A Copa do Mundo Feminina de 2027 será disputada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. São 32 seleções, 64 jogos, oito cidades-sede e 32 dias de torneio, com a final marcada para o Maracanã. É a primeira vez que o Mundial feminino acontece na América do Sul.
Falta menos de um ano. A Copa masculina de 2026 mal terminou com o título da Espanha nos Estados Unidos, no México e no Canadá, e o calendário do futebol mundial já virou a página para o Brasil. Só que desta vez o país não entra como visitante: entra como anfitrião de um torneio que nunca venceu.
Este guia reúne o que está confirmado até aqui e o que ainda depende de definição, com as fontes oficiais da FIFA, da CBF e da legislação brasileira.
Quando começa e quando termina o Mundial
A abertura é em 24 de junho de 2027, uma quinta-feira. A final é em 25 de julho, um domingo. Entre uma data e outra são 32 dias de competição e 64 partidas.
O calendário foi definido pela FIFA e segue o padrão das últimas edições: fase de grupos, oitavas de final, quartas, semifinais, disputa de terceiro lugar e final. O sorteio que vai distribuir as seleções nos oito grupos ainda não tem data divulgada, e deve acontecer depois que o quadro de classificados estiver fechado, em fevereiro de 2027.
Vale registrar uma confusão comum nas buscas: não existe Copa do Mundo Feminina em 2026. O Mundial feminino é quadrienal, e o último foi em 2023, na Austrália e na Nova Zelândia. O próximo é o de 2027, no Brasil.

As oito cidades-sede e os estádios da Copa do Mundo Feminina 2027
A Copa do Mundo Feminina 2027 será jogada em oito capitais, todas com estádios já usados na Copa masculina de 2014. Não há construção de arena nova para o torneio, o que muda completamente a equação de custo em relação a 2014.
| Cidade-sede | Estádio | Capacidade |
|---|---|---|
| Rio de Janeiro | Maracanã | 74.738 |
| Brasília | Mané Garrincha | 69.349 |
| Belo Horizonte | Mineirão | 61.927 |
| Fortaleza | Castelão | 60.342 |
| Porto Alegre | Beira-Rio | 50.842 |
| Salvador | Arena Fonte Nova | 48.902 |
| São Paulo | Neo Química Arena | 47.605 |
| Recife | Arena de Pernambuco | 44.300 |
Somadas, as oito praças passam de 458 mil lugares. Para efeito de comparação, a Copa de 2023, na Austrália e na Nova Zelândia, levou 1.978.274 pessoas aos estádios ao longo de todo o torneio, um recorde da competição. Com a capacidade instalada no Brasil e a distribuição em oito capitais, o teto de público de 2027 é estruturalmente maior.
A final no Maracanã foi confirmada pela FIFA. O estádio recebeu a decisão da Copa masculina de 1950 e a de 2014, além da final olímpica de 2016. É outro tipo de palco se comparado ao MetLife Stadium, que sediou a final da Copa de 2026.

Como funciona o formato: 32 seleções, oito grupos, 64 jogos
O formato é o mesmo de 2023. As 32 seleções são divididas em oito grupos de quatro. Cada equipe joga três partidas na primeira fase, todos contra todos dentro do grupo, e as duas melhores de cada chave avançam ao mata-mata.
A partir das oitavas de final, são 16 seleções em eliminatória simples. Empate no tempo normal leva a prorrogação de 30 minutos e, se persistir, a pênaltis.
Na prática, isso significa que uma seleção campeã precisa de sete jogos: três na fase de grupos e quatro no mata-mata. É a mesma carga de uma Copa masculina no formato antigo, distribuída em pouco mais de um mês.
Um ponto que ainda não tem resposta oficial: a premiação. A FIFA não divulgou os valores de 2027. Em 2023, o fundo destinado ao torneio foi de US$ 152 milhões, e o presidente Gianni Infantino declarou publicamente a meta de equiparar a premiação do Mundial feminino à do masculino até esta edição. É um dos números mais aguardados do ciclo, e ainda está em aberto.
Quem já está classificado e como funcionam as eliminatórias
Até julho de 2026, 14 seleções já garantiram vaga. O Brasil está dentro por ser o país-sede.
| Confederação | Seleções classificadas |
|---|---|
| CONMEBOL (América do Sul) | Brasil (anfitrião), Argentina, Colômbia |
| UEFA (Europa) | Espanha, Alemanha, França, Dinamarca |
| AFC (Ásia) | Japão, Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Filipinas |
| OFC (Oceania) | Nova Zelândia |
A Espanha entra como atual campeã mundial, título conquistado em 2023.
