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Laver Cup: quem é o dono, como Federer criou o torneio e quanto fatura

Roger Federer bate um backhand ao lado de Rafael Nadal na quadra preta da Laver Cup 2022, na O2 Arena, em Londres

A Laver Cup é um torneio de tênis por equipes criado por Roger Federer e pelo empresário dele, Tony Godsick, que coloca seis dos melhores tenistas da Europa contra seis do resto do mundo durante três dias. O dono é a Trident8, empresa que tem como principal sócia a TEAM8, agência fundada pelos dois, e como parceiros a Tennis Australia, a federação americana de tênis (USTA) e o empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann.

Criada em 2017, a Laver Cup virou evento oficial da ATP, esgotou todas as edições segundo a organização e passou dos US$ 40 milhões de receita em 2025. É também o palco onde Federer encerrou a carreira, em 2022, e o exemplo mais claro de como o suíço transformou o nome em um ativo que segue rendendo depois da aposentadoria.

O que é a Laver Cup

A Laver Cup é uma competição de três dias entre o Time Europa e o Time Mundo, que reúne jogadores de todos os continentes fora da Europa. Cada time tem seis tenistas, um reserva, um capitão e um vice-capitão.

São 12 partidas, e o valor de cada vitória cresce com o fim de semana: 1 ponto na sexta, 2 no sábado e 3 no domingo. Vence quem chegar primeiro a 13 pontos. Os jogos são em melhor de dois sets, com super tie-break de 10 pontos no lugar do terceiro set. O formato completo, com as regras de escalação, está explicado na prévia da Laver Cup 2026.

A quadra é preta, a iluminação é azul e vermelha, e os jogadores ficam num banco à beira da quadra, dando instrução aos companheiros entre os pontos. É um formato que não existe em nenhum outro torneio do circuito masculino.

Quem é o dono da Laver Cup

A Laver Cup pertence à Trident8, a empresa-mãe do torneio. A principal sócia é a TEAM8, agência de gestão de carreira fundada em 2013 por Federer e Tony Godsick, empresário de longa data do suíço, com os investidores Dirk Ziff e Ian McKinnon. Godsick é o CEO da TEAM8 e o presidente da Laver Cup.

O projeto nasceu como parceria de três partes: a TEAM8, a Tennis Australia (a federação australiana, dona do Australian Open) e Jorge Paulo Lemann. Em 2016, antes da primeira edição, a USTA, dona do US Open, entrou no negócio: comprometeu US$ 6 milhões por uma participação de 20% na Trident8, sem controle da empresa, segundo balanços da própria federação publicados pelo Sportico.

Portanto, Federer não é o único dono da Laver Cup, mas é cofundador e sócio por meio da TEAM8. A fatia exata dele e dos outros sócios não é pública.

SócioQuem éPapel na Laver Cup
TEAM8Agência de Roger Federer e Tony Godsick, fundada em 2013Criadora e principal sócia; Godsick preside o torneio
Tennis AustraliaFederação australiana, dona do Australian OpenSócia fundadora
Jorge Paulo LemannEmpresário brasileiro, cofundador da 3G CapitalSócio fundador
USTAFederação americana, dona do US Open20% da Trident8, sem controle (US$ 6 milhões, em 2016)

Como Federer criou a Laver Cup

A ideia veio da Ryder Cup, o torneio de golfe que coloca os Estados Unidos contra a Europa a cada dois anos. Federer e Godsick queriam levar para o tênis o mesmo efeito: rivais do circuito virando companheiros de equipe por um fim de semana.

Godsick contou ao City AM, em janeiro de 2026, que o projeto dava medo. “Eu estava nervoso. Esse conceito estava gritando para ser feito, mas ninguém tinha feito, e havia um motivo para isso”, disse. O peso de Federer foi o que destravou o torneio: o nome dele convenceu os jogadores a participar e a Rolex a assinar como patrocinadora fundadora.

Para Federer, a proposta ia além do placar. “Dar uma plataforma às lendas, fazer os jovens conviverem com grandes jogadores, futuras lendas e lendas como Borg, McEnroe e Laver”, resumiu em 2018. Björn Borg e John McEnroe, rivais históricos nos anos 1980, foram os capitães da Europa e do Mundo de 2017 a 2024.

A primeira edição foi de 22 a 24 de setembro de 2017, na O2 Arena de Praga. Nela, Federer e Rafael Nadal jogaram duplas juntos pela primeira vez e venceram os americanos Sam Querrey e Jack Sock por 6/4, 1/6 e 10 a 5. A Europa ganhou por 15 a 9.

