Durante 42 minutos, o Stade de France viu a Bélgica no controle do placar. Depois, em 14 minutos, viu a França marcar quatro vezes. Nesta segunda-feira (5), pela quarta rodada da Liga das Nações, a seleção de Zinédine Zidane virou para 4 a 1 com gols de Désiré Doué, Rayan Cherki e Michael Olise, duas vezes. Os três tinham começado no banco.
O resultado deu a Zidane a primeira vitória como técnico da França diante da própria torcida e manteve a equipe invicta na liderança do Grupo A1, com 10 pontos em quatro jogos. A Bélgica, que abriu o placar com Dodi Lukébakio aos 35 minutos, ficou com 6 pontos, em terceiro.
Como foi o jogo: Lukébakio abre e a França trava
Zidane mudou dez jogadores em relação ao empate com a Itália, três dias antes, segundo a agência AFP. O time teve duas estreias: o goleiro Guillaume Restes, do Toulouse, e o zagueiro Leny Yoro, do Manchester United. Sem Kylian Mbappé, a braçadeira ficou com Ousmane Dembélé, aberto pela direita, com Bradley Barcola do outro lado e Esteban Lepaul no centro do ataque.
A França teve mais a bola, mas não achava espaço. A Bélgica, fechada perto da própria área, esperou o momento de sair. Ele veio aos 35 minutos: Romeo Lavia lançou Dodi Lukébakio, que aproveitou a defesa desalinhada e bateu no ângulo para fazer 1 a 0.
O placar seguiu assim até o intervalo e entrou pelo segundo tempo. O problema não era novo: nos três primeiros jogos da era Zidane, a França tinha marcado apenas um gol por partida.
O banco que virou o jogo em 14 minutos
A virada começou na prancheta. Aos 60 minutos, Zidane fez uma troca tripla: Michael Olise, Rayan Cherki e Lucas Da Cunha entraram nos lugares de Dembélé, Maghnes Akliouche e Manu Koné. Aos 72, Désiré Doué substituiu Barcola. A partir daí, a França passou a chegar com mais perigo perto da área.
Aos 77 minutos, Doué recebeu de costas para o gol na entrada da área, girou e chutou rasteiro, de canhota, no canto oposto do goleiro Maarten Vandevoordt. Era o 1 a 1.
Quatro minutos depois, Olise foi ao fundo pela direita e cruzou para trás. Cherki finalizou, a bola desviou no goleiro e entrou: 2 a 1, aos 81. A virada, que a França perseguia havia mais de uma hora, levou quatro minutos.

Com a Bélgica obrigada a se abrir, os espaços apareceram. Aos 88 minutos, Doué serviu Olise, que bateu de direita para fazer 3 a 1. No primeiro minuto dos acréscimos, a jogada se repetiu com Doué trabalhando a bola e Olise empurrando, agora de canhota, para fechar em 4 a 1.
Os quatro gols saíram de quem entrou no segundo tempo: Doué marcou um e deu os passes para os dois de Olise, que serviu Cherki.
Olise, o reserva que decidiu a janela
Na primeira partida contra a mesma Bélgica, em 28 de setembro, no Estádio Rei Balduíno, em Bruxelas, Olise entrou aos 77 minutos e marcou o gol da vitória por 1 a 0 aos 88, depois de receber um passe de Cherki. No empate por 1 a 1 com a Itália, na sexta-feira (2), foi ele quem abriu o placar, aos 55 minutos, antes de Alessandro Bastoni empatar.
Somando tudo, o atacante do Bayern de Munique fez quatro dos sete gols da França nos quatro jogos da janela. Zidane foi direto ao comentar o momento dele: “O que o Olise está fazendo é simplesmente excepcional”, disse, segundo a AFP. O zagueiro Leny Yoro, que estreou na partida, seguiu a mesma linha: “Sinceramente, o que ele traz para o time toda vez é impressionante”, afirmou ao franceinfo.
Olise preferiu dividir o mérito. “Também é um esforço coletivo. Ele traz ideias, nós as seguimos. Fizemos isso bem nos últimos quatro jogos e vamos continuar assim”, disse, em declaração reproduzida pelo Goal. Sobre a dificuldade do primeiro tempo, completou: “É sempre difícil contra um time que defende perto do próprio gol. Mas continuamos trabalhando duro e deu resultado.”
