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Sinner encerra 2026 para tratar o joelho e abre o nº 1 para Zverev

Jannik Sinner cerra o punho e comemora um ponto no saibro do Masters 1000 de Roma, em 2026

Jannik Sinner não volta mais às quadras em 2026. O italiano de 25 anos, número 1 do mundo, anunciou nesta terça-feira (6), em vídeo publicado no Instagram, que vai interromper a temporada para tratar o joelho direito. Ele não joga desde 12 de julho, quando venceu Alexander Zverev na final de Wimbledon e conquistou o quinto título de Grand Slam da carreira.

A decisão tira Sinner do Masters 1000 de Xangai, do ATP 500 de Viena, do Masters 1000 de Paris, do ATP Finals de Turim, onde é bicampeão, e da fase final da Copa Davis, em Bolonha. O próximo torneio no calendário dele é o Australian Open de 2027. A consequência mais imediata é no ranking: Sinner vai perder 3.050 pontos até o fim do ano, e Zverev deve se tornar o 30º número 1 da história da ATP.

O anúncio: “a temporada de 2026 está oficialmente encerrada”

O vídeo foi curto e direto. “Eu, junto com os médicos, decidimos que preciso de um tratamento no joelho, o que significa que a temporada de 2026 está oficialmente encerrada”, disse Sinner, segundo a ATP.

Na sequência, ele explicou o raciocínio por trás da decisão: “No momento, também preciso pensar na minha carreira a longo prazo. Então vou fazer tudo o que for possível para voltar a 100%”.

A equipe do italiano completou o recado em nota: a decisão foi fazer o tratamento agora para dar a Sinner o tempo necessário de recuperação antes de começar a preparação para 2027.

O diagnóstico detalhado não foi divulgado. Ao longo dos últimos meses, a imprensa italiana publicou versões diferentes sobre o problema, de uma inflamação de tendão fora da articulação a uma pequena fissura na cartilagem do joelho. Segundo o site Tennis Majors, nenhuma delas foi confirmada oficialmente. O que se sabe é que o joelho direito foi o motivo da desistência do US Open, em agosto, e que desde Wimbledon o italiano não disputou mais nenhuma partida oficial.

Uma temporada de 44 vitórias e três derrotas

O ano de Sinner termina com números que, em outro contexto, seriam de campanha histórica. Foram 44 vitórias e apenas três derrotas, seis títulos (o maior número do circuito em 2026) e dez vitórias sobre jogadores do top 10.

O centro da temporada foi a primavera europeia. Sinner ganhou cinco Masters 1000 seguidos: Indian Wells, Miami, Monte Carlo, Madri e Roma. Com o título em Roma, contra o norueguês Casper Ruud, completou o chamado Career Golden Masters, os nove torneios de nível 1000 do calendário. Só Novak Djokovic tinha feito isso antes.

No caminho, o italiano chegou a 30 vitórias seguidas, a maior sequência da carreira. Ela acabou de forma inesperada na segunda rodada de Roland Garros, com derrota para o argentino Juan Manuel Cerúndolo. A outra derrota em Grand Slam do ano foi na semifinal do Australian Open, para Djokovic.

Em Wimbledon, Sinner defendeu o título. Na final, perdeu o primeiro set para Zverev no tie-break e virou para 6/7, 7/6, 6/3 e 6/4, em 3h46 de jogo. Foi a última vez que entrou em quadra em 2026.

Depois disso, a lista de ausências cresceu semana a semana: Masters 1000 do Canadá, Cincinnati, US Open, China Open (onde era o atual campeão) e Xangai, que começou nesta quarta-feira (7). Agora, o resto do ano.

O que muda no ranking: Zverev a caminho do topo

No ranking divulgado nesta semana, Sinner aparece com 11.000 pontos, contra 9.720 de Zverev. São 1.280 pontos de vantagem, segundo a SuperTennis, canal da federação italiana. O terceiro colocado, Carlos Alcaraz, está muito mais longe, com 5.560.

O problema para o italiano é o que ele tem a defender. No fim de 2025, Sinner foi campeão em Viena (500 pontos), em Paris (1.000) e no ATP Finals (1.500), além de ter somado 50 pontos em Xangai, onde abandonou na terceira rodada. São 3.050 pontos que saem da conta sem possibilidade de reposição. Parado, Sinner termina 2026 com 7.950 pontos.

Zverev tem bem menos em jogo. Segundo a ATP, o alemão defende 50 pontos em Xangai, 330 em Viena, 400 em Paris e 200 no ATP Finals. Mesmo que perca todos os jogos até dezembro, fica com pelo menos 8.740 pontos, de acordo com a SuperTennis. Ou seja, a ultrapassagem é questão de calendário.

Jannik Sinner e Alexander Zverev abraçados com os troféus de campeão e vice do ATP 500 de Viena de 2025
Sinner e Zverev com os troféus de Viena, em 2025: os 500 pontos daquele título saem da conta do italiano em novembro. Foto: Divulgação/ATP Tour

A data exata depende do próprio Zverev. Se ele for campeão em Xangai e for longe em Viena, pode assumir a liderança já no começo de novembro, segundo as projeções da imprensa italiana. No pior cenário para o alemão, a troca acontece quando os 1.500 pontos de Turim deixarem a conta de Sinner, ao fim do ATP Finals.

