Para começar a jogar tênis, bastam três coisas: uma raquete do tamanho certo, um tubo de bolas e um calçado de quadra. O resto da loja entra depois, um item de cada vez, do overgrip ao pressurizador de bolas. E alguns ajudam bem menos do que a embalagem promete.
O exemplo mais claro é o antivibrador. Dois estudos publicados no Journal of Sports Sciences, em 1999 e em 2004, testaram a peça com 20 tenistas cada um e não encontraram redução da vibração que chega ao punho e ao cotovelo. Abaixo, item por item: o que comprar, em que ordem e o que a evidência diz de cada um.
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Quais são os equipamentos de tênis para começar
Raquete, bolas e calçado de quadra. Quadra e rede ficam por conta do clube, e a roupa pode ser qualquer uma que deixe o corpo se mover.
Conhecer onde o tênis machuca ajuda a entender o que vale comprar. Um estudo da federação holandesa acompanhou 3.656 tenistas amadores e registrou 4.047 lesões: 80% por sobrecarga e 20% agudas. O tipo de piso não mudou o índice de lesões, mas quem alternava pisos se machucava mais (Pluim e colegas, British Journal of Sports Medicine, 2018). Entre os amadores, a entorse de tornozelo é a lesão aguda mais comum da perna, e a epicondilite lateral, o famoso “cotovelo de tenista”, domina no braço, segundo revisão publicada no mesmo periódico em 2012.

O calçado: feito para frear e mudar de direção
O tênis de quadra é desenhado para o movimento lateral, com base mais larga e reforço nas laterais; o de corrida é feito para passada em linha reta. No saibro, o piso mais comum nos clubes brasileiros, o jogador desliza para frear; na quadra dura, flexiona mais o joelho, segundo medições biomecânicas publicadas na Sports Biomechanics em 2013. Por isso as marcas vendem solados diferentes para cada piso. Como numeração e forma do pé variam demais, o calçado não entra nesta lista: vale provar na loja.
Acessórios para tênis: o que comprar em cada fase
A ordem de compra segue a ordem em que o jogo cria a necessidade. A tabela resume.
| Acessório | Quando comprar | O que a evidência diz |
|---|---|---|
| Overgrip | Desde o primeiro dia | Cada camada engrossa o cabo em 1/16 de polegada (1,6 mm) |
| Bolas novas | Quando o quique cai | A regra da ITF exige quique de 135 a 147 cm |
| Corda de multifilamento | Na primeira troca de corda | Mais macia; o poliéster não é indicado ao iniciante |
| Raqueteira | Quando passa a levar mais de uma raquete | Calor de 40 °C derruba a tensão da corda |
| Antivibrador | Opcional | Não reduz a vibração que chega ao braço |
| Cotoveleira | Só com dor, junto com o tratamento | Alívio pequeno e de curto prazo |
| Pressurizador de bolas | Experimento | Não há teste independente |
Raquete de tênis para iniciante: cabeça grande e quadro leve
O iniciante joga melhor com cabeça grande e quadro leve. A Wilson indica cabeça de 105 a 110 polegadas quadradas (cerca de 680 a 710 cm²) para quem começa. Na classificação da Tennis Warehouse, as raquetes de “potência”, recomendadas para esse público, vão de 107 a 135 pol² e pesam de 227 a 269 gramas.
O comprimento padrão de adulto é 27 polegadas (68,6 cm), e a regra da ITF permite até 29 (73,7 cm). Para crianças, a USTA recomenda raquetes de 19 a 25 polegadas até os 10 anos. O teste é simples: com a raquete de cabeça para baixo ao lado do corpo, ela deve ficar logo acima do chão.
Tamanho do cabo: L1, L2, L3
O “L” é a circunferência do cabo, medida em polegadas:
| Tamanho | Circunferência |
|---|---|
| L1 | 4 1/8 pol (10,5 cm) |
| L2 | 4 1/4 pol (10,8 cm) |
| L3 | 4 3/8 pol (11,1 cm) |
| L4 | 4 1/2 pol (11,4 cm) |
Para medir: com a mão aberta e os dedos juntos, meça da prega de baixo da palma até a ponta do dedo anelar. Entre dois tamanhos, a Tennis Warehouse recomenda o menor e completar com overgrip.
O cabo importa, mas menos do que se diz. Com 16 tenistas universitários, variar o cabo 1/4 de polegada para mais ou para menos não mudou a atividade dos músculos do antebraço (Hatch e colegas, 2006). Por outro lado, num levantamento com mais de 500 amadores, cabo maior apareceu associado a mais epicondilite no grupo mais velho (Gruchow e Pelletier, 1979).

