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Visma-Lease a Bike chega a outubro sem patrocinador para 2027

Ciclistas da Visma-Lease a Bike sentados nas bicicletas no palco de apresentação da 5ª etapa do Tour de France 2026

A Visma-Lease a Bike terminou o primeiro semestre de 2026 com dois dos maiores resultados do ciclismo mundial: Wout van Aert venceu Paris-Roubaix e Jonas Vingegaard ganhou o Giro d’Italia. Mesmo assim, o time holandês entra em outubro sem saber com que nome vai correr em 2027.

A Visma, empresa norueguesa de software que dá nome à equipe desde 2019, vai deixar o posto de patrocinadora principal no fim desta temporada. Para ocupar a vaga, o time procura uma marca disposta a pagar de 20 a 30 milhões de euros por ano, segundo estimativas da imprensa europeia. Em abril, o CEO Richard Plugge apontou a largada do Tour de France como o momento mais provável do anúncio. O Tour passou, a temporada de grandes voltas acabou e, até este domingo (4), nenhum nome foi divulgado.

Por que a Visma sai do posto principal

A notícia saiu em fevereiro, publicada primeiro pelo site holandês Wielerflits e confirmada depois pelo próprio Plugge. A Visma não vai embora: segue no time nos próximos anos, mas como apoiadora, num degrau abaixo. O motivo, segundo a imprensa holandesa, é que a empresa não quer entrar na corrida financeira que os times de ponta disputam hoje.

A marca chegou ao ciclismo em 1º de janeiro de 2019, quando a equipe virou Jumbo-Visma. A rede de supermercados Jumbo deixou o patrocínio no fim de 2023, e desde 2024 o time corre como Visma-Lease a Bike, com o programa de leasing de bicicletas da Pon como segundo nome. Foram oito temporadas com a Visma estampada na camisa, período em que o time ganhou o Tour de France duas vezes com Vingegaard e, em 2023, venceu as três grandes voltas na mesma temporada.

Ônibus amarelo da Visma-Lease a Bike com o nome da patrocinadora em destaque na Flèche Wallonne 2026
O nome na lateral do ônibus é o que está à venda: a Visma deixa o posto principal no fim de 2026. Foto: Hoebele (CC BY-SA 4.0)

Quanto custa dar nome a um time do WorldTour

Os times de ciclismo não divulgam contratos, e todos os valores que circulam são estimativas de imprensa. Em fevereiro, o Wielerflits falou em mais de 10 milhões de euros por ano. Em abril, o site Domestique publicou a faixa de 20 a 30 milhões de euros anuais, e o Cyclingnews tratou a busca como a de um patrocinador de cerca de 30 milhões.

O próprio Plugge deu a conta. “O orçamento dos times mais ricos é de 60 a até 70 milhões de euros. Normalmente, um patrocinador principal entra com 30% do orçamento”, disse ao Domestique. Trinta por cento de 60 milhões são 18 milhões; de 70 milhões, 21 milhões. É a faixa de aproximadamente 20 milhões de euros que a imprensa atribui à contribuição atual da Visma. Em julho, a Cycling Weekly estimou o orçamento anual do time em cerca de 60 milhões de euros.

Na moeda brasileira, só a cota do patrocinador principal passa de 100 milhões de reais por ano. Para comparação, o salário mínimo de um ciclista do WorldTour fica na casa dos 44 mil euros anuais, como o Atleta Pro mostrou no guia sobre quanto ganha um ciclista profissional. O grosso do dinheiro de um time vai para a folha das estrelas e para a estrutura: ônibus, carros de apoio, mecânicos, médicos, nutricionistas e calendário em três continentes.

A corrida do dinheiro no pelotão

A pressa tem explicação. Os rivais diretos da Visma subiram de patamar nos últimos anos. A UAE Team Emirates, de Tadej Pogacar, trabalha com orçamento estimado em 60 milhões de euros, segundo a imprensa especializada, e a Ineos Grenadiers fica na casa dos 50 milhões. A Red Bull-Bora-hansgrohe, a Lidl-Trek e a Decathlon CMA CGM também ganharam fôlego financeiro com marcas globais por trás e passaram a disputar os mesmos ciclistas no mercado de transferências.

Num esporte sem bilheteria, em que a corrida passa de graça na porta de casa, o patrocinador é a principal fonte de receita. Quem não acompanha o orçamento dos rivais perde poder para segurar seus líderes e contratar os próximos. A lista dos ciclistas mais bem pagos do mundo mostra o tamanho da conta: as estrelas do pelotão recebem salários de vários milhões de euros por temporada.

