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Messi quebra o recorde mais intocável das Copas: 18 gols e a artilharia que era de Klose agora tem dono argentino

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Lionel Messi comemora gol pela Argentina contra a Áustria na Copa do Mundo de 2026, tornando-se o maior artilheiro da história dos Mundiais

Havia um número no futebol que parecia blindado contra o tempo: 16. Era a marca de Miroslav Klose, o alemão metódico que transformou quatro Copas do Mundo na coleção de gols mais difícil de alcançar do esporte. Por doze anos ninguém chegou perto. Até segunda-feira.

No dia 22 de junho de 2026, em Arlington, no Texas, Lionel Messi marcou duas vezes na vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria e fez o que parecia improvável: chegou a 18 gols em Copas do Mundo e se isolou, sozinho, como o maior artilheiro da história do torneio. Faltavam dois dias para ele completar 39 anos.

Lionel Messi comemora gol pela Argentina contra a Áustria na Copa do Mundo de 2026, tornando-se o maior artilheiro da história dos Mundiais
Messi após marcar contra a Áustria e chegar a 18 gols em Copas do Mundo.

O recorde que resistiu por doze anos

Klose fechou sua conta em 16 gols na Copa de 2014, a mesma em que a Alemanha foi campeã no Maracanã. Desde então, o número virou referência de raridade. Ronaldo, o Fenômeno, havia parado em 15. Gerd Müller, em 14. Just Fontaine, autor de 13 gols numa única Copa em 1958, em 13. Pelé, em 12.

Messi precisou de seis edições para ultrapassar todos. Ele estreou em Copas marcando contra a Sérvia e Montenegro em 2006, ainda com 18 anos. Vinte anos depois, segue decidindo.

A ultrapassagem aconteceu em duas etapas. No dia 16 de junho, contra a Argélia, Messi marcou três vezes e empatou com Klose nos 16 gols. Seis dias depois, contra a Áustria, os dois gols que faltavam para o desempate. O primeiro saiu aos 38 minutos do primeiro tempo; o segundo, na reta final da partida.

Lionel Messi emocionado após o hat-trick contra a Argélia na estreia da Argentina na Copa do Mundo de 2026
O hat-trick contra a Argélia levou Messi a igualar Klose nos 16 gols.

Como ficou a artilharia histórica das Copas

O novo ranking de maiores goleadores na história dos Mundiais masculinos:

  • Lionel Messi (Argentina): 18 gols
  • Miroslav Klose (Alemanha): 16 gols
  • Kylian Mbappé (França): 16 gols
  • Ronaldo (Brasil): 15 gols
  • Gerd Müller (Alemanha): 14 gols
  • Just Fontaine (França): 13 gols
  • Pelé (Brasil): 12 gols

O detalhe que torna o recorde ainda mais imponente: na mesma rodada, Kylian Mbappé marcou duas vezes na vitória da França por 3 a 0 sobre o Iraque e alcançou os 16 gols, empatando com Klose. Aos 27 anos, o francês é a maior ameaça real à marca de Messi. O recorde nasce, portanto, sob pressão imediata. E é exatamente isso que o torna interessante.

Um recorde de longevidade, não de explosão

O dado mais revelador da carreira de Messi em Copas não é o total. É quando os gols vieram.

Doze dos seus dezoito gols em Mundiais saíram depois dos 35 anos. Ele marcou em seis partidas consecutivas de Copa do Mundo, somando a campanha do título em 2022 e a corrida atual em 2026. É também o primeiro jogador da história a disputar seis edições diferentes do torneio.

Messi não bateu o recorde com um pico de juventude. Bateu com constância acumulada ao longo de duas décadas. Enquanto a maioria dos atacantes de elite some das Copas antes dos 33, ele transformou os anos que deveriam ser de declínio nos mais produtivos da sua história no torneio.

Isso muda a natureza da conversa. Não é sobre talento bruto, que ele sempre teve. É sobre o que mantém um corpo de 38 anos competindo, e vencendo, no nível mais alto possível.

Lionel Messi com a camisa da Argentina durante a campanha da Copa do Mundo de 2026
Na sexta Copa da carreira, Messi segue decisivo aos 38 anos.

O que sustenta a performance depois dos 35

A longevidade de Messi não é acidente nem só genética. É o resultado de uma gestão de carreira que o esporte de alto rendimento estuda de perto.

Ao longo dos últimos anos, Messi reorganizou a forma como joga. Corre menos sem a bola e decide mais com ela. Economiza deslocamentos para gastar energia nos momentos que definem o jogo. É a tradução prática de um princípio que todo atleta de endurance e de esporte coletivo conhece: na maturidade, eficiência vale mais que volume.

Por trás disso há uma estrutura. Controle de carga de treino, recuperação levada tão a sério quanto o treino em si, sono monitorado, alimentação ajustada à idade e prevenção de lesões como rotina, não como reação. São os mesmos pilares que prolongam a carreira de maratonistas, tenistas e ciclistas que seguem competindo quando os pares já pararam.

O que isso ensina sobre alta performance

A história de Messi em 2026 não é sobre um gênio isolado. É sobre o que acontece quando talento encontra método e paciência.

Três lições ficam para qualquer atleta, em qualquer modalidade e qualquer idade.

A primeira é que constância vence intensidade. O recorde não foi quebrado num lampejo, e sim somando desempenho ao longo de vinte anos. Quem aparece sempre acumula vantagens que o talento esporádico nunca alcança.

A segunda é que envelhecer no esporte é adaptar, não desistir. Messi mudou a forma de jogar para continuar decisivo. O atleta que insiste em competir aos 38 do mesmo jeito que competia aos 25 não dura. O que sobrevive é o que aprende a jogar diferente.

A terceira é que recuperação é treino. Os gols depois dos 35 não vêm de treinar mais, e sim de recuperar melhor. Sono, carga controlada e prevenção deixaram de ser detalhe e viraram a base que sustenta o rendimento na maturidade.

O número 18 vai ficar nos livros. Mas a lição que sobra para quem treina, em qualquer nível, é mais útil que o recorde: alta performance não é o que você faz num dia inspirado. É o que você consegue repetir por anos.

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