A australiana Talia Gibson, de 22 anos e 63ª do ranking, vai disputar a primeira final da carreira no circuito principal no WTA 500 de Singapura. Ela avançou sem jogar a semifinal deste sábado (26/09): a russa Tatiana Prozorova, 180ª do mundo, foi retirada do torneio pela WTA depois de ser diagnosticada com concussão.
Prozorova levou uma bolada de smash na partida de duplas de sexta-feira e não passou em um dos testes do protocolo médico. Ela criticou a decisão nas redes sociais, e a WTA respondeu que jogadora com concussão diagnosticada não pode competir. A final de domingo (27/09) será contra a canadense Leylah Fernandez, cabeça 6, que virou sobre a polonesa Maja Chwalinska (5) por 1/6 6/4 6/2 na outra semifinal.

O smash nas duplas e o teste de equilíbrio
O lance aconteceu nas quartas de final de duplas, na noite de sexta-feira (25/09) em Singapura. Prozorova jogava ao lado da também russa Sofya Lansere contra a japonesa Miyu Kato e a australiana Ellen Perez, cabeças de chave 3. Com o placar em 7/5 5/2 para Kato e Perez, ela foi atingida por um smash de Kato, e a dupla russa abandonou a partida.
Segundo o relato de Prozorova, a bola pegou mais no ombro e só raspou o rosto. A fisioterapeuta chamada à quadra levou a jogadora para uma avaliação fora dela. Prozorova afirmou que passou nos outros exercícios e só não foi bem em um: ficar em uma perna só, de olhos fechados. “Como eu tinha passado mais de três horas em quadra em cada um dos últimos três dias, tive dificuldade em alguns exercícios”, escreveu.
“Infelizmente, eu não sabia que podia recusar”, afirmou a russa no Instagram. Ela disse ter sido pressionada, afirmou que a fisioterapeuta falou em pelo menos seis dias de descanso e classificou a decisão como “completamente absurda e um abuso de autoridade”. Segundo Prozorova, a organização do torneio defendeu que ela seguisse, mas a palavra final foi da WTA.
A resposta da WTA
À agência Reuters, um porta-voz da WTA sustentou a decisão: “Pela Regra de Incapacidade Física e pelo Protocolo de Concussão da WTA, a jogadora diagnosticada com concussão não tem permissão para competir e será considerada fisicamente incapaz de fazê-lo”. Para voltar, a atleta precisa cumprir um protocolo gradual de retorno ao jogo.
Segundo a entidade, a russa foi avaliada pela equipe médica da WTA em Singapura e pelo médico do torneio. Na prática, a regra tira da própria jogadora a decisão sobre seguir em quadra depois de uma pancada na cabeça.
A semana dela termina com o melhor resultado da carreira. Prozorova chegou a Singapura como 180ª do mundo e ganhou três jogos seguidos em três sets: a belga Sofia Costoulas na estreia, a filipina Alexandra Eala (3) nas oitavas e a chinesa Wang Xinyu nas quartas, por 3/6 7/5 6/4 em 3h01. Foi a primeira semifinal dela no circuito principal. A campanha contra Eala está na cobertura do Atleta Pro de quinta-feira.
Gibson chega à final pela vitória sobre Sakkari

O resultado que colocou Gibson na final veio na sexta-feira, nas quartas: ela bateu a grega Maria Sakkari, cabeça 7 e 33ª do mundo, por 6/1 4/6 6/2 em 1h56. Foi a primeira semifinal da australiana no circuito principal, segundo a WTA.
Antes, Gibson passou pela francesa Fiona Ferro por 6/3 6/3 na estreia e pela eslovaca Viktoria Morvayova, que entrou na chave como lucky loser, por 7/6(2) 7/6(1) nas oitavas. Segundo a agência australiana AAP, ela começou 2026 como 118ª do ranking.
“Eu não esperava chegar tão longe nesta semana, então acho que só estou aproveitando o momento”, disse Gibson à AAP. “No próximo jogo, só quero entrar, aproveitar, me divertir e tentar dar o meu melhor.”
Gibson também chegou à semifinal de duplas, ao lado da belga Sofia Costoulas, contra Erin Routliffe, da Nova Zelândia, e Aldila Sutjiadi, da Indonésia. A partida foi marcada para depois da semifinal de simples, no fim da noite de sábado em Singapura. Quem vencer pega as chinesas Tang Qianhui e Xu Yifan na decisão de domingo.
Fernandez vira sobre Chwalinska

