Rebeca Andrade voltou a um Mundial depois de três anos e terminou a classificatória onde costuma terminar: em primeiro no salto. Com média de 14,533 na segunda-feira (19), no Rotterdam Ahoy, a maior medalhista olímpica do Brasil vai à final do aparelho no sábado (24) como candidata ao tricampeonato mundial. Na trave, uma queda a deixou fora da decisão.
A classificatória feminina terminou com o Brasil em quatro finais, com cinco vagas: a final por equipes, nesta quarta-feira (21), a do salto com Rebeca, a da trave com Flávia Saraiva e a do individual geral com Flávia e Lorrane Oliveira. A seleção entrou entre as oito equipes finalistas na última vaga, com 0,168 ponto de vantagem sobre a Grã-Bretanha.

Rebeca Andrade lidera o salto com média de 14,533
Rebeca fechou a apresentação do Brasil no salto, último aparelho da equipe na subdivisão 9. No primeiro, um Yurchenko com dupla pirueta, tirou 14,400 (5,0 de dificuldade e 9,400 de execução). No segundo, um Lopez, somou 14,266 (4,8 de dificuldade e a maior execução das duas tentativas, 9,466).
A média entre os dois saltos dá 14,333. Os 14,533 oficiais incluem a bonificação de 0,2 que o código de pontuação dá na classificatória de salto a quem apresenta dois saltos de grupos diferentes. Todas as oito finalistas receberam o bônus, então a comparação continua justa.
A sul-coreana Yeo Seo-jeong, ouro nos Jogos Asiáticos e uma das ameaças apontadas antes do torneio, ficou em segundo, com 14,483. Ela fez o salto de maior nota da classificatória (14,566), mas teve 14,000 no segundo. A americana Claire Pease, dona do Cheng, terminou em terceiro, com 14,283. Completam a final a canadense Lia-Monica Fontaine (14,099), a americana Skye Blakely (14,066), a canadense Ellie Black (13,933), a britânica Abigail Martin (13,850) e a mexicana Victoria Mata (13,816).
O Cheng, salto mais difícil do repertório de Rebeca, com 5,6 de dificuldade, ficou fora da classificatória, como o técnico Francisco Porath tinha indicado no treino de pódio. A troca para a final depende da confiança dela. “Estou me sentindo muito bem com a dupla e o Lopez. Me sinto muito segura com eles. E a gente só vai trocar se eu sentir a mesma coisa com o Cheng”, disse Rebeca ao Olimpíada Todo Dia.

A queda na trave e a meta da 10ª medalha em Mundiais
Na trave, Rebeca escorregou em um elemento acrobático, caiu e terminou com 13,033 (5,5 de dificuldade e 7,533 de execução), na 41ª colocação. A nota ainda entrou na conta da equipe, porque a de Lorrane Oliveira (12,466) foi a descartada. “Eu tô muito feliz e muito orgulhosa. Os erros fazem parte”, disse a ginasta. “Já no meu salto, eu me senti muito orgulhosa, espero que para o final eu consiga melhorar ainda mais.”
Rebeca não disputa o individual geral porque não compete mais no solo e deixou as barras assimétricas fora do programa de 2026. Por isso, em Roterdã, ela tem duas chances de medalha: a final por equipes e a do salto.
Dona de nove medalhas em Mundiais, três delas de ouro (salto em 2021 e 2023 e individual geral em 2022), Rebeca busca a 10ª. A última vez que competiu em um Mundial foi em Antuérpia, em 2023, quando saiu com cinco medalhas. Em 2025, ela tirou um ano sem competir. A história dessa pausa e da volta está em Rebeca Andrade volta ao Mundial: a cabeça de quem parou e se reconstruiu.
Flávia Saraiva é a 3ª na trave e vai a duas finais
A melhor brasileira da classificatória foi Flávia Saraiva. Na trave, tirou 14,400 (6,1 de dificuldade e 8,3 de execução) e ficou em terceiro, atrás apenas das chinesas Zhang Qingying (15,100) e Qiu Qiyuan (14,966). A final do aparelho é no domingo (25).
No individual geral, Flávia somou 53,566 nos quatro aparelhos e terminou em 12º. Além dos 14,400 da trave, teve 13,300 nas barras, 13,000 no salto e 12,866 no solo. A argelina Kaylia Nemour liderou a classificação com 55,999, seguida da americana Skye Blakely (55,465) e da russa Liudmila Roshchina (55,098).

