O primeiro jogo da NFL no Rio de Janeiro começa às 17h25 deste domingo (27), no Maracanã, entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens. Antes do pontapé inicial, o placar comercial já está fechado: a liga chega ao estádio com 22 marcas patrocinadoras no Brasil, o maior número desde que começou a operar comercialmente no país, e 16 delas com ação dentro ou em volta do jogo.
Do outro lado da conta está o dinheiro público. Prefeitura e Governo do Estado do Rio pagam à liga mais de US$ 8 milhões por partida, cerca de R$ 42,7 milhões, num contrato de pelo menos três jogos até 2030. O Rio Game é, ao mesmo tempo, vitrine de marca, aposta de cidade e teste de mercado para a NFL.

De uma marca em 2023 a 22 em 2026
A curva comercial da NFL no Brasil é recente. Em setembro de 2023, a XP virou a primeira patrocinadora oficial da liga no país. Em 2025, no segundo jogo em São Paulo, entre Kansas City Chiefs e Los Angeles Chargers, já eram 16 parceiros. Para a temporada 2026/2027, a liga anunciou 22, somando acordos globais e locais.
A lista completa: Abercrombie, Accenture, Adobe, Apple Music, American Express, AWS, Breitling, Budweiser, FedEx, Heinz, Marriott, Microsoft, NetApp, Old Spice, PayPal, Snickers, Sony, Verizon, Perdigão, Ram, Jack Daniel’s e XP.
Na comparação com o jogo de 2025, a lista ganhou parceiros globais que não estavam em São Paulo, como Microsoft, Sony, Verizon, PayPal e Apple Music, a marca que dá nome ao show do intervalo do Super Bowl. Ao lado deles ficam os acordos fechados aqui, com marcas que querem falar com o torcedor brasileiro da liga.
“Mais do que patrocinadores, a NFL busca grandes parceiros para construção de relação e criação de ações para que os objetivos sejam alcançados pelas duas partes”, disse Luis Martínez, gerente-geral da NFL no Brasil, no anúncio do recorde.
XP, a dona da cota principal
A XP é a apresentadora do jogo desde a primeira partida da liga no Brasil, em 2024, e mantém exclusividade no setor financeiro. O contrato também dá à empresa a venda exclusiva de ingressos, o que transforma o jogo em ferramenta de relacionamento com clientes. Para o Rio Game, a corretora criou a ação “Last Chance NFL”, que sorteou ingressos entre clientes.
O modelo se repete nas marcas de consumo. A Perdigão é o churrasco oficial da NFL no Brasil, com contrato garantido até a temporada 2026/2027, e leva ao Maracanã o espaço “Perdigão Na Brasa”, com comida e um capacete gigante para foto. A Ram renovou como picape oficial da liga no país e acompanha a temporada inteira, do Draft ao Super Bowl, com o mascote Ramiro dentro do estádio.
A Jack Daniel’s estendeu a parceria até 2028. No Maracanã, a marca montou duas estruturas e lançou um drink exclusivo, o Touchdown No. 7, feito com o uísque, suco de caju e soda limonada. “É uma oportunidade autêntica de se conectar com esse público”, disse Laura Barros, diretora de marketing da marca.
Quem chegou e quem saiu
As duas estreias de peso de 2026 são a American Express, que virou parceira global oficial de pagamentos da liga e oferece acesso antecipado a ingressos, e a Heinz. No estádio, a Amex opera uma suíte própria e um lounge da NFL. A Heinz montou uma ativação inspirada no gesto de chacoalhar o frasco de ketchup, com degustação da versão Zero.
Budweiser (bares, telões e copos temáticos), FedEx e Marriott completam o grupo das marcas com presença física no jogo. Fora do estádio, a liga espalhou uma escultura de 60 metros na areia de Copacabana, letreiros aéreos, trens e ônibus envelopados, torneios de flag football, uma corrida de rua e lojas oficiais no Shopping Leblon, no Bondinho Pão de Açúcar e no Aeroporto Santos Dumont.
Nem toda marca de 2025 continuou. Visa e Pizza Hut, que estavam entre os parceiros do jogo de São Paulo, não aparecem na lista de 2026. Patrocínio é contrato com prazo, e a renovação depende do que a marca conseguiu entregar ao próprio negócio.

