Diogo Moreira chega ao GP da Indonésia de MotoGP com dois motivos para olhar para Mandalika de um jeito diferente. Foi no circuito da ilha de Lombok que o brasileiro venceu pela primeira vez no Mundial, na Moto3, em 2023, e foi ali também que ganhou a corrida da Moto2 no ano passado, a caminho do título. Agora volta como estreante da classe principal, seis dias depois do primeiro pódio na MotoGP, o segundo lugar na sprint do GP do Japão.
A sexta-feira (9) não repetiu o roteiro. O piloto da LCR Honda caiu nas duas sessões do dia, terminou o treino da tarde em 19º e vai disputar o Q1, que começa às 23h50 desta sexta, no horário de Brasília. A sprint é às 4h de sábado (10) e a corrida principal, às 4h de domingo (11). É a 17ª das 22 etapas da temporada, e o título continua aberto: Jorge Martín lidera com 333 pontos, dois a mais que Marc Márquez.

Horários de Brasília e onde assistir
Mandalika está 11 horas à frente de Brasília. Por isso, toda a ação da MotoGP cai na madrugada brasileira, e a classificação começa ainda na noite de sexta. A programação oficial, convertida:
- Treino livre 2: sexta-feira (9), às 23h10
- Classificação Q1: sexta-feira (9), às 23h50
- Classificação Q2: sábado (10), à 0h15
- Corrida sprint: sábado (10), às 4h
- Warm-up: sábado (10), às 23h40
- Corrida da Moto2: domingo (11), às 2h15
- Corrida da MotoGP: domingo (11), às 4h, com 27 voltas
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Sexta-feira de duas quedas e vaga no Q1
No primeiro treino livre, Moreira perdeu o controle da Honda na curva 1, logo no começo da sessão, e provocou a primeira bandeira amarela do fim de semana. Saiu ileso, voltou ao box a pé e terminou em 20º, a 1s635 de Marco Bezzecchi, o mais rápido da manhã com 1min30s132.
O treino da tarde, o que define quem vai direto ao Q2, atrasou 35 minutos. Uma falha de conexão atingiu a sala dos comissários e a cronometragem durante a sessão da Moto2, e a direção de prova só liberou a pista depois de resolver o problema. Quando a MotoGP entrou, a Aprilia tomou conta: Raúl Fernández, da Trackhouse, fez 1min28s725, novo recorde de volta de Mandalika, e liderou um trio da marca italiana com Bezzecchi a 0s219 e Martín a 0s481. O recorde anterior era do próprio Bezzecchi, 1min28s832, na pole de 2025.
Moreira melhorou em relação à manhã, mas não o bastante. Na reta final, buscou o vácuo de Álex Márquez para a última volta rápida e foi ao chão de novo, segundo o acompanhamento ao vivo do Crash.net. Fechou em 19º, a 1s676 de Fernández, uma posição atrás do companheiro de equipe, Johann Zarco. Nenhum piloto da Honda ficou entre os dez primeiros. O melhor foi Luca Marini, em 14º. A equipe de fábrica corre com Aleix Espargaró, piloto de testes, no lugar de Joan Mir, afastado por problemas de saúde.
No Q1, só os dois mais rápidos avançam ao Q2 e brigam pela pole. Marc Márquez, quinto no treino, garantiu vaga direta, assim como Francesco Bagnaia, décimo, que não passava direto desde o GP da Holanda, em junho.
Mandalika, a pista das vitórias de Moreira
O circuito de rua de Lombok, inaugurado em 2021, tem 4,3 km e 17 curvas, 11 delas para a direita. Para Moreira, é a pista de dois marcos. Em 15 de outubro de 2023, ele venceu a corrida da Moto3 por 0s107 sobre o colombiano David Alonso. Foi a primeira vitória da carreira no Mundial e a primeira de um brasileiro em qualquer categoria desde Alex Barros, no GP de Portugal da MotoGP, em 2005.
Dois anos depois, voltou à ilha como candidato ao título da Moto2. Fez a pole com 1min32s341, recorde da categoria no circuito, liderou a corrida desde a segunda volta e venceu. A vitória o aproximou de Manuel González na tabela, e o brasileiro terminaria a temporada como campeão, o primeiro do país no Mundial de Motovelocidade. O recorde da Moto2, aliás, caiu nesta sexta: Izan Guevara fez 1min32s337, quatro milésimos mais rápido.