Ti.S6
HEAD
Cabeça de 742 cm² (115 pol²), 227 g e 68,8 cm, um pouco mais longa que o padrão: quadro de iniciante que perdoa o erro de centro. Quem já joga há anos e quer mais controle tende a migrar para cabeça de 100 pol².
Mais barata, de alumínio: Wilson Tour Slam
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Overgrip: o acessório mais barato e o que mais se troca
O overgrip é uma fita fina que vai por cima do grip de fábrica. Dá aderência, absorve suor, protege o grip original e troca-se em dois minutos. O grip de reposição vai direto no cabo e é mais grosso; o overgrip é a camada descartável por cima.
Existem dois tipos. O seco absorve o suor e é o indicado para quem transpira muito; o clássico é o Tourna Grip azul, que fica mais aderente conforme a mão molha. O aderente funciona melhor em mão seca e escorrega quando encharca.
Não há regra de fabricante para a troca. O sinal é visual: quando fica liso, brilhante ou começa a soltar na ponta, acabou.

Pro Overgrip Comfort (3 unidades)
Wilson
O overgrip mais avaliado da categoria na Amazon, com mais de 2 mil avaliações. Equilíbrio entre aderência e absorção.
Para quem sua muito: Tourna Grip XL Original, rolo com 10
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Bola de tênis: pressurizada, all court ou extra duty
Escolha a bola pelo piso. A extra duty tem feltro mais grosso e dura mais na quadra dura; a regular duty, ou all court, tem menos feltro e é a do saibro, segundo a Tennis Warehouse.
A regra da ITF é exigente: diâmetro de 6,54 a 6,86 cm, massa de 56,0 a 59,4 gramas e quique de 135 a 147 cm quando solta de 2,54 metros sobre concreto. A bola comum é pressurizada e perde quique com o uso. A sem pressão mantém o quique por mais tempo e serve para treino e máquina de bola, mas é mais pesada na raquete.

Os profissionais tratam a bola como variável de desempenho. Wimbledon encomenda 63 mil bolas novas por ano, e as bolas são trocadas depois dos sete primeiros games e, a partir daí, a cada nove, segundo o guia oficial do torneio de 2025. A mesma regra vale no circuito da ATP e da WTA. Na quadra do clube, é comum a mesma lata durar um mês.

Championship Extra Duty (tubo com 3)
Wilson
Feltro reforçado para durar mais na quadra dura. Vendida e entregue pela própria Amazon.
Para o saibro: Babolat Gold All Court, tubo com 3
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E o pressurizador de bolas?
O pressurizador é um tubo que guarda as bolas sob pressão para retardar a perda de quique. Os fabricantes prometem que funciona, mas não há teste independente publicado. Vale como experimento para quem joga muito e usa várias latas por mês.

Restore
Tourna
Guarda as bolas sob pressão entre um jogo e outro. Sem teste independente: compre como experimento.
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Corda de raquete: multifilamento para o braço, poliéster para quem já joga
Para o amador, a corda de multifilamento é a escolha segura. A Tennis Warehouse descreve o multifilamento como macio e confortável, recomendado para quem tem problema no braço, e diz que o poliéster, rígido, não é indicado para iniciantes nem para quem tem lesão. A tripa natural é a mais macia de todas e a que segura melhor a tensão, mas é a mais cara. Uma ressalva: não existe estudo clínico ligando o tipo de corda à epicondilite. A recomendação vem da engenharia, não de ensaio com pacientes.
Toda corda perde tensão. Nos testes do laboratório da Tennis Warehouse University, ela perde até 15 libras (cerca de 7 kg) no primeiro minuto depois de encordoada e até 20 libras nas primeiras 20 batidas. O poliéster perde mais que o náilon, que perde mais que a tripa. A regra de bolso que circula entre encordoadores é trocar a corda, por ano, tantas vezes quanto se joga por semana.

No circuito, o ritmo é outro. Em Wimbledon, a equipe da Babolat trabalhou em 2023 com 22 encordoadores e 16 máquinas, chegando a 500 raquetes num dia forte de primeira rodada, cerca de 20 minutos por raquete.

Sensation (multifilamento, set de 12 m)
Wilson
Multifilamento macio, para quem quer conforto e poupar o cotovelo. O set precisa de encordoador: a loja de tênis do clube faz o serviço.
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Antivibrador: muda o som, não o braço
O antivibrador abafa a vibração da corda, não a do quadro, que é a que chega ao braço. Em 1999, pesquisadores da Kansas State University bateram bolas em raquetes seguradas por 20 tenistas que não viam nem ouviam o impacto. O desconforto relatado foi igual com e sem a peça. O acelerômetro mostrou que ela elimina rápido a vibração de alta frequência da corda e deixa intacta a de baixa frequência do quadro.
Em 2004, na Universidade de Birmingham, outros 20 participantes receberam bolas a 20 m/s. Não houve diferença na vibração no punho nem no cotovelo, nem na força de pegada ou na atividade dos músculos do antebraço. Os autores concluíram que o antivibrador segue popular pelo efeito acústico e psicológico.
Isso não torna a peça inútil. Muitos jogadores preferem o “toc” abafado ao “ping” da corda, e som faz parte da sensação de batida. Pela regra da ITF, ele só pode ficar fora da área onde as cordas se cruzam.

