Sorana Cirstea chegou a Hong Kong como cabeça de chave número 1, integrante do top 20 aos 36 anos e no meio da temporada que ela mesma anunciou como a última da carreira. Saiu nas quartas de final, nesta sexta-feira (6), derrotada por uma jogadora 15 anos mais nova que nunca tinha enfrentado uma adversária do top 20.
A russa Alexandra Shubladze, de 21 anos, 136ª do ranking e vinda do qualifying, venceu por 6/2 e 6/3 e está na semifinal do Prudential Hong Kong Tennis Open, torneio WTA 250. É a primeira chave principal dela no circuito da WTA, e a campanha já soma cinco vitórias seguidas.
Um 6/2 e 6/3 decidido no segundo saque
As estatísticas da partida, publicadas pelo Tennis.com, mostram um jogo equilibrado no primeiro serviço. Cirstea colocou 71% dos primeiros saques em quadra e ganhou 59% desses pontos. Shubladze acertou 69% e venceu 53%. A romena ainda fez os dois únicos aces do jogo.
A diferença apareceu quando a bola de segundo saque entrou em jogo. Cirstea ganhou só 4 dos 16 pontos com o segundo serviço (25%). Shubladze venceu 15 de 19 (79%). Foi ali que a qualifier construiu as quebras.
- Break points: Shubladze converteu 5 de 8; Cirstea, 1 de 8
- Games de saque confirmados: Shubladze 7 de 8; Cirstea 4 de 9
- Duplas faltas: Cirstea 2, Shubladze 1
- Pontos ganhos na devolução do 2º saque: Shubladze 75% (12 de 16); Cirstea 21% (4 de 19)
Em resumo, a cabeça de chave perdeu cinco dos nove games em que sacou. Do outro lado, Shubladze enfrentou oito break points e salvou sete.

Cinco vitórias seguidas desde o qualifying
A semana de Shubladze começou longe da quadra central. No qualifying, ela bateu a chinesa Zhang Ying por 6/4 e 6/3 e a australiana Emerson Jones por 6/4 e 6/2. Jones acabou entrando na chave como lucky loser e caiu na estreia diante de Alexandra Eala, que depois venceu Tereza Valentova pela primeira vez.
Na chave principal, a russa já tinha derrubado uma cabeça de chave na primeira rodada: Liudmila Samsonova, a número 7 do torneio, por 5/7, 6/1 e 6/2. Na segunda rodada, saiu de um set atrás contra a compatriota Elena Pridankina e venceu por 6/7 (6/8), 6/1 e 6/3, em 2h45 de jogo, segundo a WTA.
Contra Cirstea, o roteiro foi outro. Depois de duas viradas, Shubladze ganhou em sets diretos o jogo mais difícil no papel, o primeiro confronto entre as duas.
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O tropeço na temporada de despedida de Cirstea
Em dezembro de 2025, Cirstea anunciou nas redes sociais que 2026 seria o último ano dela no circuito, o 20º como profissional. “Eu amo o tênis. Amo a disciplina, as rotinas, o trabalho duro”, escreveu a romena, segundo a WTA.
O que veio depois surpreendeu até ela. Até o fim de maio, segundo o site oficial de Roland Garros, a romena tinha ganhado o primeiro título em casa, em Cluj-Napoca, vencido pela primeira vez uma número 1 do mundo, em Madri, e estreado no top 20 aos 36 anos.
Em Hong Kong, a campanha já tinha sido de sofrimento. Na estreia, Cirstea passou pela uzbeque Maria Timofeeva por 7/6 (8/6), 1/6 e 7/5 em 3h10. Na segunda rodada, saiu de 2/5 no primeiro set para vencer a americana Mary Stoiana por 7/5 e 6/1. Nas quartas, não conseguiu repetir a reação.

Semifinal contra Claire Liu neste sábado
A adversária de Shubladze na semifinal, neste sábado (7), será a americana Claire Liu, que bateu a turca Zeynep Sonmez por 6/1 e 6/4 nas quartas. Para Liu, é a primeira semifinal da temporada, segundo a WTA.
A outra vaga na final sai dos duelos entre Maria Sakkari e Aliaksandra Sasnovich e entre Alexandra Eala e Antonia Ruzic, também pelas quartas.
O que a vitória ensina sobre alta performance
O placar de 6/2 e 6/3 sugere um passeio, mas o primeiro saque das duas ficou parecido. O jogo foi decidido no segundo serviço: 25% de aproveitamento de um lado, 79% do outro. Para atletas e treinadores, é um lembrete de que o segundo saque é o golpe mais exposto do tênis. É nele que o adversário ataca, e é nele que a pressão do placar mais aparece.
Há também uma lição sobre ritmo competitivo. Shubladze chegou às quartas com quatro partidas na semana, duas delas de três sets. Em vez de pesar, a sequência deu a ela confiança e leitura de quadra. Quem vem do qualifying já jogou o torneio inteiro antes de chegar ao jogo grande.
E a experiência não protege ninguém sozinha. Cirstea tem 20 temporadas de circuito e foi duas vezes às quartas de final de Grand Slam. Mesmo assim, perdeu cinco games de saque para uma estreante. No alto nível, o que vale é a execução no dia.
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