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Natalia Coelho defende o Olympia sob acusação de PMMA da rival

Natalia Coelho posa de frente, com as mãos na cintura, no palco da final do Women's Physique Olympia 2025, em Las Vegas

A brasileira Natalia Abraham Coelho sobe ao palco do Mr. Olympia 2026 nesta sexta-feira (25), em Las Vegas, para defender o título do Women’s Physique que reconquistou em outubro de 2025. Chega com uma acusação que a acompanha desde aquela final: a da americana Sarah Villegas, tetracampeã da categoria, que atribui a vitória da brasileira ao uso de PMMA, um preenchedor sintético injetável.

Na coletiva oficial do evento, na quinta-feira (24), Villegas foi perguntada se mantinha o que disse depois da última final. “Não mudaram”, respondeu, sobre as próprias opiniões. Parte da plateia aplaudiu. Outra parte vaiou.

O que Villegas e Natalia disseram na coletiva do Olympia

A coletiva foi no Pearl Theater, no Palms Casino, ao meio-dia de Las Vegas. Segundo a Generation Iron, Villegas disse que o objetivo dela é subir ao palco com um físico tão acima das rivais que não possa ser batido, “não importa quais meios estejam sendo usados”. Foi depois dessa frase que parte do público vaiou.

Natalia, que vinha evitando o tema em público, respondeu com uma frase só. “Se existe alguma briga, estão brigando sozinhos, porque eu não disse nada”, afirmou.

A acusação não foi comprovada. Nenhuma documentação médica ou outra prova pública foi apresentada até aqui, como a imprensa especializada americana registra a cada nova rodada da polêmica.

Horário do Women’s Physique no Olympia 2026 e onde assistir

O Women’s Physique compete inteiro nesta sexta. As prévias, fase em que os juízes comparam as atletas lado a lado, começam às 9h30 de Las Vegas, 13h30 no horário de Brasília, na mesma sessão da 212, da Classic Physique, do Figure, do Wellness e do Ms. Olympia. A final, na Orleans Arena, está marcada para as 18h locais, 22h em Brasília.

O Brasil tem mais dois nomes fortes no mesmo dia: Ramon Dino, que defende o título da Classic Physique, e Lucas Garcia, terceiro colocado da 212 em 2025 e membro da Atleta Pro Academy, que volta a Las Vegas para subir um degrau no pódio. Ao todo, o país leva 58 atletas ao Olympia 2026.

A transmissão é gratuita pela OlympiaTV, com cadastro no site da Olympia Productions. O passo a passo está no guia de onde assistir ao Mr. Olympia 2026.

Seis anos, duas campeãs: a rivalidade de 2020 a 2025

Desde 2020, o Women’s Physique Olympia só teve duas vencedoras. Villegas ganhou em 2020, 2021, 2023 e 2024. Natalia venceu em 2022 e em 2025. Nas duas vezes em que a brasileira foi campeã, Villegas terminou em segundo. Nas duas finais entre um título e outro, a vice foi Natalia.

Natalia nasceu em Nova York, foi para o Brasil com menos de um ano, cresceu no Rio de Janeiro e se mudou para a Flórida aos 15. Tem 30 anos. Antes do Women’s Physique, competiu no Figure, e venceu duas vezes o Physique International, a etapa da categoria no Arnold Classic, em 2019 e 2020.

Villegas, colombiana-americana, buscava o quinto título em 2025. Perdeu para a brasileira na final e, a partir dali, a disputa saiu do palco.

Natalia Coelho abre os braços durante a rotina de poses na final do Women's Physique Olympia 2025
Natalia Coelho na final do Women’s Physique Olympia 2025, em Las Vegas, quando retomou o título de Sarah Villegas. Foto: Reprodução/transmissão do Olympia 2025

Como a acusação de PMMA começou

Logo depois da final de 2025, Villegas chamou Natalia de campeã do “OIL-ympia”, trocadilho entre Olympia e “oil” (óleo, em inglês), e sugeriu que a brasileira teria usado PMMA ou outra substância para aumentar o volume de músculos específicos, o que o fisiculturismo chama de “site enhancement”. Segundo a própria Villegas, ela já tinha levantado a questão em público em 24 de julho de 2025, antes da final.

