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Alexander Zverev: a maior virada mental do tênis moderno

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Equipe Atleta Pro

A semifinal do dia carrega uma história que vai além do placar. Em Paris, Alexander Zverev entra na quadra de saibro como número 3 do mundo e favorito ao título de Roland Garros 2026, exatamente quatro anos depois de sair do mesmo torneio em cadeira de rodas, com três ligamentos do tornozelo rompidos. Enquanto o tênis vive um momento histórico na França, o esporte brasileiro coloca dois nomes em destaque: Gilbert “Durinho” Burns submete adversário em 88 segundos no UFC BJJ 9 e a Maratona do Rio 2026 bate recorde com 70 mil inscritos, o maior número da história do evento.

Alexander Zverev: de maca a favorito em Roland Garros

Alexander Zverev em Roland Garros 2026
Alexander Zverev nas quartas de Roland Garros 2026 | Foto: Reprodução / vavel.com

Era 3 de junho de 2022. Alexander Zverev brigava ponto a ponto com Rafael Nadal na semifinal de Roland Garros. No segundo set, foi buscar uma bola no fundo da quadra, pisou errado e caiu gritando de dor. Três ligamentos do tornozelo rompidos. Ele saiu em cadeira de rodas, com lágrimas no rosto, sem saber quando voltaria. O circuito seguiu sem ele por meses, e a dúvida sobre o retorno pairou sobre uma carreira que parecia prestes a atingir o ponto mais alto.

A recuperação foi longa. A cirurgia foi seguida de fisioterapia intensa e de uma reconstrução que passou pelo físico e pela cabeça. Zverev usou o período fora das quadras para refinar aspectos do jogo que raramente teria priorizado no ritmo frenético do circuito: o serviço, o backhand, a gestão de pontos decisivos. A lesão, paradoxalmente, abriu espaço para um trabalho técnico que o fez voltar melhor do que era antes.

Quatro anos depois, está de volta às semis de Roland Garros, com 29 anos, como número 3 do mundo. Hoje enfrenta o jovem checo Jakub Mensik, de apenas 20 anos, na primeira semifinal do dia, às 8h30 no horário de Brasília. Na outra semi, dois italianos escrevem história: Flavio Cobolli e Matteo Arnaldi disputam a primeira semifinal de Grand Slam 100% italiana da história do tênis. Arnaldi chegou à semi após Berrettini sofrer lesão; Cobolli virou contra Auger-Aliassime em jogo eletrizante. Além dos dois jogos masculinos, a brasileira Luisa Stefani busca uma vaga na final das duplas femininas ao lado da canadense Gabriela Dabrowski. O saibro de Paris ferve nesta sexta.

O que aconteceu no esporte

Gilbert Burns no UFC BJJ 9 em Las Vegas
Gilbert Burns na semana do UFC BJJ 9 em Las Vegas | Foto: Reprodução / mmajunkie.usatoday.com

Semifinais históricas em Roland Garros nesta sexta

Roland Garros 2026 vive um dia de semifinais para guardar na memória. Na chave masculina, Zverev enfrenta Mensik às 8h30 no Philippe-Chatrier, com o alemão sendo o grande favorito ao título. Na segunda semi, o inédito duelo 100% italiano em um Grand Slam: Cobolli virou contra Auger-Aliassime em cinco sets; Arnaldi avançou após a desistência de Berrettini por lesão.

Luisa Stefani também entra em quadra nesta sexta, ao lado de Gabriela Dabrowski, enfrentando a dupla número 1 do mundo formada por Siniaková e Taylor Townsend. Uma vitória colocaria Stefani em sua primeira final de Grand Slam na carreira: a melhor campanha de uma brasileira em Roland Garros nas duplas.

Gilbert “Durinho” Burns: 88 segundos de jiu-jitsu puro no UFC BJJ 9

Na noite de quarta-feira (4), na Meta APEX em Las Vegas, Gilbert Burns fez sua estreia no UFC BJJ 9 com uma vitória rápida e dominante. Aposentado do MMA em abril, o brasileiro de 39 anos submeteu Horlando Monteiro com uma rear-naked choke em apenas 1 minuto e 22 segundos do primeiro round. Burns interceptou o shot na entrada, transitou para as costas do adversário e encaixou o estrangulamento com autoridade.

Após a luta, Durinho chamou Demian Maia, Dustin Poirier e Nate Diaz para desafios de grappling, deixando claro que tem olho no cinturão dos médios do UFC BJJ. A estreia confirmou o que o mundo das artes marciais já sabia: o jiu-jitsu de Burns nunca foi suporte para o MMA. É a base de tudo. E com 39 anos, o atleta demonstra que expertise técnica não tem data de validade.

