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Zverev vence em Viena e será o 30º número 1 do mundo na segunda

Alexander Zverev comemora a vitória em Viena que garantiu a liderança do ranking da ATP

Alexander Zverev esperou mais de quatro anos entre a primeira vez em que chegou ao número 2 do mundo e o dia em que o número 1 deixou de ser hipótese. Nesta quinta-feira (29), em Viena, o alemão de 29 anos venceu o holandês Tallon Griekspoor por 6/4 e 7/5, avançou às quartas de final do ATP 500 da capital austríaca e garantiu que vai assumir a liderança do ranking da ATP na próxima segunda-feira, 2 de novembro.

Será o 30º tenista a chegar ao topo desde a criação do ranking, em 1973, e só o segundo alemão, depois de Boris Becker. Ele vai tirar do posto o italiano Jannik Sinner, que ocupava a liderança desde 13 de abril e está fora do circuito desde julho por causa do joelho direito. “É muito especial. Ter a sensação de estar no topo do mundo é incrível”, disse Zverev logo depois do jogo.

Como Zverev venceu Griekspoor em Viena

O adversário não era fácil. Griekspoor chegou a Viena como campeão do torneio de Bruxelas, conquistado na semana passada, e já tinha derrotado Zverev nesta temporada, no Masters 1000 de Montreal. Desta vez, o alemão controlou o jogo do começo ao fim e fechou em 1 hora e 35 minutos.

Segundo as estatísticas oficiais da ATP, Zverev quebrou o saque do holandês uma vez em cada set, disparou 11 aces e venceu 90% dos pontos jogados com o primeiro serviço (35 de 39). Com o resultado, passou a ter 10 vitórias e 3 derrotas no confronto direto com Griekspoor. É a primeira vez na carreira que ele chega a dez vitórias contra um mesmo adversário.

“Eu estava superconcentrado e supermotivado por vários motivos. Mas, claro, ser número 1 era um assunto grande. Acho que joguei uma partida muito boa”, afirmou o alemão. A vaga nas quartas é a sexta dele no torneio de Viena e a 13ª da temporada, a maior marca do circuito em 2026.

A atuação contrastou com a estreia. Na primeira rodada, contra o espanhol Martín Landaluce, Zverev precisou salvar três match points para não ser eliminado, segundo a Federação Alemã de Tênis.

Alexander Zverev posa ao lado de um grande número 1 branco na quadra do ATP 500 de Viena após garantir a liderança do ranking
Zverev posa com o número 1 na quadra de Viena depois da vitória sobre Griekspoor. Foto: AFP/Getty Images, via ATP Tour.

O que muda no ranking da ATP na segunda-feira

A nova lista sai em 2 de novembro e confirma uma virada que parecia improvável no início do ano. Em janeiro, Carlos Alcaraz liderava com 12.050 pontos, Sinner vinha logo atrás com 11.500 e Zverev, terceiro colocado, tinha 5.110, segundo levantamento da BBC. A distância numérica do alemão para os dois primeiros era maior do que a distância dele para o 2.221º colocado do ranking.

As lesões mudaram a conta. Sinner não joga desde 12 de julho, quando derrotou justamente Zverev na final de Wimbledon, e anunciou em outubro que encerraria a temporada para tratar o joelho, como o Atleta Pro contou em Sinner encerra 2026 para tratar o joelho e abre o nº 1 para Zverev. Alcaraz também perdeu boa parte do ano por problemas físicos. No dia 12 de outubro, Zverev já tinha assegurado o número 1 de fim de temporada, tema de Zverev garante o nº 1 de 2026 e é o primeiro alemão no topo do ano. Faltava o número 1 da semana, que agora tem data marcada.

Os números da ascensão, todos confirmados pela ATP:

  • Zverev será o 30º membro do Clube dos Números 1 da ATP.
  • Será o segundo alemão no topo, depois de Boris Becker, que chegou lá em 28 de janeiro de 1991.
  • Com 29 anos e seis meses, será o segundo mais velho a estrear na liderança. Só John Newcombe, que tinha 30 anos em 1974, chegou mais tarde.
  • Será o primeiro jogador fora da dupla Sinner e Alcaraz a liderar o ranking desde Novak Djokovic, em junho de 2024.
  • O circuito passa a ter cinco ex-números 1 em atividade: Zverev, Sinner, Alcaraz, Daniil Medvedev e Djokovic.

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A temporada que levou Zverev ao topo

O número 1 é consequência do melhor ano da carreira do alemão. Em 2026, ele conquistou os dois primeiros títulos de Grand Slam da vida, em Roland Garros e no US Open, foi vice em Wimbledon, semifinalista no Australian Open e finalista no Masters 1000 de Madri. Pelo índice oficial da ATP, soma 64 vitórias e 16 derrotas na temporada.