A conta pública: R$ 140 milhões por três jogos
O acordo que trouxe a NFL ao Maracanã não é só privado. Segundo o jornal O Globo, a Prefeitura e o Governo do Estado do Rio dividem um investimento de US$ 26,4 milhões, cerca de R$ 140 milhões, para receber pelo menos três jogos entre 2026 e 2030.
- Por jogo: mais de US$ 8 milhões, cerca de R$ 42,7 milhões na cotação da época do anúncio.
- Divisão: metade para a prefeitura, metade para o estado.
- Pagamento: à NFL Brazil Ltda, em duas parcelas, 50% em março e 50% em junho do ano de cada jogo.
A aposta é que o retorno em turismo, hotelaria, transporte, alimentação e comércio supere o investimento. A referência são os dois jogos de São Paulo: o de 2024 movimentou cerca de R$ 340 milhões na economia da cidade, e o de 2025, com 47.627 pessoas na Neo Química Arena, tinha previsão de R$ 330 milhões. A mesma lógica de impacto aparece nos bilhões projetados para a Olimpíada de Los Angeles 2028.
Martínez disse que espera o maior impacto econômico entre os três jogos da liga no país, mas que o número oficial só sai depois de uma auditoria feita pela NFL com os governos. “O Brasil está aqui para ficar. Não é somente durante o jogo. Temos uma estrutura, temos um escritório, temos planos muito agressivos”, afirmou à Times Brasil.

Por que o Brasil vale esse esforço
O país tem cerca de 41 milhões de fãs da NFL, segundo a Ibope Repucom, e é o segundo maior mercado internacional da liga, atrás apenas do México. Para Martínez, o país pode “começar a ser o mercado número um para a NFL”.
O Rio Game faz parte de um calendário internacional recorde de nove jogos em 2026, que abriu em Melbourne, onde o jogo transmitido pela Netflix teve 21,7 milhões de espectadores no mundo, e inclui Londres, Paris, Madri, Munique e Cidade do México.
E a liga trouxe ao Rio a franquia mais valiosa da NFL. Pelo ranking da Forbes publicado em setembro, o Dallas Cowboys vale US$ 17 bilhões e faturou US$ 1,278 bilhão na última temporada, a maior receita que a revista já mediu para um time esportivo. O Baltimore Ravens vale US$ 8,2 bilhões. A média da liga é de US$ 9,5 bilhões por franquia.
No Brasil, o jogo passa na íntegra no sportv, na ge TV, no ge.globo e no NFL Game Pass do DAZN. O show do intervalo, com Ricky Martin e Pedro Sampaio, vai ao ar na TV Globo.
O que o Rio Game ensina ao atleta sobre patrocínio
A NFL não vende espaço para logo. Vende acesso a um público e ferramentas para a marca falar com ele: ingresso exclusivo para cliente da XP, drink próprio da Jack Daniel’s, churrasco da Perdigão, suíte da Amex. Cada patrocinador sai do Maracanã com uma experiência que o torcedor lembra, e não só com uma placa no gramado.
A lógica vale para o atleta que procura apoio. A pergunta que a marca faz não é “quem é você?”, é “o que eu ganho com isso?”. Quem chega com público definido, contrapartidas claras e entrega mensurável tem o que renovar. Visa e Pizza Hut ficaram fora da lista de 2026, e Jack Daniel’s estendeu até 2028: patrocínio é relação comercial, construída a cada temporada.
É o mesmo raciocínio do guia de como conseguir patrocínio esportivo: o atleta que se trata como empresa, com proposta, relatório e ativação, compete pelo patrocínio. O que só pede ajuda depende de sorte.
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