Existem jogadores que envelhecem. E existe Lionel Messi, que aos 38 anos transforma a estreia da Argentina na Copa do Mundo de 2026 em mais um capítulo de uma carreira que parece se recusar a terminar. Diante da Argélia, em Kansas City, o capitão argentino fez o que nunca havia feito em seis participações em Mundiais: marcou três gols na mesma partida.
O 3 a 0 sobre a seleção africana, pelo Grupo J, não foi apenas a estreia tranquila da atual campeã. Foi o jogo em que Messi alcançou Miroslav Klose no posto de maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 16 gols, e empilhou recordes que vão muito além do placar.

Um primeiro tempo de susto e um gol de placa
Aos 8 minutos, Messi balançou as redes, mas o VAR anulou por impedimento. Um minuto depois, foi a Argélia quem comemorou cedo demais: o gol de Fares Chaibi também caiu por posição irregular. O recado estava dado: seria uma noite de detalhes.
O primeiro gol válido saiu por volta dos 27 minutos. Messi recebeu na entrada da área, girou sobre a marcação e bateu de canhota, sem chance para o goleiro Luca Zidane, filho de Zinedine Zidane. Foi um gol de quem não tem mais nada a provar e mesmo assim continua provando.
As lágrimas que não eram sobre futebol
A imagem que rodou o mundo não foi o chute, foi o rosto. Depois do primeiro gol, Messi chorou. Questionado, ele explicou que o motivo não tinha relação com o jogo:
“Por que chorei? Foi algo completamente alheio ao futebol. Passei por dias difíceis, mas sou grato a toda a delegação e aos meus companheiros, porque estiveram sempre ao meu lado, me dando muita força para superar isso.”
É um lembrete de que, por trás da estatística sobre-humana, existe um atleta lidando com o peso que ninguém vê.

O segundo, o terceiro e o recorde de Klose
No segundo tempo, Messi resolveu. Aos 60 minutos, apareceu primeiro no rebote após defesa de Zidane e empurrou para as redes. Aos 76, fechou a conta com uma finalização colocada no canto. Hat-trick completo, o primeiro da carreira dele em Copas do Mundo e o primeiro em qualquer torneio da FIFA.
Os três gols levaram Messi a 16 tentos em Mundiais, número que o igualou ao alemão Miroslav Klose, recordista histórico. Atenção ao detalhe que muita manchete erra: Messi empatou no topo, não ultrapassou. Se marcar mais uma vez nesta Copa, assume a liderança isolada.
Os outros recordes da noite
A noite ainda guardou outras marcas históricas para o capitão argentino:
- Messi se tornou o primeiro jogador a disputar seis Copas do Mundo.
- Foi o segundo a marcar em cinco edições diferentes do torneio, ao lado de Cristiano Ronaldo.
- Somando gols e assistências, ultrapassou Pelé em participações diretas em gols na história dos Mundiais.
Substituído sob aplausos pouco depois do terceiro gol, Messi deixou o gramado com a sensação de quem ainda dita o ritmo. O técnico Lionel Scaloni resumiu:
“Sem palavras sobre o Leo. O que posso dizer? Ele é incrível. Enquanto o Leo quiser, será o melhor. Faz isso em cada jogo há 20 anos.”

O que a longevidade de Messi ensina sobre alta performance
O hat-trick aos 38 anos não é sorte nem talento puro. É a consequência de duas décadas de gestão de corpo, recuperação e inteligência de jogo. Messi não corre hoje o que corria aos 25, mas economiza energia, escolhe os momentos e chega inteiro às fases decisivas.
Para o atleta amador, a lição é direta: performance que dura não vem de treinar mais, vem de treinar certo, respeitar a recuperação e ajustar o esforço à fase da vida. Longevidade esportiva é estratégia, não teimosia.
A Argentina volta a campo na segunda-feira, contra a Áustria, ainda pelo Grupo J. Messi, mais uma vez, será o homem a observar.
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