Faltam cinco dias para o Mr. Olympia 2026 e uma marca brasileira ocupa uma das cadeiras mais caras do palco. A Integralmedica chega a Las Vegas como apresentadora oficial do maior campeonato de fisiculturismo do mundo, com contrato renovado até 2028 e uma campeã para defender o título.
O acordo começou em 2023 e virou, nas palavras da própria organização do Olympia, o maior patrocínio de uma empresa brasileira na história do evento. Não é só uma placa no fundo do palco: a marca tem centro de treinamento homologado, canal de mídia próprio e um time de atletas que brigam por medalha.
O que a Integralmedica paga e o que leva
A renovação foi anunciada em 15 de outubro de 2025, poucos dias depois do Olympia 2025, por mais três anos. A empresa não abre o valor, mas confirma que o contrato é de sete dígitos. A revista Muscle Show estimou o investimento de 2025 em cerca de US$ 2 milhões, cobrindo direitos de exposição, ativação e associação de imagem (estimativa de imprensa, sem confirmação oficial).
Em troca, a Integralmedica é “Presenting Sponsor”, a categoria mais alta de patrocínio do evento. A marca aparece na apresentação do campeonato, ativa estandes na expo de Las Vegas e produz conteúdo oficial com a OlympiaTV e a Muscle & Fitness.
“A parceria entre Integralmedica e Mr. Olympia se tornou a mais longa e consistente associação empresarial entre Brasil e Estados Unidos”, disse Terrick El Guindy, diretor de mídia internacional do Olympia, no anúncio da renovação.
Do lado brasileiro, o CMO Márcio Avólio resumiu o movimento assim: “Esta renovação simboliza a continuidade de uma trajetória que une o Brasil com o mundo do fisiculturismo”.
Como o acordo começou: 2023 e a Dark House
O primeiro passo foi dado em 29 de julho de 2023, quando a Integralmedica foi anunciada como apresentadora oficial do Olympia daquele ano, disputado em Orlando, de 2 a 5 de novembro. A Darkness, marca do mesmo grupo, entrou como patrocinadora oficial.
O anúncio trouxe uma novidade que até então não existia: a homologação de um centro de treinamento pelo Olympia. A Dark House, em São Paulo, tem 1.200 m², cerca de 12 toneladas de pesos livres e mais de 100 equipamentos. Serve de base de preparação para os atletas da marca e de estúdio para o conteúdo oficial do evento.
“Para nosso time Integralmedica e Darkness, é uma honra firmar a parceria mais impactante do fisiculturismo brasileiro com o Olympia”, disse na época Filipe Bragança, CEO do Grupo BRG, dono das duas marcas.
Depois, o vínculo virou acordo de vários anos. Dan Solomon, presidente do Olympia, justificou a aposta pelo peso do país: “O Brasil se tornou uma força importante na indústria fitness global”. Bragança devolveu no mesmo tom: “A empresa de suplementos número 1 do Brasil está se unindo ao evento fitness mais respeitado do mundo”.

O retorno em palco: Eduarda Bezerra campeã
Patrocínio de evento se mede em exposição, mas no fisiculturismo o que valida a marca é medalha. Em outubro de 2025, no Resorts World Las Vegas, a Integralmedica levou a maior delegação brasileira da história do Mr. Olympia: 11 atletas apoiados, 8 deles competindo.
O resultado mais forte veio no Wellness. Eduarda Bezerra, atleta da marca, conquistou seu primeiro título do Olympia e o prêmio de US$ 50 mil. A dobradinha foi brasileira: Isabelle Nunes ficou em segundo. No mesmo ano, Eduarda já tinha vencido o Arnold Classic Ohio.
O time ainda teve Edvan Palmeira entre os cinco primeiros do Men’s Physique e Vitor Chaves no top 10.
Brasil virou potência, e a disputa entre marcas também
O Olympia 2025 foi o melhor da história para o país. Além de Eduarda, Natalia Coelho recuperou o título do Women’s Physique e Ramon Dino venceu o Classic Physique em 11 de outubro, tornando-se o primeiro brasileiro campeão do Mr. Olympia no masculino.

Dino, porém, não é atleta da Integralmedica. Ele é patrocinado pela Max Titanium, do Grupo Supley, que lançou uma linha de produtos com o nome dele. O detalhe mostra como o palco do Olympia virou vitrine de uma disputa comercial brasileira: as marcas de suplemento do país investem em atleta porque o fã que acompanha o campeonato é o mesmo que compra whey e creatina.
O mercado explica a corrida. Segundo dados citados pela Máquina do Esporte, o setor de suplementos cresceu 70% no Brasil entre 2019 e 2023, e o país já é o segundo maior mercado fitness do mundo. O Grupo BRG, dono da Integralmedica, passou de R$ 1 bilhão de faturamento em 2023 e declarou a meta de ficar entre as três maiores empresas de nutrição esportiva do mundo em cinco anos.
O time para o Mr. Olympia 2026
O Olympia 2026 acontece de 24 a 27 de setembro, em Las Vegas, com as finais na Orleans Arena e a expo no Las Vegas Convention Center. É a primeira vez desde 2019 que o evento cai em setembro.
A Integralmedica lista dez atletas na sua cobertura: Eduarda Bezerra, que defende o título do Wellness, Rayane Fogal, Isa Pecini, Diego Galindo, Leandro Peres, Vitor Porto, Felipe Moraes, Vitor Chaves, Edvan Palmeira e Vinicius Mateus.
Pelo horário de Brasília, os pré-julgamentos começam às 13h30 de sexta (25) e sábado (26). As finais estão marcadas para as 22h de sexta e as 23h de sábado. A marca transmite a cobertura pela IntegralTV no YouTube, Instagram e TikTok. O guia completo de canais está na matéria onde assistir ao Mr. Olympia 2026.
O que isso ensina sobre patrocínio no esporte
O caso da Integralmedica mostra uma coisa que vale para qualquer modalidade: marca não paga por atleta, paga por vitrine e por público. O Olympia vale sete dígitos porque reúne, num fim de semana, a audiência exata que a empresa quer alcançar.
Para o atleta, a lição está na outra ponta. Avólio disse que a Integralmedica “apoia o circuito de qualificação dos atletas ao Mr. Olympia, que é a vitrine máxima”. Em outras palavras, a marca aposta em quem já está no caminho da vitrine, com resultado, calendário e presença. Em 2024, antes de qualquer título, a Integral TV já produzia uma série sobre a preparação de Eduarda Bezerra para o Olympia, onde ela terminou em terceiro. Em 2025 vieram o Arnold e o Olympia. A marca entrou quando havia processo e curva de evolução, e colheu quando veio o título.
Quem busca apoio precisa pensar como a empresa: que público eu entrego, em qual palco, com que frequência. O atleta é uma empresa, e contrapartida clara vale mais que pedido de ajuda. O passo a passo está no guia como conseguir patrocínio esportivo e na matéria sobre contrapartidas de patrocínio.
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