Duas duplas faltas no começo. Frio. Corpo sem ritmo. Primeiro set perdido para o número 1 do torneio, Alexander Zverev.
Qualquer um desmoronaria. Djokovic não.
Placar final em Pequim: 4-6, 6-4, 6-4, em 2 horas e 35 minutos. E o próprio sérvio explicou o que decidiu: manteve o controle emocional nos games decisivos, com 5-4 no placar nos dois sets finais.
Terça-feira, final. Djokovic ganhou o primeiro set de Alex de Minaur no tie-break (7-6, 7-3). De Minaur saiu pra atendimento, voltou com a coxa enfaixada e abandonou no começo do segundo set. Título.

Sétimo China Open. Trinta e quatro vitórias, zero derrotas em Pequim. O 102º título da carreira, a UM do de Federer (103). Primeiro homem na Era Aberta com títulos em 21 temporadas seguidas, segundo a ATP.
E o caminho até lá? Virada sobre Zverev. Semifinal com Medvedev desclassificado (7-5 e 5-3 pro sérvio no placar) depois de rebater uma bola na arquibancada e acertar um espectador.
Um ano depois do último troféu, em Atenas. Num ano que ele próprio chamou de desafiador, cheio de problemas físicos e de saúde.
Ou seja: não é piloto automático. É competidor. E é por isso que a cabeça dele vale a aula.
1. Errou? Ajusta. Já.
Djokovic não ficou se lamentando. Disse que decidiu ser mais agressivo, subir à rede e quebrar o padrão do jogo.
Reconhece. Nomeia. Troca a estratégia. Próximo ponto.
Sua tarefa: crie um gatilho de reinício. Uma respiração, uma frase curta e bola em jogo. Quem tem roteiro pro erro não depende de humor.
2. Foco no ponto que decide
5-4. O corpo pede pressa. A cabeça grita “e se?”. Djokovic executa. Bons golpes nos momentos importantes, nas palavras dele.
Ranking, disputa pelo topo, público, barulho: tudo fora. Só o alvo, o plano e a respiração.
3. Perder um set não significa perder a partida
Perdeu o primeiro set. Um ano sem título. 39 anos. E nada disso muda o jeito dele de competir.
Isso é autoeficácia: confiança construída em milhares de situações vencidas, não no humor do dia. Quem acredita porque já provou não treme quando o jogo vira.

4. Visualização: o jogo já foi jogado na cabeça
Djokovic já falou publicamente sobre meditação, respiração e visualização na rotina. Quando o 5-4 chega, o cérebro reconhece: “eu já estive aqui”.
Sua tarefa: cinco minutos antes de dormir, reveja sua prova ou jogo. Inclusive a parte em que dá errado e você responde bem.
5. Sono, comida e recuperação: a base da cabeça
Ao longo da carreira, ele tornou públicos hábitos de alimentação controlada, cuidado com o sono e foco em recuperação. Em torneio com jogo atrás de jogo, corpo cansado decide mal e sente mais pressão.
Dormir bem também é treino mental. Ponto.
6. Final estranha? Maturidade
Semifinal por desclassificação. Final por abandono. Nenhum fim “limpo”. O próprio Djokovic disse que a sensação foi estranha e que não parecia certo pular de alegria com o adversário machucado.
Respeita o outro. Aceita o resultado. Segue o plano. Isso também é força mental.

De onde vem isso
Djokovic saiu da Sérvia e enfrentou obstáculos para chegar ao topo. Para ele, dificuldade não é exceção, é parte do caminho. Muita gente espera o cenário perfeito para render. Campeão longevo rende no cenário que existe.
A lição da semana
A final teve menos jogo do que se esperava. O fato concreto: primeiro set decidido no tie-break, contra um adversário rápido e regular, depois de uma virada sobre o cabeça de chave número 1.
E tem mais: segundo o Sky Sports, ele fechou o torneio sem precisar de match point na semifinal e na final. Isso não é sorte. É processo.
A pergunta pra você, atleta: o que na sua rotina te deixa corrigir rápido, focar no ponto que decide e cuidar do corpo pra cabeça render? Quem constrói isso rende até em ano difícil.
Leia também: Djokovic é campeão em Pequim aos 39 e fica a um título de Federer · Medvedev é desclassificado em Pequim após bolada em torcedor · Zverev nem viu que ganhou: a cabeça que enterrou seis anos de fantasma
Perguntas frequentes
Quantos títulos Djokovic tem na carreira?
Com o China Open de 2026, são 102 títulos, um a menos que os 103 de Roger Federer. Segundo a ATP, ele é o primeiro homem da Era Aberta com títulos em 21 temporadas seguidas.
Como foi a final de Djokovic em Pequim em 2026?
Djokovic ganhou o primeiro set de Alex de Minaur no tie-break, por 7/6 (7-3). De Minaur saiu para atendimento, voltou com a coxa enfaixada e abandonou no começo do segundo set. Foi o sétimo título do sérvio em Pequim, onde soma 34 vitórias e nenhuma derrota.
Como Djokovic virou o jogo contra Zverev nas quartas?
Depois de perder o primeiro set, ele decidiu ser mais agressivo, subir à rede e quebrar o padrão do jogo. Manteve o controle emocional nos games decisivos, com 5-4 no placar no segundo e no terceiro sets, e venceu por 4/6, 6/4 e 6/4.
Por que Medvedev foi desclassificado em Pequim?
Na semifinal, com Djokovic vencendo por 7/5 e 5/3, Medvedev rebateu uma bola na arquibancada e acertou um espectador. A desclassificação colocou Djokovic na final.
O que fazer logo depois de errar numa partida?
Ter um gatilho de reinício: uma respiração, uma frase curta e bola em jogo. Reconhecer o erro, nomear, trocar a estratégia e ir para o próximo ponto. Quem tem roteiro pro erro não depende de humor.
Como usar a visualização no treino?
Cinco minutos antes de dormir, reveja a sua prova ou jogo, inclusive a parte em que dá errado e você responde bem. Quando o momento decisivo chega, o cérebro reconhece: “eu já estive aqui”.
Por Nicholas Pasqualetto, Treinador Mental de Atletas.
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