O que Zidane disse depois da virada
Na entrevista coletiva, Zidane não escondeu os problemas do primeiro tempo. “É verdade que o segundo tempo mudou, mesmo que nem tudo deva ser jogado fora no primeiro tempo. Faltou contundência nos últimos 30 metros, algo que nos faltou nos nossos três jogos”, disse, segundo o Foot Mercato. “O nosso segundo tempo, a partir do empate, foi outro jogo. É a reação de todo mundo.”
Sobre os reservas, foi além do elogio individual. “A entrada deles foi extraordinária, e isso prova que todo mundo está envolvido”, afirmou. À AFP, explicou a lógica: “Sabíamos que as substituições podiam mudar o rumo do jogo. Elas podem fazer isso porque são jogadores de grande qualidade. Mas, mais uma vez, foi uma atuação de equipe completa. O grupo inteiro foi bem nestas duas semanas e nestes quatro jogos. Todo mundo fez a sua parte.”
O técnico também pôs a janela em perspectiva. “Terminamos com uma nota muito positiva depois de quinze dias juntos. É merecido”, disse. E deixou claro que ainda há trabalho pela frente: “Há coisas que precisamos melhorar, mas isso virá aos poucos. Podemos fazer melhor, e vamos fazer melhor.”
O que muda com Zidane no comando
Zidane foi anunciado como técnico da França pela Federação Francesa de Futebol em 28 de julho de 2026, com contrato de quatro anos. Ele assumiu o lugar de Didier Deschamps, que comandou a seleção de 2012 até a Copa do Mundo de 2026, com o título mundial de 2018, o vice de 2022 e a semifinal deste ano, quando a França perdeu por 2 a 0 para a Espanha. No anúncio, Zidane resumiu a escolha: “É a única coisa que eu queria fazer”.

No Real Madrid, Zidane ganhou três Ligas dos Campeões seguidas (2016, 2017 e 2018) e ficou conhecido pela forma de administrar um elenco cheio de estrelas. A primeira janela na seleção mostrou a mesma marca. Ele rodou o time entre os quatro jogos e deu minutos a nomes novos, como Restes e Yoro, sem perder a liderança do grupo.
O desfalque mais pesado veio logo na estreia. Na vitória por 1 a 0 sobre a Turquia, em 25 de setembro, Mbappé marcou o único gol e se machucou no mesmo lance, com uma hiperextensão no joelho esquerdo. “Não vamos correr riscos”, disse Zidane na ocasião, segundo o franceinfo. O capitão voltou a Madri para tratar a lesão e ficou fora dos três jogos seguintes.
O elenco que permite esse rodízio era o mais valioso entre os semifinalistas da última Copa, como o Atleta Pro mostrou na comparação do valor de mercado dos semifinalistas.
A classificação do Grupo A1 e os próximos jogos
Com a goleada, a França abriu três pontos sobre a Itália. A Turquia perdeu os quatro jogos.
- França: 10 pontos (3 vitórias e 1 empate)
- Itália: 7 pontos
- Bélgica: 6 pontos
- Turquia: 0 ponto
A fase de liga termina em novembro. No dia 12, a França visita a Itália, e no dia 15 recebe a Turquia. A Bélgica, que perdeu os dois confrontos com os franceses, enfrenta a Turquia fora de casa no dia 12 e recebe a Itália no dia 15.
O que a virada de Paris ensina sobre alta performance
Olise não começou nenhum dos dois jogos contra a Bélgica. Nos dois, entrou sem a vitória no placar e decidiu. Doué teve cerca de 20 minutos em campo e participou de três gols. Cherki entrou junto com Olise e marcou o gol da virada. Nenhum deles teve um jogo inteiro para entrar no ritmo: a chance apareceu em poucos minutos, e eles estavam prontos para ela.
É a parte do esporte que não aparece na escalação. O reserva que decide é o que treina na semana com a intensidade de quem vai começar, acompanha o jogo do banco lendo onde está o espaço e entra sem precisar de tempo para se adaptar. Talento sem esse processo costuma chegar atrasado ao lance.
A outra lição está na fala de Zidane. Ele não atribuiu a vitória às trocas, e sim ao grupo inteiro estar envolvido. Elenco forte não é só ter bons jogadores no banco. É criar um ambiente em que quem entra aos 60 minutos se sente tão responsável pelo resultado quanto quem começou. Foi esse ambiente que transformou 42 minutos de desvantagem em uma goleada.
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