Maratona do Rio 2026 linha de chegada
Maratona do Rio 2026: a linha de chegada nas ruas do Rio | Foto: Fabiano Rocha

Maratona do Rio 2026: 70 mil corredores e o caminho para se tornar Major

Entre 3 e 7 de junho, o Rio de Janeiro sedia a 24ª edição da Maratona do Rio, com recorde de 70 mil inscritos, superando os 60 mil de 2025. O evento conquistou o selo Elite Label da World Athletics, reconhecimento que coloca a prova no mesmo nível das corridas mais bem organizadas do planeta. A programação distribui as distâncias ao longo da semana: 10K nesta sexta, 21K sábado e a maratona completa no domingo.

A premiação chega a US$ 270 mil, a maior em corridas de rua da América Latina, com paridade de premiação entre homens e mulheres. O campo de elite traz Tsegaye Getachew Tadese (PB de 2h04m18s) e Azmere Abrha Gdey (PB de 2h18m33s). Com 40 marcas patrocinadoras, a Maratona do Rio está cada vez mais próxima de entrar no clube das corridas Major do mundo.

Radar do Esporte

Corrida de rua vira plataforma de marca: o dinheiro chegou ao corredor amador

A corrida de rua parou de ser apenas um hobby e virou mídia. Levantamento da Sport Track (2020-2025) mostra que a modalidade saltou da 4ª para a 3ª posição entre os esportes mais praticados pelos brasileiros, com share de praticantes subindo de 24% para 36% e o consumo de mídia triplicando no período. No bolso das marcas, o movimento já aparece: a Caixa, principal patrocinadora não endêmica do segmento, dobrou a lembrança espontânea, de 7% para 15%, atrás só de Nike e Adidas.

A leitura direta: nunca houve tanto dinheiro de marca procurando atleta para associar imagem. A oportunidade não é exclusividade da elite. Ela chegou ao corredor amador que treina com consistência, constrói uma narrativa e sabe como se posicionar.

adidas transforma a Maratona do Rio em festival de experiências

adidas expo store na Maratona do Rio 2026
adidas monta expo store e ativações na Maratona do Rio 2026 | Foto: Divulgação / adidas

Pelo quinto ano consecutivo como patrocinadora oficial da Maratona do Rio, a adidas ampliou a presença para além dos formatos tradicionais. A marca montou uma expo store de 600 m², realizou um Shake Out Run com cerca de mil participantes pelas ruas do Rio e criou um Recovery Space para os corredores após a chegada. A Ipanema Running Base ficou ativa durante toda a semana, com treinos, customização de produtos e ativações digitais. Com 40 marcas patrocinadoras nesta edição, a Maratona do Rio consolida um modelo onde corrida, lifestyle e experiência de marca se misturam: a corrida de rua parou de ser só corrida.

Uber e Volkswagen entram na CBF com a Copa 2026 no horizonte

A Uber fechou parceria com a CBF em fevereiro de 2026, tornando-se a 8ª marca patrocinadora das seleções masculina e feminina, incluindo categorias de base. Dias antes, a Volkswagen havia anunciado o retorno ao portfólio da confederação após 12 anos de ausência. A CBF projeta até R$ 250 milhões em receitas adicionais de patrocínio para 2026.

O movimento vai além do futebol: o formato inédito da Copa 2026 em três países com 48 seleções criou um contexto comercial sem precedentes. Marcas de tecnologia, mobilidade e consumo estão reposicionando seus portfólios esportivos com o Mundial, que começa em 11 de junho, como pano de fundo. O esporte de alto desempenho virou vitrine de negócios em escala global.

Insight de Performance

Quando Zverev saiu de maca de Roland Garros em 2022, enfrentou algo que todo atleta teme: a perda abrupta da capacidade de competir. A psicologia do esporte chama de crescimento pós-traumático (PTG) o fenômeno em que adversidades graves, quando processadas com a mentalidade correta, se tornam catalisadoras de desenvolvimento real. Estudos com atletas que passaram por lesões sérias mostram que muitos voltam não apenas recuperados fisicamente, mas com maior clareza sobre objetivos e mais resilientes sob pressão. Zverev é um caso de manual: usou o tempo de afastamento para refinar o serviço, o backhand e a gestão de pontos decisivos, aspectos que raramente teriam atenção no ritmo normal do circuito.

Para o atleta amador, cada lesão, cada prova frustrante e cada meta não alcançada carrega esse mesmo potencial. A pergunta que separa quem estagna de quem evolui não é “por que aconteceu comigo?”, e sim: “o que este momento está tentando me ensinar?” Use os períodos de pausa forçada para trabalhar o que você nunca teria tempo de trabalhar em ritmo normal: técnica, mobilidade, estratégia, mentalidade. A diferença entre quem para e quem volta não está na gravidade da lesão. Está na pergunta que o atleta faz a si mesmo.

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