Harriet Dart esperou até os 30 anos para levantar o primeiro troféu de simples da carreira no circuito WTA. Neste domingo (1º), a britânica saída do qualifying venceu a austríaca Lilli Tagger, de 18 anos, por 4/6, 6/3 e 6/4, em 2h16, e ficou com o título do Guangzhou Open, na China.
A conquista fecha uma semana construída na resistência. Dart ganhou sete partidas seguidas, seis delas em três sets. Segundo a Sky Sports, ela sobe do 115º para o 83º lugar do ranking, de volta ao top 100.
Um único break point decidiu o segundo set
A final começou mal para a britânica. Dart perdeu o saque logo no primeiro game e ainda precisou salvar um break point no serviço seguinte antes de vencer o primeiro game. Ela devolveu a quebra para empatar em 4/4, mas Tagger, cabeça de chave 4, respondeu de imediato e fechou o set em 48 minutos.
A partida mudou no saque. No segundo set, Dart venceu 16 dos 17 pontos disputados com o primeiro serviço, e a austríaca não teve nenhuma chance de quebra. A única do set apareceu para a britânica, que a aproveitou para abrir 5/3 e empatar o jogo logo depois.
Cinco quebras seguidas e um forehand na rede
O terceiro set foi o mais instável. Foram cinco quebras consecutivas, encerradas quando Dart salvou dois break points para confirmar o serviço e abrir 5/3. No game seguinte, ela teve dois match points no saque da rival. Um saque forte de Tagger apagou o primeiro. No segundo, Dart mandou na rede um forehand do meio da quadra.
A britânica sacou para o título em seguida e fechou o game cedendo apenas um ponto. No terceiro match point, um saque sem devolução encerrou a final, e ela caiu de costas na quadra. Pela contagem oficial da WTA, Dart terminou com 96 pontos contra 84 e converteu 5 de 11 break points. Tagger aproveitou 4 de 8.

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Seis jogos em três sets e 15 horas em quadra
Dart precisou de duas vitórias só para entrar na chave principal: 5/7, 7/6 (5) e 6/1 sobre Cheuk Ying Shek, de Hong Kong, e 6/2 e 6/1 sobre a japonesa Mei Yamaguchi, o único jogo resolvido em dois sets. Depois vieram Tatiana Prozorova, Janice Tjen, cabeça de chave 2, Paula Badosa, cabeça 5, e a chinesa Sun Xinran, de 16 anos, em uma semifinal na qual salvou match points.
Somados os tempos oficiais dos sete jogos, foram 15h02 em quadra, quase o dobro das 8h08 de Tagger nos cinco dela. Em quatro das vitórias, a britânica perdeu o primeiro set.

O título também entra na história do torneio. Segundo o Tennis Majors, Dart é a primeira britânica campeã em Guangzhou, onde o melhor resultado do país era o vice de Laura Robson em 2012, e a primeira vinda do qualifying a vencer desde Li Na, em 2004, na edição inaugural.
A retomada com Marion Bartoli
Dart chegou ao 70º lugar do ranking em setembro de 2024, mas passou a maior parte das duas últimas temporadas fora do top 100, segundo a BBC. A reação veio no segundo semestre: desde Wimbledon, ela venceu 19 de 24 partidas em quadra dura no circuito. Na temporada, são 23 vitórias em 34 jogos, o melhor aproveitamento da carreira dela.
A BBC aponta o trabalho com Marion Bartoli, campeã de Wimbledon em 2013, como fator importante da retomada. “Marion, agradeço muito todo o seu trabalho”, disse Dart ainda na quadra, segundo a Sky Sports, em um discurso que também citou a família e a equipe. “Vou tentar não ficar emocionada demais.”
A subida no ranking deve garantir vaga direta no Australian Open, em janeiro. Antes disso, segundo a Sky Sports, a britânica já tem compromisso marcado: o torneio de Chennai, na Índia, com estreia contra Polina Kudermetova.
Tagger perde a chance do segundo título
Campeã em Praga nesta temporada e número 53 do mundo, Tagger chegou à decisão embalada. Na estreia, venceu Venus Williams por 6/2 e 6/2, e na véspera da final resolveu a semifinal contra Kaitlin Quevedo em 52 minutos. Também levava vantagem no confronto direto, depois de vencer Dart por 6/4 e 6/2 na final do W100 de Fujairah, neste ano.
“Não foi divertido estar do outro lado da quadra hoje. Você teve um ano incrível”, disse a austríaca à campeã, segundo a BBC. No mesmo domingo, o circuito também definiu o título do WTA 500 de Tóquio, com Diana Shnaider.
O que isso ensina sobre alta performance
A campanha de Dart mostra que resiliência também aparece nos números. Perder o primeiro set quatro vezes em sete jogos e ainda sair campeã exige condicionamento para sustentar partidas longas, dia após dia, e clareza para ajustar o plano quando ele não funciona de início.
O fim da final traz a lição mais prática. Depois de desperdiçar dois match points, um deles com um erro em bola favorável, a britânica não carregou o lance para o game seguinte e fechou no próprio saque. Para atletas e treinadores, voltar ao próximo ponto depois de um erro é uma habilidade que também se treina. E, aos 30 anos, a primeira conquista lembra que o desenvolvimento nem sempre segue o calendário esperado.
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