Lorrane Oliveira completa a lista no individual geral
Lorrane Oliveira, bronze por equipes em Paris 2024 ao lado de Rebeca e Flávia, também está na final do individual geral. Ela somou 52,165 e terminou em 22º na classificação oficial da Federação Internacional de Ginástica, dentro das 24 vagas da final. As barras assimétricas foram o ponto alto: 13,700, a maior nota brasileira no aparelho. No solo, tirou 13,133.
Thais Fidelis e Sophia Weisberg, que completaram a equipe na classificatória, não avançaram a finais individuais. Thais teve 13,500 na trave, segunda maior nota brasileira no aparelho. Gabriela Bouças, de 17 anos, segue como reserva e pode ser chamada para a final por equipes.
Brasil na final por equipes por 0,168 ponto
O Brasil somou 159,131 pontos e ficou em oitavo, a última vaga da final por equipes. A Grã-Bretanha terminou em nono, com 158,963. Na classificatória, cada país escala até quatro ginastas por aparelho e só as três melhores notas contam. A seleção fez 40,933 na trave, 40,266 no salto, 39,200 nas barras e 38,732 no solo.
A China liderou com 164,996, à frente dos Estados Unidos (164,529) e da Rússia (163,662). Itália (162,430), Japão (161,630), França (161,430) e Canadá (160,130) completam o grupo. Na final, o formato muda: três ginastas por aparelho e todas as notas valem, sem descarte.
O que está em jogo vai além da medalha. As três primeiras equipes da final garantem vaga nos Jogos de Los Angeles 2028. O Brasil entra como oitavo, a mais de cinco pontos da China, e a meta da comissão técnica para Roterdã era chegar à final. A classificação olímpica do país passa principalmente pelo Mundial de 2027, em Chengdu, que distribui as outras nove vagas por equipe.
No masculino, o Brasil terminou a classificatória em 19º por equipes e não teve ginastas nas finais.

As quatro finais do Brasil no Mundial, em horário de Brasília
Roterdã está 5 horas à frente de Brasília até sábado (24). No domingo (25), a Holanda sai do horário de verão e a diferença cai para 4 horas.
| Dia | Final | Brasileiras | Horário de Brasília |
|---|---|---|---|
| quarta, 21/10 | Final por equipes | Seleção feminina | 14h30 |
| sexta, 23/10 | Individual geral | Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira | 14h30 |
| sábado, 24/10 | Salto | Rebeca Andrade | sessão a partir das 9h |
| domingo, 25/10 | Trave | Flávia Saraiva | sessão a partir das 10h |
As finais por aparelho de sábado e domingo dividem a sessão com outras provas femininas e masculinas, por isso o horário exato de cada uma depende da ordem do dia.
Onde assistir às finais do Mundial de Ginástica
As finais têm transmissão ao vivo do SporTV, na TV por assinatura e no Globoplay com canais, da CazéTV, de graça no YouTube, e do canal Time Brasil, do COB. O guia completo de canais está em Mundial de Ginástica 2026: onde assistir e horários de Rebeca, e a prévia do torneio, com o elenco e as rivais, em Rebeca Andrade estreia segunda no Mundial; Brasil mira vaga em LA 2028.
Perguntas frequentes
Em quantas finais o Brasil está no Mundial de Ginástica de Roterdã?
Quatro: a final por equipes, a do salto com Rebeca Andrade, a da trave com Flávia Saraiva e a do individual geral, que tem duas brasileiras, Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira.
Quando é a final do salto de Rebeca Andrade?
No sábado, 24 de outubro, na sessão de finais que começa às 9h de Brasília. Ela se classificou em primeiro, com média de 14,533.
Rebeca Andrade está na final da trave?
Não. Ela caiu na trave na classificatória, tirou 13,033 e ficou em 41º. A brasileira na final do aparelho é Flávia Saraiva, terceira com 14,400.
Que horas é a final por equipes feminina do Mundial?
Quarta-feira, 21 de outubro, às 14h30 de Brasília, com transmissão do SporTV, da CazéTV e do Time Brasil.
O que a classificatória de Roterdã ensina sobre alta performance
Rebeca caiu na trave e, na mesma noite, fechou o salto com a melhor média da competição. A reação à queda foi a mesma que ela descreveu depois: o erro faz parte, e o próximo aparelho não tem nada a ver com o anterior. Ginástica é o esporte em que essa separação aparece de forma mais crua, porque cada série é avaliada sozinha e a nota ruim não contamina a seguinte, a menos que o atleta deixe.
A escolha do salto vai na mesma linha. Com o Cheng no bolso, Rebeca e Francisco Porath preferiram os dois saltos em que ela se sente segura e deixaram a dificuldade maior para quando a confiança acompanhar. Na alta performance, o atleta que sabe o que executa bem sob pressão costuma ir mais longe do que aquele que leva ao tablado o elemento mais difícil que ainda não domina.
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