Na outra semifinal, Chwalinska, finalista de Roland Garros neste ano, abriu 6/1 no primeiro set. Fernandez, 31ª do mundo e convidada da organização, empatou com 6/4 e dominou o terceiro set para fechar em 6/2, depois de 2h08 de jogo.
A canadense de 24 anos chegou à semifinal com uma vitória sobre a russa Mirra Andreeva, cabeça 1, por 6/2 7/5 nas quartas. Era a primeira semifinal dela em 2026. Chwalinska vinha de três vitórias em sets diretos, a última delas sobre a atual campeã, a belga Elise Mertens (4), por 6/2 6/2.
Finalista do US Open de 2021, Fernandez tem cinco títulos no circuito, segundo o perfil oficial da WTA: Monterrey em 2021 e 2022, Hong Kong em 2023, e Osaka e Washington em 2025. Singapura é a nona final da carreira dela.
A final: horário e onde assistir
Fernandez e Gibson nunca se enfrentaram em simples no circuito. O único encontro das duas foi nas duplas do Australian Open de 2025, quando Fernandez e a ucraniana Nadiia Kichenok venceram Gibson e Maya Joint por 6/3 6/3.
A final de simples está marcada para domingo (27/09), não antes das 17h em Singapura, 6h no horário de Brasília. A final de duplas abre o dia, às 14h30 locais (3h30 em Brasília). Em 2026, o circuito da WTA passa no Disney+ Premium, em quadras selecionadas, fora dos canais ESPN da TV por assinatura. O guia de onde assistir ao WTA de Singapura tem os detalhes, e a partir de 2027 os torneios da WTA passam para a CazéTV.
Segundo a AAP, a campanha deve levar Gibson ao top 40 do ranking. A gira asiática segue com o WTA 1000 de Pequim, a partir de 30 de setembro.
Os resultados de Singapura
Número entre parênteses indica a cabeça de chave. Datas no horário local.
| Data | Rodada | Vencedora | Perdedora | Placar |
|---|---|---|---|---|
| 25/09 | Quartas | Maja Chwalinska (POL, 5) | Elise Mertens (BEL, 4) | 6/2 6/2 |
| 25/09 | Quartas | Tatiana Prozorova (RUS) | Wang Xinyu (CHN) | 3/6 7/5 6/4 |
| 25/09 | Quartas | Leylah Fernandez (CAN, 6) | Mirra Andreeva (RUS, 1) | 6/2 7/5 |
| 25/09 | Quartas | Talia Gibson (AUS) | Maria Sakkari (GRE, 7) | 6/1 4/6 6/2 |
| 26/09 | Semifinal | Leylah Fernandez (CAN, 6) | Maja Chwalinska (POL, 5) | 1/6 6/4 6/2 |
| 26/09 | Semifinal | Talia Gibson (AUS) | Tatiana Prozorova (RUS) | W.O. |
A cabeça entra no plano de carreira
O W.O. não entra na conta de vitórias de Gibson. O que a levou à final foram três vitórias em quadra, a mais importante delas sobre Sakkari, cabeça 7, na sexta-feira.
Para Prozorova, a melhor semana da carreira terminou por uma regra médica, não por uma adversária. A discussão sobre quem decide segue aberta, mas o princípio do protocolo é simples: logo depois de uma pancada na cabeça, a atleta não é a melhor juíza do próprio estado. Carreira longa depende de chegar inteira ao próximo torneio, e não só de ganhar o jogo seguinte.
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