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Márquez caça Martín no GP do Japão, na pista da Honda de Moreira

Marc Márquez, com a Ducati número 93, e Jorge Martín, com a Aprilia número 89, lado a lado numa curva do Red Bull Ring durante o GP da Áustria de MotoGP de 2026

Jorge Martín chega ao GP do Japão de MotoGP na liderança do campeonato, mas com uma margem que cabe num único fim de semana. O espanhol da Aprilia soma 306 pontos, 12 a mais que Marc Márquez, da Ducati. A 16ª etapa da temporada acontece de 2 a 4 de outubro no Mobility Resort Motegi, e a corrida principal larga às 2h de domingo (4), no horário de Brasília.

Motegi carrega dois enredos para o torcedor brasileiro. É a pista onde Márquez já fechou quatro dos seus sete títulos da MotoGP. E é a pista da Honda, fabricante dona do circuito e da moto de Diogo Moreira, que chega ao Japão como o nome do momento na discussão sobre 2027.

Marc Márquez, com a Ducati número 93, e Jorge Martín, com a Aprilia número 89, lado a lado numa curva do Red Bull Ring durante o GP da Áustria de MotoGP de 2026
Márquez (93) e Martín (89) lado a lado no GP da Áustria, a etapa que devolveu a liderança ao piloto da Aprilia. Foto: MotoGP/Dorna

A conta do título: 12 pontos e o desempate por vitórias

Márquez é o único piloto que pode sair de Motegi na liderança. Para isso, precisa marcar pelo menos 12 pontos a mais que Martín somando a sprint de sábado e a corrida de domingo. Um empate em pontos resolve a favor dele, porque o critério de desempate é o número de vitórias em GPs, e aí a diferença é grande: cinco para Márquez, uma para Martín.

O placar de vitórias explica o estilo de cada um. Martín venceu só a corrida de domingo da França, em maio, mas ganhou quatro sprints, subiu sete vezes ao pódio aos domingos e pontuou em 14 dos 15 fins de semana. Márquez perdeu a corrida de domingo da França e o GP da Catalunha depois de uma queda na sprint de Le Mans, em que fraturou um osso do pé direito, e voltou para vencer cinco dos nove GPs seguintes: Hungria, República Tcheca, Alemanha, Aragão e San Marino.

O Mundial virou duas vezes nas últimas três semanas. Depois de San Marino, os dois estavam empatados com 274 pontos. Na Áustria, Martín venceu a sprint e foi segundo no domingo, enquanto Márquez fez segundo e quinto. A corrida de domingo ficou com Pedro Acosta, como mostrou a cobertura do Atleta Pro sobre a primeira vitória do espanhol na MotoGP.

A classificação antes do GP do Japão, segundo os números oficiais da MotoGP:

Pos.PilotoEquipePontos
1ºJorge MartínAprilia Racing306
2ºMarc MárquezDucati Lenovo294
3ºMarco BezzecchiAprilia Racing264
4ºPedro AcostaRed Bull KTM234
5ºFabio Di GiannantonioVR46230
6ºAi OguraTrackhouse222
7ºRaúl FernándezTrackhouse203
14ºDiogo MoreiraLCR Honda65

Depois do Japão ainda vêm Indonésia, Austrália, Malásia, Catar, Portugal e Valência. São sete fins de semana, cada um com até 37 pontos em jogo para quem vencer sprint e corrida. Bezzecchi está a 42 pontos do líder e Acosta, a 72.

O braço de Martín

A maior dúvida sobre o líder é física. Martín sofre de síndrome compartimental no antebraço direito, problema que os pilotos chamam de “arm pump” e que, em San Marino, tirou força dele na freada e na aceleração justamente quando brigava pela vitória. Depois da Áustria, ele descartou a cirurgia, com apoio da Aprilia.

