O Goodwood Festival of Speed é o maior festival de automobilismo do mundo: quatro dias em que carros de corrida históricos, hipercarros, motos e monopostos de Fórmula 1 sobem, um a um, uma ladeira de 1,16 milha dentro de uma propriedade rural no sul da Inglaterra. Em 2026 acontece de 9 a 12 de julho, em Goodwood House, West Sussex. Não é um autódromo nem um salão do automóvel parado: é o único lugar do planeta onde você vê (e ouve) um carro de F1 dos anos 1990, um Le Mans dos anos 1950 e um elétrico que bate recordes, todos acelerando de verdade no mesmo fim de semana.
O evento nasceu em 1993 como uma aposta e virou instituição. Este guia reúne tudo o que importa: o que é, como começou, o que é a tal subida, quem detém o recorde, quando e onde acontece, o que ver e por que atletas e treinadores de qualquer esporte podem aprender com ele.
O que é o Goodwood Festival of Speed
O Goodwood Festival of Speed é um festival anual de automobilismo em que cerca de 600 veículos, de clássicos de corrida a hipercarros de rua, disputam uma subida cronometrada e desfilam para o público. Acontece todo ano no fim de junho ou início de julho, nos jardins de Goodwood House, casa da família do Duque de Richmond, em West Sussex, na Inglaterra.
A diferença para um salão do automóvel comum é simples: em Goodwood os carros ligam o motor e andam. Fabricantes usam o evento para estrear modelos, pilotos aposentados voltam a guiar as máquinas que os consagraram e o público fica a poucos metros da pista, sem grade alta separando arquibancada de asfalto. Some a isso paddocks abertos, exposições de design e centenas de milhares de visitantes ao longo dos quatro dias, e você tem a maior celebração do automobilismo do planeta.
Goodwood Festival of Speed: a história que começou em 1993
O Goodwood Festival of Speed foi criado em 1993 pelo então Lord March, hoje Duque de Richmond, para trazer o automobilismo de volta à propriedade da família. A ideia era testar se Goodwood, palco de corridas nas décadas de 1950 e 1960, ainda significava algo para os apaixonados por carros.
A primeira edição foi no domingo, 20 de junho de 1993, e reuniu cerca de 25 mil pessoas, mesmo esbarrando na mesma data das 24 Horas de Le Mans. A primeira pessoa a encarar a subida foi Sally Mason-Styrron, num Ferrari 166 MM Barchetta. Deu tão certo que o que era um teste virou calendário fixo: em pouco mais de três décadas, o público passou de 25 mil para centenas de milhares, e o Festival virou vitrine mundial de lançamentos e reencontros históricos.
O hillclimb: a subida que é o coração do evento
O hillclimb é uma subida cronometrada de 1,16 milha (cerca de 1,86 km) que serpenteia pelo terreno de Goodwood House, e é o coração de todo o Festival. Cada carro sobe sozinho, contra o relógio, largando em frente à mansão e enfrentando curvas rápidas, um trecho estreito ladeado por fardos de feno e uma reta final em aclive.
Não é uma corrida roda a roda: o duelo é contra o cronômetro e contra a própria coragem, porque não há área de escape generosa. É a mesma lógica de uma corrida de arrancada, em que o adversário real é o tempo. Isso coloca lado a lado, na mesma pista, um Fórmula 1 moderno, um rali clássico e um hipercarro de rua. No domingo, os mais rápidos da semana disputam o Shootout, a batalha final pelo menor tempo. É ali que os recordes caem.

O recorde da subida e o carro-ventilador que mudou o jogo
O recorde do hillclimb de Goodwood pertence ao McMurtry Spéirling, um elétrico britânico que cravou 39,08 segundos em 2022, com Max Chilton ao volante. O tempo derrubou a marca anterior, de 39,90 segundos, feita por Romain Dumas no Volkswagen ID.R elétrico em 2019.
O que torna o Spéirling especial é a tecnologia de carro-ventilador: duas ventoinhas sugam o ar embaixo do carro e o grudam no chão, gerando cerca de 2.000 kg de força para baixo em qualquer velocidade, até parado. Com menos de 1.000 kg e essa aderência instantânea, ele acelera de 0 a 100 km/h em menos de 1,5 segundo. Foi o primeiro carro-ventilador a competir no automobilismo oficial desde o GP da Suécia de 1978.
| Ano | Carro | Piloto | Tempo |
|---|---|---|---|
| 2022 | McMurtry Spéirling (elétrico) | Max Chilton | 39,08 s |
| 2019 | Volkswagen ID.R (elétrico) | Romain Dumas | 39,90 s |
Quando acontece e onde fica o Goodwood Festival of Speed
O Goodwood Festival of Speed acontece todo ano no início do verão europeu, entre o fim de junho e o começo de julho. Em 2026, as datas são de 9 a 12 de julho, uma quinta a domingo. O local é sempre o mesmo: os jardins de Goodwood House, em Chichester, West Sussex, no sul da Inglaterra, a pouco mais de uma hora de trem de Londres.
