A Libertadores Feminina de 2026 vai terminar com sotaque brasileiro. Nesta quarta-feira (28), em Quito, no Equador, o Corinthians virou sobre o Independiente Santa Fe, da Colômbia, por 2 a 1, e o Cruzeiro bateu o Olimpia, do Paraguai, por 1 a 0. As duas equipes decidem o título no sábado (31), em jogo único, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, conhecido como Casa Blanca.
De um lado está a maior campeã da história do torneio, dona de seis taças e invicta em finais. Do outro, uma estreante que chegou à decisão logo na primeira participação. Seja qual for o resultado, o Brasil já garantiu a 15ª conquista em 18 edições. E a final ainda pode quebrar uma escrita: nas 17 edições anteriores, nenhum clube brasileiro de fora do estado de São Paulo levantou o troféu.
Corinthians sofre primeiro e vira sobre o Santa Fe
O Corinthians abriu a rodada de semifinais e precisou reagir. O Santa Fe começou melhor e saiu na frente aos 28 minutos: depois de um lançamento longo de Manuela González, a meia Daniela Garavito apareceu nas costas da marcação e finalizou na saída da goleira Lelê. O lance chegou a ser anulado por impedimento, mas o gol foi validado após a revisão do árbitro de vídeo.
A resposta veio ainda no primeiro tempo. Menos de dez minutos depois, a meia Letícia Monteiro bateu de primeira, da entrada da área, e acertou o canto da goleira Jimena Ospina para empatar.
No segundo tempo, o jogo ficou aberto. Por volta dos 30 minutos, o Santa Fe desperdiçou sua melhor chance, com González livre dentro da área. No lance seguinte, um corte errado da zaga colombiana deixou a bola limpa para a lateral Gi Fernandes, que bateu forte e decretou a virada. Dali em diante, as Brabas fecharam os espaços e administraram o placar até o apito final.
A vitória manteve a campanha perfeita. O Corinthians venceu os cinco jogos que disputou em Quito: três na fase de grupos, um nas quartas de final e o da semifinal. Na estreia, havia batido o Colo-Colo por 2 a 0; na segunda rodada, aplicou 7 a 0 no Caracas.
Marília, travessão e defesa no último lance: a noite histórica do Cruzeiro
A segunda semifinal, disputada à noite no mesmo estádio, teve um primeiro tempo travado, com muitas faltas e poucas chances claras. O gol saiu logo no início da etapa final. Byanca Brasil cobrou falta frontal, a bola explodiu no travessão e Marília Furiel, artilheira do Campeonato Brasileiro, estava no lugar certo para empurrar o rebote para a rede.

O cenário ficou ainda mais favorável pouco antes dos 30 minutos do segundo tempo. A paraguaia Villalba derrubou Gisseli para interromper um contra-ataque, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulsa. Mesmo com uma jogadora a mais, o Cruzeiro precisou de um milagre para confirmar a vaga: aos 49 minutos, Casco cabeceou firme após escanteio e a goleira Camila Rodrigues defendeu em cima da linha.
Comandadas pelo técnico Jonas Urias, as Cabulosas chegaram à final na estreia do clube na competição. Na fase de grupos, o Cruzeiro abriu a campanha com vitória por 2 a 1 sobre a LDU Quito e já havia derrotado o próprio Olimpia por 3 a 0 na última rodada, resultado que garantiu a liderança do Grupo C. Nas quartas de final, veio outro 3 a 0, desta vez sobre o Libertad, também do Paraguai.
Corinthians tenta o sétimo título e o tetra seguido
Para o Corinthians, a final de sábado será a sétima da história e a quarta consecutiva. O retrospecto em decisões é perfeito: seis finais, seis títulos (2017, em parceria com o Audax, 2019, 2021, 2023, 2024 e 2025). Os tropeços do clube na competição vieram antes da final, na semifinal de 2020, contra o América de Cali, e nas quartas de final de 2022, contra o Boca Juniors.
Na edição passada, disputada em Buenos Aires, as Brabas empataram sem gols com o Deportivo Cali e venceram por 5 a 3 nos pênaltis, completando o tricampeonato consecutivo. Uma nova taça daria ao clube o tetra seguido e ampliaria a distância para o São José, segundo maior campeão, com três títulos.
O duelo também tem memória recente no futebol nacional. Corinthians e Cruzeiro decidiram o Campeonato Brasileiro Feminino de 2025: empate por 2 a 2 no jogo de ida e vitória corintiana por 1 a 0 na volta, resultado que deu ao clube paulista o heptacampeonato nacional.
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Brasil garante a 15ª taça e pode ter campeã inédita
A final entre brasileiras repete o cenário de 2023, quando o Corinthians venceu o Palmeiras na decisão disputada na Colômbia. Desta vez, o resultado garante ao país a 15ª conquista em 18 edições e a oitava seguida: desde 2019, nenhum clube de outro país vence a competição.
Os números mostram o tamanho do domínio. Desde a criação do torneio, em 2009, só três títulos saíram do Brasil: Colo-Colo, do Chile, em 2012, Sportivo Limpeño, do Paraguai, em 2016, e Atlético Huila, da Colômbia, em 2018. Todos os campeões brasileiros até aqui (Santos, São José, Ferroviária, Corinthians e Palmeiras) são do estado de São Paulo. Se vencer no sábado, o Cruzeiro será o primeiro clube brasileiro de fora de São Paulo a erguer o troféu.
O Brasil teve três representantes nesta edição, com o Palmeiras, e os três avançaram invictos da fase de grupos. A competição reuniu 16 clubes de dez países, todos com jogos na região metropolitana de Quito desde 15 de outubro.
O que está em jogo além da taça
A campeã não leva apenas o troféu continental. Segundo a Fifa, o clube vencedor garante vaga direta na semifinal da Copa dos Campeões Feminina da Fifa de 2027, contra o Barcelona, campeão da Liga dos Campeões da Uefa 2025/26. A fase final do torneio intercontinental será disputada em Miami, nos Estados Unidos, entre 27 e 31 de janeiro de 2027.
O Corinthians conhece bem esse caminho. Na primeira edição da competição, no começo de 2026, as Brabas chegaram à final e perderam para o Arsenal por 3 a 2, na prorrogação, em Londres. Para o Cruzeiro, seria a estreia num palco mundial de clubes.

A decisão acontece também a poucos meses da Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, e reúne em campo duas das principais forças do futebol feminino do país. A Conmebol ainda não divulgou o horário da final. No mesmo sábado, Santa Fe e Olimpia disputam o terceiro lugar, também na Casa Blanca.
O que a final ensina sobre alta performance
As duas semifinais mostraram faces diferentes de uma mesma habilidade: competir sob pressão. O Corinthians levou o primeiro gol, manteve o plano de jogo e virou sem se desorganizar. É o comportamento de um elenco acostumado a decisões, que transforma experiência em calma nos momentos de turbulência.
O Cruzeiro, estreante, venceu por detalhes que nascem no treino: a bola parada bem executada, a atacante atenta ao rebote e a goleira pronta para o lance que decide uma temporada no último minuto. Em jogo único, cada ação conta, e quem domina os fundamentos leva vantagem quando o corpo já está no limite.
Há ainda o fator ambiente. Quito fica a cerca de 2.850 metros de altitude, e as equipes estão na cidade desde a fase de grupos. Com apenas três dias entre a semifinal e a final, recuperação, sono e gestão de carga pesam tanto quanto a tática. Para atletas de qualquer nível, a lição é a mesma: o resultado do dia decisivo começa a ser construído muito antes do apito inicial.
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