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Ronaldo Fenômeno compra 51% da Head no Brasil e mira tênis e padel

Ronaldo Fenômeno sorri no palco do Web Summit, em Lisboa

Ronaldo Fenômeno agora manda na marca de raquete de Novak Djokovic e Jannik Sinner no Brasil. O pentacampeão mundial comprou 51% da DLD, empresa que opera as marcas Head e Mares no país, e passou a controlar o negócio. O anúncio saiu na quarta-feira (8), e o valor da transação não foi divulgado.

Os outros 49% ficaram com um grupo de investidores que tem um nome conhecido de quem acompanha o tênis brasileiro: Bruno Soares, ex-número 2 do mundo nas duplas e dono de seis títulos de Grand Slam. É a aposta mais concreta de Ronaldo num esporte que ele frequenta como torcedor há anos e que, desde o fim de 2025, virou frente de investimento.

Ronaldo Fenômeno sorri no palco do Web Summit, em Lisboa
Ronaldo no Web Summit de 2019, em Lisboa. Foto: Stephen McCarthy/Web Summit via Sportsfile (CC BY 2.0), Wikimedia Commons

O que Ronaldo comprou, exatamente

Ronaldo não comprou a Head, a fabricante. Comprou o controle da operação brasileira da marca. A DLD é a empresa que detém os direitos de distribuição da Head (raquetes, bolas e acessórios de tênis e esportes de raquete) e da Mares (equipamentos de mergulho e esportes aquáticos) no mercado nacional. A matriz da Head segue com o grupo internacional, que tem sede operacional em Kennelbach, na Áustria.

Na prática, é a DLD que decide quais produtos chegam ao Brasil, abastece as lojas especializadas, fecha patrocínio com atletas e clubes e apoia torneios no país. É esse balcão que passa a ter Ronaldo como acionista majoritário.

A divisão do capital ficou assim:

SócioParticipação na DLD
Ronaldo Nazário51%
Grupo de investidores (Bruno Soares, João Rezende, Bruno Mendonça, Gustavo Maia e Rafael Alcici Cardoso)49%

Rafael Alcici Cardoso representa o grupo minoritário, segundo a Exame, que noticiou o negócio primeiro.

Uma operação que cresce 20% ao ano

Ronaldo entra num negócio que já vinha acelerando. A operação brasileira da Head faturou 26% a mais nos últimos 12 meses, e nos últimos três anos cresceu, em média, cerca de 20% ao ano. Os números foram divulgados junto com a transação; o faturamento em reais não foi revelado.

O pano de fundo é a expansão dos esportes de raquete no país. O tênis ganhou um novo ciclo de interesse com João Fonseca, e o padel e o beach tennis multiplicaram quadras em clubes e condomínios. Quem vende raquete, bola e corda no Brasil vende para um público que não para de crescer.

Bruno Soares no negócio

A presença de Bruno Soares dá ao negócio algo que dinheiro não compra: trânsito no circuito. O mineiro foi número 2 do mundo nas duplas, terminou 2016 como parte da melhor dupla da temporada ao lado do britânico Jamie Murray e soma seis títulos de Grand Slam: três nas duplas masculinas (Australian Open 2016 e US Open 2016 e 2020) e três nas mistas (US Open 2012 e 2014 e Australian Open 2016). Também disputou duas Olimpíadas, Londres 2012 e Rio 2016.

Aposentado desde o US Open de 2022, Soares conhece por dentro como funcionam patrocínio, ativação de atleta e calendário de torneios. São exatamente as frentes que a nova gestão diz que vai priorizar.

Ronaldo Fenômeno segura troféu no palco do Web Summit
Foto: Stephen McCarthy/Web Summit via Sportsfile (CC BY 2.0), Wikimedia Commons

Os planos para a Head no Brasil

Segundo a Exame e a Máquina do Esporte, a estratégia da nova gestão tem quatro frentes:

  • Distribuição: ampliar a presença da marca no país e fortalecer os canais de venda.
  • Revendedores: melhorar o atendimento às lojas, com reposição e suporte.
  • Base do esporte: estreitar a relação com clubes, academias e praticantes de esportes de raquete.
  • Competição: apoiar torneios e iniciativas de formação de atletas.