Quando acontecer, será um marco. Zverev, de 29 anos, campeão de Roland Garros e do US Open em 2026, vai se tornar o 30º jogador a chegar ao número 1 do ranking da ATP e o primeiro alemão no posto desde Boris Becker, em 1991. Sinner, que soma mais de 90 semanas na liderança ao longo da carreira, segundo a ATP, vai perder o posto sem entrar em quadra.

E Alcaraz?

A pergunta é natural, porque Alcaraz terminou 2025 como número 1 e abriu 2026 com o título do Australian Open, sobre Djokovic. Mas o espanhol teve o ano interrompido por uma lesão no punho e acaba de voltar a ganhar um torneio: o ATP 500 de Tóquio, com vitória na final sobre o tcheco Jiri Lehecka por 7/6 (4) e 6/4. Foi o primeiro título dele em quase oito meses.

“Estou muito feliz por conseguir levantar um troféu de novo. Fazia tempo e, obviamente, é ainda mais especial depois da lesão”, disse Alcaraz, segundo a agência AAP. Na semana, ele admitiu que ainda estava longe do nível que quer.

Com 5.560 pontos, o espanhol está 4.160 atrás de Zverev. Para a SuperTennis, as chances de Alcaraz terminar o ano como número 1 são “praticamente inexistentes”. A disputa pelo topo em 2026 virou assunto de um homem só.

Turim sem o bicampeão

A ausência que mais pesa na Itália é a do ATP Finals, marcado para 15 a 22 de novembro, em Turim. Sinner foi campeão em 2024, contra o americano Taylor Fritz, e em 2025, quando venceu Alcaraz na final por 7/6 (4) e 7/5. Segundo a ATP, o retrospecto dele no torneio é de 15 vitórias e duas derrotas, e ele chega com dez vitórias seguidas na competição, sem perder sets desde a final de 2023, quando foi derrotado por Djokovic.

Jannik Sinner olha para o troféu do ATP Finals entre confetes depois do bicampeonato em Turim, em 2025
Sinner com o troféu do ATP Finals em 2025, o segundo seguido em Turim. Foto: Divulgação/ATP Tour

O próprio Sinner citou a cidade no vídeo de despedida da temporada. “Os últimos dois anos, especialmente o encerramento em Turim, me deram muitos sentimentos e emoções bonitas, e este ano vai ser bem diferente”, afirmou, segundo a Field Level Media.

Sem o dono da casa, Turim terá um campeão diferente de Sinner pela primeira vez desde 2023. Zverev, que venceu o ATP Finals em 2018 e 2021, chega como o principal nome da chave. Alcaraz ainda persegue o primeiro título na competição, e Djokovic, recordista com sete conquistas, voltou ao top 10 depois de ser campeão em Pequim. A transmissão no Brasil está no guia de onde assistir ao ATP Finals 2026.

A Itália na Copa Davis sem Sinner

A fase final da Copa Davis será disputada de 24 a 29 de novembro, na Super Tennis Arena, em Bolonha. A Itália, tricampeã seguida (2023, 2024 e 2025) e dona da casa, estreia nas quartas de final contra a Coreia do Sul, no dia 25.

Sinner foi peça central nos títulos de 2023 e 2024. Em 2025, a Itália já tinha conquistado o tri sem ele, com Flavio Cobolli e Matteo Berrettini segurando as simples. O time vai precisar repetir a fórmula.

A volta: Australian Open 2027

O plano anunciado pela equipe é usar os próximos meses para o tratamento e só então iniciar a pré-temporada. O primeiro torneio marcado no calendário de Sinner é o Australian Open, em Melbourne. A chave principal começa em 17 de janeiro de 2027, e a final masculina está prevista para 31 de janeiro.

Até lá, entre a final de Wimbledon e a estreia em Melbourne, serão pouco mais de seis meses sem jogos oficiais.

O que isso ensina sobre alta performance

A decisão de Sinner tem um custo visível e imediato: o número 1, a chance de um tri em casa em Turim e a presença na Copa Davis diante da torcida italiana. São perdas que qualquer atleta sente. Ainda assim, ele escolheu parar com o ranking em jogo.

O motivo está na frase que ele mesmo usou: carreira a longo prazo. Um atleta de 25 anos, com cinco Grand Slams e anos de circuito pela frente, tem mais a perder forçando um joelho que não responde do que abrindo mão de três meses de torneios. Pontos voltam. Articulação comprometida, nem sempre.

É a mesma lógica que levou João Fonseca a anunciar uma pausa em setembro. Alta performance é sustentável, não é pico. Ranking é consequência de anos de rendimento, e quem trata o corpo como ativo de longo prazo costuma ficar mais tempo no topo do que quem joga machucado para defender pontos.

Para o atleta amador e para o profissional em formação, a lição é prática: a dor que se arrasta por semanas é informação, não obstáculo a ser vencido na força. Parar na hora certa, com plano de retorno e data definida, é decisão de quem pensa em temporadas, não em torneios.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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