Nesta quinta-feira (8), a Mattel colocou nas lojas uma Barbie com o uniforme que Serena Williams usou no título do Australian Open de 2005. É o segundo boneco dela lançado em 2026 e mais um contrato numa lista de dez patrocinadores de longo prazo. O detalhe que diz mais sobre a Serena de hoje, porém, não está na prateleira. Está na agenda: segundo a própria, cerca de 90% do seu tempo profissional vai para um fundo de investimentos, a Starfire Ventures, antiga Serena Ventures.
Serena Williams empresária não é um rótulo de aposentadoria. A Forbes estima o patrimônio dela em US$ 400 milhões, o maior entre as mulheres que enriqueceram principalmente como atletas, e o fundo que ela começou em 2014, ainda número 1 do mundo, já investiu em 16 empresas que passaram de US$ 1 bilhão de avaliação. Nem tudo deu certo, e 2026 ainda trouxe uma volta às quadras que ninguém esperava.

Serena Williams é bilionária? O que diz a Forbes
Não. A Forbes estimou o patrimônio de Serena Williams em US$ 400 milhões em junho de 2026, e repetiu o número em agosto. É uma fortuna sem paralelo entre mulheres do esporte, mas fica longe do bilhão. A diferença para Roger Federer, que virou bilionário com 3% de uma marca de corrida, ajuda a entender o que separa as duas carreiras fora da quadra: Federer tem uma participação grande numa empresa que abriu capital; Serena tem um portfólio espalhado em dezenas de apostas menores.
Na conta da Forbes, Serena juntou quase US$ 450 milhões antes de impostos até o primeiro adeus, em 2022. Somados os anos seguintes, a renda de carreira chega a cerca de US$ 620 milhões. Só nos 12 meses anteriores a junho de 2026 foram US$ 50 milhões, antes de impostos e comissões.
Em quadra, ela ganhou US$ 94,8 milhões em prêmios, ainda o maior valor da história do circuito feminino. A segunda colocada, Aryna Sabalenka, que já fatura US$ 23 milhões por ano em patrocínios, tem pouco mais da metade disso.
| Indicador | Valor | Fonte e data |
|---|---|---|
| Patrimônio estimado | US$ 400 milhões | Forbes, junho de 2026 |
| Renda de carreira (dentro e fora da quadra) | Cerca de US$ 620 milhões | Forbes, junho de 2026 |
| Prêmios em quadra na carreira | US$ 94,8 milhões | Forbes e WTA |
| Ganhos em 12 meses (ranking de tenistas) | US$ 40,1 milhões, 3ª do mundo | Forbes, agosto de 2026 |
| Prêmios em quadra nesse período | US$ 131.932 | Forbes, agosto de 2026 |
| Fundo inaugural da Serena Ventures | US$ 111 milhões | Bloomberg, março de 2022 |
| Empresas do portfólio que viraram unicórnio | 16 | Starfire Ventures, julho de 2026 |
No ranking dos tenistas mais bem pagos de 2026, publicado pela Forbes no fim de agosto, Serena aparece em terceiro lugar, atrás de Jannik Sinner e Carlos Alcaraz. Dos US$ 40,1 milhões, menos de US$ 132 mil vieram de prêmios. O resto é patrocínio, palestra e negócios.
Serena Williams empresária: como nasceu a Serena Ventures
A Serena Ventures nasceu em 2014, quando Serena ainda dominava o circuito, e passou cinco anos sem anúncio público. Ela só contou que investia em startups em 2019, numa postagem no Instagram. No ensaio em que anunciou a saída das quadras, publicado pela Vogue em agosto de 2022, resumiu assim: “Alguns anos atrás, eu comecei discretamente a Serena Ventures”.
A motivação, segundo ela mesma contou em entrevistas, veio de uma palestra em que ouviu que menos de 2% do capital de risco nos Estados Unidos ia para empresas fundadas por mulheres, e menos ainda para fundadores negros. Serena decidiu ficar do lado de quem assina o cheque.
Durante anos, o dinheiro foi dela. Em março de 2022, a gestora fechou o primeiro fundo com dinheiro de terceiros: US$ 111 milhões, segundo a Bloomberg, com investidores institucionais como Norwest, CapitalG (braço de investimentos da Alphabet), a Kapor Foundation e o banco LionTree. Na época, 78% das empresas do portfólio tinham sido fundadas por mulheres ou pessoas negras e de outros grupos sub-representados.
Entre os primeiros cheques estavam a plataforma de cursos MasterClass, a fabricante de equipamento de musculação Tonal e o aplicativo de emagrecimento Noom, todas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão nas rodadas de 2021. A fintech Esusu, que ajuda inquilinos a construir histórico de crédito, entrou no clube dos unicórnios em 2022. A história de método vem de casa: o pai, Richard Williams, escreveu um plano de 78 páginas para a carreira das filhas antes de elas nascerem.
Starfire Ventures: o fundo que deixou de ter o nome dela
Em julho de 2026, a Serena Ventures virou Starfire Ventures. A gestora mantém Serena como sócia-diretora e Beth Ferreira, que chegou em 2024, como sócia. Em entrevista à Fast Company, Serena explicou a troca: “Eu queria que fosse maior do que eu”. E completou que quer uma empresa “para a qual as pessoas olhem daqui a muitos anos”.
