Jorge Martín chega ao GP do Japão de MotoGP na liderança do campeonato, mas com uma margem que cabe num único fim de semana. O espanhol da Aprilia soma 306 pontos, 12 a mais que Marc Márquez, da Ducati. A 16ª etapa da temporada acontece de 2 a 4 de outubro no Mobility Resort Motegi, e a corrida principal larga às 2h de domingo (4), no horário de Brasília.
Motegi carrega dois enredos para o torcedor brasileiro. É a pista onde Márquez já fechou quatro dos seus sete títulos da MotoGP. E é a pista da Honda, fabricante dona do circuito e da moto de Diogo Moreira, que chega ao Japão como o nome do momento na discussão sobre 2027.

A conta do título: 12 pontos e o desempate por vitórias
Márquez é o único piloto que pode sair de Motegi na liderança. Para isso, precisa marcar pelo menos 12 pontos a mais que Martín somando a sprint de sábado e a corrida de domingo. Um empate em pontos resolve a favor dele, porque o critério de desempate é o número de vitórias em GPs, e aí a diferença é grande: cinco para Márquez, uma para Martín.
O placar de vitórias explica o estilo de cada um. Martín venceu só a corrida de domingo da França, em maio, mas ganhou quatro sprints, subiu sete vezes ao pódio aos domingos e pontuou em 14 dos 15 fins de semana. Márquez perdeu a corrida de domingo da França e o GP da Catalunha depois de uma queda na sprint de Le Mans, em que fraturou um osso do pé direito, e voltou para vencer cinco dos nove GPs seguintes: Hungria, República Tcheca, Alemanha, Aragão e San Marino.
O Mundial virou duas vezes nas últimas três semanas. Depois de San Marino, os dois estavam empatados com 274 pontos. Na Áustria, Martín venceu a sprint e foi segundo no domingo, enquanto Márquez fez segundo e quinto. A corrida de domingo ficou com Pedro Acosta, como mostrou a cobertura do Atleta Pro sobre a primeira vitória do espanhol na MotoGP.
A classificação antes do GP do Japão, segundo os números oficiais da MotoGP:
| Pos. | Piloto | Equipe | Pontos |
|---|---|---|---|
| 1º | Jorge Martín | Aprilia Racing | 306 |
| 2º | Marc Márquez | Ducati Lenovo | 294 |
| 3º | Marco Bezzecchi | Aprilia Racing | 264 |
| 4º | Pedro Acosta | Red Bull KTM | 234 |
| 5º | Fabio Di Giannantonio | VR46 | 230 |
| 6º | Ai Ogura | Trackhouse | 222 |
| 7º | Raúl Fernández | Trackhouse | 203 |
| 14º | Diogo Moreira | LCR Honda | 65 |
Depois do Japão ainda vêm Indonésia, Austrália, Malásia, Catar, Portugal e Valência. São sete fins de semana, cada um com até 37 pontos em jogo para quem vencer sprint e corrida. Bezzecchi está a 42 pontos do líder e Acosta, a 72.
O braço de Martín
A maior dúvida sobre o líder é física. Martín sofre de síndrome compartimental no antebraço direito, problema que os pilotos chamam de “arm pump” e que, em San Marino, tirou força dele na freada e na aceleração justamente quando brigava pela vitória. Depois da Áustria, ele descartou a cirurgia, com apoio da Aprilia.
“A condição é difícil, com certeza, porque não estou 100%, mas estou me sentindo muito melhor do que em Misano”, disse ao site oficial da MotoGP. “Vou tentar descansar, me recuperar bem dessas duas corridas que foram tão duras fisicamente e seguir para a temporada asiática em ótima forma. Operar também é um risco grande.”
O retrospecto no Japão favorece o espanhol. Martín venceu a sprint e a corrida de Motegi em 2023 e foi segundo no domingo em 2024, ano em que foi campeão.
Motegi, a pista onde Márquez fecha títulos
Márquez tem uma relação particular com o circuito. Foi em Motegi que ele garantiu os títulos da MotoGP de 2014, 2016 e 2018, todos pela Honda. E foi lá que, há um ano, confirmou o sétimo título da categoria, o primeiro desde 2019, ao terminar em segundo atrás de Francesco Bagnaia.

O título de 2025 veio depois de quatro cirurgias no braço direito entre 2020 e 2022, e deixou o espanhol empatado com Valentino Rossi em títulos da classe rainha. Em vitórias, Márquez venceu três vezes em Motegi na MotoGP, em 2016, 2018 e 2019.
Os vencedores recentes do GP do Japão mostram como a pista virou território da Ducati:
- 2025: Francesco Bagnaia (Ducati), com Márquez em segundo e Joan Mir (Honda) em terceiro
- 2024: Francesco Bagnaia (Ducati), com Martín em segundo
- 2023: Jorge Martín (Ducati)
- 2022: Jack Miller (Ducati)
- 2019: Marc Márquez (Honda)
Não houve GP do Japão em 2020 e 2021, por causa da pandemia. O traçado tem 4,8 km, 14 curvas e uma reta de 762 metros, e a corrida de domingo tem 24 voltas. É uma pista de freadas fortes e acelerações em linha reta, o que castiga freios e, no caso de Martín, os antebraços.
Diogo Moreira corre na casa da Honda
Motegi foi construído pela Honda em 1997 e segue sendo da fabricante japonesa. Para a marca, é o GP de casa. Para Diogo Moreira, é a chance de repetir um bom resultado: em 2025, ainda na Moto2, o brasileiro foi terceiro em Motegi, no ano em que se tornou o primeiro piloto do país campeão mundial de motovelocidade.