As vagas restantes se definem em três frentes. Na Europa, a segunda etapa das eliminatórias da UEFA ainda distribui sete vagas diretas, com 32 seleções em disputa. Na África, as representantes saem da Copa Africana de Nações, marcada para 26 de julho a 16 de agosto de 2026, no Marrocos. A CONCACAF e as vagas finais dependem da repescagem mundial, que reúne dez seleções das seis confederações e define os três últimos classificados. A primeira etapa está prevista para dezembro de 2026, e a fase decisiva para fevereiro de 2027.
Venezuela e Equador seguem vivos pela repescagem sul-americana. Uzbequistão e Taiwan disputam pela Ásia. Papua-Nova Guiné é a representante da Oceania na chave.
Ingressos: como funciona o cadastro da FIFA
A FIFA já abriu o cadastro de interesse por ingressos no site oficial do torneio. Atenção ao que esse cadastro é e ao que ele não é: manifestar interesse não garante a compra nem reserva lugar na fila. Serve para a entidade dimensionar a demanda e para o torcedor receber o aviso quando as vendas abrirem de fato.
As datas de venda, os valores e as regras de aquisição ainda não foram divulgados oficialmente. Projeções feitas a partir das edições recentes apontam entradas iniciais na faixa de R$ 80 a R$ 100 na fase de grupos, podendo passar de R$ 180 nas categorias mais baratas da final. São estimativas de mercado, não números confirmados pela FIFA.
O histórico recente sugere que a corrida vai ser real. A Copa masculina de 2026 passou de um milhão de ingressos vendidos, com o Brasil aparecendo em sexto lugar entre os países de maior demanda.
Feriado nacional, férias escolares e o que a lei já mudou
Este é o ponto que a maioria das buscas procura e poucos textos respondem com precisão: sim, existe uma lei específica, e não, o feriado não é automático.
A Lei 15.421, sancionada em 1º de junho de 2026, é a Lei Geral da Copa do Mundo Feminina de 2027. Ela reúne as regras de comércio nas áreas de evento, publicidade, exploração de marcas e imagens, vistos para trabalhadores estrangeiros, venda de ingressos, segurança pública e funcionamento de serviços durante a competição.
Três pontos interessam diretamente ao torcedor:
- Feriado nacional. A União poderá decretar feriado nos dias em que a seleção brasileira jogar. A palavra é “poderá”. A medida não é automática, e caberá ao governo federal decidir jogo a jogo.
- Férias escolares. Os sistemas de ensino público e privado devem ajustar os calendários para que as férias do primeiro semestre de 2027 coincidam com o período da competição, de 24 de junho a 25 de julho.
- Reparação histórica. A lei prevê o pagamento de R$ 500 mil a cada jogadora que defendeu o Brasil no Torneio Experimental Feminino da FIFA, em 1988, na China, e na primeira Copa do Mundo Feminina, em 1991. São as atletas de uma geração que jogou quando o futebol feminino ainda saía de uma proibição legal no país.
O Brasil nunca ganhou uma Copa do Mundo Feminina
É a resposta curta para uma das perguntas mais buscadas: o Brasil disputou todas as edições do Mundial feminino e não conquistou nenhuma.
As duas melhores campanhas foram o terceiro lugar em 1999, nos Estados Unidos, e o vice-campeonato em 2007, na China. Aquela campanha de 2007 segue como a mais forte da história: o Brasil passou invicto pela fase de grupos contra China, Dinamarca e Nova Zelândia, bateu a Austrália por 3 a 2 nas quartas e atropelou os Estados Unidos por 4 a 0 na semifinal. Na decisão, perdeu para a Alemanha por 2 a 0.
Marta foi artilheira daquela Copa e levou a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro do torneio. Dezenove anos depois, ela ainda é a maior artilheira da história das Copas do Mundo, somando as competições masculina e feminina.
A conta é dura de encarar: seis Mundiais femininos com o Brasil entre as favoritas no discurso, nenhum título. O time chega a 2027 em casa e sem essa estrela.

