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Alcaraz atropela De Minaur e fecha 2026 invicto nos ATP 500

Carlos Alcaraz bate um forehand de frente para a câmera no Erste Bank Open, em Viena

Carlos Alcaraz precisou de 97 minutos para transformar a final de Viena em demonstração de força. Neste domingo (1º), o espanhol venceu o australiano Alex de Minaur por 6/1 e 6/4, na Wiener Stadthalle, e conquistou pela primeira vez o Erste Bank Open, torneio de nível ATP 500 disputado em quadra dura coberta.

O título vale mais do que um troféu inédito. É o 28º da carreira do espanhol de 23 anos, o quarto da temporada e o fecho de um ano perfeito na categoria: 16 vitórias em 16 jogos de ATP 500 em 2026. Alcaraz não perdeu nenhum set na semana e chega embalado ao Masters 1000 de Paris, que começa nesta segunda-feira (2).

Um primeiro set de 37 minutos

A final começou com Alcaraz em ritmo de atropelo. Segundo o Tennis Majors, ele abriu 4/0 e fechou o primeiro set em 6/1 em apenas 37 minutos, convertendo três dos quatro break points que teve. De Minaur, conhecido pela defesa e pela velocidade de pernas, levou cinco dos sete games ao deuce, de acordo com a ATP, mas não conseguiu conter a combinação de potência e precisão do adversário.

O saque sustentou o domínio. Alcaraz terminou a partida com 81% de aproveitamento nos pontos jogados com o primeiro serviço, 29 de 36, segundo a contagem oficial da ATP. Com isso, quase não ofereceu ao australiano oportunidades de pressionar nos games em que sacava.

Deixadinha, lob e forehand: o ponto do título

No segundo set, De Minaur cresceu. Número 10 do mundo e quinto cabeça de chave, o australiano salvou break points no segundo, no quarto e no oitavo games e manteve o placar equilibrado até o fim. A resistência terminou no décimo game, com Alcaraz devolvendo e liderando por 5/4.

Com 30/40 no placar, o espanhol teve o primeiro match point e o resolveu com um repertório que virou marca registrada. Segundo a Associated Press, ele puxou o rival à rede com uma deixadinha de backhand cortado, encobriu De Minaur com um lob de backhand e, depois de uma volta do australiano perto da rede, fechou com um forehand cruzado que caiu dentro da quadra.

“Eu tentei ser agressivo e mostrar a ele que, se quisesse vencer, teria de jogar melhor, de forma mais agressiva, mais sólida, e ser mais inteligente do que eu”, disse Alcaraz, segundo a ATP. “Estou muito feliz porque no fim encontrei o meu caminho e joguei muito bem. Foi uma semana muito emocionante e incrível para mim.”

Carlos Alcaraz se estica e desliza para alcançar uma bola na semifinal contra Daniil Medvedev no ATP 500 de Viena
Alcaraz na semifinal contra Daniil Medvedev, em Viena. Foto: ATP Tour

16 a 0: a temporada perfeita nos ATP 500

Viena completou uma campanha sem derrotas na categoria. Em 2026, Alcaraz já havia sido campeão dos ATP 500 de Doha e de Tóquio, e agora soma 16 vitórias em 16 partidas desse nível no ano. Segundo a ATP, a sequência total chega a 26 vitórias seguidas em ATP 500, já que a última derrota foi na final de Barcelona, em abril de 2025, para o dinamarquês Holger Rune.

Com o título austríaco, o espanhol chega a 11 troféus de ATP 500 desde a criação da categoria, em 2009. Na lista histórica, só fica atrás do trio que dominou o circuito por duas décadas: Roger Federer, com 16, e Novak Djokovic e Rafael Nadal, com 15 cada. Andy Murray, com nove, já ficou para trás.

A temporada inteira também impressiona. Alcaraz tem 38 vitórias e cinco derrotas em 2026, segundo o índice de vitórias da ATP, e venceu o Australian Open em janeiro, conquista que completou o Grand Slam de carreira e elevou para sete o número de títulos de Grand Slam, de acordo com a AP. Pelo Tennis Majors, ele agora tem 28 títulos em 37 finais disputadas no circuito.

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Um convite aceito e cinco vitórias sem perder set

A presença de Alcaraz em Viena não estava no roteiro original. O espanhol aceitou um convite (wild card) da organização, anunciado pela ATP em 15 de outubro, e entrou na chave como segundo cabeça de chave. “Eu diria que foi a melhor decisão que poderíamos tomar”, afirmou na cerimônia de premiação, segundo o Tennis Majors, antes de agradecer ao diretor do torneio e dizer ao público: “Este troféu é sempre de vocês”.