Os números divulgados na mudança: 16 unicórnios no portfólio, cinco saídas (venda ou abertura de capital de empresas investidas) e cerca de 70% das empresas lideradas por mulheres ou por fundadores de grupos sub-representados. Ao todo, ela já apoiou mais de 90 startups, somando os investimentos pessoais e os do fundo. A Serena Ventures segue cuidando desse portfólio antigo; a Starfire é o veículo novo, com cheques iniciais de US$ 5 milhões a US$ 10 milhões em empresas de tecnologia e inteligência artificial, segundo Ferreira.
A troca de nome também resolveu um problema jurídico. Em agosto, o tribunal de marcas dos Estados Unidos negou o registro de “Serena Ventures”, pedido desde novembro de 2020, por conflito com a marca “Serena” de uma gestora da Flórida que já atuava com investimentos. A defesa de Serena informou que o pedido “não está mais sendo buscado” e chamou a decisão de “comercial”.
O discurso da empresária é de retorno, não de causa. “Investimos apenas em vencedores”, disse à Fast Company Brasil. “Isso não é filantropia. Mulheres não fazem negócios como filantropia, e pessoas negras também não.” Se a empresa não tiver potencial de devolver o fundo inteiro, ela não entra.
As marcas próprias: S by Serena e Wyn Beauty
Os negócios em que Serena colocou o próprio nome na embalagem tiveram resultado bem mais modesto que os investimentos.
S by Serena, a linha de roupas
A marca de roupas nasceu em 2018, vendida direto ao consumidor pelo site dela, e ganhou o nome S by Serena no ano seguinte, com tamanhos para vários tipos de corpo. Em janeiro de 2024, a operação foi suspensa e, desde 31 de janeiro daquele ano, as coleções não estão mais à venda. O comunicado falava em “novos projetos”, que não vieram com esse nome. Hoje, o endereço da marca leva ao site pessoal de Serena. A parceria de moda que segue ativa é com a Nike, na Serena Williams Design Crew, grupo de designers formado pelo programa de aprendizes da marca.
Wyn Beauty, a marca de maquiagem
A Wyn Beauty estreou em abril de 2024 em 685 lojas da rede americana Ulta, em sociedade com o grupo indiano Good Glamm. O parceiro fechou as portas em julho de 2025. Segundo dados da YipitData publicados pela Beauty Independent, a fatia da Wyn nas vendas de maquiagem da Ulta caiu de cerca de 0,24% no lançamento para 0,04% em dezembro de 2024, com produtos em liquidação.
Em 9 de outubro de 2026, o site da marca estava fora do ar e as páginas da Wyn na loja virtual da Ulta não exibiam produtos. Não houve anúncio oficial de encerramento.
Dona de times: Dolphins, Angel City, Toronto Tempo e golfe
O braço mais antigo do portfólio é o de equipes esportivas, e é ele que mostra a lógica de Serena: entrar cedo em ligas que ainda não valiam o que valem hoje.
- Miami Dolphins (NFL), 2009. Serena e Venus compraram uma pequena participação no time e viraram as primeiras mulheres negras com fatia de uma franquia da NFL, segundo o próprio clube.
- Angel City FC (NWSL), 2020. Serena entrou no grupo fundador do time de futebol feminino de Los Angeles, com o marido, Alexis Ohanian, como principal investidor, e a filha Olympia entre os sócios. Em 2024, Willow Bay e Bob Iger compraram o controle numa avaliação de US$ 250 milhões, a maior da história do esporte feminino até então.
- Los Angeles Golf Club (TGL), 2023. Serena, Venus e Ohanian fundaram a primeira equipe anunciada da liga de golfe indoor de Tiger Woods e Rory McIlroy.
- Toronto Tempo (WNBA), 2025. Serena entrou no grupo de donos da primeira franquia canadense da liga de basquete feminino, com participação não divulgada. O Tempo estreou em 2026 e bateu o recorde de público da temporada regular da WNBA: 20.996 torcedores no Bell Centre, em Montreal, em 10 de julho. A média em casa foi de 10.828 pessoas.

Nike e os patrocínios que continuaram depois da quadra
O primeiro grande contrato veio no fim dos anos 1990: a Puma pagou cerca de US$ 12 milhões, segundo a imprensa da época. Em dezembro de 2003, Serena assinou com a Nike. A empresa confirmou apenas um acordo de vários anos; uma fonte ouvida pela agência AP falou em perto de US$ 40 milhões por cinco anos, com bônus por títulos de Grand Slam e pela liderança do ranking. O valor nunca foi oficializado e segue como estimativa de imprensa.
Segundo a Forbes, são 23 anos de Nike. Em 2022, a empresa inaugurou na sede de Beaverton, no Oregon, o Serena Williams Building, maior prédio do campus, com cerca de 93 mil metros quadrados (1 milhão de pés quadrados). Serena participou do projeto.