A seleção de Arthur Elias e a conta regressiva de 11 meses
O ciclo brasileiro para 2027 começou logo depois dos Jogos Olímpicos e passou por uma fase longa de observação de elenco. Segundo o próprio técnico Arthur Elias, o trabalho agora entra na etapa de consolidação: menos testes, mais repetição dos padrões que vão a campo no Mundial.
Os resultados recentes sustentam o otimismo. O Brasil é campeão da Copa América Feminina de 2025, estreou no FIFA Series de 2026 goleando a Coreia do Sul por 5 a 1 e venceu os Estados Unidos em amistoso na Neo Química Arena em junho de 2026. Em Fortaleza, um jogo da seleção feminina reuniu mais de 55 mil torcedores, um número que a modalidade não via em amistosos no país.
Restam duas janelas de Data FIFA em 2026, entre 5 e 13 de outubro e entre 24 de novembro e 5 de dezembro, com a expectativa de pelo menos uma janela de jogos em solo brasileiro antes da Copa.
Sobre Marta, a situação é a seguinte: ela declarou publicamente que considera disputar o Mundial de 2027, o que seria sua sétima Copa. Não há convocação nem confirmação. Ela terá 41 anos em junho de 2027.
O que a Copa do Mundo Feminina 2027 muda para quem treina no Brasil
Aqui vale separar o evento do efeito. A Copa do Mundo Feminina 2027 é um mês de jogos. O que fica depois é outra coisa, e é a parte que interessa a quem treina.
A janela de 11 meses é curta para uma seleção e longa para um atleta. Arthur Elias tem cerca de quatro janelas de treino até o torneio, o que soma poucas semanas reais de trabalho coletivo. Um atleta amador que começa hoje tem 11 meses ininterruptos. A assimetria é a favor de quem treina sozinho, não contra.
Jogar em casa é vantagem e é carga. O apoio das arquibancadas melhora indicadores objetivos de desempenho, e a pressão de expectativa piora indicadores de tomada de decisão sob fadiga. Toda seleção anfitriã lida com as duas coisas ao mesmo tempo. É o mesmo mecanismo que separa o atleta que rende no treino do que trava na prova: o corpo está pronto, a cabeça precisa ser treinada junto. Foi disso que a esgrimista Bia Bulcão falou ao explicar o que separa as 600 melhores do mundo.
Visibilidade vira base. O crescimento medido em 2023 não foi discurso. A Copa alcançou 2 bilhões de pessoas no mundo, contra 1,19 bilhão em 2019. Foram 163 gols, recorde da competição, e as plataformas digitais da FIFA passaram de 50 milhões de visitantes, alta de 130% sobre 2019. Torneio grande em casa costuma se traduzir em mais categorias de base, mais campeonatos regionais e mais portas abertas para quem já treina.
O Brasil vai receber a maior Copa do Mundo Feminina da história em um país que nunca venceu a competição. Para o torcedor, é um mês. Para quem treina, é um calendário inteiro de motivo.
Perguntas frequentes
Quando começa a Copa do Mundo Feminina 2027?
Em 24 de junho de 2027, com final marcada para 25 de julho de 2027.
Onde será realizada a Copa do Mundo Feminina de 2027?
No Brasil, em oito capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Fortaleza, Recife e Porto Alegre. A final será no Maracanã.
Quantas seleções disputam a Copa do Mundo Feminina 2027?
São 32 seleções divididas em oito grupos de quatro, totalizando 64 jogos.
O Brasil já ganhou uma Copa do Mundo Feminina?
Não. As melhores campanhas foram o vice-campeonato em 2007 e o terceiro lugar em 1999.
A Copa do Mundo Feminina 2027 vai ter feriado nacional?
A Lei 15.421/2026 autoriza a União a decretar feriado nos dias de jogo da seleção brasileira, mas a medida não é automática e depende de decisão do governo federal.
Como comprar ingresso para a Copa do Mundo Feminina 2027?
A FIFA já abriu o cadastro de interesse no site oficial do torneio. O cadastro não garante a compra. As datas de venda e os valores ainda não foram divulgados.
Marta vai jogar a Copa do Mundo Feminina de 2027?
Ela declarou que considera disputar o torneio, o que seria sua sétima Copa, mas não há confirmação nem convocação.
Faltam 11 meses. É tempo de sobra para mudar o seu nível.
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