resolvido, Ancelotti fez mais quatro trocas: entraram Jair Cunha, Mauro Júnior, Martinelli e Endrick, nos lugares de Marquinhos, Arthur Dias, Andrey Santos e Pedro. A Índia ainda criou chances com Williams, e Mauro Júnior salvou uma bola quase em cima da linha. Nos acréscimos, Samuel Lino fechou a conta numa jogada individual pela esquerda: entrou na área e chutou forte para fazer 4 a 0.

Os números de Lino na seleção ainda são curtos. Segundo a CNN Brasil, o jogo em Calcutá foi o quarto dele pelo Brasil, somando 139 minutos em campo. A estreia tinha sido em setembro de 2025, contra a Bolívia, e a volta à lista nesta janela veio depois de mais de um ano fora.

“Confio em mim, no meu trabalho”

Depois do jogo, Lino dividiu o momento com o companheiro de clube. “Hoje é uma grande vitória da Seleção, fico feliz de ter ajudado. Fico feliz pelo gol do Pedro também”, disse, segundo a CNN Brasil. “Saber que foram gols de jogadores do Flamengo, isso mostra o quanto o Flamengo está bem representado.”

O atacante também foi direto sobre a briga por espaço. A posição dele é a mesma de Vinícius Júnior, o titular que saiu no intervalo. “Agora é manter o meu trabalho no meu clube. Sei que a concorrência é muito grande, a gente tem um jogador que hoje na posição dele é o melhor do mundo”, afirmou. Na versão registrada pela revista Placar, a fala termina assim: “Mas confio em mim, no meu trabalho, vou continuar trabalhando no meu clube.”

Calor de Calcutá e comemoração contida

Quem viu o jogo reparou que os quatro gols tiveram festa discreta. O jogo começou às 19h30 no horário local, 11h de Brasília, e o clima pesou. Lino explicou o motivo à Placar. “Acho que é pelo calor. O gol é o mais importante do futebol, e a comemoração é uma coisa linda. Mas às vezes é importante se poupar, porque é um calor imenso”, disse. “Bastante calor, mas o que pesa é o mormaço. Não tem como jogar num ritmo rápido sempre, porque o calor atrapalha.”

O ritmo baixo também apareceu na avaliação da imprensa. O Lance resumiu que, diante de um adversário frágil e do calor intenso, a seleção jogou sem acelerar. A Índia ocupa a 138ª posição no ranking da Fifa e nunca disputou uma Copa do Mundo. O motivo da viagem até Calcutá, um agradecimento da CBF à torcida indiana, está explicado na prévia que o Atleta Pro publicou antes do jogo.

Estêvão, camisa 11 do Brasil, conduz a bola diante da marcação de um jogador da Índia no amistoso em Calcutá
Estêvão, autor do primeiro gol, encara a marcação indiana em Calcutá. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

O balanço de Ancelotti na Data Fifa

A janela foi a primeira do novo ciclo, que mira a Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030. O Brasil vinha da eliminação nas oitavas de final da Copa de 2026, com a derrota por 2 a 1 para a Noruega de Erling Haaland. Ancelotti convocou oito estreantes e usou os três amistosos para testar nomes novos.

O primeiro jogo, em Townsville, terminou 1 a 1, com o gol de empate de Rayan no último lance. Na terça-feira (29), em Brisbane, o Brasil saiu na frente com Vanderson, levou a virada com gols de Circati e Metcalfe e reagiu: Raphinha empatou de pênalti, e Bruno Guimarães e Vinícius Júnior fecharam o 4 a 2.

Na entrevista depois da goleada, Ancelotti citou os jovens que gostou de ver. “Conhecemos muito melhor esses jogadores. Eu acho que Jair jogou muito bem, Bontempo teve um primeiro jogo melhor que o segundo jogo, Breno Bidon entrou mostrando sua qualidade. Os goleiros também”, disse, segundo a CNN Brasil. “Temos que dar mais oportunidade.”

Sobre o jogo em si, o técnico admitiu a dificuldade inicial. “Tivemos dificuldades em abrir o gol, mas, no momento em que abrimos o placar com Estêvão, tivemos a oportunidade de controlar melhor o jogo”, afirmou. E fez um alerta: “Vemos que os jogadores que não têm muitos minutos nos clubes tiveram mais dificuldades.”

Para a próxima lista, o italiano promete pouca mudança e alguns rostos novos. “Tenho uma ideia muito mais clara para a próxima convocação. Obviamente não vamos mudar muito, mas quero ver outros jovens que não estavam prontos nesta próxima Data Fifa”, disse, segundo a CartaCapital.

Próximos jogos: Japão e Singapura em novembro

A seleção volta a campo na Data Fifa de novembro, de novo na Ásia. Segundo a CBF, o Brasil enfrenta o Japão no dia 14 e a seleção de Singapura no dia 17, os dois jogos no Estádio Nacional de Singapura. A Índia, por sua vez, segue em Calcutá: recebe o Uruguai na terça-feira (6), no mesmo Salt Lake. O caminho do Brasil até 2030, com o formato da próxima Copa ainda em discussão, está no texto sobre a proposta da Conmebol de uma Copa com 64 seleções.

O que a noite de Calcutá ensina sobre alta performance

O recado mais útil do sábado não veio de um gol, e sim de uma frase de Ancelotti: quem joga pouco no clube sofre mais quando chega à seleção. Minutos de jogo são parte do processo. Talento abre a porta, mas é a repetição semanal, em ritmo de competição, que sustenta o desempenho quando a chance aparece.

Samuel Lino é o exemplo do outro lado da frase. Ficou mais de um ano fora da lista, voltou porque estava jogando no clube e, com um tempo de jogo, transformou a chance em dois gols. Na hora de falar da concorrência com Vinícius Júnior, não reclamou de espaço nem pediu vaga: disse que vai continuar trabalhando no clube. É a postura de quem entende que a convocação é consequência, e o que está sob controle do atleta é a rotina que leva até ela.

Também há lição no calor de Calcutá. Lino falou em se poupar para manter o nível até o fim, e o último gol saiu nos acréscimos. Alta performance não é jogar no máximo o tempo todo. É saber administrar energia para estar inteiro no lance que decide.

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