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Messi se despede da Argentina com gol e duas assistências no Monumental

Lionel Messi de braços erguidos e braçadeira de capitão após o gol de pênalti contra Benin, no jogo de despedida da seleção argentina

Lionel Messi jogou a última partida pela seleção argentina do jeito que jogou as outras 207. Nesta terça-feira (6), no amistoso contra Benin no Monumental, em Buenos Aires, o capitão cobrou o escanteio do primeiro gol, deu o passe do segundo e fez o terceiro de pênalti. Argentina 3 a 0, diante de mais de 80 mil pessoas.

Foi o fim de 21 anos de seleção. Messi sai como recordista do país em jogos (208) e gols (126), com a Copa do Mundo de 2022, duas Copas América e a Finalíssima no currículo. A saída tinha sido anunciada em 31 de agosto. Ontem foi a despedida diante da torcida.

Lionel Messi acena para a torcida no gramado do Monumental depois do jogo de despedida da seleção argentina contra Benin
Messi acena para a torcida no fim do jogo contra Benin, o último dele pela Argentina. Foto: Gustavo Garello/AP

Como foi o jogo

O primeiro tempo terminou 0 a 0, com Messi criando pelo menos quatro chances. O placar abriu logo na volta do intervalo: aos 48 minutos, ele cobrou escanteio e o zagueiro Nicolás Otamendi completou para o gol. Aos 61, Messi achou Nico Paz, que ampliou.

O gol dele veio aos 71. Agustín Giay sofreu pênalti, e o camisa 10 bateu de canhota, no alto. Messi jogou até o apito final, ainda acertou uma trave e teve o último lance da partida: um chute que o goleiro reserva de Benin, Allagbé, desviou no poste.

O jogo também foi a despedida de Otamendi, de 38 anos, que encerrou a carreira na seleção na mesma noite.

A festa no Monumental

Messi entrou em campo de mãos dadas com os três filhos, Thiago, Mateo e Ciro. Antonela Roccuzzo e a mãe, Celia Cuccittini, assistiram de um camarote. Ele e o técnico Lionel Scaloni choraram no hino nacional.

Aos 10 minutos, o jogo parou para aplausos e fogos. No apito final, o árbitro chileno Fernando Véjar entregou a bola a Messi, e o capitão de Benin, Sessi D’Almeida, deu a ele um agasalho e uma réplica de escultura de Cotonou. Depois vieram um show de drones e a cantora Soledad Pastorutti. Mais cedo, Messi tinha recebido o título de doutor honoris causa da Universidade de Buenos Aires, na sede da AFA em Ezeiza.

Messi de mãos juntas ao lado dos companheiros da seleção argentina assistindo ao show de drones no Monumental
Messi e os companheiros assistem ao show de drones depois do jogo. Foto: Gustavo Garello/AP

O discurso: “nunca deixei de lutar”

Messi falou por nove minutos, com o elenco atrás dele. Começou pelo pai, Jorge Messi, que morreu em agosto: “É difícil dizer algo hoje. São muitas emoções. A primeira coisa em que penso é no meu velho.”

Depois resumiu os 21 anos: “Foi um orgulho muito grande para mim defender esta camisa por mais de 20 anos. Até nos piores momentos, que nós passamos e que eu tive, nunca deixei de lutar, de brigar, de dar o máximo, de querer estar sempre.”

E deixou um recado para quem fica: “Para conquistar objetivos grandes é preciso formar grupos fortes e unidos. Tem gente que quer ver a seleção mal, e não se pode dar esse gosto a eles.”

Messi também respondeu às teorias de que a Argentina teria facilitado a final da Copa de 2026, perdida para a Espanha por 1 a 0 na prorrogação: “Não aconteceu nada de estranho como andam dizendo, demos tudo. O jogo contra a Inglaterra foi um desgaste muito grande.” No fim, admitiu: “Não vir mais vai ser uma dor muito grande. Juro que eu gostaria de vir a vida toda, porque jogar na seleção argentina é a coisa mais linda que pode te acontecer.”

Os números de 21 anos de seleção

A carreira começou mal. Na estreia, em 17 de agosto de 2005, contra a Hungria, em Budapeste, Messi entrou no segundo tempo e foi expulso pouco depois. Terminou como o jogador que mais vestiu a camisa e o maior artilheiro da história da seleção.

