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Casper Stornes cai no Havaí e perde a defesa do título em Kona

O triatleta norueguês Casper Stornes correndo no Ironman Frankfurt 2026, com óculos escuros e faixa na cabeça

Casper Stornes estava havia dois dias na Big Island quando saiu para pedalar ao lado do compatriota Gustav Iden, na quinta-feira (24). Uma rajada de vento pegou a roda da frente da bicicleta, o norueguês perdeu o controle e voou por cima do guidão. Quebrou a clavícula e fraturou a terceira vértebra lombar.

O resultado saiu no dia seguinte, num vídeo publicado pelo próprio atleta: o campeão mundial de Ironman está fora de Kona. Stornes não vai defender, no dia 10 de outubro, o título que conquistou em Nice, na França, em setembro de 2025.

Como foi a queda de Casper Stornes no Havaí

O vídeo começa com uma frase que ninguém esperava ouvir de um campeão mundial. “Isto não é um vídeo de IA de mim machucado”, avisa Stornes, com o braço imobilizado. Depois, ele conta o que aconteceu.

“Sofri uma queda ontem, na bike. Dei azar e levei uma rajada de vento muito forte na roda da frente. Ela torceu, perdi o controle da bicicleta e voei por cima do guidão”, disse, segundo a transcrição do site britânico TRI247.

Iden, campeão mundial em Kona em 2022, vinha logo atrás, na roda dele, e escapou por pouco. “Por sorte, não levei o Gustav junto. Como ele escapou daquela é inacreditável”, afirmou Stornes.

No mesmo vídeo, ele lembra que uma tempestade se aproximava da ilha. Segundo a Slowtwitch, o sistema era o Nolo, que ganhou força de furacão na sexta-feira (25) e colocou a Big Island em alerta.

Stornes ainda não sabe se vai operar a clavícula no Havaí ou na Noruega. A decisão depende da conversa com os médicos e com o seguro. Ele tinha acabado de chegar à ilha, vindo de um período de treino em altitude, para se adaptar ao calor e ao vento do percurso.

Veja o vídeo em que Casper Stornes anuncia que está fora de Kona

O título de 2025 que Stornes não vai defender

Stornes venceu o Mundial de 2025 em 14 de setembro, em Nice, com 7h51min39s. Foi um pódio só de noruegueses: Iden terminou em segundo, com 7h54min13s, e Kristian Blummenfelt, campeão olímpico em Tóquio, em terceiro, com 7h56min36s. Na maratona final, Stornes fez 2h29min25s, a primeira corrida abaixo de 2h30 da história de um Mundial de Ironman.

A vitória teve cara de estreia. Era o primeiro Mundial de Ironman dele, só o terceiro Ironman completo da carreira, e também o primeiro que ele venceu. Pelo título, levou US$ 125 mil.

Aos 29 anos, Stornes vem do triatlo olímpico, onde correu por anos ao lado de Blummenfelt e Iden na seleção da Noruega. Em Tóquio 2020, ficou em 11º.

A temporada 2026 vinha sendo sólida. Ele subiu ao pódio no Ironman 70.3 de Oceanside e no Ironman Texas, venceu o Ironman Frankfurt em 28 de junho, numa prova encurtada pelo calor, e terminou em sexto no Mundial de Ironman 70.3, em Nice, no início de setembro.

Casper Stornes sai da água ao lado de Vasco Vilaça na natação do Campeonato Europeu de Triatlo de Munique 2022
Stornes, à direita, sai da água no Campeonato Europeu de Munique, em 2022, ao lado do português Vasco Vilaça. Foto: Sandro Halank/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que a saída muda na briga pelos US$ 200 mil da Pro Series

Kona não vale só o título mundial. A prova fecha a IRONMAN Pro Series 2026, o circuito que soma os cinco melhores resultados de cada atleta na temporada. O vencedor no Havaí leva até 6.000 pontos, e cada segundo de atraso em relação a ele custa 1 ponto.

