O último domingo de maio de 2026 entrou para os anais do esporte de alto desempenho. João Fonseca, 19 anos, chegou às quartas de final de Roland Garros e tornou-se o primeiro brasileiro na fase final de um Grand Slam masculino desde Guga Kuerten, em 2004, com o próprio Guga na arquibancada. No mesmo dia, Jonas Vingegaard cruzou a linha de chegada em Roma com a maglia rosa e entrou para um clube com apenas sete integrantes antes dele: os vencedores das três Grandes Voltas do ciclismo. E em Florianópolis, dois mil atletas de 26 países completaram 226 km no Ironman Brasil, com novos campeões e a despedida emocionante de uma lenda do triatlo nacional.
Jonas Vingegaard e a Tríplice Coroa do ciclismo

No ciclismo, existe um clube tão exclusivo que apenas sete homens na história haviam conseguido entrar: os que venceram as três Grandes Voltas, o Tour de France, o Giro d’Italia e a Vuelta a España. No domingo (31/05), Jonas Vingegaard entrou nesse clube. O dinamarquês de 29 anos terminou o Giro d’Italia 2026 com a maglia rosa no peito, cinco vitórias de etapa e uma vantagem de 5min22s sobre Felix Gall. “É muito especial ter conquistado isso, além de qualquer coisa que eu poderia ter sonhado”, disse Vingegaard em Roma. Antes dele, só chegaram: Eddy Merckx, Jacques Anquetil, Bernard Hinault, Felice Gimondi, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome.
Vingegaard construiu sua Tríplice Coroa ao longo de quatro anos: Tour de France em 2022 e 2023, Vuelta a España em 2025 e, agora, o Giro. O que torna essa conquista ainda mais poderosa é o contexto: em 2024, ele sofreu um acidente grave na Volta ao País Basco que o deixou com costelas e clavícula fraturadas, e quase o tirou do esporte. Voltar ao nível mais alto e, menos de dois anos depois, chegar ao topo dos três Grand Tours é uma das histórias de resiliência mais impressionantes do ciclismo contemporâneo.
O jovem português Afonso Eulálio (Bahrain Victorious), que chegou a liderar a Maglia Rosa por nove dias antes de ceder ao dinamarquês, cruzou a linha em 6º lugar e conquistou a Maglia Bianca de melhor jovem. Para o ciclismo ibero-americano, foi um fim de semana histórico dos dois lados do Atlântico.
O que aconteceu no esporte

Fonseca nas quartas: o primeiro desde Guga
João Fonseca está nas quartas de final de Roland Garros 2026 e o caminho que ele percorreu para chegar lá é de tirar o fôlego. Na terceira rodada (29/05), o carioca de 19 anos derrubou Novak Djokovic em uma virada épica de mais de 4 horas e meia: saiu perdendo por 2 sets a 0 e virou para 3 a 2, com parciais de 4/6, 4/6, 6/3, 7/5 e 7/5. Foi o primeiro jogo na quadra central Philippe-Chatrier da carreira do brasileiro.
Na rodada seguinte (31/05), Fonseca não deu chances a Casper Ruud, ex-finalista em Roland Garros e 12º do mundo, vencendo por 7/5, 7/6(8), 5/7 e 6/2 em 3h55min. O feito: primeiro brasileiro na chave masculina de um Grand Slam a alcançar as quartas de final desde Guga Kuerten, em 2004. Guga estava presente nas arquibancadas e assistiu à história ao vivo. Fonseca já embolsou €470 mil (cerca de R$2,77 milhões) no torneio e enfrenta o tcheco Jakub Mensik, 20 anos, na terça-feira, 2 de junho.
Fonseca completou 19 anos em março. A trajetória dele até aqui inclui uma vitória histórica sobre Carlos Alcaraz no Next Gen ATP Finals de 2024, uma campanha sólida no circuito e, agora, o resultado mais expressivo de um tenista brasileiro em um Major em mais de duas décadas. O ranking vai subir consideravelmente, independentemente do que aconteça nas quartas.
Ironman Brasil 2026: novos campeões em Florianópolis
A 24ª edição do Nubank Ultravioleta Ironman Brasil reuniu cerca de 2.000 atletas de 26 países em Jurerê Internacional, Florianópolis, neste domingo. No masculino, o alemão Wilhelm Hirsch cruzou a linha de chegada em 7h32min21s (nado: 44min10s, bike: 4h04min57s, corrida: 2h38min28s). No feminino, a argentina Romina Biagioli venceu em 8h45min24s.
A prova também foi marcada pela despedida de Pâmella Oliveira, tetracampeã consecutiva do Ironman Brasil entre 2022 e 2025. A triatleta capixaba anunciou na semana passada que a edição de 2026 seria sua última participação na distância Full. Ela competiu e foi ovacionada pelas arquibancadas de Floripa. Quatro títulos em quatro anos: a definição de dominância num esporte onde a consistência é o maior troféu.
Radar do Esporte
F1 deve superar US$3 bilhões em patrocínios em 2026