“A condição é difícil, com certeza, porque não estou 100%, mas estou me sentindo muito melhor do que em Misano”, disse ao site oficial da MotoGP. “Vou tentar descansar, me recuperar bem dessas duas corridas que foram tão duras fisicamente e seguir para a temporada asiática em ótima forma. Operar também é um risco grande.”

O retrospecto no Japão favorece o espanhol. Martín venceu a sprint e a corrida de Motegi em 2023 e foi segundo no domingo em 2024, ano em que foi campeão.

Motegi, a pista onde Márquez fecha títulos

Márquez tem uma relação particular com o circuito. Foi em Motegi que ele garantiu os títulos da MotoGP de 2014, 2016 e 2018, todos pela Honda. E foi lá que, há um ano, confirmou o sétimo título da categoria, o primeiro desde 2019, ao terminar em segundo atrás de Francesco Bagnaia.

Marc Márquez, de macacão da Ducati, agachado e emocionado na pista de Motegi depois de garantir o título da MotoGP de 2025
Márquez emocionado em Motegi, em setembro de 2025, depois de confirmar o sétimo título da MotoGP. Foto: MotoGP/Dorna

O título de 2025 veio depois de quatro cirurgias no braço direito entre 2020 e 2022, e deixou o espanhol empatado com Valentino Rossi em títulos da classe rainha. Em vitórias, Márquez venceu três vezes em Motegi na MotoGP, em 2016, 2018 e 2019.

Os vencedores recentes do GP do Japão mostram como a pista virou território da Ducati:

  • 2025: Francesco Bagnaia (Ducati), com Márquez em segundo e Joan Mir (Honda) em terceiro
  • 2024: Francesco Bagnaia (Ducati), com Martín em segundo
  • 2023: Jorge Martín (Ducati)
  • 2022: Jack Miller (Ducati)
  • 2019: Marc Márquez (Honda)

Não houve GP do Japão em 2020 e 2021, por causa da pandemia. O traçado tem 4,8 km, 14 curvas e uma reta de 762 metros, e a corrida de domingo tem 24 voltas. É uma pista de freadas fortes e acelerações em linha reta, o que castiga freios e, no caso de Martín, os antebraços.

Diogo Moreira corre na casa da Honda

Motegi foi construído pela Honda em 1997 e segue sendo da fabricante japonesa. Para a marca, é o GP de casa. Para Diogo Moreira, é a chance de repetir um bom resultado: em 2025, ainda na Moto2, o brasileiro foi terceiro em Motegi, no ano em que se tornou o primeiro piloto do país campeão mundial de motovelocidade.

O brasileiro Diogo Moreira, de capacete e com a Honda número 11 da equipe LCR, no pit lane durante um fim de semana da MotoGP de 2026
Diogo Moreira com a Honda número 11 da LCR na temporada de estreia na MotoGP. Foto: MotoGP/Dorna

Na estreia na classe rainha, pela LCR Honda, Moreira ocupa o 14º lugar com 65 pontos. É o segundo melhor piloto da Honda no campeonato, atrás só de Luca Marini (98 pontos), e está à frente dos veteranos Johann Zarco, seu companheiro de equipe, e Joan Mir. O melhor resultado foi o sexto lugar no GP da Hungria, em junho. Na última etapa, na Áustria, terminou em 15º e somou um ponto.

O contexto ajuda a medir o número. Nenhum piloto da Honda subiu ao pódio em 2026, nem em sprint nem em corrida de domingo. A última vitória da marca em Motegi foi de Márquez, em 2019. O guia de pilotos da MotoGP 2026 mostra o grid completo e onde o brasileiro se encaixa na hierarquia das equipes.

O teste que mudou a conversa sobre 2027

O que colocou Moreira no centro do noticiário foi o teste de pneus da Pirelli no Red Bull Ring, na segunda-feira seguinte ao GP da Áustria. Com o protótipo de 850 cilindradas que a Honda vai usar em 2027, ano em que a Pirelli substitui a Michelin como fornecedora, o brasileiro marcou 1min28s4 e foi o mais rápido entre 18 pilotos. Pedro Acosta ficou a quatro décimos, e Márquez, a pouco mais de um segundo. O teste foi fechado e sem cronometragem oficial.

