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Carlos Alberto Dias morre aos 59: o gol de 1990 e os 4 grandes do Rio

Vista aérea do Maracanã em 2010, antes da reforma, com o gramado e as arquibancadas coloridas vazias e o Maracanãzinho ao lado

Carlos Alberto Dias, o meia que marcou o gol do título carioca do Botafogo em 1990 e vestiu a camisa dos quatro grandes do Rio de Janeiro, morreu na segunda-feira, 5 de outubro de 2026, aos 59 anos, em Caruaru (PE). Ele era o técnico do Ypiranga, de Santa Cruz do Capibaribe, e preparava o elenco para o Campeonato Pernambucano 2026/2027.

Nascido em Brasília em 5 de maio de 1967, Carlos Alberto Costa Dias jogou profissionalmente de 1985 a 2006. No caminho, teve mais de uma passagem pelo futebol japonês, ganhou cinco títulos estaduais, foi vice-campeão brasileiro e entrou em campo uma vez pela seleção brasileira.

Vista aérea do Maracanã em 2010, antes da reforma, com o gramado e as arquibancadas coloridas vazias e o Maracanãzinho ao lado
O Maracanã em 2010, antes da reforma para a Copa do Mundo. Foi ali que Carlos Alberto Dias fez o gol do título carioca do Botafogo em 1990. (Foto: José Fernandes Jr., Wikimedia Commons, CC BY 2.0)

Do mal-estar no sábado à morte na segunda

Segundo nota do Ypiranga, Carlos Alberto começou a passar mal no sábado (3), com cansaço, febre, vômitos e diarreia, e foi medicado. Como os sintomas continuaram, ele procurou a UPA de Santa Cruz do Capibaribe na manhã de domingo (4), foi atendido e liberado.

Por volta das 22h do mesmo domingo, voltou a se sentir mal, agora com dor no peito. Retornou à unidade de saúde e foi encaminhado ao Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, para avaliação cardiológica. Não resistiu.

A causa da morte não foi divulgada oficialmente. O Ypiranga informou que o treinador tinha histórico de um procedimento cardiológico feito cerca de dez meses antes. Em janeiro, Carlos Alberto havia deixado o comando do Humaitá, do Acre, poucos dias depois do início da pré-temporada. Segundo o presidente do clube acreano, ele tinha passado pela colocação de um stent no coração e precisava de repouso.

“Neste momento de profunda dor, o Ypiranga se solidariza com seus familiares, amigos, atletas, comissão técnica”, escreveu o clube pernambucano, que estendeu a solidariedade a todos que conviveram com ele.

Do Matsubara ao Japão, e de volta ao Coritiba

Carlos Alberto foi formado no Matsubara, do interior do Paraná, e saiu cedo do país. Passou duas temporadas no Fujita, do Japão, antes de voltar para o Coritiba, em 1988. Numa reportagem da revista Placar daquele ano, contou que recebia 5 mil dólares por mês no clube japonês, mas que nunca se adaptou à comida local: “Não posso nem ouvir falar em sashimi”.

No Coritiba, foi campeão paranaense em 1989. O título chamou a atenção do Botafogo, que o levou para o Rio de Janeiro no ano seguinte.

Arquibancada principal do estádio Couto Pereira, do Coritiba, vazia em dia de sol, com as letras CFC desenhadas nas cadeiras
O Couto Pereira, estádio do Coritiba, clube pelo qual Carlos Alberto foi campeão paranaense em 1989. (Foto: Kevin Klop, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0)

O gol que deu o bicampeonato ao Botafogo

Em 29 de julho de 1990, no Maracanã, diante de 45.824 pagantes, Carlos Alberto fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, aos 34 minutos do segundo tempo. O resultado deu ao Botafogo o bicampeonato carioca, um ano depois do título de 1989.

A decisão ainda passou pelo tribunal. O Vasco entendia que o regulamento previa uma nova etapa de desempate, e o caso foi ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Em 9 de agosto de 1990, o STJD declarou o Botafogo campeão por 7 votos a 1. A Placar resumiu a conquista na edição daquela semana: “o Botafogo é campeão porque venceu no campo”.

Trinta e seis anos depois, foi esse lance que o clube escolheu para se despedir. “A Família Botafogo lamenta profundamente o falecimento de Carlos Alberto Dias, meio-campista marcado na história do Clube pelo gol do título carioca de 1990”, publicou o Botafogo. A nota desejou forças à família, aos amigos e aos profissionais do Ypiranga e fechou com “Descanse em paz, craque”.