A carteira de patrocínios encolheu menos do que se esperava depois de 2022. A Forbes conta dez parceiros de longo prazo em 2026, quatro deles desde antes da primeira despedida: Audemars Piguet, Lincoln, Nike e Wilson. Entre os mais recentes estão Barbie, Heineken e a empresa de saúde Ro. Em 2023, ela abriu ainda uma produtora, a Nine Two Six Productions. Palestras corporativas, de acordo com a Forbes, podem render cachê de sete dígitos em dólares.
Evolução, não aposentadoria: o plano que começou na quadra
A frase que define a transição está no ensaio da Vogue de 2022: “Eu nunca gostei da palavra aposentadoria”. Serena escreveu que a melhor palavra para o que estava fazendo era evolução, e que estava “evoluindo para longe do tênis” em direção a outras coisas importantes para ela, a família em primeiro lugar.
O ponto que interessa a qualquer atleta é a ordem dos fatores. O fundo nasceu oito anos antes da despedida. Os times da NFL e da NWSL entraram no portfólio com ela em atividade. Quando parou, Serena não precisou inventar uma segunda carreira: só mudou o centro da agenda.

A volta às quadras em 2026
Em 1º de junho de 2026, aos 44 anos, ela anunciou a volta ao circuito, quase quatro anos depois do último jogo. A agenda foi curta:
- Queen’s (duplas, com Victoria Mboko): vitória na estreia, 1.375 dias depois do último jogo oficial. A parceira se machucou antes das quartas.
- Berlim (duplas, com Karolína Muchová): derrota na primeira rodada.
- Wimbledon (simples): derrota na primeira rodada para a australiana Maya Joint, de 20 anos, por 6/3, 6/7 e 6/3. Uma lesão no joelho tirou Serena das duplas com Venus.
- Cincinnati (duplas, com Venus): derrota na estreia no match tie-break.
- US Open: quartas de final nas duplas mistas ao lado de Carlos Alcaraz e derrota na estreia das duplas femininas com Venus, de novo diante de Maya Joint, agora com Chan Hao-ching.
No fim de agosto, Serena disse que “provavelmente” voltaria a jogar simples, mas que a volta não seria permanente. O motivo declarado é familiar: que as filhas, Olympia e Adira, a vissem competir. “Eu não estava voltando para ganhar Grand Slams. Tenho um trabalho em tempo integral”, afirmou à Fast Company Brasil. Em junho, o anúncio do wild card em Wimbledon sacudiu o torneio; nos bastidores, a empresa seguiu funcionando sem ela na quadra.
O que Serena Williams ensina sobre alta performance
A carreira empresarial de Serena repete o que fez dela campeã: processo longo, decisão antes da hora e disposição para errar em público. O fundo levou oito anos até o primeiro dinheiro de terceiros. A marca de maquiagem, com o nome dela na caixa, não pegou. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo.
Três lições aparecem na trajetória. A primeira é que o atleta é uma empresa: renda, imagem e patrimônio são trabalho, feito enquanto o atleta ainda compete, não depois. A segunda é que prioridade não é equilíbrio: durante os anos de quadra, o tênis ficou no centro e o fundo cresceu devagar ao lado; em 2022, a ordem mudou de forma consciente. A terceira é que o atleta não é o resultado dele. Serena conseguiu voltar a Wimbledon aos 44 anos por prazer, sem depender de prêmio, porque a identidade e o dinheiro dela já não estavam presos a uma chave de torneio.
Poucos atletas terão 23 Grand Slams para transformar em cheques. A pergunta que a trajetória deixa é outra: qual parte da vida fora da quadra o atleta está construindo enquanto ainda compete.
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Perguntas frequentes sobre Serena Williams empresária
Serena Williams é bilionária?
Não. A Forbes estimou o patrimônio dela em US$ 400 milhões em junho de 2026. É o maior entre as mulheres que enriqueceram principalmente como atletas, mas abaixo de US$ 1 bilhão.
O que é a Serena Ventures?
É a gestora de capital de risco que Serena fundou em 2014. Levantou um fundo de US$ 111 milhões em 2022 e, em julho de 2026, passou a se chamar Starfire Ventures. O portfólio tem 16 empresas que passaram de US$ 1 bilhão de avaliação, como MasterClass, Tonal, Noom e Esusu.
De quais times Serena Williams é dona?
Ela tem participações minoritárias no Miami Dolphins (NFL), desde 2009, no Angel City FC (futebol feminino dos EUA), desde 2020, no Los Angeles Golf Club (TGL), desde 2023, e no Toronto Tempo (WNBA), desde 2025.
Quando Serena Williams se aposentou?
Ela anunciou em agosto de 2022, na revista Vogue, que estava “evoluindo para longe do tênis” e jogou o último torneio daquele ciclo no US Open de 2022. Em junho de 2026, voltou ao circuito com uma agenda curta.
Serena Williams ainda joga tênis?
Sim, de forma pontual. Em 2026 ela disputou Queen’s, Berlim, Wimbledon, Cincinnati e o US Open, a maioria em duplas. Disse que deve voltar a jogar simples, mas que o retorno não é permanente.







