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Djokovic volta a Pequim, chega a 30 a 0 e mira o 102º título

Novak Djokovic grita e cerra o punho ao comemorar ponto na vitória sobre Nuno Borges no China Open, em Pequim

Novak Djokovic voltou a Pequim depois de 11 anos e manteve intacta a marca mais impressionante que tem no China Open: nunca perdeu uma partida no torneio. Nesta quarta-feira (30), pelo horário local, o sérvio de 39 anos venceu o português Nuno Borges por 6/3 e 7/6 (2), em 1h51, e chegou a 30 vitórias e nenhuma derrota no ATP 500 chinês.

A vitória interrompeu uma sequência de três derrotas e foi a primeira dele desde Wimbledon, em julho. No mesmo dia, o russo Karen Khachanov tirou da chave o cabeça de chave 2, o canadense Félix Auger-Aliassime, por 6/3 e 6/3. E em Tóquio, o outro ATP 500 da semana, Carlos Alcaraz estreou com vitória enquanto quatro cabeças de chave caíam logo na primeira rodada.

O jogo: domínio no saque e atendimento no segundo set

Cabeça de chave 6 e 11º do ranking, Djokovic quebrou cedo, abriu 2 a 0 e controlou o primeiro set com o saque. Terminou a partida com oito aces e salvou os dois break points que enfrentou.

O segundo set foi diferente. Borges passou a alongar as trocas de bola, e Djokovic pediu atendimento médico depois de cinco games. Segundo o site Tennis Majors, o fisioterapeuta trabalhou na região do abdômen. O sérvio seguiu em quadra, levou o set para o tie-break e fechou por 7 a 2.

“Quando ele começou a jogar melhor, no segundo set, eu tive um pouco de dificuldade para me manter inteiro”, disse Djokovic, segundo a Reuters. “Joguei um ótimo tie-break para fechar em dois sets, então estou muito feliz com isso.”

Na véspera da estreia, ele tinha dado o recado sobre o físico: “Estou me sentindo bem até agora. Obviamente, é completamente diferente quando você joga uma partida oficial em comparação com sets de treino”.

30 a 0: o que Djokovic busca em Pequim

Djokovic tem seis títulos no China Open (2009, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2015) e é o maior campeão da história do torneio. A última conquista foi em 2015, numa final contra Rafael Nadal. Depois disso, não voltou mais a Pequim, até esta semana.

Um sétimo título teria dois pesos. O primeiro é estatístico: seria o 102º troféu de nível ATP da carreira dele. Na Era Aberta, só Jimmy Connors (109) e Roger Federer (103) têm mais. O segundo é histórico: segundo a ATP, o campeão mais velho do torneio é Nadal, que venceu em 2017, aos 31 anos. Djokovic tem 39.

Há ainda a temporada. O sérvio não ganhou nenhum título em 2026. O melhor resultado foi a final do Australian Open, em janeiro, perdida para Alcaraz. Depois vieram a semifinal de Wimbledon, com derrota para Jannik Sinner, a eliminação na estreia em Cincinnati para o argentino Thiago Agustín Tirante e a queda na primeira rodada do US Open para outro argentino, Mariano Navone, em 4h36. Foi a primeira vez que Djokovic perdeu na estreia em Nova York.

Os dois algozes do verão americano estavam na chave de Pequim e já se despediram. Tirante perdeu para o alemão Jan-Lennard Struff por 6/1 e 6/4. Navone caiu nesta quinta diante do australiano Alex de Minaur, cabeça 5, por 7/6 (4) e 6/2.

O próximo adversário é o chinês Bu Yunchaokete, convidado da organização e 104º do mundo, que eliminou o argentino Juan Manuel Cerúndolo por 6/2, 5/7 e 6/4. Pela ordem de jogo oficial, a partida está marcada para sexta-feira (2), não antes das 20h30 em Pequim, ou seja, a partir das 9h30 no horário de Brasília, na quadra central.

Khachanov derruba Auger-Aliassime de novo

A primeira surpresa do torneio veio na quarta. Khachanov venceu Auger-Aliassime por 6/3 e 6/3 em pouco mais de uma hora e dez minutos, sem enfrentar um único break point. Foi a terceira vitória seguida do russo sobre o canadense, que já tinha perdido para ele no US Open, no começo de setembro, quando Khachanov chegou à semifinal. No confronto direto, o placar agora é de 4 a 2 para o russo.

Sobre o efeito da campanha em Nova York, Khachanov resumiu à ATP: “Grandes resultados sempre dão confiança. E também aumentam a motivação”.

Karen Khachanov estica o braço para um forehand na vitória sobre Félix Auger-Aliassime no China Open, em Pequim
Khachanov na vitória sobre Auger-Aliassime. Foto: Divulgação/ATP Tour

Para Auger-Aliassime, 12º na corrida para o ATP Finals segundo a ATP, a derrota complica a briga por uma vaga em Turim. Khachanov enfrenta na sexta o eslovaco Alex Molcan, vindo do qualificatório.

O quadro da semana em Pequim

A chave masculina não tem o atual campeão. Sinner, número 1 do mundo e vencedor em 2023 e 2025, desistiu do torneio por causa de uma lesão no joelho e não joga desde o título de Wimbledon. Com isso, perde os 500 pontos do título do ano passado.

Quem pode aproveitar é Alexander Zverev, número 2 do mundo e cabeça 1 em Pequim. Campeão do US Open e decisivo no título europeu da Laver Cup 2026, o alemão estreou nesta quinta com vitória sobre o britânico Cameron Norrie por 7/6 (1) e 6/4, em 1h39. Na segunda rodada, pega o chinês Shang Juncheng.

