Novak Djokovic voltou a Pequim depois de 11 anos e saiu de lá do mesmo jeito que sempre saiu: com o troféu. Nesta terça-feira (6), o sérvio de 39 anos venceu o primeiro set da final do China Open contra o australiano Alex de Minaur por 7/6 (3). De Minaur, com uma lesão na virilha, ganhou o primeiro game do segundo set e abandonou a partida.
É o sétimo título de Djokovic no ATP 500 chinês, recorde do torneio, e o 102º da carreira. Ele segue invicto em Pequim, agora com 34 vitórias em 34 jogos, e fica a um título de Roger Federer, o segundo maior campeão da Era Aberta.

Como foi a final
O primeiro set foi equilibrado, com os dois presos ao fundo de quadra. A chance mais clara de De Minaur veio no quinto game, com um break point contra o saque de Djokovic. O sérvio salvou com um backhand na paralela, esticado, que pegou a linha, segundo a Sky Sports.
Nenhum dos dois quebrou, e o set foi para o tie-break. Ali, De Minaur passou a errar mais, e Djokovic fechou por 7 a 3.
O australiano disse depois que sentiu a lesão no meio do set. Chamou o fisioterapeuta ainda no tie-break e, no intervalo, recebeu atendimento médico demorado. Voltou com uma faixa grossa na coxa esquerda, confirmou o saque no primeiro game do segundo set e foi até a rede encerrar a partida.
“Senti alguma coisa no adutor. Ainda não sei o que é, preciso fazer mais exames”, disse De Minaur, em entrevista reproduzida pela ATP. Na cerimônia de premiação, pediu desculpas ao público: “Eu não queria terminar assim, então peço desculpas de verdade.”

Uma semana com Zverev, Medvedev e duas viradas
O título em Pequim não veio fácil. Na estreia, contra o português Nuno Borges, Djokovic venceu por 6/3 e 7/6 (2), mas pediu atendimento médico no meio do jogo. Nas oitavas, contra o chinês Bu Yunchaokete, perdeu o primeiro set, foi atendido de novo e virou para 4/6, 7/6 (2) e 6/2, numa partida de quase três horas, como o Atleta Pro contou aqui.
Nas quartas, enfrentou Alexander Zverev, número 2 do mundo, cabeça de chave 1 e campeão do US Open. Perdeu o primeiro set de novo e virou outra vez: 4/6, 6/4 e 6/4.
A semifinal terminou de um jeito que ninguém esperava. Djokovic vencia o russo Daniil Medvedev por 7/5 e 5/3, sacando para fechar, quando Medvedev rebateu uma bola para a arquibancada e acertou o rosto de um torcedor. O árbitro desclassificou o russo na hora. O caso está contado em detalhe nesta matéria.
Na prática, Djokovic ganhou a semifinal e a final sem precisar disputar o último ponto de nenhuma delas.
34 a 0: o domínio de Djokovic em Pequim
Djokovic jogou o China Open pela primeira vez em 2009 e ganhou. Repetiu em 2010, 2012, 2013, 2014 e 2015. Depois disso, ficou mais de uma década sem voltar ao torneio.
Ao chegar a Pequim nesta temporada, carregava 29 vitórias e nenhuma derrota no evento. A estreia levou a conta a 30, a vitória sobre Bu igualou os 31 a 0 com que Rafael Nadal começou a história em Roland Garros, e as três partidas seguintes fecharam a semana em 34 a 0.
“Faz 11 anos que eu não jogava aqui. Eu sempre tenho expectativas altas comigo mesmo e sempre quero me visualizar com o troféu, principalmente aqui em Pequim, um lugar onde eu nunca perdi”, disse Djokovic na premiação.
Sobre a forma de ganhar, o sérvio admitiu o desconforto. “É uma sensação um pouco estranha”, disse, explicando que queria comemorar, mas que o abandono do adversário não deixava “parecer certo sair pulando”.
102 títulos: um a menos que Federer
Com a conquista, Djokovic chega a 102 títulos de nível ATP. Na Era Aberta, só dois homens têm mais: Jimmy Connors, com 109, e Roger Federer, com 103. Um título em Xangai, que começa nesta quarta-feira (7), já colocaria o sérvio empatado com o suíço.
A ATP listou outras marcas da semana:
- 21 temporadas seguidas com título. Djokovic ganha pelo menos um torneio por ano desde 2006. Nenhum homem tinha conseguido isso.
- 73 títulos em quadra dura, mais do que qualquer outro jogador.
- Campeão mais velho de um ATP 500 desde que a categoria foi criada, em 2009.
Segundo o site Tennis Majors, ele também é o primeiro homem a ganhar um título ATP depois dos 39 anos desde o australiano Ken Rosewall, campeão em Hong Kong em 1977, aos 43.
A longevidade tem uma estrutura por trás. Djokovic sustenta a carreira com um dos maiores pacotes de patrocínio do tênis, e escolhe a dedo onde joga: depois de mais de uma década longe, voltou justamente ao torneio onde nunca tinha perdido.

De volta ao top 10 e na briga por Turim
A semana mudou o fim de temporada do sérvio. Com os pontos de Pequim, Djokovic volta ao top 10 do ranking ao vivo e sobe seis posições na corrida para o ATP Finals, onde aparece em nono lugar, 140 pontos à frente de De Minaur, o décimo. Os oito primeiros da corrida jogam o torneio dos campeões, em novembro, em Turim.
O próximo passo é o Masters 1000 de Xangai, que vai de 7 a 18 de outubro. Djokovic, quatro vezes campeão por lá (a última em 2018), estreia direto na segunda rodada, contra o vencedor do jogo entre Hubert Hurkacz e James Duckworth. É a primeira vez desde Indian Wells, em março, que ele, Jannik Sinner, Carlos Alcaraz e Zverev estão na mesma chave. Veja onde assistir ao Masters de Xangai no Brasil.
De Minaur também está inscrito em Xangai, mas a participação depende dos exames. “Meu plano é ir para Xangai e fazer exames”, disse o australiano, número 9 do mundo.
O que o título de Pequim ensina sobre alta performance
Pico qualquer atleta tem por uma temporada. O número que mais pesa no currículo de Djokovic hoje não é o 102: é o 21. São 21 anos seguidos ganhando pelo menos um torneio, de 2006 a 2026, atravessando a era de Federer e Nadal e chegando à de Sinner e Alcaraz.
A semana em Pequim mostra como isso se sustenta aos 39. Djokovic pediu atendimento médico duas vezes nas duas primeiras rodadas, perdeu o primeiro set em duas partidas e não se escondeu atrás disso. Ajustou o que estava sob controle dele, sacou bem nos momentos certos e virou os jogos.
Também mostra escolha. Um atleta de 39 anos não joga tudo. Ele escolhe os torneios, o calendário e o ambiente onde rende mais. Djokovic voltou a Pequim porque sabia que ali o jogo dele encaixa, e disse isso com todas as letras: ele se visualiza com o troféu antes de entrar em quadra.
E mostra caráter. Com o título garantido e o recorde ampliado, a reação foi de respeito pelo adversário machucado, não de festa. Competir até o limite e saber a hora de não comemorar fazem parte do mesmo pacote.
Pico qualquer um tem. Carreira de 21 anos se constrói.
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