O currículo já era grande antes disso: dois títulos do ATP Finals, a medalha de ouro olímpica e sete troféus de Masters 1000. Faltavam justamente o Grand Slam e a liderança do ranking, as duas lacunas que perseguiam o ex-prodígio desde a adolescência.

Zverev não foge do debate sobre o contexto. Ele conquistou os dois Grand Slams do ano sem enfrentar Sinner ou Alcaraz e, segundo a BBC, admitiu que “talvez não” seria o melhor do mundo se os dois rivais estivessem saudáveis e no auge. Mas a regra do ranking é simples: vale o que se joga, e ninguém jogou tanto e tão bem quanto ele em 2026. “Foi uma espera, mas às vezes é preciso esperar pelas melhores coisas da vida”, disse o alemão.

Muster, Marcelo Melo e a festa em Viena

A celebração em Viena teve simbolismo próprio. Logo depois da vitória, o austríaco Thomas Muster entrou em quadra para dar as boas-vindas a Zverev ao Clube dos Números 1. Muster chegou à liderança em fevereiro de 1996, ficou seis semanas no topo e segue como o único austríaco a ter ocupado o posto.

A equipe do alemão também desceu à quadra para a comemoração. Entre os presentes estavam o pai e técnico, Alexander Zverev Sr., e o mineiro Marcelo Melo, ex-número 1 do mundo nas duplas e melhor amigo do tenista, segundo a ATP.

“Sem as pessoas que estão no meu box agora, isso não teria sido possível. Esse mérito não é só meu, é de toda a minha equipe”, disse Zverev, em declaração reproduzida pela Federação Alemã de Tênis. Segundo a entidade, ele será apenas o sexto jogador a ter sido número 1 tanto no ranking juvenil quanto no da ATP, depois de Ivan Lendl, Stefan Edberg, Marcelo Ríos, Roger Federer e Andy Roddick.

Alexander Zverev comemora a chegada ao número 1 do mundo com a equipe, o pai Alexander Zverev Sr. e o brasileiro Marcelo Melo em Viena
Zverev comemora com a equipe, que incluiu o pai e o brasileiro Marcelo Melo. Foto: AFP/Getty Images, via ATP Tour.

Sinner, Alcaraz e Djokovic no mesmo dia

A quinta-feira mexeu com os outros nomes da elite. Sinner falou pela primeira vez com mais detalhes sobre a parada, em entrevista à revista D, do jornal italiano la Repubblica. “O corpo é o único adversário que você não consegue vencer. Quando ele manda parar, você precisa aceitar e seguir a orientação dos especialistas”, disse o italiano, sem dar diagnóstico nem prazo de recuperação.

Em Viena, Alcaraz derrotou o georgiano Nikoloz Basilashvili por 6/1 e 7/6 (13/11), em 1 hora e 41 minutos. O espanhol chegou às quartas de final de um torneio da ATP pela 60ª vez na carreira, ampliou para 23 a série de vitórias seguidas em torneios ATP 500 e vai enfrentar o americano Tommy Paul.

Na Basileia, a notícia foi ruim para Djokovic. Um dia depois da virada sobre Ugo Humbert, contada em Djokovic vira sobre Humbert na Basileia e segue na briga por Turim, o sérvio de 39 anos perdeu para o alemão Jan-Lennard Struff por 6/7 (4), 7/5 e 7/6 (5), em 2 horas e 36 minutos. Struff disparou 27 aces e venceu Djokovic pela primeira vez em nove confrontos. A derrota complica a busca do sérvio por uma vaga no ATP Finals de Turim.

Zverev, enquanto isso, segue em quadra em Viena. O próximo adversário é o britânico Arthur Fery, de 24 anos, que eliminou Lorenzo Musetti por 6/4, 5/7 e 6/4. O duelo repete a semifinal de Wimbledon desta temporada.

O que a escalada de Zverev ensina sobre alta performance

A trajetória do alemão tem uma lição que vale para qualquer atleta: consistência paga juros. Zverev não precisou de uma semana mágica para chegar ao topo. Precisou de 64 vitórias, 13 quartas de final e de estar inteiro e competitivo em quase todas as semanas em que os rivais não estavam.

Disponibilidade física é um ativo esportivo. O ranking da ATP premia quem joga, e um ano sem lesões graves vale tanto quanto um golpe a mais no repertório. O próprio Sinner resumiu o outro lado da moeda: o corpo cobra a conta, e a única resposta é planejamento de longo prazo.

Há ainda a dimensão mental. Zverev passou anos carregando o rótulo de talento que não fechava as grandes conquistas. Em vez de esperar o cenário ideal, construiu o ano ponto a ponto, sem pedir desculpas pelo contexto. Na segunda-feira, o nome dele aparece no alto da lista. E, como ele mesmo disse, isso é diferente de qualquer título.

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