Zverev e Djokovic estão no mesmo quarto da chave e podem se enfrentar nas quartas de final. Segundo a ATP, o sérvio lidera o confronto direto por 9 a 5.

Alexander Zverev bate de backhand na vitória sobre Cameron Norrie na estreia do China Open, em Pequim
Zverev na estreia contra Norrie. Foto: Divulgação/ATP Tour

Outro cabeça já caiu. O italiano Flavio Cobolli, cabeça 4 e quinto colocado na corrida para Turim quando a chave foi sorteada, perdeu para o russo Roman Safiullin por 6/3 e 6/2. Daniil Medvedev, cabeça 3 e finalista em 2023, estreia na sexta contra o espanhol Pablo Carreño Busta, vindo do qualificatório. A rodada de quinta fechava, à noite em Pequim, com os jogos de Jakub Mensik, cabeça 8, contra Alexander Bublik, e de Learner Tien, cabeça 7 e vice-campeão em 2025, contra Hubert Hurkacz.

O torneio feminino, um WTA 1000, corre em paralelo no mesmo complexo, de 28 de setembro a 11 de outubro. Elena Rybakina é a cabeça 1 e Aryna Sabalenka, a 2, estreia na sexta contra a mexicana Renata Zarazúa.

Brasileiros: só nas duplas

Não há brasileiro nas chaves de simples de Pequim nem de Tóquio. A ausência mais sentida é a de João Fonseca, que anunciou uma pausa na temporada em 21 de setembro e está fora de toda a gira asiática, incluindo o Masters 1000 de Xangai. Na chave feminina, também não há brasileira: Bia Haddad Maia anunciou em agosto uma pausa na carreira.

Nas duplas, Orlando Luz e Rafael Matos, campeões dos Masters 1000 do Canadá e de Cincinnati em 2026, foram eliminados na estreia nesta quinta pelo americano Robert Cash e pelo austríaco Alexander Erler, por 7/6 (6) e 7/6 (10). O mineiro Marcelo Melo forma parceria com Zverev e estreia contra o alemão Constantin Frantzen e o holandês Robin Haase.

Tóquio: Alcaraz estreia, Fritz e Ruud caem

No Japão, Alcaraz, cabeça 1 e atual campeão, venceu o americano Alex Michelsen, quadrifinalista do US Open, por 7/6 (1), 4/6 e 6/1. O espanhol tenta ser o primeiro a defender o título em Tóquio desde Pete Sampras, em 1994, e encara agora o italiano Matteo Arnaldi.

A rodada de abertura derrubou metade da elite da chave. Tommy Paul, cabeça 7, perdeu para o chileno Alejandro Tabilo por 6/1 e 6/2. Taylor Fritz, cabeça 3 e campeão em 2022, sentiu o físico e foi derrotado pelo espanhol Jaume Munar por 6/7 (7), 6/4 e 6/3, em 2h57. Casper Ruud, cabeça 6, caiu diante do italiano Luciano Darderi por 7/6 (3) e 6/3, e Brandon Nakashima, cabeça 5, perdeu para o francês Ugo Humbert.

Valentin Vacherot, cabeça 8, que tinha caído na estreia em Chengdu, venceu o belga Alexander Blockx por 7/6 (2) e 7/6 (4). Holger Rune, no primeiro jogo de nível ATP desde outubro de 2025, perdeu para o francês Kyrian Jacquet por 6/3 e 6/1.

A quinta também teve despedida. Kei Nishikori, de 36 anos, campeão em Tóquio em 2012 e 2014, ex-número 4 do mundo e finalista do US Open de 2014, jogou a última partida da carreira e perdeu para o americano Frances Tiafoe, cabeça 2, por 6/4 e 6/4. Sai aplaudido no Ariake Coliseum, com 12 títulos de ATP.

Onde assistir ao China Open

No Brasil, os jogos do ATP 500 de Pequim passam na ESPN (TV por assinatura) e no Disney+ Premium, que tem mais quadras ao vivo. A estreia de Djokovic contra Borges foi exibida pela ESPN 2 e pelo Disney+. Não há transmissão em TV aberta. Com 11 horas de fuso, os jogos acontecem de madrugada e de manhã no horário de Brasília. O guia completo está em onde assistir ao ATP 500 de Pequim. A final de simples está marcada para 6 de outubro.

O que a volta de Djokovic ensina sobre alta performance

Djokovic chegou a Pequim com três derrotas seguidas, sem título no ano e com um corpo que pediu atendimento no meio da primeira partida. Não chegou com discurso de redenção. Chegou com uma frase simples sobre o próprio estado (“estou me sentindo bem até agora”) e um jogo de cada vez.

O retrospecto de 30 a 0 não ganha partida sozinho. O que ganhou o segundo set contra Borges foi o tie-break, jogado com a cabeça no ponto seguinte, e não na sequência de derrotas do verão nem no incômodo no abdômen. Derrota é evento, não identidade: três jogos perdidos não apagam 20 anos de processo, mas também não garantem nada sem a execução da semana.

Khachanov mostra o outro lado da mesma moeda: usou a semifinal de Nova York como combustível, não como ponto de chegada. E Nishikori, aplaudido pela própria torcida na despedida, lembra que o que fica de uma carreira vai além da contagem de troféus.

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Diogo Moraes

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