Pro Feel (par)
Wilson
Compre pelo som. Para proteger o cotovelo, corda macia faz mais.
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Cotoveleira para epicondilite: alívio, não tratamento
A cotoveleira alivia a dor no curto prazo, mas não trata a epicondilite. A doença leva o nome do tênis e é comum no esporte: revisões clínicas estimam que até metade dos tenistas terá sintomas em algum momento, com pico entre 40 e 50 anos.
A evidência sobre a tira de contraforça é modesta. Uma revisão da Cochrane de 2002 não conseguiu tirar conclusão definitiva. Uma metanálise de 2020, com 17 ensaios e 1.145 participantes, achou melhora pequena e incerta no curto prazo, e a fisioterapia foi melhor no longo prazo. Num ensaio duplo-cego australiano, a tira real reduziu a dor em repouso entre 2 e 12 semanas, mas o grupo da tira placebo também melhorou.
O dado mais útil é o mais antigo. No levantamento de 1979 com mais de 500 amadores, mudar a técnica e a raquete funcionou para evitar a volta da lesão; a tira de antebraço foi a estratégia menos bem-sucedida. Com dor no cotovelo, o caminho é médico e fisioterapeuta, e a cotoveleira entra como apoio.

Tennis Elbow ajustável
Hidrolight
Tira de contraforça ajustável, de marca brasileira de ortopedia esportiva. Use junto com o tratamento, não no lugar dele.
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Raqueteira: o inimigo da corda é o porta-malas
A raqueteira serve menos para carregar e mais para proteger a corda do calor. Num teste da Tennis Warehouse University, expor a corda a 40 °C, simulando a raquete esquecida no carro num dia quente, provocou queda de tensão de 30% a 76% maior do que em temperatura ambiente. O náilon é mais sensível que o poliéster. A regra prática: raquete vai no banco, com o ar ligado, ou fica em casa.

Advantage Team (3 raquetes)
Wilson
Leva até três raquetes, bolas, garrafa e roupa. É a bolsa de entrada da Wilson.
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O que nenhum acessório resolve
Os três estudos mais sólidos desta lista apontam para o mesmo lugar. O antivibrador não protege o cotovelo, a tira de antebraço perde para a correção de técnica e o cabo 1/4 de polegada fora do ideal não muda a musculatura. O que decide a saúde do braço e a evolução no jogo é técnica, volume de treino bem dosado e equipamento básico em dia: corda trocada, bola com quique, overgrip novo.
É o mesmo raciocínio dos profissionais, que trocam bola a cada nove games e reencordoam raquete toda partida porque controlam o que está sob controle. O amador pode fazer a versão barata disso. E a parte que mais pesa não se compra: é a cabeça, o tema do método mental por trás dos 24 Grand Slams de Djokovic e de um livro que atravessou 50 anos em quadra.

O Jogo Interior do Tênis
W. Timothy Gallwey
O clássico de 1974 sobre o adversário que joga dentro da cabeça. Vale mais que qualquer acessório desta lista.
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Leia também: os 10 melhores livros para atletas de alta performance e o guia de acessórios para CrossFit, com a mesma análise.
Perguntas frequentes sobre acessórios para tênis
Quais são os equipamentos de tênis?
Raquete, bolas e calçado de quadra. Quadra e rede ficam por conta do clube.
Qual raquete de tênis comprar para iniciante?
Cabeça grande, de 105 polegadas quadradas (cerca de 680 cm²) para cima, e quadro leve, abaixo de 270 gramas. O comprimento padrão de adulto é 27 polegadas (68,6 cm).
O que é L1, L2 e L3 na raquete de tênis?
É o tamanho do cabo: L1 tem 4 1/8 polegadas de circunferência, L2 tem 4 1/4 e L3 tem 4 3/8. Entre dois tamanhos, escolha o menor e complete com overgrip.
Quando trocar o overgrip?
Quando perde a aderência: fica liso, brilhante ou começa a soltar. Quem sua muito troca mais cedo.
Antivibrador serve para quê?
Para mudar o som e a sensação da batida. Estudos mostram que ele não reduz a vibração que chega ao punho e ao cotovelo.
Qual a diferença entre bola extra duty e all court?
A extra duty tem feltro mais grosso e dura mais na quadra dura. A all court (regular duty) tem menos feltro e é indicada para o saibro.
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Foto de capa: Jannik Sinner prepara o saque em Roland Garros 2025. Like tears in rain (CC BY-SA 4.0).