O caminho até a final teve mais aperto do que os placares sugerem. Na estreia, Alcaraz passou por Karen Khachanov por 6/4 e 7/6 (5). Na segunda rodada, venceu o georgiano Nikoloz Basilashvili por 6/1 e 7/6 (11), depois de salvar quatro set points no tie-break, segundo a ATP. Nas quartas, bateu o americano Tommy Paul, sétimo cabeça, por 6/4 e 7/6 (2).

Na semifinal de sábado, superou o russo Daniil Medvedev, terceiro cabeça, por 6/4 e 7/6 (2), e devolveu a derrota sofrida na semifinal de Indian Wells, no início do ano, quando perdeu por 6/3 e 7/6 (3). Quatro dos cinco jogos da semana tiveram tie-break, e Alcaraz venceu todos.

O título também entra na história do torneio. Alcaraz é o terceiro espanhol campeão do Erste Bank Open, depois de Feliciano López, em 2004, e David Ferrer, em 2015. Em sua única participação anterior, em 2021, havia parado na semifinal diante do alemão Alexander Zverev, por 6/3 e 6/3. É ainda o segundo título dele em quadra coberta, depois de Roterdã, em 2025, quando também derrotou De Minaur na final.

De Minaur ainda procura a primeira vitória

Para De Minaur, a final repetiu um roteiro conhecido. O australiano de 27 anos perdeu os sete confrontos contra Alcaraz e caiu pela terceira vez diante dele em uma decisão, depois de Queen’s, em 2023, e Roterdã, em 2025. Segundo a AP, o espanhol já o derrotou na grama, no saibro e em quadras duras abertas e cobertas. Pela ATP, Alcaraz está agora 15 a 0 contra tenistas australianos no circuito.

A derrota interrompeu uma sequência forte. Campeão em Roterdã nesta temporada, De Minaur chegou à final invicto em dez partidas indoor em 2026 e havia eliminado o cabeça de chave 1, Zverev, por 6/4, 1/6 e 7/6 (4), na semifinal. Foi a primeira vitória dele sobre o alemão fora de competições por equipes, segundo o Tennis Majors.

Carlos Alcaraz sorri e segura o troféu do Erste Bank Open cercado pela equipe na quadra central de Viena
Alcaraz divide o troféu de Viena com a equipe. Foto: e-motion/Bildagentur Zolles KG/Christian Hofer

“Eu me sinto muito em casa aqui em Viena. Joguei alguns dos meus melhores tênis aqui”, disse o australiano na cerimônia, segundo o Tennis Majors. Ao falar do que chamou de “um ano interessante”, completou: “Tenho orgulho de estar aqui, de pé, ainda lutando, e estou animado com o que resta desta temporada”. Ele segue na briga por uma das últimas vagas para o ATP Finals, em Turim.

Próxima parada: Paris, com Zverev no topo do ranking

O troféu chega na mesma semana em que o circuito masculino troca de líder. Nesta segunda-feira, Zverev assume o número 1 do mundo pela primeira vez, com Jannik Sinner fora do restante de 2026 por causa de uma lesão no joelho, anunciada pelo italiano em 6 de outubro. Alcaraz era o número 3 do ranking durante a semana de Viena, segundo a ATP.

O espanhol vai a Paris como segundo cabeça de chave do último Masters 1000 do ano, que vai de 2 a 8 de novembro. Ele estreia direto na segunda rodada, contra o tcheco Jiri Lehecka ou o americano Alex Michelsen. Lehecka foi o rival que ele derrotou na final de Tóquio. Já classificado para o ATP Finals, Alcaraz busca em Paris o quinto título da temporada e o primeiro no torneio francês.

O que isso ensina sobre alta performance

A final de Viena mostra o valor de entrar em quadra com um plano claro. Alcaraz explicou que a equipe conhecia o jogo de De Minaur, de bolas retas e baixas, e que a resposta foi começar a partida “muito focado”, aumentando a velocidade de cada golpe desde o primeiro game. O 4/0 inicial foi consequência direta dessa preparação.

Os quatro tie-breaks vencidos na semana trazem outra lição. Nos momentos de maior pressão, o espanhol manteve a agressividade em vez de recuar, como no ponto do título, construído com deixadinha, lob e forehand. Para atletas e treinadores, a mensagem é que consistência em alto nível nasce da soma de detalhes: estudo do adversário, saque confiável e coragem para manter o próprio estilo quando o placar aperta. O próprio campeão resumiu a semana como um aprendizado “passo a passo” para ganhar confiança na quadra coberta, superfície em que ainda busca evoluir.

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