Em dezembro, Villegas disse que as falas dela tinham sido distorcidas e negou ter pedido a suspensão da brasileira. A menção a uma suspensão de três anos, afirmou, valia “se alguém fosse pego”, em tese, como forma de desestimular a prática.

Em fevereiro de 2026, voltou ao tema num comunicado. Disse ter recebido de um profissional de saúde ligado a uma clínica brasileira informações detalhadas, com as datas dos supostos procedimentos, que manteve em sigilo.

Em agosto, a um mês do Olympia, o marido e treinador dela, Ali Taktak, repetiu a versão em entrevista ao canal RXMuscle. “Contaram à Sarah as datas dos procedimentos, as datas exatas, até dos retornos, e onde foram feitos”, afirmou. “É trapaça, não tem outra forma de ver isso.”

A Generation Iron, que acompanha o caso desde o início, ressalta que nenhuma documentação médica foi apresentada em público e que frequentar uma clínica não comprovaria, por si só, um procedimento com PMMA.

Nas regras do Olympia, não há proibição

Mesmo que a acusação fosse comprovada, não haveria punição prevista. O Olympia não tem controle antidoping, e a IFBB Pro League, liga que organiza o evento, não tem regra sobre PMMA, segundo dois nomes ligados à própria competição.

“Que regra ela estaria quebrando? Se você achar o livro de regras, que regra ela está quebrando?”, questionou em dezembro Shawn Ray, ex-atleta e comentarista do Olympia. Bob Cicherillo, apresentador do evento, foi na mesma linha: “Como você trapaceia num jogo que não tem regras definidas sobre o que pode e o que não pode?”. E sugeriu que Villegas, se quisesse outro padrão, procurasse “outra federação, que faz teste antidoping”.

A resposta abriu uma segunda frente. Taktak acusou Cicherillo de ter “passado do limite” em comentários sobre a esposa, e a troca de farpas entre o campo de Villegas e os apresentadores do evento seguiu ao longo do ano.

O que é PMMA e por que o Brasil proibiu o uso estético

PMMA é a sigla de polimetilmetacrilato, um material sintético usado como preenchedor injetável permanente para dar volume a tecidos.

No Brasil, o uso estético do PMMA foi proibido pelo Conselho Federal de Medicina. A Resolução CFM 2.461/2026, em vigor desde 2 de junho, proíbe médicos de usar PMMA como preenchedor em procedimentos estéticos e reparadores. A única exceção é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV, em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS. Entre as complicações listadas pelo conselho estão necrose, infecções, deformações e mortes.

A Anvisa discorda da restrição. Para a agência, os produtos aprovados têm perfil de risco e benefício aceitável quando usados nas indicações e condições previstas.

O debate brasileiro é médico, não esportivo: a resolução vale para médicos no país e não tem relação com o regulamento da liga americana.

O que isso ensina sobre alta performance

Por caminhos opostos, as duas rivais apontaram para o mesmo lugar na coletiva: o palco. Villegas prometeu um físico que não possa ser batido. Natalia respondeu que não tinha dito nada. Numa categoria em que as duas dividem os últimos seis títulos, a diferença entre elas vai ser medida pelos juízes, não por declarações.

Independentemente de quem tem razão no caso, a polêmica expõe o limite de uma competição sem controle antidoping. Quando a regra não diz o que é proibido, a fronteira passa a ser do próprio atleta, e o preço de ultrapassá-la não aparece na súmula. Aparece no corpo, anos depois. É a conta que o Conselho Federal de Medicina listou ao banir o PMMA estético no Brasil, e que nenhum título paga.

Às 22h de Brasília, o painel de juízes do Olympia dá a próxima resposta.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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