A Mercedes chega a Interlagos com a chance de fechar o ano perfeito. Uma semana depois de Kimi Antonelli se tornar, aos 20 anos, o campeão mais jovem da história da Fórmula 1, a equipe alemã pode garantir também o título de construtores no GP de São Paulo, que tem largada marcada para domingo (8), às 14h (horário de Brasília).
A conta é curta. A Mercedes soma 630 pontos, 126 a mais que a Ferrari, segunda colocada com 504, segundo a classificação oficial da F1. Depois de Interlagos restarão só três corridas, e a equipe de Toto Wolff precisa apenas sair do Brasil com um pouco mais de vantagem do que tem hoje.
A conta: três pontos a mais que a Ferrari
Interlagos não tem corrida sprint em 2026. Assim, cada equipe pode somar no máximo 43 pontos por etapa: 25 da vitória e 18 do segundo lugar. Com Las Vegas, Catar e Abu Dhabi ainda no calendário depois de São Paulo, ficam 129 pontos em jogo para o fim da temporada.
Pelas contas do Motorsport.com, a Mercedes precisa terminar o domingo com pelo menos três pontos a mais que a Ferrari em Interlagos. Com a diferença em 129, a equipe de Maranello deixa de ter como ultrapassá-la, mesmo que faça dobradinha nas três últimas etapas.
Três resultados fecham a conta sozinhos, independentemente do que a Ferrari fizer:
- Dobradinha da Mercedes (1º e 2º): 43 pontos.
- Vitória com o outro carro em 3º: 40 pontos.
- Vitória com o outro carro em 4º: 37 pontos.
Mesmo que a Ferrari ocupe as melhores posições que sobrarem, a vantagem da Mercedes cresce pelo menos quatro pontos em qualquer uma delas. Se os dois carros da Mercedes ficarem fora dos pontos, a decisão fica para Las Vegas. Antonelli tem boa lembrança da pista: em 2025, terminou o GP de São Paulo em segundo, atrás de Lando Norris.
Wolff evita falar em festa antes da hora. “Os campeonatos estão se aproximando, mas nossa mentalidade não muda. Pensar no resultado não nos ajudará a alcançá-lo”, disse o chefe da equipe antes do GP do México, segundo o Motorsport.com.

Pneus mais macios e asfalto novo em Interlagos
A outra novidade do fim de semana vem do chão. A Pirelli anunciou nesta terça-feira (3) que levará a Interlagos os compostos C3 (duro), C4 (médio) e C5 (macio), um degrau mais macio que em 2025, quando o fim de semana brasileiro teve corrida sprint.
O traçado também mudou. Ao longo do ano, o autódromo recebeu asfalto novo no trecho entre as curvas 3 e 5 e entre as curvas 8 e 9. Segundo a fornecedora, as áreas recapeadas podem alterar a aderência e a evolução da pista, com efeito sobre o comportamento dos pneus em stints longos. Os três treinos livres vão servir justamente para medir o desgaste no novo piso.
No ano passado, a estratégia mais eficiente foi a de duas paradas, com médios e macios dominando a corrida. Só dois pilotos completaram a prova com um pit stop, e o pneu duro apareceu em poucos stints curtos. A Pirelli lembra ainda o fator clássico de novembro em São Paulo: chuva e variação forte de temperatura, que podem colocar os pneus intermediários e de chuva em jogo de novo.
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Verstappen, Hamilton e Russell brigam pelo vice
Se o título de pilotos está decidido, a disputa pelo segundo lugar está aberta. Antonelli lidera com 380 pontos. Atrás dele, Max Verstappen tem 261, Lewis Hamilton, 259, George Russell, 250, e Charles Leclerc, 245. São quatro pilotos separados por 16 pontos.
Verstappen chega embalado pela vitória no México e com um capacete especial nas cores do Brasil, revelado nesta terça nas redes sociais, segundo o Motorsport.com. O holandês tem três vitórias em Interlagos, como Sebastian Vettel e Hamilton. O recordista do circuito é Michael Schumacher, com quatro, de acordo com a Pirelli. Entre as equipes, Ferrari e McLaren lideram, com nove vitórias cada.
