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João Fonseca em Montreal: o legado de Guga ressurge

Este texto é uma adaptação da edição de 2026 de agosto de 07 da Atleta Pro News, a newsletter gratuita que chega três vezes por semana pra quem leva esporte de alto desempenho a sério.

Em junho de 1997, um jovem de 20 anos entrou em Roland Garros como o número 66 do ranking ATP, sem um único título profissional no currículo, e saiu de Paris como o maior ícone do tênis brasileiro de todos os tempos. Quase três décadas depois, João Fonseca, 19 anos, retomou esse fio em Montreal: eliminou Stefanos Tsitsipas no Masters 1000 canadense e se tornou o primeiro brasileiro a vencer no Canadian Open em quase 30 anos. A história do tênis brasileiro não foi interrompida. Ela estava apenas esperando o próximo capítulo.

Guga Kuerten: o azarão que reescreveu a história do tênis brasileiro

Gustavo Kuerten Guga comemora 25 anos do título em Roland Garros
Gustavo Kuerten em Roland Garros | Foto: Reprodução / bonsfluidos.com.br

Roland Garros, Paris. Junho de 1997. Gustavo Kuerten tinha 20 anos, ocupava a posição 66 do mundo e não carregava nenhum título ATP no currículo. Não havia câmeras o perseguindo, não havia o peso de ser favorito, não havia obrigação de vencer. Havia apenas um jovem catarinense com o cabelo rebelde e uma raquete Diadora na mão, decidido a jogar o melhor tênis da sua vida no maior palco do mundo.

Sete partidas. Sete vitórias. Na trajetória rumo ao título, Guga eliminou Thomas Muster, então número 5 do mundo, e Yevgeny Kafelnikov, número 3. Na final, destruiu o bicampeão Sergi Bruguera por 6-3, 6-4 e 6-2, em um resultado que poucos apostavam ser possível. Quando se ajoelhou na argila vermelha de Philippe-Chatrier e desenhou um coração na terra, a imagem correu o planeta: o Brasil tinha um herói do tênis.

O título de 1997 não foi um acidente isolado. Foi o começo de uma dominância. Guga voltou a Roland Garros em 2000 e 2001 e ergueu o troféu nas duas edições, acumulando três títulos na Cidade Luz. O pico chegou no ano 2000, quando fechou a temporada como o número 1 do mundo, primeiro e único brasileiro a ocupar o topo do ranking ATP. Ao longo da carreira, conquistou 20 títulos ATP, um patrimônio construído com trabalho consistente e uma mentalidade que a ciência do esporte hoje chama de “modo desafio”.

O que a trajetória de Guga representa vai além dos troféus. Ele transformou o tênis em linguagem nacional, fez o Brasil assistir a partidas de Grand Slam na madrugada e inspirou uma geração inteira de jovens a empunhar uma raquete. Em Florianópolis, clubes ainda exibem fotos dele na parede. A influência na popularização do tênis brasileiro é mensurada em quadras, em escolas de base, em atletas que cresceram sonhando em seguir o mesmo caminho.

Lesões sérias no quadril encerraram a carreira de Guga prematuramente, em 2008. Mas o legado mais duradouro de qualquer atleta não está nos títulos: está no que fica nas mãos de quem vem depois. João Fonseca, 19 anos e ranking 28 do mundo, está percorrendo esse caminho agora. A vitória sobre Tsitsipas em Montreal foi a prova de que a coragem de quem nunca se intimida com o tamanho do adversário é uma característica que atravessa gerações no tênis brasileiro.

29 anos, um jovem desconhecido entrou em Paris e saiu como lenda. Em agosto de 2026, outro jovem entrou em Montreal e mostrou que a história não parou. Mudou de nome. Ganhou um novo capítulo. Mas a essência, a disposição de ir a quadra sem medo do que pode acontecer, é a mesma.

O que aconteceu no esporte

João Fonseca durante partida no Masters 1000 de Montreal 2026
João Fonseca em ação no National Bank Open de Montreal | Foto: Reprodução / nextgenatpfinals.com

Fonseca elimina Tsitsipas e faz história em Montreal

Na tarde de quarta-feira, 6 de agosto, João Fonseca fez o que nenhum brasileiro havia feito no Canadian Open em quase três décadas: vencer. O resultado foi 7-6(3) e 7-5 diante do grego Stefanos Tsitsipas, número 11 do ranking ATP. Primeira vitória de um brasileiro na cidade desde a era Guga.

O momento mais dramático: servindo para fechar o match em 5-4 no segundo set, Fonseca foi quebrado. A resposta foi imediata. Ganhou oito dos próximos nove pontos e fechou em 7-5. “A versão de mim do ano passado teria perdido a calma”, disse ao canal do torneio. Com 19 anos e o ranking 28, ele enfrenta Casper Ruud (9º do mundo) na 3ª rodada com vantagem no histórico direto: já venceu o norueguês em Roland Garros por 3 sets a 1.

Alessandro Borges comemora ouro no arremesso de peso do Mundial Sub-20 em Eugene
Alessandro Borges comemora o ouro em Eugene | Foto: Reprodução / olympics.com

Alessandro Borges conquista ouro no Mundial Sub-20 de Atletismo

Em Eugene, nos EUA, no dia 5 de agosto, o brasileiro Alessandro Borges, 19 anos, conquistou o título mundial Sub-20 no arremesso de peso. A marca foi de 20,35 metros, melhor resultado pessoal da carreira na categoria. Borges se tornou apenas o quarto brasileiro da história a conquistar um título mundial Sub-20 de atletismo, conforme registrou a Olimpíada Todo Dia.