A Mares segue dentro da DLD, com a expectativa de ganho de logística e de venda por dividir a mesma rede de lojas.

“Eu sempre acreditei no poder do esporte de transformar vidas”, disse Ronaldo no anúncio. “Queremos investir no desenvolvimento do esporte, especialmente na formação de novos atletas.”

A Head: da raquete de alumínio ao top 10 da ATP

A marca que Ronaldo passa a representar no Brasil nasceu longe do tênis. Howard Head, engenheiro aeronáutico e esquiador, fundou a empresa em 1950, em Baltimore, nos Estados Unidos, para fabricar esquis. A entrada no tênis veio no fim dos anos 1960, com uma raquete de alumínio. Em 1975, Arthur Ashe venceu Wimbledon contra Jimmy Connors com um modelo da marca.

Ainda nos anos 1970, a Head comprou a italiana Mares, de mergulho, e a Tyrolia, de fixações de esqui. Desde 1995, o grupo é comandado pelo empresário Johan Eliasch. Hoje, a Head é a raquete de alguns dos nomes mais fortes do circuito, como Djokovic e Sinner.

O portfólio de Ronaldo fora do campo

A Head entra numa carteira que já é ampla. Depois de vender o controle do Cruzeiro, em 2024, e do Real Valladolid, em 2025, Ronaldo concentrou os investimentos em marketing, mídia e experiências esportivas. Segundo a Máquina do Esporte, os negócios atuais incluem:

  • Futebol: sociedade na SAF da Inter de Limeira, com Roberto Carlos e Enrico Ambrogini.
  • Marketing: a Oddz Network, que controla a Octagon Latam (32 escritórios em 18 países), a produtora Beyond Films e a Wayz Travel.
  • Gestão de patrimônio de atletas: a Galácticos Capital.
  • Mídia: a Rede Ronaldo.
  • Imobiliário: o Reserva Beach Club, em Alphaville (Barueri), que inclui a Galácticos House, clube de tênis com 300 títulos vendidos a R$ 1,15 milhão cada.

O tênis e o padel vinham ganhando espaço nesse portfólio. Em dezembro de 2025, em Miami, Ronaldo contou ao Poder360 que planejava 100 quadras de tênis e 100 de padel no Brasil, entre unidades premium, opções mais acessíveis e áreas sociais em comunidades de São Paulo, do Rio de Janeiro e de outras cidades. “É um investimento alto, mas a gente acredita muito nesses dois esportes e vai investir bastante nisso”, disse na ocasião. Em fevereiro de 2026, entrou também num projeto de piscina de ondas em São Paulo, com investimento previsto de R$ 1 bilhão, segundo a Exame.

Com a Head, o desenho fica completo: clube para jogar, quadra para formar e a marca que vende o equipamento.

O que isso ensina sobre carreira de atleta

O Ronaldo que levantou a Copa de 2002 com dois gols na final, depois de duas cirurgias no joelho, construiu uma segunda carreira tão estruturada quanto a primeira. Não foi por acaso. Ele passou a tratar o próprio nome como empresa ainda jogando, e saiu do campo com marca, rede de contatos e gente competente ao redor.

O mesmo padrão aparece em outros atletas que viraram empresários, como Kelly Slater no surfe. E a sociedade com Bruno Soares mostra o outro lado: o conhecimento de quem viveu o circuito vale como capital num negócio de esporte.

Para o atleta em atividade, a lição é que a identidade não pode acabar no apito final. Imagem, relacionamento e reputação são construídos todo dia, durante a carreira, e são eles que abrem a porta quando o corpo para de competir.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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