Messi na seleção principalNúmero
Período2005 a 2026
Jogos208 (recorde)
Gols126 (recorde)
Assistências70, pela contagem da imprensa argentina
TítulosCopa do Mundo 2022, Copa América 2021 e 2024, Finalíssima 2022
Finais perdidasCopa América 2007, 2015 e 2016, Copas do Mundo de 2014 e 2026

Pelas seleções de base, ele ainda ganhou o Mundial Sub-20 de 2005 e o ouro olímpico em Pequim 2008.

O título só veio depois de quatro finais perdidas em nove anos. Em 2016, depois da derrota nos pênaltis para o Chile, Messi chegou a renunciar à seleção, e voltou atrás semanas depois. Em janeiro deste ano, no programa Nadie Dice Nada, do canal argentino Luzu TV, ele contou que se arrependeu muito da decisão e disse qual exemplo gostaria de deixar: “Nunca desistir e seguir tentando, no que for. No fim, a vida é isso: levar o golpe, levantar e tentar de novo.”

A história dessa renúncia e da final de 2026 já foi contada aqui no portal. Na Copa do Catar, a campanha campeã começou com uma derrota para a Arábia Saudita. Na Copa de 2026, ele virou o maior artilheiro da história dos Mundiais e chegou a mais uma final, perdida para a Espanha de Ferran Torres.

Scaloni: “essa aura eu não vi em ninguém”

Na entrevista coletiva depois do jogo, Scaloni falou sobre o que muda sem o capitão: “Podemos montar um grande time com os garotos novos que vão surgindo, mas essa aura eu não vi em ninguém na minha vida.”

O técnico, que comanda a seleção desde 2018, disse que nunca imaginou estar nessa posição: “Em nenhum momento da minha vida pensei que ia ser treinador do melhor jogador da história.” Sobre a renovação do próprio contrato, disse que não há novidades.

Ángel Di María, parceiro de Messi nas conquistas de 2021, 2022 e 2024, mandou recado pela ESPN antes do jogo: “Que ele aproveite muito. Com certeza hoje vai ser um dia muito especial para todos, então é isso: agradecer a ele pela vida toda.”

Drones desenham a camisa 10 de Messi no céu sobre o estádio Monumental, em Buenos Aires
Drones desenham a camisa 10 de Messi sobre o Monumental. Foto: Julian Bongiovanni/AP

Como foi a decisão de sair

Messi anunciou a saída em 31 de agosto, numa carta manuscrita publicada no Instagram. Ele contou que escreveu o texto em 21 de julho, dois dias depois da final perdida no MetLife Stadium, e esperou algumas semanas para tornar a decisão pública. No intervalo, em 8 de agosto, o pai e empresário dele, Jorge Messi, morreu aos 68 anos, em Rosario. Na carta, Messi escreveu que, depois disso, estava “mais convencido que antes”.

O que vem agora

Messi, de 39 anos, se despediu da seleção, não do futebol. Ele segue no Inter Miami, da MLS, com contrato renovado em outubro de 2025 até o fim de 2028. Desde 1º de agosto, o Nubank estampa as costas da camisa do clube e batiza o Nu Stadium, a casa de Messi em Miami.

O que a despedida ensina sobre alta performance

O resumo que o próprio Messi escolheu para os 21 anos não fala de títulos. Fala dos piores momentos e de não ter deixado de lutar neles. É uma carreira que tem quatro finais perdidas antes da primeira taça, uma renúncia e uma volta, e uma Copa que começou com derrota. O título de 2022 só existe porque nenhuma dessas derrotas virou ponto final.

Há também o recado sobre grupo. O maior jogador da geração encerrou o discurso falando de time, não de si mesmo: objetivos grandes pedem grupos fortes e unidos. Messi passou anos carregando sozinho a cobrança de um país e só ganhou quando a seleção virou um ambiente em que ele não precisava fazer tudo.

E há o jeito de sair. Messi não esperou o corpo decidir por ele. Escolheu a hora, escreveu a carta com calma e marcou a despedida em casa, com data, estádio e torcida. Com contrato no clube por mais dois anos, a carreira segue, e a identidade dele já não depende de uma única camisa.

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Diogo Moraes

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