A classificação antes da última etapa, segundo a Slowtwitch, era esta:

Pos.AtletaPontos
1Kristian Blummenfelt17.124
2Matt Hanson16.744
3Trevor Foley16.689
4Andrea Salvisberg15.560
5Casper Stornes15.032
6Marten Van Riel14.872
7Jonas Schomburg14.678
8Gustav Iden14.272

O quinto lugar enganava. Stornes tinha só quatro resultados válidos, e o quinto viria inteiro de Kona. Nessa conta, era ele o favorito ao título da série: Blummenfelt precisaria cruzar a linha 6min48s à frente do compatriota para ficar com o prêmio.

Agora, Stornes fica parado nos 15.032 pontos e sai da disputa. O campeão da Pro Series leva US$ 200 mil, a maior fatia de um bônus de US$ 1,7 milhão dividido entre os 50 primeiros. Blummenfelt passa a ser o favorito, mas, pelas contas da Slowtwitch, ainda precisa chegar cerca de 4min08s à frente de Van Riel e 54 segundos à frente de Schomburg. Hanson, Foley e Salvisberg já têm os cinco resultados e quase não conseguem somar.

À parte da série, a prova de Kona paga US$ 375 mil em prêmios por gênero, com US$ 125 mil para cada campeão. O detalhe de quanto ganha um profissional ao longo do ano está no levantamento sobre quanto ganha um atleta de Ironman.

Kona volta a ter homens e mulheres no mesmo dia

A edição de 2026 já seria histórica sem a queda do campeão. Pela primeira vez desde 2019, homens e mulheres disputam o Mundial no mesmo dia e no mesmo lugar, na ilha onde a prova nasceu, em 1978.

Nos anos seguintes, o Mundial se espalhou. A edição de 2021 foi disputada em St. George, nos Estados Unidos, em maio de 2022. Em outubro de 2022, Kona recebeu as duas provas em dias separados. De 2023 a 2025, homens e mulheres se alternaram entre Nice e o Havaí, e Stornes venceu justamente na França.

A largada dos profissionais está marcada para as 6h25 do Havaí de sábado, 10 de outubro, 13h25 no horário de Brasília. Horários e transmissão estão no guia de onde assistir ao Ironman Kona 2026.

Sem Stornes, o favoritismo se divide entre nomes que já venceram o Mundial: Iden (Kona 2022), Blummenfelt (2021), o francês Sam Laidlow (2023) e o alemão Patrick Lange, tricampeão, que fará em Kona a última prova da carreira no Havaí. Correm por fora o dinamarquês Magnus Ditlev e o belga Marten Van Riel, vencedor do Ironman Lake Placid.

“Mandando boas energias, Casper! Você com certeza vai voltar mais forte”, escreveu Lange nas redes, na resposta ao vídeo do norueguês.

O Brasil tem uma representante entre os profissionais: Pâmella Oliveira, na prova feminina. Não há brasileiro na elite masculina.

Rodovia Queen Ka'ahumanu entre campos de lava na Big Island do Havaí, trecho do ciclismo do Ironman de Kona
A rodovia Queen Ka’ahumanu cruza os campos de lava da Big Island e recebe a maior parte dos 180 km de ciclismo do Mundial. Foto: dronepicr/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O que isso ensina sobre alta performance

Stornes não teve culpa no vento. Teve controle sobre o que veio depois. Em menos de 24 horas, contou o que aconteceu sem rodeio, mediu o tamanho do estrago e marcou a data da volta. “É muito decepcionante. Fico feliz de não ter me machucado mais. Poderia ter sido muito pior”, disse. E fechou: “Minha pausa de fim de temporada começa duas semanas antes do previsto. Estou fora de Kona 2026 e vou ter que voltar em 2027.”

É a diferença entre tratar a lesão como evento e tratá-la como identidade. O ano de Stornes tem título em Frankfurt, pódios nos Estados Unidos e uma temporada inteira construída para o Havaí. A queda tira a prova, não apaga o processo.

Para o atleta amador, fica o lembrete mais prático: a semana antes da prova-alvo também é treino, e também tem risco. Chegar cedo ao local para adaptar o corpo é parte da preparação, e decidir quando, onde e em que condições pedalar faz parte dela tanto quanto os quilômetros.

No dia 10, Iden e Blummenfelt largam em Kona. Stornes assiste de fora.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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