A diferença agora é a moto. Na Moto2, todos correm com o mesmo motor Triumph. Na MotoGP, Moreira pilota uma Honda que não tinha subido ao pódio em nenhuma das 15 primeiras etapas de 2026, até o segundo lugar dele em Motegi.
Depois do pódio, a régua de estreante
O pódio do Japão veio com ajuda: Moreira cruzou a linha em quarto e herdou o segundo lugar depois que Martín e Enea Bastianini foram punidos por exceder os limites da pista na última volta. Foi o primeiro pódio de um brasileiro na classe principal desde Alex Barros, em 2007, como contou a reportagem do Atleta Pro sobre o fim do jejum. No domingo, ele caiu na nona volta quando era o oitavo e não pontuou.
O brasileiro chega à Indonésia em 14º no campeonato, com 74 pontos, oito à frente de Fabio Quartararo, da Yamaha. Entre os pilotos da Honda, só Marini, com 104, somou mais. Na disputa de estreante do ano, a vantagem é de 56 pontos sobre Toprak Razgatlioglu, da Pramac Yamaha, que tem 18. O melhor resultado de Moreira num domingo continua sendo o sexto lugar no GP da Hungria. No GP do Brasil, em Goiânia, em março, foi décimo na sprint e 13º na corrida.

Martín x Márquez: dois pontos e um tabu
À frente, a briga pelo título é a mais apertada da história da MotoGP depois de 16 GPs, segundo a própria categoria. Martín, da Aprilia, tem 333 pontos. Márquez, da Ducati, tem 331, depois de vencer sprint e corrida em Motegi e tirar dez pontos da diferença num fim de semana. A prévia do GP do Japão mostrava o espanhol da Aprilia 12 pontos à frente.
| Pos. | Piloto | Equipe | Pontos |
|---|---|---|---|
| 1º | Jorge Martín | Aprilia Racing | 333 |
| 2º | Marc Márquez | Ducati Lenovo | 331 |
| 3º | Marco Bezzecchi | Aprilia Racing | 284 |
| 4º | Pedro Acosta | Red Bull KTM | 243 |
| 5º | Ai Ogura | Trackhouse | 237 |
| 14º | Diogo Moreira | LCR Honda | 74 |
Em caso de empate em pontos, vale o número de vitórias em corridas de domingo, e aí Márquez leva com folga: seis a uma. Restam seis etapas, contando a da Indonésia, e cada fim de semana distribui até 37 pontos.
Mandalika, porém, é a pista mais hostil do calendário para Márquez. Em quatro visitas, ele nunca recebeu a bandeirada de uma corrida de domingo no circuito. Em 2022, uma queda no warm-up o tirou da prova, com concussão. Em 2023 e 2024, abandonou. Em 2025, já campeão, foi atingido por Bezzecchi na primeira volta, fraturou a base do processo coracoide do ombro direito e perdeu o restante da temporada. Martín tem o histórico oposto: venceu a sprint de 2023 e a corrida de 2024, ainda pela Ducati da Pramac.
A corrida de 2025 ficou com Fermín Aldeguer, da Gresini, na primeira vitória dele na MotoGP. Bezzecchi, terceiro no campeonato a 49 pontos de Martín, venceu a sprint e largou da pole naquele ano, e nesta sexta liderou a manhã.
O que Mandalika ensina sobre alta performance
Moreira volta a uma pista onde já sabe vencer, mas com outra moto, outro nível de adversário e outro tipo de pressão. A sexta-feira mostrou o tamanho da distância: duas quedas e um treino fechado a 1s676 do mais rápido, depois de um sábado em Motegi que colocou o nome dele na história do motociclismo brasileiro.
É o retrato de uma temporada de estreia que não anda em linha reta. O próprio piloto tratou o pódio do Japão como um resultado com ajuda da sorte e, depois da queda do domingo, pediu desculpas à equipe e falou da corrida seguinte. Pódio herdado não vira identidade, queda também não. A régua de um estreante é o ritmo que ele constrói de uma etapa para a outra, e a de Moreira passa agora pelo Q1, na noite desta sexta.
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