A Fórmula 1 deve superar US$3 bilhões em patrocínios nesta temporada, impulsionada pela entrada de Audi e Cadillac, pela explosão do mercado norte-americano (alta de 68% desde 2023) e pela corrida das empresas de inteligência artificial. Só nos últimos seis meses, o campeonato fechou oito novos contratos de IA, incluindo Groq, Meta AI e Claude. As empresas de tecnologia já superam o setor financeiro como principal patrocinador da categoria, com mais de US$565 milhões comprometidos. Vestuário esportivo também cresceu 75% em dois anos, com Puma e Adidas somando US$140 milhões. A F1 não é mais só corrida: é uma das mais poderosas plataformas comerciais do planeta.
Vivo Rio Pro 2026: o surfe que move R$179 milhões

O Vivo Rio Pro, etapa do Championship Tour da WSL disputada em Saquarema (RJ), gerou R$179 milhões em movimentação econômica em 2025, com 410 mil visitantes, 100% de ocupação hoteleira e 2.665 empregos diretos. Em quatro anos, o impacto econômico cresceu 142%. A edição de 2026 acontece de 19 a 27 de junho, com Gabriel Medina, Yago Dora, Italo Ferreira e Luana Silva na água. No litoral, o WSL Sunset reúne shows de Cidade Negra, Veigh e Buchecha. Surf de elite e cultura em um pacote que consolida Saquarema como capital global do esporte de onda.
BTG Pactual reforça estratégia no ciclismo
O maior banco de investimentos da América Latina está usando o ciclismo como principal plataforma de marketing esportivo. O BTG Pactual integrou ao seu portfólio o patrocínio da Ciclovia do Rio Pinheiros (22,2 km em SP), o Giro d’Italia Ride Like a Pro Brasil, a BTG Pactual Bike Series e a La Vuelta Desafío Brasil. Segundo o CMO André Kliousoff, a estratégia é “aproximar o banco dos clientes em diferentes momentos, das grandes competições ao treino diário”. Com o Giro 2026 encerrando em Roma, a janela de visibilidade da modalidade nunca foi tão ampla. Investidores de alta renda não querem apenas patrocinar: querem pedalar.
Insight de Performance
Vingegaard não construiu a Tríplice Coroa tentando vencer os três Grand Tours ao mesmo tempo. Ele venceu o Tour em 2022, depois em 2023, a Vuelta em 2025 e o Giro em 2026. Cada conquista foi a meta exclusiva da temporada. A ciência do esporte chama isso de periodização: o pico de forma fisiológica só pode ser sustentado por janelas curtas, o que significa que tentar atingir múltiplos picos simultaneamente não resulta em múltiplos picos. Resulta em nenhum.
Para o atleta amador, o mesmo princípio se aplica. Quantas vezes você viu alguém tentar correr uma maratona, fazer um Ironman e perder peso ao mesmo tempo em um único ano? O resultado quase sempre é lesão ou abandono. A estratégia dos grandes campeões é monomaníaca por design: uma meta principal por temporada, tudo organizado em torno dela, sem dispersão de energia. O campeão não corre atrás de tudo. Ele escolhe uma batalha por temporada e transforma o tempo em aliado.
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