A 4ª etapa da Copa FT BR Sport de Arrancada terminou no domingo (13), no Autódromo FuelTech Velopark, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, com um fim de semana que precisou caber em dois dias. A chuva tirou a sexta-feira inteira da pista, e as classificatórias e o mata-mata de 33 categorias foram disputados entre sábado e domingo.
Couberam. A cronometragem oficial registrou 183 pilotos e 795 puxadas no evento. O domingo ainda entregou seis dos sete recordes da etapa, e três finais em que o dono da passada mais rápida saiu sem o troféu.
A chuva tirou a sexta-feira da pista
A quinta-feira (10) foi de treinos, como previa o cronograma. Na sexta (11), primeiro dia de classificatórias, a chuva interrompeu as atividades de pista. O autódromo manteve expositores, lojas e praça de alimentação abertos e avisou que quem tinha ingresso para a sexta poderia usá-lo no sábado ou no domingo.
A equipe de pista começou a secar a reta a partir das 22h, quando a chuva deu uma trégua. Não durou: a chuva voltou durante a madrugada, e a secagem precisou ser refeita na manhã de sábado, com a programação marcada para as 8h30.
Na arrancada, pista úmida não é só questão de conforto. Com carros que passam dos 250 km/h em 201 metros, qualquer resto de água tira a aderência na largada, que é justamente onde a prova se decide.

Os sete recordes da etapa
O único recorde de sábado foi de Rodrigo Bozio, na Drag Bike. Os outros seis caíram no domingo, entre o fim da manhã e o fim da tarde, já no mata-mata.
| Piloto | Categoria | Tempo | Velocidade | Marca anterior |
|---|---|---|---|---|
| Rodrigo Bozio | Drag Bike | 4,581s | 264 km/h | 4,599s (Fernando Boiani) |
| Julio Sachet | Dianteira Turbo B Light | 6,312s | 206 km/h | 6,481s (Fernando Bortolan) |
| Rodrigo Bozio | Drag Bike | 4,564s | 262 km/h | 4,581s (Rodrigo Bozio) |
| Dirceu Santos Junior | Drag Bike Light | 5,046s | 227 km/h | 5,117s (Dirceu Santos Junior) |
| Murilo Takeda | Drag Junior 6.9 | 7,063s | 107 km/h | 7,068s (Guilherme Bueno) |
| Otto Wagner | Drag Junior 7.9 | 7,905s | 117 km/h | 7,912s (Alana Chies Steffani) |
| Dirceu Santos Junior | Drag Bike Light | 4,889s | 235 km/h | 5,046s (Dirceu Santos Junior) |
Todos os tempos são dos 201 metros da pista. O recorde da Drag Junior 6.9 é o anunciado pelo autódromo ao fim da passada.
Dirceu Santos Junior fez na Drag Bike Light o que Bozio fez na Drag Bike: bateu o próprio recorde duas vezes. A diferença é o que veio depois. Dirceu baixou para 5,046s às 16h08, voltou às 17h31 para a final contra Rafael Fagundes, cravou 4,889s a 235 km/h e saiu campeão. Em uma única tarde, tirou 228 milésimos da marca que ele mesmo tinha deixado na 3ª etapa.
Julio Sachet também juntou as duas coisas na Dianteira Turbo B Light. Abriu o mata-mata às 11h25 com 6,312s, repetiu exatamente o mesmo tempo às 15h23 e fechou o dia campeão, contra Érick Ignacio. Na etapa passada, Sachet já era o recordista da Dianteira Turbo B.
Bozio bateu o recorde duas vezes e perdeu a final
A história mais dura do fim de semana foi a de Rodrigo Bozio, de Cascavel (PR), com a Suzuki SRAD 1000 turbo da equipe 10Motorsport.
No sábado, ele derrubou o recorde da Drag Bike, que era de Fernando Boiani (4,599s), com 4,581s a 264 km/h. No domingo, às 12h25, baixou de novo: 4,564s a 262 km/h, na semifinal.
Detalhe de regulamento: nessa passada, Bozio correu sem adversário ao lado e largou 1 milésimo antes da hora. A cronometragem registrou a queima, mas o recorde vale, porque o tempo de pista é medido de forma independente do tempo de reação. A queima só invalida a largada.

A final, às 16h12, foi contra Murilo Gomes, de Marília (SP). A moto de Bozio fez 17,788s a 50 km/h, o registro de uma passada que não se completou em ritmo de prova. Murilo cruzou em 5,439s a 250 km/h e ficou com o título.
Para Murilo Gomes, é a terceira vitória na Drag Bike em 2026. Ele já tinha vencido a categoria na 1ª e na 3ª etapa da Copa FT, e chega à final de dezembro liderando a pontuação com 90 pontos, três à frente de Fernando Boiani (87), vencedor da 2ª etapa.
A final da Drag Junior decidida por dez milésimos
A Drag Junior é a categoria das crianças, e ela ofereceu a melhor aula de regulamento do domingo.

