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Diogo Moreira volta a Mandalika, onde venceu na Moto3 e na Moto2

Diogo Moreira, de boné de pódio e macacão da Pro Honda LCR, comemora com o punho erguido o segundo lugar na sprint do GP do Japão de MotoGP de 2026, em Motegi

Diogo Moreira chega ao GP da Indonésia de MotoGP com dois motivos para olhar para Mandalika de um jeito diferente. Foi no circuito da ilha de Lombok que o brasileiro venceu pela primeira vez no Mundial, na Moto3, em 2023, e foi ali também que ganhou a corrida da Moto2 no ano passado, a caminho do título. Agora volta como estreante da classe principal, seis dias depois do primeiro pódio na MotoGP, o segundo lugar na sprint do GP do Japão.

A sexta-feira (9) não repetiu o roteiro. O piloto da LCR Honda caiu nas duas sessões do dia, terminou o treino da tarde em 19º e vai disputar o Q1, que começa às 23h50 desta sexta, no horário de Brasília. A sprint é às 4h de sábado (10) e a corrida principal, às 4h de domingo (11). É a 17ª das 22 etapas da temporada, e o título continua aberto: Jorge Martín lidera com 333 pontos, dois a mais que Marc Márquez.

Diogo Moreira, de capacete e luvas com as cores do Brasil, ergue os braços ao comemorar a vitória na Moto2 no GP da Indonésia de 2025, em Mandalika
Moreira comemora a vitória na Moto2 em Mandalika, em outubro de 2025. Foto: MotoGP/Dorna

Horários de Brasília e onde assistir

Mandalika está 11 horas à frente de Brasília. Por isso, toda a ação da MotoGP cai na madrugada brasileira, e a classificação começa ainda na noite de sexta. A programação oficial, convertida:

  • Treino livre 2: sexta-feira (9), às 23h10
  • Classificação Q1: sexta-feira (9), às 23h50
  • Classificação Q2: sábado (10), à 0h15
  • Corrida sprint: sábado (10), às 4h
  • Warm-up: sábado (10), às 23h40
  • Corrida da Moto2: domingo (11), às 2h15
  • Corrida da MotoGP: domingo (11), às 4h, com 27 voltas

A ESPN tem os direitos do Mundial de Motovelocidade no Brasil em 2026, com as sessões na ESPN 4 e no Disney+. A alternativa oficial é o MotoGP VideoPass, serviço pago da própria categoria. Canais, narração e preços estão no guia de onde assistir à MotoGP em 2026.

Sexta-feira de duas quedas e vaga no Q1

No primeiro treino livre, Moreira perdeu o controle da Honda na curva 1, logo no começo da sessão, e provocou a primeira bandeira amarela do fim de semana. Saiu ileso, voltou ao box a pé e terminou em 20º, a 1s635 de Marco Bezzecchi, o mais rápido da manhã com 1min30s132.

O treino da tarde, o que define quem vai direto ao Q2, atrasou 35 minutos. Uma falha de conexão atingiu a sala dos comissários e a cronometragem durante a sessão da Moto2, e a direção de prova só liberou a pista depois de resolver o problema. Quando a MotoGP entrou, a Aprilia tomou conta: Raúl Fernández, da Trackhouse, fez 1min28s725, novo recorde de volta de Mandalika, e liderou um trio da marca italiana com Bezzecchi a 0s219 e Martín a 0s481. O recorde anterior era do próprio Bezzecchi, 1min28s832, na pole de 2025.

Moreira melhorou em relação à manhã, mas não o bastante. Na reta final, buscou o vácuo de Álex Márquez para a última volta rápida e foi ao chão de novo, segundo o acompanhamento ao vivo do Crash.net. Fechou em 19º, a 1s676 de Fernández, uma posição atrás do companheiro de equipe, Johann Zarco. Nenhum piloto da Honda ficou entre os dez primeiros. O melhor foi Luca Marini, em 14º. A equipe de fábrica corre com Aleix Espargaró, piloto de testes, no lugar de Joan Mir, afastado por problemas de saúde.

No Q1, só os dois mais rápidos avançam ao Q2 e brigam pela pole. Marc Márquez, quinto no treino, garantiu vaga direta, assim como Francesco Bagnaia, décimo, que não passava direto desde o GP da Holanda, em junho.

Mandalika, a pista das vitórias de Moreira

O circuito de rua de Lombok, inaugurado em 2021, tem 4,3 km e 17 curvas, 11 delas para a direita. Para Moreira, é a pista de dois marcos. Em 15 de outubro de 2023, ele venceu a corrida da Moto3 por 0s107 sobre o colombiano David Alonso. Foi a primeira vitória da carreira no Mundial e a primeira de um brasileiro em qualquer categoria desde Alex Barros, no GP de Portugal da MotoGP, em 2005.

