Aos 46 anos, o primeiro-tenente da Polícia Militar de São Paulo Batista Haddad voltou do Mundial Master de Atletismo, em Daegu, na Coreia do Sul, com duas medalhas na categoria 45 a 49 anos: prata no lançamento do martelo, com 44,07 m, e bronze no lançamento do martelete, com 12,70 m.
Os pódios encerram uma busca antiga. Membro da Atleta Pro Academy, Haddad já tinha um bronze em Mundial indoor, conquistado em Torun, na Polônia, em 2023, mas nunca havia chegado ao pódio de um Mundial ao ar livre. “Eu queria subir ao pódio de um Campeonato Mundial Outdoor. Agora subi duas vezes”, escreveu ele depois da competição.
Seis lançamentos e o segundo lugar do início ao fim
A final do martelo foi disputada em 27 de agosto, com o implemento de 7,26 kg, o mesmo peso usado na categoria adulta. Haddad abriu com 41,25 m e não saiu mais da segunda posição.
Sua série teve 41,25 m, 42,36 m, 42,04 m, 42,62 m, 44,07 m e um lançamento nulo. O melhor veio na quinta tentativa, quando a prova já se aproximava do fim.
O ouro ficou com o japonês Shin Ichiki, com 47,51 m. O americano Todd Chamoy levou o bronze, com 42,04 m. A marca de Haddad ficou 3,44 m atrás do campeão e 2,03 m à frente do terceiro colocado.
O bronze no martelete, com 15,88 kg na mão

Dois dias depois, em 29 de agosto, o brasileiro voltou ao círculo para o lançamento do martelete. O implemento da categoria pesa 15,88 kg, mais que o dobro do martelo.
Chamoy venceu com 14,03 m, Ichiki foi prata com 13,53 m e Haddad garantiu o bronze com 12,70 m, 1,16 m à frente do espanhol Carlos Solís Martínez, quarto colocado. Os mesmos três atletas ocuparam os dois pódios da categoria, em ordens diferentes.
Os resultados vieram em condições que o próprio atleta considerou longe das ideais. Ele citou o “calor insuportável” e admitiu: “O corpo não chegou à Coreia nas condições que eu gostaria”.
Patrícia Akemi Koga, integrante do Time Batista, como ele chama sua equipe de apoio, também competiu no Mundial. Ela relatou cerca de 50 horas entre sair de casa e chegar a Daegu, com escalas em Houston e Haneda e pernoite em Seul.
O estádio do ídolo, 15 anos depois
Daegu tinha um peso particular para Haddad. Em agosto de 2011, a cidade recebeu o Mundial adulto, e o japonês Koji Murofushi, ídolo do brasileiro, venceu o martelo com 81,24 m. Aos 36 anos, tornou-se o campeão mundial mais velho da prova, segundo a World Athletics.

Haddad conta que assistiu àquelas imagens inúmeras vezes. Na preparação para o Mundial Master, teve direito a um treino dentro do estádio, no horário das finais dos grandes campeonatos, e reproduziu uma foto igual à da transmissão de TV. “Quinze anos depois, eu estava lá”, escreveu.
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Uma temporada de altos e baixos até o Mundial
O caminho até a Coreia passou por oscilações. Estes são os principais resultados que ele divulgou no martelo em 2026:
| Mês | Competição | Colocação | Marca |
|---|---|---|---|
| Maio | IV Open Paulista | 6º | 43,89 m |
| Maio | 5º Meeting Amava-Usipa | 1º | 44,33 m |
| Maio | II Iberoamericano Master, Lima | 2º | 43,22 m |
| Junho | Campeonato Paulista Adulto | 1º | 42,87 m |
| Julho | Campeonato Paulista Master | 1º | 41,81 m |
| Agosto | Open Paulista | 2º | 40,57 m |
| Agosto | Mundial Master, Daegu | 2º | 44,07 m |
Em Lima, mesmo com duas pratas, Haddad saiu insatisfeito. “Teria todas as razões para me lamentar, mas não tenho tempo para isso”, escreveu, prometendo buscar na Coreia “o que faltou aqui”.

A melhor notícia da temporada, antes de Daegu, veio em junho, no Paulista Adulto, em São Paulo. Aos 46 anos, ele foi campeão da 1ª divisão, título que perseguia desde 2004. “Já estava conformado”, contou. O ouro chegou 26 anos depois de sua estreia na pista de Araraquara.
A última prova antes do embarque, com 40,57 m, foi a mais fraca da lista. Haddad atribuiu parte do resultado ao setor de lançamento, que considerou muito áspero. Três semanas depois, lançou 3,50 m a mais, na prova que mais importava da temporada.
Quem está por trás das medalhas
Os relatos de competição de Haddad terminam com uma lista de nomes, sob o título “Time Batista”. Entre os agradecimentos do fim da temporada estão a Equipe de Atletismo de Araraquara, que ele defende há 24 anos, e a Escola Superior de Soldados, da PM paulista, que dá suporte aos treinos e às competições.
O treinador é Pedro Rivail Attilio. O agradecimento do atleta a ele é direto: “por acreditar em mim quando ninguém mais acreditou”.
Perth e Flórida: a missão de 2027
Depois do Mundial, Haddad marcou a volta aos treinos para 5 de outubro e já publica as primeiras semanas de base da temporada 2027, que tem dois alvos: os Jogos Mundiais das Polícias e Bombeiros, em Perth, na Austrália, e o Mundial Master Indoor, em Alachua County, na Flórida.

As medalhas de Daegu também viraram argumento comercial. Haddad apresentou a temporada como um projeto aberto a empresas, a “Missão 2027”. “Patrocínio esportivo é parceria construída com entrega, narrativa e geração de valor”, escreveu. Empresas interessadas podem enviar “MISSÃO 2027” pelo direct do perfil @batistahaddad para receber a apresentação.
A Stelzer Viagens, parceira oficial de logística do projeto internacional de 2026, é um exemplo desse modelo. Para quem quer estruturar uma proposta parecida, o Atleta Pro tem um guia sobre como conseguir patrocínio esportivo.
O que a temporada de Haddad ensina sobre alta performance
A sequência de 2026 mostra que uma marca ruim às vésperas da competição não define o resultado final. Haddad saiu de 40,57 m para 44,07 m em três semanas, sem esconder que o resultado anterior tinha ficado abaixo do esperado.
Ela também mostra o valor do planejamento. O atleta definiu o objetivo, montou uma equipe, organizou a logística e chegou a Daegu para disputar duas provas. Quando o corpo não colaborou por inteiro, esse trabalho sustentou uma série consistente, com a melhor marca guardada para a quinta tentativa.
O próprio Haddad resume o que muda depois do pódio: “Agora eu sei ainda mais o tamanho da montanha que quero continuar escalando”.
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