Daniil Medvedev estava a três pontos de perder a semifinal do China Open quando a partida acabou de outro jeito. Nesta segunda-feira (5), em Pequim, com Novak Djokovic vencendo por 7/5 e 5/3 e sacando para fechar, o russo rebateu uma bola para a arquibancada e acertou o rosto de um torcedor sentado na primeira fila.
O árbitro de cadeira, Mohamed Lahyani, e o supervisor do torneio desceram à quadra e desclassificaram Medvedev na hora. Ele não discutiu. Foi até a rede, cumprimentou Djokovic e deixou a quadra. O sérvio está na final do ATP 500 chinês sem precisar ganhar o último ponto.

Como foi o lance
O placar marcava 15 a 15 no nono game do segundo set. Djokovic fechou o ponto com um voleio de forehand, e a bola bateu na placa de publicidade do fundo da quadra e voltou na direção de Medvedev, que corria atrás dela.
O russo deu um backhand na bola, que subiu e caiu na primeira fila, atrás da placa. Segundo a agência AP, o torcedor atingido saiu da arena amparado, com a mão sobre o olho esquerdo. A Sky Sports informou que ele foi levado ao hospital. Até a publicação desta matéria, não havia boletim sobre o estado dele.
Lahyani desceu da cadeira, conversou com o supervisor e com Medvedev, e a decisão saiu em poucos minutos.
Por que a desclassificação é imediata
O código de conduta da ATP proíbe o jogador de bater na bola com violência, de forma perigosa ou com raiva fora da disputa de um ponto. A punição normal segue a escala de advertência, ponto e game, mas a regra permite desclassificar direto quando a infração é grave. Na prática, quando a bola acerta alguém, o resultado costuma ser o mesmo, e a intenção do jogador pesa pouco.
Foi o que aconteceu com Tim Henman em Wimbledon, em 1995, quando uma bola dele acertou uma gandula. Com Denis Shapovalov, na Copa Davis de 2017, que atingiu o árbitro no olho. E com o próprio Djokovic, no US Open de 2020.
O que Medvedev disse
Na entrevista depois da partida, Medvedev começou pelo torcedor. “Sinto muito pelo torcedor, antes de tudo”, disse, segundo o site Tennis365. “Foi 100% acidente.”
Ele explicou o gesto. “A bola estava voltando, então eu tentei só bater nela para qualquer lugar”, afirmou. À Sky Sports, completou: “Dá para ver que eu não bati na bola com raiva.” O russo disse ainda que está tentando falar com o torcedor para pedir desculpas pessoalmente.
“Não acho que já tenha chegado perto de uma situação assim. Não é o que eu costumo fazer”, disse.
O preço: 200 pontos e o prêmio da semana
Pela regra da ATP, o jogador desclassificado perde os pontos do ranking e o dinheiro que conquistou no torneio. No caso de Medvedev, são os 200 pontos de semifinalista de ATP 500 e cerca de US$ 219 mil em premiação, segundo o site Tennis Up To Date.
A imprensa especializada fala ainda numa possível multa por conduta antidesportiva, de até US$ 10 mil. A ATP não confirmou o valor.

Do outro lado da rede, quem já passou por isso
Djokovic conhece a situação de dentro. Em 2020, nas oitavas de final do US Open contra o espanhol Pablo Carreño Busta, ele bateu uma bola para trás, sem olhar, e acertou uma juíza de linha na garganta. Foi desclassificado do Grand Slam que era o favorito para vencer.
“Espero que a pessoa não tenha se machucado muito. Também sinto pelo Daniil, porque sei exatamente como é”, disse o sérvio, segundo a Sky Sports.
Com a vitória, Djokovic, de 39 anos, chega a 33 vitórias e nenhuma derrota no China Open, torneio que já venceu seis vezes. Na semana, ele já tinha virado contra o chinês Bu Yunchaokete e igualado a marca de Nadal em Roland Garros. A final, a sétima dele em Pequim, é nesta terça-feira (6), contra o australiano Alex de Minaur. O guia de onde assistir ao ATP 500 de Pequim no Brasil tem canal e horário.
O aviso da Laver Cup de 2024
Não é a primeira vez que Lahyani e Medvedev se encontram num lance desse tipo. Na Laver Cup de 2024, em Berlim, o russo arremessou a raquete no tie-break do primeiro set contra o americano Ben Shelton. Ela quicou na quadra e foi parar na plateia.
Lahyani deu só uma advertência por conduta antidesportiva. “Tive sorte, é verdade. Não acertei ninguém. E quando você não acerta ninguém, não é desclassificado”, disse Medvedev na época, segundo o Tennis365.
Em Pequim, a sorte foi para o outro lado: o gesto foi diferente, sem arremesso de raquete, mas a bola acertou alguém.
O que isso ensina sobre alta performance
O lance de Pequim aconteceu em um segundo, no pior momento possível: o jogador perdendo, cansado, correndo atrás de uma bola que já não valia nada. É nesse intervalo, entre o ponto perdido e o próximo saque, que o controle emocional decide mais do que a técnica. Bater na bola “para qualquer lugar” parece inofensivo até o dia em que não é.
O resto da reação de Medvedev vale como exemplo. Ele não discutiu com o árbitro, não culpou a placa nem o quique da bola, cumprimentou o adversário e começou a entrevista pelo torcedor. Assumir a consequência sem procurar justificativa não devolve os pontos, mas é o que separa um erro de um padrão.
Para quem compete, a lição é prática: a rotina entre os pontos (respirar, virar de costas, ajeitar as cordas) existe exatamente para proteger o atleta da própria frustração. Quem não treina esses segundos deixa a decisão para o impulso.
Controle emocional também se treina.
Na Atleta Pro Academy, atletas trabalham cabeça, rotina e carreira num ambiente de quem compete de verdade.