Plugge também descartou um caminho que alguns concorrentes adotaram, o de vender participação no time a um investidor. Segundo o Domestique, ele prefere manter separados o controle esportivo e o comercial. A busca, por isso, é por uma marca que pague para aparecer, e não por um dono.

O efeito Roubaix e o Giro de Vingegaard

Os resultados de 2026 viraram argumento de venda. Em 12 de abril, Van Aert venceu Paris-Roubaix pela primeira vez na carreira, batendo Pogacar no sprint final dentro do velódromo, depois de anos de quase vitórias na prova. O Atleta Pro contou a corrida na matéria sobre a vitória de Van Aert no Inferno do Norte. “Toda vitória é importante, mas essa rodou o mundo e veio num ótimo momento dessa busca”, disse Plugge. Logo depois da prova, uma delegação do time viajou aos Estados Unidos. “Não fechamos a porta para nenhum continente. América, Europa e também Ásia”, afirmou o dirigente.

Em 31 de maio, Vingegaard venceu o Giro com 5min22s de vantagem sobre Felix Gall e se tornou apenas o oitavo homem a ganhar as três grandes voltas, ao lado de Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome.

Carro de apoio da Visma-Lease a Bike com bicicletas no teto na largada do Giro d'Italia 2026 em Sófia
Carro de apoio da Visma-Lease a Bike na largada do Giro d’Italia 2026, em Sófia, na Bulgária. Foto: MrPanyGoff (CC BY-SA 4.0)

O segundo semestre foi menos generoso. No Tour, Vingegaard caiu a 22 km da chegada da 15ª etapa, quebrou a clavícula e abandonou a prova, como o portal registrou na cobertura de a queda que deixou Pogacar sem rival. O esloveno ficou com o quinto título, e a Vuelta terminou com o espanhol Enric Mas no topo.

O prazo que passou

Em abril, Plugge disse ao Domestique que as negociações com vários candidatos estavam avançadas e que um anúncio na largada do Tour, em Barcelona, entre 4 e 6 de julho, seria o cenário ideal. Na mesma entrevista, ressalvou que “1º de janeiro de 2027 também serve”. Ao Cyclingnews, resumiu o momento assim: “É não até virar sim, mas as coisas parecem muito promissoras.”

Durante o Tour, a Cycling Weekly informou que o time ainda procurava o patrocinador principal. Jasper Saeijs, diretor de negócios da equipe, disse que a conversa com a própria Visma seguia aberta. “Estamos conversando com a Visma neste momento sobre o melhor caminho”, afirmou. “Está indo muito bem, estamos tendo muitas conversas.” Segundo a revista, a expectativa era fechar os termos em junho, o que não aconteceu.

Enquanto isso, o time reforçou o segundo escalão. A Rabobank voltou ao ciclismo como copatrocinadora, e em 2026 a francesa Mistral AI, de inteligência artificial, entrou como parceira. Segundo a Cycling Weekly, a equipe soma sete patrocinadores de segundo nível e cerca de 80 parceiros no total. Nenhum deles, até agora, assumiu o nome do time.

O que está em jogo para 2027

Faltam menos de três meses para 1º de janeiro, a data que o próprio Plugge colocou como limite. Camisa, ônibus, carros, site e redes sociais precisam ser refeitos com o novo nome antes da apresentação da equipe e dos primeiros treinos de inverno. Sem a marca nova, o orçamento de 2027 fica em aberto justamente no momento em que os rivais aumentam o deles.

O time segue com dois trunfos que poucas equipes têm: Vingegaard, dono das três grandes voltas, e Van Aert, campeão de Paris-Roubaix. A pergunta que o mercado faz é quem vai pagar para ter o nome ao lado deles.

O que a busca da Visma ensina sobre alta performance

A história mostra um ponto que vale para qualquer atleta, do WorldTour ao amador: resultado sozinho não paga a conta. A Visma-Lease a Bike ganhou Roubaix e o Giro no mesmo ano e, ainda assim, precisa sair a campo para vender o próprio projeto. Título abre conversa, mas o contrato depende de quem consegue mostrar o que entrega para a marca.

É o que a Atleta Pro Academy chama de tratar o atleta como uma empresa. Patrocínio, imagem e relacionamento com marcas são trabalho, feitos o ano inteiro, e não só depois de uma vitória. O time de Plugge começou a busca em fevereiro, com meses de antecedência, e mesmo assim ainda não fechou. Quem deixa para pensar em patrocinador quando o contrato acaba quase sempre chega atrasado.

Para o atleta que busca o primeiro apoio, a lógica é a mesma em escala menor: saber quanto custa a própria temporada, o que oferecer em troca e para quem apresentar. O passo a passo está no guia sobre como conseguir patrocínio esportivo.

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