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Lucas Garcia é vice no Mr. Olympia 2026 e sobe um degrau na 212

Lucas Garcia no centro do palco do Mr. Olympia 2026, fazendo duplo bíceps de frente no primeiro callout da categoria 212, em Las Vegas

Um ano depois de sair de Las Vegas com o bronze na estreia, Lucas Garcia voltou ao palco do Mr. Olympia e subiu exatamente o degrau que tinha prometido. O paulistano terminou em segundo lugar na categoria 212 na noite de sexta-feira (25), na Orleans Arena, atrás apenas do americano Keone Pearson, que conquistou o quarto título seguido.

A prata rendeu US$ 20 mil e colocou Garcia ao lado de Eduardo Corrêa, vice em 2014, como dono do melhor resultado de um brasileiro na história da categoria. Nenhum atleta do país foi campeão da 212 até hoje.

O resultado da 212 no Mr. Olympia 2026

Pearson venceu por unanimidade. Na súmula divulgada pelo Fitness Volt, o americano somou 5 pontos, contra 10 de Garcia. Shaun Clarida, campeão da 212 em 2020 e 2022, fez 17 e ficou em terceiro.

PosiçãoAtletaPaísPontosPrêmio
1ºKeone PearsonEUA5US$ 50 mil
2ºLucas GarciaBrasil10US$ 20 mil
3ºShaun ClaridaEUA17US$ 12 mil
4ºVitor PortoBrasil18US$ 7 mil
5ºNihat KayaTurquia26US$ 6 mil
Top 5 da 212 no Mr. Olympia 2026. Fonte: Fitness Volt

A troca de posição com Clarida é o dado central da noite. O americano tinha sido vice de Pearson três anos seguidos, de 2023 a 2025, e em 2025 ficou à frente do brasileiro. Desta vez, os juízes inverteram a ordem.

O Brasil ainda colocou mais dois nomes entre os seis primeiros: Vitor Porto, em quarto, e Felipe Moraes, em sexto. Andrey Pereira, o quarto brasileiro da categoria, terminou em 14º.

Como a prata foi construída nas prévias

A disputa começou a se desenhar de manhã. No primeiro callout, a comparação que reúne os favoritos, os juízes chamaram seis atletas: Pearson, Clarida, Garcia, Vitor Porto, Nihat Kaya e Felipe Moraes, três deles brasileiros. No último, ficaram só quatro: Pearson, Clarida, Garcia e Vitor Porto.

O relatório das prévias do Fitness Volt destacou a “estética e as linhas impressionantes” de Garcia. Pela cobertura do Blog Viiish, o brasileiro começou a sessão brigando pelo terceiro lugar e, com o avanço das comparações, assumiu a posição que era de Clarida, desenho que se manteve até a final.

Pearson, por sua vez, não deixou margem. Para o Fitness Volt, o americano levou ao palco possivelmente a melhor versão da carreira, com equilíbrio entre volume e condicionamento e um duplo bíceps de costas com um nível novo de detalhe.

Lucas Garcia com a medalha de prata da categoria 212 do Mr. Olympia 2026, em entrevista ao NPC News Online, em Las Vegas
Lucas Garcia com a medalha de prata da 212, em entrevista a Tony Doherty, do NPC News Online. Foto: Reprodução/YouTube NPC News Online

“Eu nunca foco nos meus rivais”

Logo depois da premiação, ainda com a medalha no peito, Garcia deu entrevista ao apresentador Tony Doherty, do NPC News Online, que cobre o circuito da IFBB Pro League. A conversa foi em inglês, e as falas abaixo são tradução da Atleta Pro.

“Estou muito feliz. Sinto que atingi meus objetivos”, disse. “Meu objetivo era pegar a avaliação do ano passado, da minha estreia em terceiro lugar, trabalhar em cima dela e trazer as melhorias de que eu precisava para este ano. E eu fiz.”

Doherty contou que os ex-campeões que assistiam à final elogiaram o condicionamento do brasileiro e que Dexter Jackson, campeão do Mr. Olympia em 2008, sentado ao lado de Chris Cormier, o chamou de “jovem leão faminto”, alguém que vai pressionar Pearson. Garcia respondeu com a própria régua: “O fisiculturismo sempre vai ser sobre condicionamento. Eu amo os físicos dos anos 80 e 90 e tentei trazer isso.”

Sobre a chance de um dia bater Pearson, tratado na conversa como uma das maiores genéticas da história do fisiculturismo, respondeu com a frase que resume a temporada: “Ele não é fácil, mas eu nunca foco nos meus rivais. Eu sempre foco nas minhas melhorias.”

Para a torcida brasileira, o recado foi curto: “O segundo lugar é nosso.”

A escada que ele mesmo desenhou

O resultado fecha um ciclo que Garcia descreveu em público. No podcast No Topo, ele explicou como leu o bronze de 2025: “Na minha cabeça, eu perdi para dois. Eu não sou o terceiro melhor do mundo. Eu perdi para dois. E eu não quero mais perder.” E completou com o plano: “Fui terceiro, minha meta é ser segundo, depois campeão.”

Assista ao episódio completo do No Topo Podcast com Lucas Garcia

Na prévia publicada pela Atleta Pro na véspera da competição, a meta declarada era brigar de igual para igual com Pearson. O palco não entregou o título, mas entregou o segundo degrau da escada. Agora, pela conta do próprio atleta, ele perdeu para um. A prata também garante de novo a vaga direta para o Olympia de 2027, reservada ao top 3 da categoria.

O caminho até aqui passou por uma carreira de engenheiro deixada para trás, cerca de seis meses parado por uma sobrecarga renal e uma ruptura no posterior da coxa seis semanas antes da competição que valia a vaga para o Olympia. Em 2025, Garcia venceu o Tampa Pro e o Texas Pro e estreou em Las Vegas com o terceiro lugar. A história completa está no perfil de Lucas Garcia publicado pela Atleta Pro.

O atleta da Atleta Pro Academy no pódio

Garcia é membro da Atleta Pro Academy. Trabalhou a preparação mental com Nicholas Pasqualetto, treinador mental de atletas e sócio da Atleta Pro Academy, e já conduziu uma mentoria para os atletas da comunidade.

A resposta dada a Doherty conversa com o que ele repete desde a estreia. No No Topo, Garcia definiu o fisiculturismo como “um esporte 99% mental” e disse que a parte física “é fácil de construir”. O difícil, segundo ele, é a disciplina de executar todos os dias sem depender da vontade. Foi essa rotina que sustentou o ano entre o bronze de 2025 e a prata de 2026.

O que isso ensina sobre alta performance

A primeira lição está na forma como Garcia mediu o próprio resultado. Quem trata um terceiro lugar como chegada tende a relaxar o processo que o levou até lá. Quem trata como diagnóstico sabe exatamente o que falta. Em 2025, faltavam dois nomes. Em 2026, falta um.

A segunda está na avaliação. O brasileiro saiu da estreia com um retorno concreto sobre o próprio físico e passou o ano trabalhando em cima dele. A derrota do ano anterior não virou identidade, virou lista de tarefas.

A terceira está na frase dita com a medalha no peito. Pearson, a arbitragem e o dia dos rivais estão fora do controle de qualquer atleta. O condicionamento que se leva ao palco, não. Ao dizer que nunca foca nos rivais, Garcia descreve a única competição que depende só dele.

O próximo degrau tem nome e sobrenome, e ele já disse qual é.

Lucas Garcia faz parte da Atleta Pro Academy

O ambiente onde atletas que competem de verdade trabalham cabeça, processo e carreira.

Conhecer a Atleta Pro Academy

Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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