Arquibancadas lotadas da O2 Arena de Praga durante a primeira edição da Laver Cup, em setembro de 2017
A O2 Arena de Praga na primeira Laver Cup, em 2017. Foto: Martin2035/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Por que o torneio se chama Laver Cup

O nome homenageia o australiano Rod Laver, ídolo de Federer. Laver é o único homem a ganhar o Grand Slam (os quatro principais torneios no mesmo ano) duas vezes, em 1962 e em 1969. A conquista de 1969 é a única de um homem na Era Aberta.

O troféu carrega a história dele. Tem 200 marcas em volta da borda, uma para cada título da carreira de Laver, e leva metal derretido de um dos primeiros troféus profissionais do australiano. Aos 88 anos, Laver esteve em Londres na edição de 2026.

Jorge Paulo Lemann, o sócio brasileiro

O brasileiro na mesa de sócios da Laver Cup é um dos homens mais ricos do país. Jorge Paulo Lemann é cofundador da 3G Capital, gestora que controlou marcas como Burger King e Heinz, e um dos maiores acionistas da AB InBev.

Antes dos negócios, Lemann foi tenista. Ganhou cinco vezes o campeonato brasileiro, disputou Wimbledon em 1962 e jogou a Copa Davis pelo Brasil e pela Suíça, países dos quais tem cidadania. Vive parte do ano na Suíça, onde é vizinho e amigo de Federer, segundo a InfoMoney. Ele também idealizou o Instituto Tênis, projeto de formação de jogadores brasileiros.

Quanto a Laver Cup fatura

A Laver Cup fatura mais de US$ 30 milhões por edição desde 2021, e a de São Francisco, em 2025, foi a primeira a passar dos US$ 40 milhões, segundo o Sportico, veículo americano especializado em negócios do esporte. O lucro, porém, oscila bastante de uma edição para outra.

A primeira edição, em Praga, deu prejuízo operacional de £ 6,2 milhões, segundo balanços analisados pelo Front Office Sports. A mais rentável entre as europeias foi a de Londres, em 2022, a da despedida de Federer, com lucro operacional de £ 4,1 milhões (US$ 5,4 milhões). Vancouver, em 2023, fechou com prejuízo de US$ 1,7 milhão, e Berlim, em 2024, ficou praticamente no zero a zero.

EdiçãoReceitaResultado
2017, PragaNão divulgadaPrejuízo operacional de £ 6,2 milhões
2019, GenebraNão divulgadaLucro operacional de £ 409 mil
2021, BostonUS$ 33,3 milhõesNão divulgado
2022, LondresUS$ 38,4 milhões (£ 28,4 milhões)Lucro operacional de £ 4,1 milhões
2023, VancouverMesmo patamar de BostonPrejuízo de US$ 1,7 milhão
2024, BerlimUS$ 31,4 milhõesPraticamente zero a zero
2025, São FranciscoMais de US$ 40 milhõesNão divulgado

Fontes: Sportico (receitas e resultado de 2023 e 2024) e Front Office Sports (resultado operacional de 2017, 2019 e 2022).

De onde vem o dinheiro

A receita da Laver Cup vem de duas fontes principais: ingressos e patrocínio. Em Londres, em 2022, os ingressos renderam US$ 23,3 milhões e o patrocínio, US$ 9,9 milhões. Direitos de mídia e produtos licenciados somaram cerca de 13% do total. Em São Francisco, em 2025, ingressos e patrocínio passaram de US$ 20 milhões cada um.

O ingresso comum é só parte da conta. Os pacotes de hospitalidade de 2025 iam de US$ 6 mil a US$ 30 mil. “Vendemos todos os nossos eventos até agora”, disse Godsick ao City AM.

No patrocínio, a Laver Cup saiu de seis marcas no primeiro ano para 25 em 2026. A Rolex, parceira fundadora, renovou até 2030. Mercedes-Benz e UBS também renovaram, e a Alipay+ entrou como patrocinadora principal em 2025.

A escolha da sede segue a lógica do patrocinador. A Laver Cup prefere arenas novas e cidades sem torneio de tênis no calendário. “Gostamos de ir a lugares que não têm um evento de tênis”, disse Steve Zacks, CEO do torneio. Voltou a Londres em 2026 porque, segundo Godsick, há poucas arenas grandes na Europa: “É muito difícil encontrar instalações com um certo número de lugares num lugar aonde os seus patrocinadores gostariam que fôssemos”. A próxima edição, a 10ª, será no Intuit Dome, arena do Los Angeles Clippers, de 24 a 26 de setembro de 2027.

A Laver Cup vale pontos no ranking?

Não. A Laver Cup é evento oficial da ATP desde maio de 2019, com acordo renovado em 2024, mas as partidas não valem pontos para o ranking.

