Carlos Alcaraz está na semifinal do ATP 500 de Tóquio, mas não do jeito que gostaria. Na madrugada deste domingo (4), pelo horário de Brasília, o espanhol de 23 anos vencia o canadense Denis Shapovalov por 7/6 (3) e 2/1 quando o adversário, com dor no quadril, abandonou a partida no Ariake Coliseum, depois de 1h22 de jogo.
Antes da lesão, Shapovalov tinha feito o atual campeão do torneio sofrer. Alcaraz perdeu o saque três vezes no primeiro set, salvou um set point com uma deixada e só respirou no tie-break. Na entrevista, o espanhol não escondeu o incômodo: “Meu tênis está longe de onde eu quero estar”.

Um primeiro set com seis quebras de saque
O primeiro set teve seis quebras de saque, três para cada lado. Shapovalov, canhoto, converteu três dos quatro break points que teve. Alcaraz aproveitou três das sete chances que criou.
O canadense chegou a abrir 5/3. No game seguinte, com Alcaraz sacando em 5/4, teve set point em 30/40. O espanhol salvou com uma deixada curta e levou a parcial para o tie-break. Ali, fechou por 7 a 3.
“Foi um pouco frustrante com o meu saque. Não consegui achar um bom jeito de sacar. Sofri em quase todos os games de serviço”, disse Alcaraz ao site da ATP. Em seguida, apontou o que salvou o set: “Estou feliz com a forma como reagi depois de cada quebra”.
Shapovalov sente o quadril e não volta
A partida mudou no começo do segundo set. Ao esticar o corpo para alcançar um forehand na corrida, Shapovalov sentiu o quadril, segundo o relato da agência AP e da ATP. Depois do primeiro game, saiu da quadra para atendimento médico.
O canadense voltou à quadra, mas desistiu com o placar em 2/1 para Alcaraz. Nas oitavas, ele tinha eliminado o chileno Alejandro Tabilo em três sets.
“É uma pena que ele tenha precisado abandonar. Chegar a uma semifinal assim não é como eu queria, mas às vezes o esporte é duro”, afirmou o espanhol. Em entrevista reproduzida pelo site espanhol Punto de Break, ele completou: “Hay que aceptarlo” (é preciso aceitar).

“Longe de onde eu quero estar”
O que chamou atenção na fala de Alcaraz foi a autocrítica. Mesmo com a vaga na semifinal garantida, ele avaliou o próprio nível sem rodeio.
“Meu tênis está longe de onde eu quero estar. Mas estou fazendo coisas ótimas na quadra”, disse. “Estou contente com a forma como estou jogando e com o jeito como me sinto em quadra.”
As duas frases não se contradizem. Alcaraz separa o resultado do momento, que está bom, do nível técnico, que ainda não voltou ao que era antes da lesão. Em Tóquio, ele já tinha precisado de 2h31 e três sets para passar pelo americano Alex Michelsen na estreia, por 7/6 (1), 4/6 e 6/1. Nas oitavas, venceu o italiano Matteo Arnaldi por 7/6 (6) e 6/1, de novo com o primeiro set decidido no tie-break.
Quatro meses fora por causa do punho
A explicação para a fase está no calendário. Alcaraz começou 2026 com 22 vitórias e 3 derrotas, segundo a ESPN, e ganhou o Australian Open e o torneio de Doha. Em abril, no ATP de Barcelona, o punho direito cedeu depois de uma devolução na estreia. O diagnóstico foi tenossinovite, uma inflamação da bainha que envolve o tendão.
O espanhol ficou mais de quatro meses sem jogar. Perdeu Madri, Roma, Roland Garros, Queen’s, Wimbledon, Canadá e Cincinnati. Hoje é o terceiro do ranking, atrás de Jannik Sinner e Alexander Zverev.
A volta foi no US Open, onde defendia o título. Chegou às quartas de final e caiu para Ben Shelton em cinco sets, num jogo que terminou às 3h33 da madrugada. Depois, ajudou a Europa a ganhar a Laver Cup, com vitória sobre o americano Taylor Fritz em simples.
Oito vitórias seguidas em Tóquio
Alcaraz é o cabeça de chave 1 e o atual campeão do Japan Open. Em 2025, na primeira vez que disputou o torneio, foi campeão ao bater Fritz na final por 6/4 e 6/4. Com a vitória deste domingo, chegou a oito partidas sem derrota em Tóquio.
A edição de 2026 também ficou marcada pela despedida de um ídolo local: Kei Nishikori encerrou a carreira na primeira rodada, diante de Frances Tiafoe, no mesmo Ariake Coliseum.
Munar, vindo do qualifying, na semifinal
O adversário da semifinal é outro espanhol, Jaume Munar. Ele entrou na chave pelo qualifying e, também neste domingo, venceu o francês Kyrian Jacquet por 6/4 e 6/2. É a oitava semifinal de nível ATP da carreira de Munar e a primeira desde Basileia, em outubro de 2025. Com a campanha, ele subiu 15 posições no ranking ao vivo da ATP e aparece em 49º.
Alcaraz lidera o confronto direto por 3 a 1. O horário da semifinal depende da ordem de jogos, que a organização ainda não divulgou. A transmissão no Brasil está no guia de onde assistir ao ATP 500 de Tóquio.
O que a vitória ensina sobre alta performance
Alcaraz não jogou bem o primeiro set. Perdeu o saque três vezes, esteve a um ponto de perder a parcial e mesmo assim saiu com a parcial. A deixada no set point foi uma escolha de quem conhece o próprio repertório e confia nele quando o resto não está funcionando.
Depois do jogo, ele fez o que costuma separar os atletas de elite dos demais: não usou a vitória para esconder o problema. Nomeou o que está errado (o saque), reconheceu o que está certo (a reação depois de cada quebra) e tratou o nível atual como parte de um processo. Quatro meses longe da quadra não se recuperam em poucas semanas. Ganhar enquanto o jogo volta é o trabalho de agora.
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