Os ingressos são vendidos por dia (quinta, sexta, sábado ou domingo) ou em pacotes, sempre pelo site oficial do Goodwood. O sábado e o domingo costumam ser os dias mais cheios e concorridos; a quinta e a sexta tendem a ser mais tranquilos para chegar perto dos carros. Quem for de fora do Reino Unido deve comprar com antecedência, porque os dias mais disputados esgotam.
O que ver no Festival: Fórmula 1, hipercarros e o tema do ano
Além da subida, o Festival gira em torno de três atrações: os monopostos de Fórmula 1, o paddock de hipercarros e a escultura central em frente à mansão. As equipes de F1 levam carros atuais e históricos, muitas vezes guiados por pilotos titulares e lendas aposentadas, que sobem o hillclimb para o público. Para quem sonha com esse mundo, vale entender como se chega à Fórmula 1 e a preparação física que um piloto de F1 precisa ter para aguentar o carro.
No paddock de supercarros, os modelos mais novos e caros do mundo ficam ao alcance da mão, e muitos deles também encaram a subida durante o fim de semana. Cada ano tem ainda um tema e uma escultura central dedicada a uma marca ou personagem do automobilismo: em 2026, o destaque é a Singer, empresa que se tornou célebre por reimaginar o Porsche 911. Some a isso o concurso de elegância Cartier, leilões de carros de coleção e áreas de rali, e fica claro por que o Festival atrai quem gosta de qualquer canto do automobilismo.
A conexão brasileira: Senna e Fittipaldi na subida de Goodwood
O Brasil tem lugar cativo na história de Goodwood. Ao longo dos anos, o Festival homenageou Ayrton Senna repetidamente, e Bruno Senna, sobrinho do tricampeão, já subiu a ladeira guiando as McLaren que consagraram o tio. Emerson Fittipaldi também voltou a Goodwood para reencontrar a McLaren M23 com que foi campeão mundial em 1974.

Para o público brasileiro, é a chance de ver de perto máquinas que só existiam em fotos e transmissões antigas, guiadas por gente da própria família Senna. Não por acaso, montadoras como a McLaren costumam usar o Festival para celebrar seus capítulos brasileiros, um lembrete de que a era de ouro da F1 passa, inevitavelmente, por nomes nascidos no Brasil. A briga pelo Mundial segue viva na pista, como mostra a temporada 2026 de Fórmula 1.
Festival of Speed x Revival: qual a diferença
São dois eventos diferentes da mesma casa. O Festival of Speed acontece em julho, é focado na subida (hillclimb) e mistura todas as eras do automobilismo, do clássico ao elétrico de última geração. Já o Goodwood Revival acontece em setembro, num autódromo de verdade dentro da mesma propriedade, e é uma viagem no tempo: só carros e roupas anteriores a 1966, com o público fantasiado a caráter.
Em resumo: o Festival of Speed olha para o futuro e para a potência; o Revival olha para o passado e para a nostalgia. Quem quer ver hipercarros e F1 modernos escolhe julho; quem quer clássicos e clima retrô escolhe setembro.
O que o Goodwood Festival of Speed ensina sobre alta performance
O Goodwood Festival of Speed é, no fundo, uma aula sobre o que separa o bom do imbatível: preparação e precisão sob pressão. A subida dura menos de 40 segundos e não perdoa erro, porque não existe segunda tentativa dentro da mesma volta nem margem larga para corrigir. O recorde do McMurtry não veio só de potência bruta, mas da combinação de engenharia (a aderência instantânea das ventoinhas) com um piloto capaz de usar cada grama dessa aderência no tempo certo.
É o mesmo princípio de qualquer esporte de alto rendimento: talento sem preparação vira só potencial desperdiçado. O carro mais rápido do mundo ainda depende de alguém treinado para extrair o máximo dele em 39 segundos. Para o atleta, a lição é direta: o palco recompensa quem chega pronto, não quem chega confiante.
Perguntas frequentes sobre o Goodwood Festival of Speed
O que é o Goodwood Festival of Speed?
É o maior festival de automobilismo do mundo, realizado todo ano na Inglaterra, em que centenas de carros de corrida, hipercarros e motos sobem uma ladeira cronometrada de 1,16 milha.
Quando é o Goodwood Festival of Speed 2026?
De 9 a 12 de julho de 2026, de quinta a domingo, em Goodwood House, West Sussex, no sul da Inglaterra.
Onde fica o Goodwood?
Em Chichester, West Sussex, na Inglaterra, a pouco mais de uma hora de trem de Londres.
Qual é o recorde da subida de Goodwood?
39,08 segundos, feito pelo elétrico McMurtry Spéirling com Max Chilton em 2022.
Qual a diferença entre Festival of Speed e Revival?
O Festival of Speed (julho) foca na subida e mistura todas as eras; o Revival (setembro) é num autódromo e só aceita carros e trajes anteriores a 1966.
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