Na Drag Junior 7.9, o número do nome é um piso: quem cruza abaixo de 7,900s perde a passada. O objetivo é chegar o mais perto possível do limite sem ultrapassá-lo. Às 17h26, na final, Otto Wagner cravou 7,905s a 117 km/h, a 5 milésimos do piso e com novo recorde da categoria.
E perdeu. Do outro lado, Eduardo Dick, companheiro dele na Giro Dragracing, fez um tempo de pista pior, 7,964s. Mas reagiu à árvore de luzes em 0,122s, contra 0,191s de Otto.
No mata-mata da arrancada, vence quem cruza a linha primeiro, o que significa somar reação e tempo de pista. Eduardo fechou em 8,086s. Otto, em 8,096s. Dez milésimos, e o recorde foi para um lado enquanto o troféu foi para o outro.
Na Drag Junior 6.9, Murilo Takeda fez os dois: venceu a final contra Maria Clara Pinheiro Muller, às 16h23, com os 7,063s que o autódromo anunciou como recorde.
Na Pro Mod Light, a queima por 2 milésimos
A decisão da SL 4.4, a Pro Mod Light, colocou frente a frente o recordista da categoria, Fabio Wisniewski, identificado no pódio como Blue Shark, e Wallace Henrique Pires da Silva, o Ligeirinho. O próprio autódromo comparou a decisão a uma final do Armageddon.
Na pista, o Opala de Wisniewski foi mais rápido: 4,429s a 260 km/h, contra 4,469s a 272 km/h do Cobalt de Wallace. Só que Wisniewski largou 2 milésimos antes da luz verde. Queima na final é derrota, e o título ficou com Wallace.

A Pro Mod, a categoria mais rápida da competição, teve só dois carros no mata-mata. Fabiano Pinto, de Maringá (PR), levou o Lexus da Techforce Racing Team a 4,168s e 297 km/h no domingo de manhã e venceu Douglas Pinheiro Muller, do Pontiac Firebird da Jacó Performance, que marcou 4,861s. O recorde da categoria segue com Sidnei “Grandão” Frigo, com 3,556s, marca da 3ª etapa. Frigo não correu esta etapa.
Os campeões da 4ª etapa
| Categoria | Campeão |
|---|---|
| Pro Mod | Fabiano Pinto |
| SL 4.4 (Pro Mod Light) | Wallace Henrique Pires da Silva |
| Força Livre Traseira | Leonardo Copetti Klein |
| Força Livre Dianteira | Renato Aparecido Brizolari |
| Traseira Turbo A | Gabriel Camargo |
| Traseira Turbo B | Israel Fontanella |
| Traseira Street Turbo | Rhafael Odorizzi |
| Street Tração Traseira | Vilson Ferreira |
| Traseira Original | Giani Leandro Panizzi |
| Dianteira Super | Cristiano Franzoni |
| Dianteira Turbo A | Ariel Mauro Guinobart |
| Dianteira Turbo A Light | Thiago Curti Vasconcelos |
| Dianteira Turbo B | Tiago Bortolan |
| Dianteira Turbo B Light | Julio Sachet |
| Dianteira Turbo C | Fernando Defendi |
| Super Livre 4.9 | Jairo Dalla Valle |
| Super Livre 5.4 | Alexandre Ortolan |
| Super Livre 5.9 | Thiago Algayer Ghiggi |
| Super Livre 6.3 | Giani Leandro Panizzi |
| Super Livre 6.9 | Milton Antonio Trevelin Filho |
| Super Livre 7.9 | Bruno da Silva Ribeiro |
| Standard | Thiago Lemos |
| Standard Light | Jaime Neinas |
| 4×4 | Marinalva Baroni Pinheiro |
| Drag Bike | Murilo Gomes |
| Drag Bike Light | Dirceu Santos Junior |
| Drag Junior 6.9 | Murilo Takeda |
| Drag Junior 7.9 | Eduardo Dick |
| Drag Junior 9 | Luiz Fernando Viana |
| Drag Junior 11 | Joaquim Danielli |
Giani Panizzi foi o único a vencer duas categorias no fim de semana, a Traseira Original e a Super Livre 6.3, com o mesmo Opala. E sete pilotos repetiram a vitória que já tinham conquistado na mesma categoria na 3ª etapa: Murilo Gomes, Dirceu Santos Junior, Vilson Ferreira, Thiago Lemos, Thiago Algayer Ghiggi, Giani Panizzi na Traseira Original e Luiz Fernando Viana.
A etapa colocou em jogo mais de R$ 120 mil em prêmios, segundo a organização. Os resultados publicados pela cronometragem são extraoficiais até a homologação final.
O que vem agora: a final de dezembro
A Copa FT BR Sport de Arrancada tem mais uma etapa em 2026, a 5ª, de 3 a 6 de dezembro, somada ao Festival FT de Arrancada, também no Autódromo FuelTech Velopark. É ela que fecha a pontuação e define os campeões da temporada em cada categoria.
A tabela com todas as marcas em vigor na pista está no guia de recordes de arrancada no Velopark, e quem quer entender a modalidade do zero encontra o básico no guia da corrida de arrancada. As etapas passam ao vivo no canal do autódromo no YouTube, e o caminho está em onde assistir à Copa FT BR de Arrancada.
O que isso ensina sobre alta performance
A 4ª etapa deixou três pilotos com a passada mais rápida e sem o troféu. Otto Wagner cravou o novo recorde da categoria e perdeu a final no tempo de reação. Fabio Wisniewski foi mais rápido que o adversário e queimou a largada por 2 milésimos. Rodrigo Bozio bateu o recorde duas vezes e não completou a passada que valia o título.
O recorde mede a melhor passada que um conjunto consegue fazer. A final mede outra coisa: a passada que sai no momento em que ela vale, com reação, largada e tempo de pista entregues juntos, contra alguém do lado.
A árvore de luzes é igual para os dois pilotos. Pista, clima e sorte explicam pouco numa diferença de dez milésimos. O que decide é o que cada um treinou antes de alinhar.
Para o atleta de qualquer modalidade, a lição é direta. Pico de desempenho em treino ou em uma prova isolada não é o mesmo que desempenho repetível sob pressão. Quem constrói só o pico prepara metade da competição. A outra metade, a rotina antes da largada, a reação sob tensão e a execução no dia que conta, também se treina.
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