Carlos Alberto ficou no Botafogo até 1992 e fez parte do time que chegou à final do Campeonato Brasileiro daquele ano, perdida para o Flamengo.

Uma partida pela seleção e o bi pelo Vasco

O bom momento no Botafogo levou Carlos Alberto à seleção brasileira de Carlos Alberto Parreira. Em 15 de abril de 1992, no Estádio José Fragelli, em Cuiabá, ele entrou no lugar de Luís Henrique na vitória por 3 a 1 sobre a Finlândia, em amistoso. Foi a única partida dele pela seleção, segundo o levantamento jogo a jogo da RSSSF Brasil. Parte da imprensa fala em dois amistosos naquele ano.

Ainda em 1992, ele se transferiu para o Vasco, onde ficou até 1993 e integrou o elenco bicampeão carioca nas duas temporadas. “O Vasco da Gama lamenta profundamente o falecimento de Carlos Alberto Dias, ex-meia que vestiu a camisa do Gigante da Colina entre 1992 e 1993 e fez parte do elenco bicampeão carioca”, escreveu o clube.

Depois vieram Grêmio, em 1993, e Flamengo, em 1994. Com a passagem pelo Fluminense, em 1998, Carlos Alberto completou a lista dos quatro grandes do Rio: Botafogo, Vasco, Flamengo e Fluminense.

Paraná Clube, Japão de novo e uma carreira até os 39 anos

No Paraná Clube, Carlos Alberto teve três passagens, a última em 1999, e foi campeão paranaense em 1996, o quinto título estadual da carreira. “Carlos Alberto deixa seu nome registrado na história do Paraná Clube como um dos atletas que vestiram a camisa Tricolor”, publicou o clube.

Entre uma passagem e outra, voltou ao Japão para defender o Shimizu S-Pulse, em 1995, e o Verdy Kawasaki, em 1997. Em 1998, teve uma segunda passagem pelo Coritiba. A partir dos anos 2000, rodou por Ceará, Madureira, Operário Ferroviário, Sertãozinho, Marcílio Dias e ABC, onde encerrou a carreira em 2006.

Técnico do Pará a Pernambuco

Fora de campo, Carlos Alberto seguiu no futebol como treinador, quase sempre longe dos grandes centros. Dirigiu o Castanhal, do Pará, em 2014. Em 2016, levou o Frei Paulistano ao título da Série A2 do Campeonato Sergipano. Comandou ainda o Paragominas, também do Pará, e o Gama, do Distrito Federal, onde nasceu, em 2018. Também levou o Guaporé ao vice-campeonato de Rondônia.

O Ypiranga o anunciou como técnico em julho, e o trabalho com o elenco começou em setembro. Em entrevista ao ge, Carlos Alberto disse que estava satisfeito em Santa Cruz do Capibaribe, falou do objetivo de recolocar o clube nas competições nacionais e defendeu aproveitar os jogadores formados na base.

O que a trajetória de Carlos Alberto Dias deixa

Um gol pode durar mais que uma carreira. Carlos Alberto ganhou cinco estaduais, mas é um único lance, aos 34 minutos de uma final de 1990, que 36 anos depois abre a nota de despedida do Botafogo. Títulos se somam numa lista; um gol de final fica na memória de uma torcida inteira.

Carreira longa se faz também longe do holofote. Foram 21 anos como jogador, cerca de 20 clubes, idas e voltas ao Japão e uma reta final em times de menor investimento. A seleção veio uma vez. O resto foi constância, treino e a disposição de continuar competindo quando o auge já tinha passado.

Quem para de jogar pode continuar formando. Como técnico, ele escolheu clubes do interior e times de acesso, e chegou ao último trabalho falando de base. O conhecimento acumulado em duas décadas de campo virou ferramenta para os mais novos.

A saúde do ex-atleta segue sendo parte do trabalho. A causa da morte não foi divulgada, e não há relação estabelecida entre o histórico cardíaco e o desfecho. O caso, ainda assim, lembra que o acompanhamento médico não se aposenta junto com o jogador, sobretudo para quem continua na rotina de viagens, pressão e beira de campo.

Carreira longa se constrói dentro e fora de campo

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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