Menos de um ano depois de sair de Las Vegas com o bronze da categoria 212 na estreia, Lucas Garcia volta ao palco do Mr. Olympia nesta sexta-feira (25). O paulistano chega com a vaga garantida pelo pódio de 2025 e com uma leitura pouco comum sobre aquele terceiro lugar.
“Na minha cabeça, eu perdi para dois”, disse ele ao podcast No Topo. “Eu não sou o terceiro melhor do mundo. Eu perdi para dois. E eu não quero mais perder.” A meta declarada para 2026 é brigar de igual para igual com o tricampeão Keone Pearson.
Horário da 212 no Mr. Olympia 2026 e onde assistir
A 212, divisão para atletas de até 212 libras (cerca de 96 kg), compete inteira na sexta-feira, na Orleans Arena. Pela programação oficial, a sessão de prévias começa às 9h30 de Las Vegas, 13h30 no horário de Brasília. Segundo o próprio Garcia, a 212 abre a sessão, e a expectativa dele é pisar no palco pela primeira vez por volta das 10h locais, 14h em Brasília. A final entra na sessão noturna, marcada para as 18h locais, 22h em Brasília.
Na mesma sexta sobem ao palco a Classic Physique, de Ramon Dino, e as categorias Figure, Women’s Physique, Wellness e Ms. Olympia. As finais do Mr. Olympia principal, da Men’s Physique e do Bikini ficam para sábado (26).
A transmissão ao vivo é gratuita em 2026. A OlympiaTV liberou prévias e finais das 12 categorias para quem fizer cadastro no site da Olympia Productions. O guia completo de onde assistir ao Mr. Olympia 2026 tem o passo a passo.
Do bronze na estreia ao status de candidato ao pódio
Em 10 de outubro de 2025, Garcia pisou pela primeira vez no palco do Olympia e terminou em terceiro na 212, atrás de Keone Pearson, que fechou ali o tricampeonato, e de Shaun Clarida. O pódio rendeu US$ 12 mil e a classificação direta para 2026, já que o top 3 da categoria tem vaga automática no ano seguinte.
A temporada que levou até lá foi construída em dois torneios profissionais: Garcia venceu o Tampa Pro e o Texas Pro de 2025. Antes disso, tinha passado cerca de seis meses parado por uma sobrecarga renal e rompido o posterior da coxa seis semanas antes da competição que valia a vaga. A trajetória completa, do emprego de engenheiro ao palco de Las Vegas, está no perfil de Lucas Garcia publicado pela Atleta Pro.
A imprensa especializada o coloca de novo no mesmo patamar. No palpite da Fitness Volt para a 212, Garcia aparece em terceiro, atrás de Pearson e Clarida e à frente de Nihat Kaya e Breon Ansley.
Os rivais: Pearson atrás do tetra, Clarida atrás da revanche
Keone Pearson chega a Las Vegas para tentar o quarto título seguido da 212. É o homem a ser batido e o parâmetro que Garcia escolheu para medir a própria evolução.
Shaun Clarida, bicampeão da categoria, carrega a marca de três vice-campeonatos seguidos atrás de Pearson. Na leitura de Garcia, a escada é clara: “Fui terceiro, minha meta é ser segundo, depois campeão.”
A disputa perdeu um nome na reta final. Courage Opara, quinto colocado em 2025, desistiu do Olympia por causa de uma rabdomiólise, quadro de degradação muscular grave, e não se recuperou a tempo. Opara tinha vencido em 2026 justamente o Tampa Pro e o Texas Pro, os mesmos dois torneios que deram a vaga a Garcia um ano antes.
O Brasil leva quatro atletas à 212: além de Garcia, Felipe Moraes, Vitor Porto e Andrey Pereira. No total, o país tem 58 representantes no Olympia 2026.
Peak week em Las Vegas: 9 litros de água num só dia
Garcia chegou a Las Vegas duas semanas antes da competição e passou a reta final treinando na cidade, registrando a rotina em vídeos diários no seu canal no YouTube.
No vlog publicado em 21 de setembro, com o título “O que eu como a 4 dias do Olympia”, ele mostrou o primeiro dia de hiper-hidratação da peak week, a semana de finalização em que o atleta manipula água, sódio e carboidrato para subir ao palco cheio e seco. Foram 9 litros de água, cinco refeições pesadas na balança e 1.957 kcal no dia, com carboidrato apenas na primeira refeição.
“Quando eu entro na peak week, principalmente com hiper-hidratação, é bem controlado”, explicou, antes de sair para uma caminhada de dez minutos, só para a água “não ficar parada na barriga”. Às 18h, já eram 8 litros, concentrados no começo do dia para não atrapalhar o sono. “A água me deixa meio grogue”, contou.
A outra mudança da semana final foi de horário. Garcia passou a treinar às 8h, logo depois da primeira refeição, e não mais depois da segunda, como de costume. A ideia é reproduzir as condições das prévias: “Deixar o mais parecido possível com o dia do campeonato, pra gente conseguir ter uma noção real do meu físico em tal horário do dia, depois que eu já tomei uma certa quantidade de água, depois que eu já fiz uma ou duas refeições”, explicou no vlog publicado em 20 de setembro.

O atleta da Atleta Pro Academy no palco
Garcia é membro da Atleta Pro Academy. Trabalhou a preparação mental com Nicholas Pasqualetto, treinador mental de atletas e sócio da Atleta Pro Academy, e já conduziu uma mentoria para os atletas da comunidade.
O tema não é acessório na carreira dele. No No Topo, Garcia definiu o fisiculturismo como “um esporte 99% mental” e contou que a parte física “é fácil de construir”, difícil é a disciplina de executar todos os dias sem depender da vontade. Foi essa cabeça que atravessou o susto renal, a perda de patrocinador e a lesão às vésperas da classificação.
Também foi ela que o segurou depois da conquista. Com a vaga para o Olympia garantida e quase dez meses de dieta nas costas, Garcia chegou a dizer ao treinador que não tinha vontade de competir. O treinador mandou seguir o trabalho diário. No palco, o bronze veio.
O que isso ensina sobre alta performance
A frase “eu perdi para dois” não é falsa modéstia. É uma forma de medir resultado que impede o atleta de estacionar no pódio. Quem olha o terceiro lugar como chegada tende a relaxar o processo que o levou até lá. Quem olha como diagnóstico enxerga exatamente o que falta: dois nomes, um degrau de cada vez.
O caso de Garcia também mostra que a meta seguinte precisa estar pronta antes de a atual ser batida. O vazio que ele sentiu ao garantir a vaga é comum em qualquer esporte, e o que o tirou dali não foi motivação, foi rotina: acordar, saber o que precisa ser feito e fazer.
Nesta sexta, a partir das 13h30 de Brasília, o placar desse método volta a ser o painel de juízes do Olympia.
Lucas Garcia faz parte da Atleta Pro Academy
Preparação mental, mentoria e um ambiente com gente que compete de verdade. Conheça a Atleta Pro Academy.