A Honda já confirmou Fabio Quartararo na equipe oficial para 2027 e 2028. A segunda vaga está entre Moreira e o colombiano David Alonso, contratado pela fabricante em julho, e o perdedor deve correr na LCR ao lado de Zarco. A decisão ainda não foi anunciada. “Estou fazendo o meu trabalho e acho que estamos indo na direção certa”, disse Moreira ao Motorsport.com no início de setembro. “Tive mais pressão no ano passado, brigando pelo título da Moto2.”

O box da Honda chega desfalcado a Motegi. Joan Mir está fora dos GPs do Japão e da Indonésia por orientação médica, depois de sintomas que ainda não têm diagnóstico fechado, e será substituído pelo tailandês Somkiat Chantra, vencedor da Moto2 em Motegi em 2023. O japonês Takaaki Nakagami corre como convidado.

Viñales volta, e Ogura corre em casa

Maverick Viñales está de volta. O piloto da Tech3 KTM não corre desde o GP da Alemanha, em julho, quando uma lesão antiga no ombro esquerdo se agravou, e perdeu as etapas da Inglaterra, de Aragão, de San Marino e da Áustria. Ele já deu voltas no teste da Pirelli na Áustria. “Ainda não estou 100%, mas estou no caminho certo e me sinto pronto para dar esse próximo passo”, disse.

Outro personagem do fim de semana é Ai Ogura. O japonês da Trackhouse, que venceu pela primeira vez na MotoGP em Assen, em junho, é o sexto do campeonato e chega para o GP de casa com dois quartos lugares na Áustria. Em 2025, não conseguiu largar em Motegi no domingo.

Horários do GP do Japão de MotoGP (Brasília)

O Japão está 12 horas à frente de Brasília, então quase tudo acontece de madrugada ou à noite no Brasil. A programação oficial da MotoGP, convertida para o horário de Brasília:

  • Treino livre 1: quinta-feira (1º), às 22h45
  • Treino que define os classificados para o Q2: sexta-feira (2), às 3h
  • Treino livre 2: sexta-feira (2), às 22h10
  • Classificação: sexta-feira (2), Q1 às 22h50 e Q2 às 23h15
  • Corrida sprint: sábado (3), às 3h
  • Warm-up: sábado (3), às 21h40
  • Moto3: sábado (3), às 23h
  • Moto2: domingo (4), à 0h15
  • Corrida da MotoGP: domingo (4), às 2h

Onde assistir ao GP do Japão

A ESPN tem os direitos do Mundial de Motovelocidade no Brasil em 2026. O GP do Japão passa na ESPN 4 e no Disney+, sem transmissão em TV aberta. A alternativa oficial é o MotoGP VideoPass, o streaming pago da categoria. Os detalhes de canais, narração e preços estão no guia de onde assistir à MotoGP em 2026.

O que Motegi ensina sobre alta performance

A briga entre Martín e Márquez opõe dois jeitos de ganhar um campeonato. Martín lidera com uma única vitória de domingo em 15 etapas porque quase sempre leva pontos para casa: é constância. Márquez tem cinco vitórias e está atrás porque ficou duas etapas fora e, na volta, alternou vitórias com três sétimos lugares. Nos sete fins de semana que restam, os dois modelos vão ser testados, e o do espanhol da Aprilia ainda depende de um antebraço que não está 100%.

Moreira mostra o outro lado da alta performance, o da curva de aprendizado. Um estreante numa moto que não sobe ao pódio o ano inteiro não mede a temporada pela posição no campeonato, mas pelo que entrega sempre que a moto e a pista deixam. Foi isso que o teste da Pirelli mostrou: quando todos largaram do mesmo ponto, com a moto de 2027, o brasileiro foi o mais rápido. Processo mais tempo é igual a resultado.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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