O que atrai os jogadores é a premiação e o cachê. Cada um dos seis tenistas do time campeão recebe US$ 250 mil. Na primeira edição, os derrotados levavam US$ 125 mil cada; desde 2023, o time que perde não recebe prêmio. Os jogadores ainda ganham cachê de participação proporcional ao ranking, sem valor divulgado.

Roger Federer e Rafael Nadal sentados no banco do Time Europa, com Novak Djokovic atrás, na Laver Cup 2022 em Londres
Federer e Nadal no banco do Time Europa, com Djokovic atrás, na despedida do suíço em 2022. Foto: Laver Cup

A despedida de Federer e o RF Room

O ativo mais valioso da Laver Cup também saiu da quadra dentro dela. Federer jogou a última partida da carreira na edição de 2022, na O2 Arena de Londres, em dupla com Nadal. Os dois perderam para Jack Sock e Frances Tiafoe por 4/6, 7/6 (2) e 11 a 9, com Djokovic e Andy Murray no mesmo banco.

Godsick reconhece que o roteiro não foi planejado. “Foi perfeito. Mas foi sorte”, disse ao City AM. A despedida bateu recorde de receita do torneio até então, e o Time Mundo ganhou o primeiro título, por 13 a 8.

Quatro anos depois, a O2 inaugurou o RF Room, a primeira sala da arena batizada com o nome de um atleta. Federer se apresentou 45 vezes no local, recorde entre atletas e artistas. “A O2 sempre será um lugar muito especial para mim”, disse Federer, presente na inauguração, na semana da Laver Cup 2026.

Roger Federer conversa com Rod Laver e Carlos Alcaraz no banco da quadra preta da O2 Arena, na semana da Laver Cup 2026
Federer entre Rod Laver e Carlos Alcaraz na O2, na semana da Laver Cup 2026. Foto: Laver Cup

Todos os campeões da Laver Cup

A Europa lidera o confronto por 6 a 3. O Mundo só venceu em 2022, 2023 e 2025.

AnoCidadeArenaCampeãoPlacar
2017PragaO2 ArenaEuropa15 a 9
2018ChicagoUnited CenterEuropa13 a 8
2019GenebraPalexpoEuropa13 a 11
2021BostonTD GardenEuropa14 a 1
2022LondresO2 ArenaMundo13 a 8
2023VancouverRogers ArenaMundo13 a 2
2024BerlimUber ArenaEuropa13 a 11
2025São FranciscoChase CenterMundo15 a 9
2026LondresO2 ArenaEuropa13 a 5

Não houve edição em 2020, por causa da pandemia. O título de 2026 foi decidido por Alexander Zverev, e o resumo do fim de semana está na matéria sobre a vitória da Europa em Londres.

Perguntas frequentes sobre a Laver Cup

Quem é o dono da Laver Cup?

A Laver Cup pertence à Trident8, cuja principal sócia é a TEAM8, agência de Roger Federer e Tony Godsick. Tennis Australia, USTA (com 20%) e o brasileiro Jorge Paulo Lemann também são sócios.

Quem criou a Laver Cup?

Roger Federer e o empresário dele, Tony Godsick, inspirados na Ryder Cup do golfe. A primeira edição foi em Praga, em 2017.

Por que o torneio se chama Laver Cup?

É uma homenagem ao australiano Rod Laver, único homem a ganhar o Grand Slam duas vezes, em 1962 e 1969.

A Laver Cup vale pontos no ranking da ATP?

Não. É evento oficial da ATP desde 2019, mas não distribui pontos no ranking.

Quanto ganha o campeão da Laver Cup?

Cada um dos seis jogadores do time campeão recebe US$ 250 mil. O time derrotado não recebe prêmio desde 2023.

Onde vai ser a próxima Laver Cup?

No Intuit Dome, em Los Angeles, de 24 a 26 de setembro de 2027.

O que a Laver Cup ensina sobre a carreira do atleta

Federer ganhou US$ 131 milhões em prêmios na carreira e passou de US$ 1 bilhão de patrimônio em 2025, como mostra a matéria sobre como Roger Federer virou bilionário. A Laver Cup é uma peça pequena dessa conta, mas mostra um movimento raro: ele não emprestou o nome a um evento, criou um e virou sócio.

O detalhe está no tempo. A Laver Cup nasceu em 2017, cinco anos antes da aposentadoria, quando Federer ainda era o jogador que atraía patrocinador e convencia os rivais a participar. Quando ele parou de jogar, o torneio já tinha história, calendário oficial e patrocinadores de longo prazo. Hoje roda com Alcaraz e Zverev, e Federer continua sócio.

A lição vale do profissional ao amador: a carreira do atleta é uma empresa, e a imagem construída no auge é patrimônio. Quem pensa nisso cedo, enquanto ainda está competindo, chega à aposentadoria com alguma coisa além do troféu na prateleira.

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Diogo Moraes

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