Na estreia na classe rainha, pela LCR Honda, Moreira ocupa o 14º lugar com 65 pontos. É o segundo melhor piloto da Honda no campeonato, atrás só de Luca Marini (98 pontos), e está à frente dos veteranos Johann Zarco, seu companheiro de equipe, e Joan Mir. O melhor resultado foi o sexto lugar no GP da Hungria, em junho. Na última etapa, na Áustria, terminou em 15º e somou um ponto.
O contexto ajuda a medir o número. Nenhum piloto da Honda subiu ao pódio em 2026, nem em sprint nem em corrida de domingo. A última vitória da marca em Motegi foi de Márquez, em 2019. O guia de pilotos da MotoGP 2026 mostra o grid completo e onde o brasileiro se encaixa na hierarquia das equipes.
O teste que mudou a conversa sobre 2027
O que colocou Moreira no centro do noticiário foi o teste de pneus da Pirelli no Red Bull Ring, na segunda-feira seguinte ao GP da Áustria. Com o protótipo de 850 cilindradas que a Honda vai usar em 2027, ano em que a Pirelli substitui a Michelin como fornecedora, o brasileiro marcou 1min28s4 e foi o mais rápido entre 18 pilotos. Pedro Acosta ficou a quatro décimos, e Márquez, a pouco mais de um segundo. O teste foi fechado e sem cronometragem oficial.
A Honda já confirmou Fabio Quartararo na equipe oficial para 2027 e 2028. A segunda vaga está entre Moreira e o colombiano David Alonso, contratado pela fabricante em julho, e o perdedor deve correr na LCR ao lado de Zarco. A decisão ainda não foi anunciada. “Estou fazendo o meu trabalho e acho que estamos indo na direção certa”, disse Moreira ao Motorsport.com no início de setembro. “Tive mais pressão no ano passado, brigando pelo título da Moto2.”
O box da Honda chega desfalcado a Motegi. Joan Mir está fora dos GPs do Japão e da Indonésia por orientação médica, depois de sintomas que ainda não têm diagnóstico fechado, e será substituído pelo tailandês Somkiat Chantra, vencedor da Moto2 em Motegi em 2023. O japonês Takaaki Nakagami corre como convidado.
Viñales volta, e Ogura corre em casa
Maverick Viñales está de volta. O piloto da Tech3 KTM não corre desde o GP da Alemanha, em julho, quando uma lesão antiga no ombro esquerdo se agravou, e perdeu as etapas da Inglaterra, de Aragão, de San Marino e da Áustria. Ele já deu voltas no teste da Pirelli na Áustria. “Ainda não estou 100%, mas estou no caminho certo e me sinto pronto para dar esse próximo passo”, disse.
Outro personagem do fim de semana é Ai Ogura. O japonês da Trackhouse, que venceu pela primeira vez na MotoGP em Assen, em junho, é o sexto do campeonato e chega para o GP de casa com dois quartos lugares na Áustria. Em 2025, não conseguiu largar em Motegi no domingo.
Horários do GP do Japão de MotoGP (Brasília)
O Japão está 12 horas à frente de Brasília, então quase tudo acontece de madrugada ou à noite no Brasil. A programação oficial da MotoGP, convertida para o horário de Brasília:
- Treino livre 1: quinta-feira (1º), às 22h45
- Treino que define os classificados para o Q2: sexta-feira (2), às 3h
- Treino livre 2: sexta-feira (2), às 22h10
- Classificação: sexta-feira (2), Q1 às 22h50 e Q2 às 23h15
- Corrida sprint: sábado (3), às 3h
- Warm-up: sábado (3), às 21h40
- Moto3: sábado (3), às 23h
- Moto2: domingo (4), à 0h15
- Corrida da MotoGP: domingo (4), às 2h
Onde assistir ao GP do Japão
A ESPN tem os direitos do Mundial de Motovelocidade no Brasil em 2026. O GP do Japão passa na ESPN 4 e no Disney+, sem transmissão em TV aberta. A alternativa oficial é o MotoGP VideoPass, o streaming pago da categoria. Os detalhes de canais, narração e preços estão no guia de onde assistir à MotoGP em 2026.
O que Motegi ensina sobre alta performance
A briga entre Martín e Márquez opõe dois jeitos de ganhar um campeonato. Martín lidera com uma única vitória de domingo em 15 etapas porque quase sempre leva pontos para casa: é constância. Márquez tem cinco vitórias e está atrás porque ficou duas etapas fora e, na volta, alternou vitórias com três sétimos lugares. Nos sete fins de semana que restam, os dois modelos vão ser testados, e o do espanhol da Aprilia ainda depende de um antebraço que não está 100%.
Moreira mostra o outro lado da alta performance, o da curva de aprendizado. Um estreante numa moto que não sobe ao pódio o ano inteiro não mede a temporada pela posição no campeonato, mas pelo que entrega sempre que a moto e a pista deixam. Foi isso que o teste da Pirelli mostrou: quando todos largaram do mesmo ponto, com a moto de 2027, o brasileiro foi o mais rápido. Processo mais tempo é igual a resultado.
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