A disputa chegou ao limite: o sul-coreano Park Si-hoon ficou com a prata com 20,31m, uma diferença de apenas 4 centímetros. O currículo de Borges antes dessa conquista já era impressionante: tricampeão brasileiro Sub-20, campeão sul-americano e pan-americano da categoria. Em Eugene, o palco era o maior possível. E ele foi ao limite para aproveitá-lo.

Diogo Moreira pilotando a Honda da LCR na MotoGP 2026
Diogo Moreira, único brasileiro no grid da MotoGP 2026 | Foto: Reprodução / Motorsport

MotoGP em Silverstone: campeonato na navalha começa nesta sexta

O GP da Grã-Bretanha abre atividades nesta sexta-feira em Silverstone e o campeonato de MotoGP 2026 está em ponto de ebulição. Jorge Martín (Aprilia) lidera com 208 pontos, mas Ai Ogura (Trackhouse) está a apenas 14 pontos (194). Marc Márquez aparece em terceiro com 190 e Marco Bezzecchi em quarto com 186. Apenas 24 pontos separam os cinco primeiros: qualquer vitória de domingo pode virar o campeonato de cabeça para baixo, de acordo com a Band Esportes.

O Brasil tem voz nessa história com Diogo Moreira, campeão mundial de Moto2 em 2025 e primeiro brasileiro na elite do motociclismo desde Alexandre Barros, há duas décadas. Moreira está em 15º lugar com 48 pontos em sua temporada de estreia na classe rainha. A corrida principal está agendada para domingo, 9 de agosto, às 9h (horário de Brasília), com transmissão no ESPN 4 e Disney+.

Radar do Esporte

Largada da Stock Car Pro Series 2026 com Felipe Fraga na ponta
Largada da Stock Car Pro Series 2026 | Foto: Reprodução / Stock Car

Patrocínio esportivo global bate €88,4 bilhões em 2026

O mercado global de patrocínio esportivo cresceu 9% entre 2025 e 2026, passando de €81,2 bilhões para €88,4 bilhões, segundo levantamento da Fortune Business Insights citado pela Máquina do Esporte. A projeção para 2027 já ultrapassa €98 bilhões: praticamente um décimo de trilhão de euros investidos por marcas no esporte.

O futebol ainda lidera com 40,7% de todo o investimento global, mas outros esportes ganham espaço rapidamente. A Ásia-Pacífico registrou o maior crescimento proporcional (10%), e a América do Sul recebeu €4,97 bilhões em patrocínios esportivos no último ano. Para atletas e eventos de endurance, a sinalização é clara: o dinheiro está chegando além do futebol.

Stock Car estreia nova geração V8 no Rio Grande do Sul

A 7ª etapa da Stock Car Pro Series 2026 acontece nos dias 8 e 9 de agosto no Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. É o primeiro retorno ao circuito gaúcho desde 2022, após obras de modernização concluídas em 2025. O grid conta com ex-pilotos de F1 como Rubens Barrichello e Felipe Massa entre os favoritos ao pódio, conforme a Band Esportes.

A grande novidade técnica da etapa é a continuidade dos carros de nova geração: modelos inspirados em SUVs com motores V8 aspirados, introduzidos nesta temporada de 2026. No campeonato, Felipe Fraga chega como líder absoluto, com 164 pontos de vantagem sobre os perseguidores.

Wearables esportivos ultrapassam US$100 bilhões em 2026

O mercado global de wearables esportivos deve ultrapassar US$100 bilhões em 2026, com Garmin, Apple e Coros disputando a preferência de corredores e ciclistas no Brasil e no mundo, segundo levantamento da Atletis. O Brasil já é um dos maiores mercados de relógios esportivos da América Latina, impulsionado pelo boom do running e do ciclismo como estilo de vida.

Para atletas amadores, o impacto vai além do gadget: estudos mostram que quem monitora a carga de treinamento com wearables reduz o risco de lesões em até 30%. Com o crescimento das provas de rua e dos eventos de endurance, a demanda por dispositivos precisos e confortáveis segue em alta. O mercado já antecipa um crescimento de mais de 7% ao ano até 2027.

Insight de Performance

A ciência do esporte tem um nome para o que Guga viveu em Roland Garros 1997: “underdog effect”. Atletas que entram em competições sem o peso de serem favoritos tendem a ter menor ativação do sistema de ameaça (aquele que paralisa) e maior ativação do sistema de desafio (aquele que potencializa). Sem câmeras, sem expectativa, sem a obrigação de vencer. Só a competição, o adversário e a vontade de ir fundo. Guga não sabia que ia ganhar Roland Garros em 1997. Ele só sabia que ia jogar bem, e isso foi suficiente.

Para o atleta amador, a aplicação é direta: se você está numa prova maior, mais difícil, contra competidores considerados “melhores”, esse cenário pode ser exatamente o seu maior trunfo. A pressão fica com quem tem algo a perder. Você, como azarão, tem tudo a ganhar. Ninguém esperar de você pode ser a maior vantagem competitiva que você carrega para a largada.

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Diogo Moraes

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