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39 anos, 7º título em Pequim: a mente de Djokovic é outro nível

Novak Djokovic bate um backhand de duas mãos na final do China Open 2026, em Pequim

Duas duplas faltas no começo. Frio. Corpo sem ritmo. Primeiro set perdido para o número 1 do torneio, Alexander Zverev.

Qualquer um desmoronaria. Djokovic não.

Placar final em Pequim: 4-6, 6-4, 6-4, em 2 horas e 35 minutos. E o próprio sérvio explicou o que decidiu: manteve o controle emocional nos games decisivos, com 5-4 no placar nos dois sets finais.

Terça-feira, final. Djokovic ganhou o primeiro set de Alex de Minaur no tie-break (7-6, 7-3). De Minaur saiu pra atendimento, voltou com a coxa enfaixada e abandonou no começo do segundo set. Título.

Novak Djokovic bate um backhand de duas mãos na final do China Open 2026, em Pequim
Djokovic na final em Pequim, a do sétimo título dele no torneio. Foto: Divulgação/ATP Tour

Sétimo China Open. Trinta e quatro vitórias, zero derrotas em Pequim. O 102º título da carreira, a UM do de Federer (103). Primeiro homem na Era Aberta com títulos em 21 temporadas seguidas, segundo a ATP.

E o caminho até lá? Virada sobre Zverev. Semifinal com Medvedev desclassificado (7-5 e 5-3 pro sérvio no placar) depois de rebater uma bola na arquibancada e acertar um espectador.

Um ano depois do último troféu, em Atenas. Num ano que ele próprio chamou de desafiador, cheio de problemas físicos e de saúde.

Ou seja: não é piloto automático. É competidor. E é por isso que a cabeça dele vale a aula.

1. Errou? Ajusta. Já.

Djokovic não ficou se lamentando. Disse que decidiu ser mais agressivo, subir à rede e quebrar o padrão do jogo.

Reconhece. Nomeia. Troca a estratégia. Próximo ponto.

Sua tarefa: crie um gatilho de reinício. Uma respiração, uma frase curta e bola em jogo. Quem tem roteiro pro erro não depende de humor.

2. Foco no ponto que decide

5-4. O corpo pede pressa. A cabeça grita “e se?”. Djokovic executa. Bons golpes nos momentos importantes, nas palavras dele.

Ranking, disputa pelo topo, público, barulho: tudo fora. Só o alvo, o plano e a respiração.

3. Perder um set não significa perder a partida

Perdeu o primeiro set. Um ano sem título. 39 anos. E nada disso muda o jeito dele de competir.

Isso é autoeficácia: confiança construída em milhares de situações vencidas, não no humor do dia. Quem acredita porque já provou não treme quando o jogo vira.

Alexander Zverev e Novak Djokovic se cumprimentam na rede depois das quartas de final do China Open 2026
Zverev e Djokovic na rede depois da virada nas quartas. Foto: Divulgação/ATP Tour

4. Visualização: o jogo já foi jogado na cabeça

Djokovic já falou publicamente sobre meditação, respiração e visualização na rotina. Quando o 5-4 chega, o cérebro reconhece: “eu já estive aqui”.

Sua tarefa: cinco minutos antes de dormir, reveja sua prova ou jogo. Inclusive a parte em que dá errado e você responde bem.

5. Sono, comida e recuperação: a base da cabeça

Ao longo da carreira, ele tornou públicos hábitos de alimentação controlada, cuidado com o sono e foco em recuperação. Em torneio com jogo atrás de jogo, corpo cansado decide mal e sente mais pressão.

Dormir bem também é treino mental. Ponto.

6. Final estranha? Maturidade

Semifinal por desclassificação. Final por abandono. Nenhum fim “limpo”. O próprio Djokovic disse que a sensação foi estranha e que não parecia certo pular de alegria com o adversário machucado.

Respeita o outro. Aceita o resultado. Segue o plano. Isso também é força mental.

Novak Djokovic estica o braço para devolver uma bola no China Open 2026, em Pequim
Djokovic em Pequim: 34 vitórias e nenhuma derrota no torneio. Foto: Divulgação/ATP Tour

De onde vem isso

Djokovic saiu da Sérvia e enfrentou obstáculos para chegar ao topo. Para ele, dificuldade não é exceção, é parte do caminho. Muita gente espera o cenário perfeito para render. Campeão longevo rende no cenário que existe.

A lição da semana

A final teve menos jogo do que se esperava. O fato concreto: primeiro set decidido no tie-break, contra um adversário rápido e regular, depois de uma virada sobre o cabeça de chave número 1.

E tem mais: segundo o Sky Sports, ele fechou o torneio sem precisar de match point na semifinal e na final. Isso não é sorte. É processo.

A pergunta pra você, atleta: o que na sua rotina te deixa corrigir rápido, focar no ponto que decide e cuidar do corpo pra cabeça render? Quem constrói isso rende até em ano difícil.

Leia também: Djokovic é campeão em Pequim aos 39 e fica a um título de Federer · Medvedev é desclassificado em Pequim após bolada em torcedor · Zverev nem viu que ganhou: a cabeça que enterrou seis anos de fantasma

Perguntas frequentes

Quantos títulos Djokovic tem na carreira?

Com o China Open de 2026, são 102 títulos, um a menos que os 103 de Roger Federer. Segundo a ATP, ele é o primeiro homem da Era Aberta com títulos em 21 temporadas seguidas.

Como foi a final de Djokovic em Pequim em 2026?

Djokovic ganhou o primeiro set de Alex de Minaur no tie-break, por 7/6 (7-3). De Minaur saiu para atendimento, voltou com a coxa enfaixada e abandonou no começo do segundo set. Foi o sétimo título do sérvio em Pequim, onde soma 34 vitórias e nenhuma derrota.

Como Djokovic virou o jogo contra Zverev nas quartas?

Depois de perder o primeiro set, ele decidiu ser mais agressivo, subir à rede e quebrar o padrão do jogo. Manteve o controle emocional nos games decisivos, com 5-4 no placar no segundo e no terceiro sets, e venceu por 4/6, 6/4 e 6/4.

Por que Medvedev foi desclassificado em Pequim?

Na semifinal, com Djokovic vencendo por 7/5 e 5/3, Medvedev rebateu uma bola na arquibancada e acertou um espectador. A desclassificação colocou Djokovic na final.

O que fazer logo depois de errar numa partida?

Ter um gatilho de reinício: uma respiração, uma frase curta e bola em jogo. Reconhecer o erro, nomear, trocar a estratégia e ir para o próximo ponto. Quem tem roteiro pro erro não depende de humor.

Como usar a visualização no treino?

Cinco minutos antes de dormir, reveja a sua prova ou jogo, inclusive a parte em que dá errado e você responde bem. Quando o momento decisivo chega, o cérebro reconhece: “eu já estive aqui”.

Por Nicholas Pasqualetto, Treinador Mental de Atletas.

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