Em 2025, Verstappen largou do pit lane e terminou em terceiro, numa corrida que teve abandono duplo da Ferrari.

Bortoleto volta para casa com macacão especial
Para a torcida, o fim de semana tem nome e sobrenome. Gabriel Bortoleto chega a São Paulo depois de encerrar no México uma sequência sem pontos: cruzou a linha em 11º e foi promovido ao oitavo lugar pelas punições de rivais, somando quatro pontos. O brasileiro tem 14 pontos e é o 14º do campeonato. A Audi é a oitava entre as equipes, com 27.
“Correr no Brasil sempre será muito especial para mim. O ano passado foi minha primeira experiência pilotando diante da torcida da minha terra, e o apoio que recebi foi incrível”, disse Bortoleto, segundo o Motorsport.com. “Sabemos que o pelotão do meio continua muito acirrado e que nada vem fácil, mas vou dar tudo de mim para que seja um ótimo fim de semana para a equipe.”
A Audi preparou um macacão verde-escuro para Bortoleto e Nico Hülkenberg na etapa, apresentado na segunda-feira (2) com a frase “Nada de macacão de corrida comum: aqui é São Paulo”, de acordo com o iG. A lembrança de 2025 é a que ele quer apagar. Na estreia em casa, ainda pela Sauber, bateu forte na última volta da sprint e abandonou o GP na primeira volta, depois de um toque com Lance Stroll.
O fim da temporada ainda depende do Oriente Médio
Há um asterisco na matemática. O campeonato deve terminar no Catar, de 27 a 29 de novembro, e em Abu Dhabi, de 4 a 6 de dezembro. Segundo a BBC, a F1 mantém os planos depois de receber garantias de segurança de fontes governamentais, mas há quem tenha reservas no paddock por causa do conflito na região. Se a situação piorar, as duas provas podem ser trocadas por uma única etapa em Ímola, na Itália, no fim de semana de Abu Dhabi.
Nesse cenário, restariam só duas corridas depois de Interlagos, e a Mercedes poderia sair campeã do Brasil mesmo perdendo terreno para a Ferrari. O conflito já mexeu com o calendário esportivo: nesta terça, a Confederação Asiática de Futebol adiou a Copa da Ásia, que seria disputada na Arábia Saudita a partir de janeiro, para 23 de dezembro de 2027 a 21 de janeiro de 2028, segundo a Reuters. O WTA Finals, que seria em Riad, foi transferido para Indian Wells, nos Estados Unidos.
Programação do GP de São Paulo (horário de Brasília)
- Sexta-feira (6): treino livre 1, às 12h30; treino livre 2, às 16h.
- Sábado (7): treino livre 3, às 11h30; classificação, às 15h.
- Domingo (8): corrida, às 14h, com 71 voltas no circuito de 4,309 km.
Será o 43º Grande Prêmio da história de Interlagos, que recebeu 42 edições até aqui, segundo a Pirelli.
O que isso ensina sobre alta performance
O título que a Mercedes pode fechar em São Paulo começou com uma aposta. Wolff contou à Sky Sports que dois patrocinadores deixaram a equipe quando ela decidiu colocar Antonelli, então com 18 anos, no lugar de Hamilton. “Nós tínhamos os dados. Não precisávamos de mais nenhuma confirmação”, disse. A lição para qualquer atleta ou treinador é que decisão grande se sustenta em evidência, não em opinião de fora.
A segunda lição está na frase de Wolff antes do México: pensar no resultado não ajuda a alcançá-lo. Quem está perto de uma conquista tende a jogar para não perder. A Mercedes repete o discurso de cuidar de cada sessão como ela vier, e é esse foco no processo que transforma vantagem em título.
A terceira vem da pista. Asfalto novo, pneus mais macios e chance de chuva obrigam as equipes a medir antes de decidir. Os treinos livres viram laboratório. No esporte amador vale o mesmo: mudou o terreno, o calçado ou o clima da prova, o treino serve para testar, e a estratégia de dia de competição nasce dos dados coletados, não do que deu certo no ano passado.
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