Dois anos depois, voltou à ilha como candidato ao título da Moto2. Fez a pole com 1min32s341, recorde da categoria no circuito, liderou a corrida desde a segunda volta e venceu. A vitória o aproximou de Manuel González na tabela, e o brasileiro terminaria a temporada como campeão, o primeiro do país no Mundial de Motovelocidade. O recorde da Moto2, aliás, caiu nesta sexta: Izan Guevara fez 1min32s337, quatro milésimos mais rápido.

A diferença agora é a moto. Na Moto2, todos correm com o mesmo motor Triumph. Na MotoGP, Moreira pilota uma Honda que não tinha subido ao pódio em nenhuma das 15 primeiras etapas de 2026, até o segundo lugar dele em Motegi.

Depois do pódio, a régua de estreante

O pódio do Japão veio com ajuda: Moreira cruzou a linha em quarto e herdou o segundo lugar depois que Martín e Enea Bastianini foram punidos por exceder os limites da pista na última volta. Foi o primeiro pódio de um brasileiro na classe principal desde Alex Barros, em 2007, como contou a reportagem do Atleta Pro sobre o fim do jejum. No domingo, ele caiu na nona volta quando era o oitavo e não pontuou.

O brasileiro chega à Indonésia em 14º no campeonato, com 74 pontos, oito à frente de Fabio Quartararo, da Yamaha. Entre os pilotos da Honda, só Marini, com 104, somou mais. Na disputa de estreante do ano, a vantagem é de 56 pontos sobre Toprak Razgatlioglu, da Pramac Yamaha, que tem 18. O melhor resultado de Moreira num domingo continua sendo o sexto lugar no GP da Hungria. No GP do Brasil, em Goiânia, em março, foi décimo na sprint e 13º na corrida.

Jorge Martín, Marc Márquez e Diogo Moreira sorriem dentro de um carro depois do pódio da corrida sprint do GP do Japão de MotoGP de 2026, em Motegi
Martín, Márquez e Moreira, o pódio da sprint de Motegi, no sábado (3). Foto: MotoGP/Dorna

Martín x Márquez: dois pontos e um tabu

À frente, a briga pelo título é a mais apertada da história da MotoGP depois de 16 GPs, segundo a própria categoria. Martín, da Aprilia, tem 333 pontos. Márquez, da Ducati, tem 331, depois de vencer sprint e corrida em Motegi e tirar dez pontos da diferença num fim de semana. A prévia do GP do Japão mostrava o espanhol da Aprilia 12 pontos à frente.

Pos.PilotoEquipePontos
1ºJorge MartínAprilia Racing333
2ºMarc MárquezDucati Lenovo331
3ºMarco BezzecchiAprilia Racing284
4ºPedro AcostaRed Bull KTM243
5ºAi OguraTrackhouse237
14ºDiogo MoreiraLCR Honda74

Em caso de empate em pontos, vale o número de vitórias em corridas de domingo, e aí Márquez leva com folga: seis a uma. Restam seis etapas, contando a da Indonésia, e cada fim de semana distribui até 37 pontos.

Mandalika, porém, é a pista mais hostil do calendário para Márquez. Em quatro visitas, ele nunca recebeu a bandeirada de uma corrida de domingo no circuito. Em 2022, uma queda no warm-up o tirou da prova, com concussão. Em 2023 e 2024, abandonou. Em 2025, já campeão, foi atingido por Bezzecchi na primeira volta, fraturou a base do processo coracoide do ombro direito e perdeu o restante da temporada. Martín tem o histórico oposto: venceu a sprint de 2023 e a corrida de 2024, ainda pela Ducati da Pramac.

A corrida de 2025 ficou com Fermín Aldeguer, da Gresini, na primeira vitória dele na MotoGP. Bezzecchi, terceiro no campeonato a 49 pontos de Martín, venceu a sprint e largou da pole naquele ano, e nesta sexta liderou a manhã.

O que Mandalika ensina sobre alta performance

Moreira volta a uma pista onde já sabe vencer, mas com outra moto, outro nível de adversário e outro tipo de pressão. A sexta-feira mostrou o tamanho da distância: duas quedas e um treino fechado a 1s676 do mais rápido, depois de um sábado em Motegi que colocou o nome dele na história do motociclismo brasileiro.

É o retrato de uma temporada de estreia que não anda em linha reta. O próprio piloto tratou o pódio do Japão como um resultado com ajuda da sorte e, depois da queda do domingo, pediu desculpas à equipe e falou da corrida seguinte. Pódio herdado não vira identidade, queda também não. A régua de um estreante é o ritmo que ele constrói de uma etapa para a outra, e a de Moreira passa agora pelo Q1, na noite desta sexta.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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